
Menos Culpa, Mais Autorresponsabilidade
Quando a vida fica difícil - e fica, sempre, em um ou outro aspecto, não importa o que aconteça - nossas mentes apontam o dedo para outro lugar tão rapidamente que muitas vezes nem percebemos que estamos fazendo isso. É importante aceitar as restrições da vida, os desafios, e transformá-los em oportunidades de desenvolvimento pessoal. Substitua o impulso de culpar pelo compromisso de compreender; e escolha a curiosidade em vez da certeza.
Transcrição
Olá!
Hoje eu vou falar com você sobre um tema que vem sendo o maior objeto das minhas reflexões recentemente.
Por que culpamos tanto?
Quando a vida fica difícil e fica sempre em um ou outro aspecto,
Não importa o que aconteça,
Nossas mentes apontam o dedo para outro lugar tão muitas vezes nem percebemos que estamos fazendo isso.
Culpar,
Então,
Se torna uma forma de navegar pelo mundo,
Uma lente para tudo na vida.
Vou trazer algumas situações para você entender do que estou falando.
Se você passar na prova de direção de primeira,
Provavelmente vai pensar que isso aconteceu devido às suas excelentes habilidades de direção.
Mas se não passar,
É muito provável que culpe o avaliador incompetente,
O carro horrível,
O mau tempo,
Bem,
Praticamente qualquer outra coisa que não seja o seu próprio desempenho.
Este é o chamado viés da autoconveniência.
Se deu certo,
Foi graças a mim.
Se deu errado,
Foi por causa de outra pessoa ou de alguma outra coisa.
São incontáveis as situações em que adotamos o mecanismo mental.
Outra coisa que fazemos com frequência é o que os pesquisadores chamam de erro fundamental de atribuição.
Quando outras pessoas cometem erros,
Culpamos a pessoa.
Mas quando nós mesmos cometemos os erros,
Culpamos as circunstâncias.
Digamos que você tirou sua carteira de motorista,
É claro,
Graças às suas excelentes habilidades de direção,
E está na velocidade,
Quando de repente alguém ultrapassa você em uma velocidade absurda,
Bem acima do limite permitido.
Na mesma hora,
Você conclui que o outro motorista é um louco imprudente.
Mas se os papéis estivessem invertidos,
E você estivesse dirigindo rápido demais,
É bem possível que você fosse culpar as circunstâncias.
Ora,
Ao contrário de outros motoristas,
Você não é um irresponsável.
Se você está em alta velocidade,
Certamente existe uma justificativa muito plausível para isso.
Uma emergência de saúde,
Ou é porque você precisa chegar a um compromisso importantíssimo,
Algo dessa natureza.
Mas com certeza não vai passar nem de longe pela sua cabeça que você seja o imprudente,
Algo que de forma tão natural você atribuiu ao imprudente desconhecido.
A nossa autoavaliação normalmente é inflada em relação à realidade.
Temos a tendência de considerar que somos melhores do que a maioria.
É um excesso de confiança irracional em nós mesmos.
É a chamada síndrome da superioridade ilusória.
Um estudo conduzido nos Estados Unidos constatou que 80% dos motoristas consideram que dirigem melhor do que a média.
E tendências semelhantes também foram encontradas quando as pessoas avaliam a sua popularidade ou a sua inteligência.
Como você provavelmente já percebeu,
Se não estivermos muito alertas,
A gente cai fácil fácil nas armadilhas da nossa própria mente e passa a viver se eximindo da responsabilidade e culpando os outros por qualquer coisa que acontece.
Entramos no piloto automático e quando nos damos conta,
Já foi.
Nos vemos novamente repetindo aquele padrão.
Parece que não tem jeito.
Se você quer pensar que culpar não é algo com que você deva se preocupar tanto assim,
Pare.
Pense novamente.
Culpar os outros pode sim ter consequências de longo prazo na sua vida e na vida de todo mundo que está perto de você.
Aqui são poucos exemplos do que você tem a perder.
Seu crescimento pessoal,
Por quê?
Culpar os outros é uma forma de diminuir as pessoas.
É uma forma tão natural de diminuí-las que acaba sendo também uma ótima maneira de afastá-las de você ou de criar um ambiente perigoso onde não há confiança e a outra pessoa sempre se sente julgada e desvalorizada quando está perto de você.
Ela se afasta e você segue na miopia irracional,
Abrindo mão de valiosas oportunidades e se tornar melhor.
O que pode também acontecer é que a sua influência positiva sobre os outros e sobre você mesmo deixa de ser percebida.
A culpa foi considerada por um estudo recente como contagiosa.
Se você culpa,
É mais provável que as pessoas ao seu redor culpem os outros pelas coisas que você faz.
Em outras palavras,
Você está espalhando essa tendência de evitar responsabilidades para as pessoas ao seu redor.
Pense nas implicações disso,
Especialmente se você tem filhos pequenas ou se exerce qualquer tipo de liderança,
Seja ela formal ou informal,
Isso de verdade não faz a menor diferença,
Desde que você seja uma referência para outras pessoas.
A pergunta que a gente pode fazer nesse momento é a seguinte,
Afinal,
Por que culpamos?
Por que me sinto tão mal comigo mesmo que acabo culpando os outros como uma forma de me sentir melhor?
Culpar é uma forma de externalização que minimiza a dor psíquica.
Afinal,
Na maioria dos casos,
A maneira mais fácil que encontramos de evitar a dor é externalizá-la,
Para projetar o nosso desconforto,
A nossa raiva ou a nossa dor em uma pessoa ou em outra situação.
