
Reflexões Científicas Sobre Viver no Automático ou Mindful
É normal automatizarmos tudo o que aprendemos. Quando automatizamos, nossa atenção, não mais pausa facilmente naquilo que já sabemos ou já conhecemos, até nas situações prazerosas! O problema é que quando estamos habituados a uma tarefa, corremos o risco da distração e dos devaneios. Quais as vantagens de viver no modo automático e no modo mindful? Será possível usar o modo automático com parcimônia? Escute! E também descubra o porquê da importância de estarmos o mais conscientes possível!
Transcrição
Você consegue funcionar no modo de piloto automático?
Se sim,
Meus parabéns!
Você deve ser uma pessoa que consegue fazer muitas coisas.
Quando você está aprendendo algo novo,
É muito fácil que a sua atenção permaneça sustentada naquilo que te desafia,
Desde aprender uma nova língua,
Andar de bicicleta,
Fazer alguma tarefa mais desafiadora do trabalho,
Nos seus estudos.
Uma vez aprendida qualquer tarefa,
O seu cérebro a automatiza.
Check!
Se você,
Por exemplo,
Vai aprender a fazer um malabarismo,
A sua mente no início se mantém muito presente.
Você está consciente das sensações,
Das emoções,
Está completamente focado.
E quando você automatiza a tarefa,
Passa a executá-la no modo de piloto automático,
Podendo conversar,
Ouvir uma música e fazer qualquer outra coisa sem prestar atenção nisso.
E dessa forma,
A sua atenção não mais repousa,
Não mais se sustenta na tarefa,
Uma vez que ela é dominada.
E é aí que mora o perigo,
Dependendo das situações,
Ou como diria Caetano,
Ou não.
A atenção só se sustenta quando temos um novo estímulo ou um novo desafio para nos manter presentes e engajados.
Por exemplo,
É por isso que eu adoro o yoga.
Sempre tem uma nova complicaçãozinha para tornar a prática ainda mais desafiadora,
E isso me ajuda a estar lá consciente de pensamentos,
Emoções e sensações corporais.
Porque se não levarmos a atenção,
Especialmente para uma aula de yoga desafiadora,
Ao final podemos ficar bem quebradinhos,
E isso não é nada interessante.
Em um mundo cada vez mais corrido e cheio de estímulos,
Esse papo de prestar atenção em uma única coisa e se fazer presente parece meio contraditório,
Não é mesmo?
Observe a sua própria vida.
Em quantas situações ao longo do dia está fazendo duas ou mais coisas ao mesmo tempo,
Usando o piloto automático?
E qual o impacto disso em sua mente,
Em sua saúde,
Em sua qualidade de vida?
Esse processo,
Em psicologia,
Se chama automatização.
Portanto,
Cada um é capaz de fazer a sua própria autoanálise para identificar quais as vantagens e as desvantagens de funcionar no piloto automático,
Tendo em vista que a nossa vida acontece onde está o nosso corpo,
Ali,
Com todos os seus sentidos,
E não necessariamente onde a nossa mente,
Distraída de modo não intencional,
Acaba indo parar.
Que me desculpem muitos mestres super espirituais,
Que têm receitas de como se lava uma louça,
Se prepara um chá,
Com todo o foco,
Com toda a atenção.
Eu,
Enquanto preparo um chá,
Sou capaz de resolver mais cinco coisas do que eu tenho para fazer no meu dia.
Não vejo o menor sentido de estar ali,
Observando aquela chaleira,
Observando a água borbulhar,
Aquilo chega a me dar um nervoso,
Meu Deus do céu.
Podemos escolher o que fazer do nosso tempo e com a nossa energia.
Podemos escolher onde repousar a nossa atenção.
O piloto automático,
Ou a automatização,
Não é uma completa desgraça,
Não.
Eu sei utilizar isso ao meu favor,
E você também pode.
Não é um defeito do nosso cérebro,
Não é um bug.
É um default mode,
É um modo padrão do cérebro funcionar uma vez aprendida uma tarefa.
Mas como podemos usar o piloto automático,
A automatização,
A nosso favor?
Eu uso dois critérios.
