Meditação da Montanha Esta prática utiliza a imaginação,
A respiração e as sensações corporais para experienciarmos o que significa estar no modo ser.
Sentando-se,
Procurem ter uma noção clara do vosso corpo a descansar.
No colchão,
No zafu ou na cadeira.
E se estiverem sentados no chão,
Observando os pés,
As pernas e as nádegas.
Se estiverem sentados numa cadeira,
Observando os pés em contacto com o chão.
Sentindo verdadeiramente o enraizamento.
Talvez acada a expiração sentindo o corpo a descansar,
A repousar cada vez mais.
E assim,
A parar.
Parar para chegar mesmo aqui,
Ao corpo,
No lugar onde estiverem neste momento.
Estejam,
Então,
Com esta sensação de chegar.
E podem,
Se vos fizer sentido,
Fechar os olhos.
Trazendo atenção para a inocência do corpo aqui sentado.
Sentindo como a coluna sai gentilmente para fora do sítio onde nos encontramos sentados.
Corovando-se para fora.
Elegante,
Dignificado.
Podem apreciar a sensação da curva do pescoço.
Conectando-se,
Se vos fizer sentido,
Com a imagem de um cisne enquanto desliza num lago.
Elegante,
Numa suavidade sem esforço.
Reparem na sua cabeça,
Numa postura simplesmente equilibrada.
E notem como o corpo,
O nosso corpo,
Segura esta sensação,
Esta intenção clara de estarmos presentes,
De estarmos acordados.
E ficando nesta postura direita,
Permitindo que a atenção possa repousar na respiração.
Onde vos parecer mais vívida nesta prática,
Neste momento.
Pode ser nas narinas,
Na garganta,
No peito,
Ou mesmo na barriga,
Na zona abdominal.
E depois,
De forma gentil,
Mas clara,
Começando a seguir o movimento da respiração.
Sentindo a entrada e a saída do ar.
E aquele pequeno espaço entre a entrada e a saída do ar.
Aprecedendo-se desse espaço,
Dessa pausa.
Seguindo de uma respiração para a outra,
O melhor que conseguirem.
Inspirando,
E a inspirando.
Como se estivessem a navegar as ondas da respiração.
E quando perderem o contacto com a respiração.
Quando notarem que estão longe,
Envolvidos em pensamentos ou sentimentos.
Lembrando-se que podem voltar assim que quiserem,
Retomando a próxima respiração.
Não existe necessidade de julgar a mente por andar à deriva.
Basta voltar simplesmente a focar o próximo movimento da respiração.
Começando de novo a segui-la.
Estando aqui,
Sentados,
A respirar desta forma.
Convidando para a consciência,
Neste momento,
A sensação de uma montanha que conheçam.
Ou a imagem de uma montanha imaginária.
Visualizando,
Da forma que vos fizer sentido,
Uma montanha bonita,
Sublime e majestosa.
Como se estivessem algures,
Sentados,
Simplesmente a contemplá-la.
Enquanto inspiram,
E a expiram.
Observando a sua forma no geral.
Observando,
Talvez,
A forma como o Sol surge no céu azul.
Ou,
Talvez,
Num céu com nuvens.
Observando a base da montanha,
Enraizada na terra,
Sólida,
Ligada,
Profundamente enraizada.
Os lados inclinados da montanha contendo,
Talvez,
Floresta ou riachos.
Voltando à inspiração e à expiração.
Contemplando apenas esta bela montanha.
Imóvel,
Calma,
Quieta.
E agora,
Observando a vossa postura neste momento.
Estão parados,
Quietos,
Sentindo as raízes da vossa postura em relação à cadeira,
Ao chão,
Até à terra,
Por baixo de vocês.
Percebendo que estão sentados como se fossem uma montanha.
Fortes,
Imóveis,
Com o cume da montanha acima da cabeça.
Como uma coroa,
A erguer-se sem esforço em direção ao céu.
Sentindo as encostas inclinadas dos ombros,
Costas,
Peito,
Como as colinas da montanha.
Sentados como uma montanha,
Reparando na respiração a mover-se gentilmente dentro de vós.
E,
Talvez,
Conseguindo observar que a mente que vagueia,
Ou as emoções que surgem,
São como nuvens.
Ou como o tempo a passar ao lado da montanha.
Por isso,
Deixando que a respiração seja o vosso guia,
A vossa âncora,
Observando a vossa experiência.
Notem os pensamentos,
As emoções,
As sensações corporais,
Como sendo nuvens que passam.
Ou como sendo o tempo que vai mudando,
Apenas passando pelas encostas da montanha.
Vocês,
Como a montanha,
Mantêm-se quietos,
Firmes,
Fortes,
A sentir a ligação através do chão até à terra.
Sentindo a forma como o cume se ergue até ao céu.
Os pensamentos,
Como as emoções,
Escorregam,
Ou passam simplesmente por vocês.
Enquanto permanecem quietos,
Dignos,
Elegantes.
Enquanto respiram e observam.
E se alguma tempestade de emoções ou de pensamentos ocorrer.
Uma tempestade escura,
Chuva,
Ou mesmo neve.
O reflexo da montanha mantém-se intacto,
A testemunhar.
Vejam se é possível relacionarem-se com isto,
Com a experiência das emoções ou dos pensamentos,
Enquanto observam.
Com a respiração a mover-se,
O corpo parado e a vossa experiência a passar.
Mantendo a sensação de serem a montanha,
Firme e imóvel.
Focando-se completamente no agora,
Neste momento.
Para além das palavras,
Dos pensamentos.
Uma montanha centrada,
Enraizada e imóvel.
Sendo a montanha que permanece enquanto o dia se torna noite e a noite se torna dia.
Enquanto as estações mudam,
Enquanto as tempestades vêm e vão.
Ainda assim,
A montanha permanece.
E se se aperceberem que estão a deixar-se envolver pelo tempo que está a passar,
O clima externo.
Ou mesmo pelo vosso clima interno,
Como pensamentos ou emoções.
Talvez possam utilizar a respiração para voltar a sentir-se em contacto com o corpo.
Sentindo diretamente o sítio onde estão sentados.
Os pés no chão,
A forma como as costas se erguem até o cume.
E gentilmente,
Muito gentilmente,
Voltando à sensação da montanha sentada na sua quietude.
Dissolvendo agora a prática,
Gentilmente.
Abrindo os nossos olhos,
Mexendo o nosso corpo.