A nossa urgência,
De forma inconsciente,
Passa a ser a de afastar de nós a responsabilização por tudo aquilo que consideramos negativo e que vai nos trazer desconforto.
Mas eu não poderia deixar de abordar aqui o outro extremo do espectro da culpa,
Que é a internalização excessiva.
Enquanto a culpa projeta ansiedade,
Raiva e outras emoções difíceis em outras pessoas,
A internalização nos faz sentir que carregamos todo o fardo da experiência negativa e que somos os responsáveis por tudo que acontece.
Frequentemente,
Somos muito rígidos com nós mesmos,
Consideramos qualquer erro como um fracasso pessoal.
O medo da desaprovação social nos leva a uma armadilha,
Ou nos martirizamos para ser os melhores em tudo,
Ou desestimamos de vez.
Precisamos ser conscientes e buscar compreender as intenções subjacentes a essa tendência de nos culparmos.
Assim,
Podemos descobrir as nossas inseguranças,
Vulnerabilidades,
Expectativas e a gente pode conseguir,
Quem sabe,
Descobrir alguns cantinhos e feridas do nosso ego que estavam ali,
Bem escondidos,
Por trás de tanta autopunição.
Se ambas as abordagens,
A externalização e a responsabilização,
Nos colocam em apuros,
Qual é a melhor abordagem para entender o nosso papel nas situações negativas?
A gente tem que buscar um equilíbrio,
Um meio termo desses impulsos,
Um reconhecimento apropriado da responsabilidade de outras pessoas e uma propriedade saudável da nossa responsabilidade em cada situação difícil.
E o que significa ser responsável?
Basicamente,
Significa compreender o papel que desempenhamos na maneira como a vida acontece,
E não assumir mais ou menos responsabilidade do que deveríamos.
Embora nem sempre tenhamos participação ativa nas dificuldades pelas quais passamos,
O mais comum é que elas decorram,
Sim,
De nossos próprios erros e fraquezas.
A verdadeira responsabilidade requer autoconsciência e,
Talvez o mais importante,
Uma disposição para suportar a dor que vem com a atribuição honesta dessa responsabilidade.
Para fazer isso,
Temos que substituir o impulso de culpar pelo compromisso de compreender e escolher a curiosidade em vez da certeza.
É preciso considerar as diferentes perspectivas em questão,
A nossa própria,
A dos mais envolvidos,
A do mundo em que a gente está inserido,
Para entender as frases reais dessas dificuldades.
A partir dessa abordagem mais empática,
É possível navegar por conflitos e problemas com mais honestidade e diagnosticar a situação com mais precisão,
De forma mais justa.
Refletir acerca da responsabilidade nos permite retomar parte do controle,
Pois nos sentimos menos vítimas e saímos da perspectiva egocêntrica que vai dando cada vez mais munição à culpa.
É importante aceitar as restrições da vida,
Os desafios e transformá-los em oportunidades de desenvolvimento e de evolução.
Eu escolhi algumas perguntas que podem ser úteis para você entender como a responsabilidade por uma situação acontece.
Como chegamos a essa situação?
Que eventos,
Que decisões,
Que fatores levaram a esse momento?
Quem mais está envolvido na situação?
Quais são os seus papéis e as suas responsabilidades?
Qual é a minha responsabilidade nessa situação?
E o que eu posso fazer de diferente para isso não acontecer de novo?
A quem eu devo pedir desculpas?
E quem eu devo perdoar?
Que habilidades eu preciso desenvolver para estar mais forte numa próxima eventualidade?
Faça essas perguntas para você e,
Em vez de ir pelo caminho mais fácil,
Que é o de culpar o outro ou a si próprio,
Reflita e dê o devido peso a cada elemento da situação.
Com o tempo,
Você pode tornar a responsabilidade um hábito.
Se você não desenvolveu autorresponsabilidade até hoje,
Ela não vai aparecer por você,
Sem o esforço da sua parte.
Você vai ter que treinar isso como se fosse um músculo.
Assumir a responsabilidade não significa fazer muito mais trabalho do que o necessário.
É aceitar que você é o único que pode mudar a sua vida para melhor.
Se você não gosta de como está vivendo,
É importante reservar um tempo para mudar isso.
Ninguém pode fazer isso por você.
Comprometa-se a ter a responsabilidade pela sua parte,
Mesmo quando for desconfortável,
Frustrante ou até constrangedor para você.
Quando você escolhe compreender em vez de culpar,
Você abandona a suposição de que está completamente certo e,
Necessariamente,
Eles estão completamente errados.
Você opta por ter empatia pela outra pessoa e se abre para reconhecer o seu papel na situação.
No final das contas,
Essa mudança vai tornar as coisas melhores no futuro,
Porque embora culpar muitas vezes pareça a resposta mais fácil num momento,
Ela sempre cria o conflito adicional.
Você perde a oportunidade de desenvolver soluções para o problema agora e o problema então aumenta,
O que torna mais tentador culpar o outro,
O que perpetua o ciclo.
Quando você passar por esses tempos,
Resista ao impulso de passar a culpa e,
Em vez disso,
Assuma o controle.
Dessa forma,
Você pode corrigir o curso continuamente,
Tomar decisões mais sábias e obter melhores resultados.
Agora,
Te deixo com uma frase do Deepak,
Que fecha com chave de ouro as reflexões de hoje.
Quando você culpa e critica os outros,
Você está evitando algumas grandes dificuldades sobre si mesmo.
Eu vou adorar ler o seu comentário e saber o que achou das inflexões.
Feedbacks são muito bem-vindos!
Até a próxima!
Conheça seu professor
4.8 (61)
Avaliações Recentes
More from Marina Andrade
Meditações Relacionadas
Professores Relacionados
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