Tarefas que não demandam uma alta performance,
Uma nota 10 na sua execução,
Podem sim serem executadas num modo mais automatizado,
Enquanto você leva a sua atenção de modo intencional para outros estímulos.
Por exemplo,
Eu sou capaz de lavar a minha louça,
Arrumar a minha casa,
Que são coisas que eu detesto fazer e não há como eu possa gostar disso,
E portanto eu não vejo sentido de estar tão focada,
Tão presente,
Supostamente curtindo algo que eu não curta.
Sendo que eu posso escolher para onde levar a minha atenção.
Por exemplo,
Conversar com alguém,
Prestar atenção numa música,
Ou inclusive refletir sobre a minha vida.
Nessas horas eu ligo sim o meu piloto automático,
Tendo em vista que essas tarefas já estão completamente dominadas,
E encontro escolhas do que eu faço com o meu tempo e com a minha energia.
E essas tarefas que para mim são mais chatas,
Ficam muito mais suaves.
E não se preocupe que paralelamente a isso,
Enquanto a minha atenção não necessariamente está naquela tarefa já altamente automatizada,
Ainda assim ela fica executada dentro de um nível bastante satisfatório.
Afinal de contas,
Quantas vezes já repetimos diversas tarefas?
Conseguimos sim dividir a nossa atenção entre tarefas totalmente dominadas e seguras.
Por exemplo,
Qual o problema de comer na companhia de um amigo,
Conversando e às vezes olhando o celular?
O problema é a perda da intenção e da condição de escolha quando você é escravinho do celular.
Sua mãozinha vai automaticamente para ele,
Sem você desejar perdendo o sabor da comida e o que diz a sua companhia,
Ao invés de escolher um momento para conferir o celular conscientemente.
Lembre-se,
Você tem escolhas de como gerenciar a sua atenção.
E lembrando do segundo critério para escolher quando podemos atuar no modo de piloto automático,
Que é o não se mate,
Não se coloque em riscos.
Não se pode dirigir um carro ou uma moto ou andar à noite sozinho em cidades perigosas sem estar com a sua atenção naquele momento.
É isso que eu chamo de risco.
Nessas situações precisamos estar muito presentes,
Porque por um triz de bobeira atencional,
De cegueira atencional,
Você sabe o que pode acontecer.
E para determinar quais são essas tarefas seguras,
Você precisa do mindfulness para identificá-las.
Mindfulness garante essa possibilidade de autoconhecimento,
Auto-observação,
E quando você traz essa qualidade de atenção para o que está fazendo,
Vai poder identificar quais são as situações seguras,
Quais são as tarefas altamente automatizadas,
E poder identificar quando é interessante lançar mão da atenção concentrada ou focada e quando você pode usar a atenção dividida.
Mas e quais as desvantagens de atuar no modo de piloto automático?
A principal desvantagem é quando nós perdemos a condição da intenção.
Quando esse modo se aciona sem que nós desejamos.
Especialmente em momentos onde a nossa qualidade de atenção poderia trazer uma maior riqueza para as nossas experiências vivenciadas.
Por exemplo,
Roubando a possibilidade de identificar inovações,
Soluções,
Novas perspectivas de olhar para as mesmas situações da nossa vida,
Ou simplesmente curtir um pouco mais diversas situações da nossa vida,
Especialmente as oportunidades de descanso e divertimento.
Momentos importantes,
Ou perigosos,
Ou prazerosos,
Desafiadores,
Ou muito diferentes,
Merecem um pouco mais da sua atenção para que você não perca oportunidades e possa vivenciar com maior plenitude esses estímulos porque eles poderão trazer mais vantagens se você trouxer a sua atenção,
Consciência e estado de presença.
E lembrando que automatizamos inclusive aquilo que é prazeroso.
E na psicologia é o que denominamos de habituação hedônica.
Isso significa que o que tinha graça antes,
Outrora,
Vai perdendo aquela onda.
E o quanto é importante estarmos muito atentos,
Presentes,
Mantendo a nossa capacidade criativa e inovadora para que o tédio não tome conta de nossas vidas.
E aí,
Esse vídeo não pareceu óbvio?
Compartilhe como você define os seus critérios de estar presente ou no modo automático em situações da sua vida.
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