
Atenção aos Nossos Desejos
by Pedro Kupfer
A meditação sobre os desejos nos ajuda a compreender que não há nada de errado em termos vontades. Esclarece o mito de que o nirvana consiste em suprimir ou eliminar todo tipo de desejo. Esta prática nos ajuda a viver em paz com a nossa própria mente, que é, aliás, uma sucessão infindável de desejos. Isso, por sua vez, nos ajudar a compreender o nosso lugar na Ordem Maior.
Transcrição
Olá,
Esta é a meditação sobre os desejos.
Convido você para começar agora.
Em primeiro lugar,
Verifique por favor se sua postura está confortável,
Se as costas estão eretas e o corpo naturalmente relaxado.
Suavemente feche as pálpebras e observe as sensações na região do intercílio.
Relaxe conscientemente esta área e depois estenda esse relaxamento para o rosto inteiro,
O pescoço,
Os ombros,
Os braços e as mãos,
O tronco e a base,
As pernas e os pés.
Por um momento escute agora a sua respiração natural.
Você não precisa respirar fundo nem prender a respiração.
Apenas tome consciência de que estava respirando e continua respirando agora,
Só que conscientemente.
E então eu convido você para prestar atenção ao tema que nos ocupa.
Desejar é um imenso privilégio do qual os humanos somos dotados.
Pense em todas as conquistas e realizações da humanidade.
É tudo fruto do desejo.
A música,
A dança,
As línguas,
Os alfametos,
As ciências são unicamente o fruto do desejo pela autossuperação,
Do desejo por termos saúde ou longevidade,
Do desejo de encontrar formas de expressão criativa ou achar respostas às grandes questões.
Os desejos são parte fundamental da ordem psicológica humana.
O problema não é o desejo em si,
Mas a maneira em que lidamos com ele.
Uma coisa é termos desejos,
O que é perfeitamente natural.
Outra,
Muito diferente,
É sermos governados por eles.
Em outras palavras,
Não há nada de errado em desejar,
Mas precisamos ter cuidado para não nos tornar escravos dos nossos próprios desejos.
Sem desejos não conseguimos realizar nada.
Sem desejos não podemos nem sequer escolher a roupa que vestimos ou a comida que colocamos no prato.
Então,
Não temos necessidade de negar os desejos,
Nem de nos sentir culpados por tê-los.
Ainda assim,
Precisamos igualmente levar em consideração que,
Por desejáveis que sejam os desejos,
Eles não são,
E nunca serão,
Uma fonte de felicidade ou realização pessoal.
Isso deve ficar claro,
A felicidade não depende da realização dos desejos,
Eles são infindáveis,
Cada desejo dá origem a outro.
Se tivéssemos que realizar todos os nossos desejos para depois sermos felizes,
A vida não iria nos alcançar,
E a felicidade nunca estaria conosco.
A felicidade não é o resultado de um desejo,
Nem uma ação,
Nem uma experiência.
É simplesmente o reconhecimento de que,
Presente em cada pensamento,
Em cada desejo,
Em cada ação e emoção,
Há uma luz que ilumina tudo.
Essa luz é a consciência que você é.
Há muitas práticas através das quais podemos aplicar esta visão.
Uma delas é dedicarmos tempo e esforço em prol do bem-estar dos demais.
Assim aprendemos a tirar o foco do nosso próprio ego.
Quando nos dedicamos,
Mesmo que seja por um momento só,
A cuidar de reduzir o sofrimento do outro,
A reconhecer a consciência ilimitada que também é o outro,
Conseguimos redimensionar de forma realista os nossos próprios desejos.
Isso,
Por sua vez,
Nos permitirá perceber que eles perdem a força.
Agora,
Existem dois tipos de desejos.
De um lado,
Aqueles que estão vinculados com o sofrimento das nossas necessidades básicas,
Como saúde,
Nutrição e repouso adequados.
Do outro lado,
Aquilo que não é essencial para nossa sobrevivência,
Mas que pode nos trazer prazer,
Conforto ou satisfação.
Qualquer desejo,
Seja do tipo que for,
Deve estar alinhado com o bem comum.
Em outras palavras,
Precisamos pensar se temos o direito de realizar desejos que possam atropelhar o direito dos demais ou que provoquem neles sofrimento.
Se esse for o caso,
Seria melhor nos abster de realizar esse tipo de desejos.
Uma forma bem eficiente de lidar com desejos muito persistentes,
Ou sobre os quais possamos ter este tipo de dúvidas,
É evitar o primeiro impulso de satisfazê-los.
Ou seja,
Aprendermos a resistir e contar a tendência antes de nos lançar mecanicamente a realização de vontades.
Dessa maneira,
Nesse período,
Poderemos ponderar se essas nossas vontades estão alinhadas com o bem comum e se de fato precisamos realizá-las.
Então,
Voltando ao início,
Lembremos que desejar é aquilo que nos torna humanos.
Tomando os desejos como a bênção que eles são e apreciando-os objetivamente,
Evitaremos projetar a nossa felicidade neles.
Assim,
Vivemos felizes antes dos desejos,
Durante e depois deles.
Bom,
Concluímos aqui.
Lentamente agora,
Traga de novo a consciência para a sua respiração natural.
Se for o caso,
Faça a respiração um pouco mais longa e mais profunda.
Agora observe por um momento as suas sensações físicas,
Abra os olhos devagar e prepare-se para viver consciente e tranquilo os próximos momentos ao longo deste dia.
É meu desejo que você consiga uma relação equânime com os seus próprios desejos.
Tudo de bom.
Namastê.
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