
Carreira com Propósito - Transformando uma Crise Profissional em Oportunidades
by Laiz Marina
Mentora de carreira, Mariane Nicoloso me contou de que maneira podemos encontrar propósito dentro da nossa profissão mesmo que estejamos passando por uma fase ruim. Acreditem, não é preciso jogar tudo para o alto e começar do 0!
Transcrição
Mariane Nicoloso,
Ela é mentora de carreira e vai conversar com a gente hoje para esclarecer um pouco mais sobre carreira com propósito.
Por que tantas pessoas estão deixando as suas profissões e partindo para um plano B,
Digamos assim?
Eu penso que são diversos fatores,
Eu acho que essa é a grande questão que a gente deve olhar.
A gente viveu num momento onde as pessoas não tinham possibilidades que hoje a gente tem.
As pessoas não tinham informação no passado,
Então elas se limitavam.
Eu nasci para trabalhar,
Comprar minha casa,
Construir minha família e depois pronto,
Acabou a vida e é por aí.
E hoje já não é mais,
Hoje as pessoas têm muita informação.
Eu penso que isso é uma das questões que me chamam a atenção.
Por que as pessoas estão infelizes?
Em primeiro lugar,
Porque elas vêm de uma história cheia de marcas e quando chega na vida adulta elas começam a não encontrar significado no que estão fazendo.
Em segundo lugar,
Um mundo cheio de informações aonde você tem que ser bom.
Você tem que ser muito bom,
Você tem que entender de tudo,
Você tem que fazer tudo.
Você tem que ter uma família perfeita,
Você tem que ter bons relacionamentos,
Você tem que ser o 10 dentro da empresa,
Geralmente é isso.
Alto desempenho,
Porque senão você não vai sobreviver.
Então as pessoas acabam estando nesse mundo e acabam,
Para mim,
Levando a doença por essas situações todas.
Há alguns dias atrás,
Eu conversava com uma pessoa e ele me disse assim,
Eu não consigo acordar de manhã e vir para a empresa.
Quando eu penso nisso,
Eu já começo a ter sensação de tremor,
Inclusive que já entrou agora no processo de afastamento por causa disso.
E era engraçado que ele me relatava assim,
Eu gosto até da empresa onde eu trabalho,
Mas eu não sinto mais vontade de fazer o que eu fazia,
Eu não encontro mais sentido naquilo.
E isso leva ele com uma doença.
Então acho que assim,
Não dá para dizer um fator,
São vários fatores que fazem as pessoas estarem felizes do trabalho.
Mas em contrapartida,
A gente tem organizações onde as pessoas estão muito felizes.
Qual é essa mágica?
Por exemplo,
Eu vejo movimentos de organizações onde eles olham para o indivíduo como fazendo parte,
Como um ser humano,
Entendendo tudo o que está em torno dele e fazendo com que esse ambiente seja melhor e ele possa viver ali dentro.
Por exemplo,
Eu estou em uma empresa que a empresa quer ter resultado financeiro e ser lucrativa.
Isso é básico,
Toda empresa precisa disso para sustentar,
Mas o que está além disso?
E eu tenho sentido que muitas pessoas que eu vou encontrando nesse caminho e até já passei por essa situação,
A gente tem um pensamento de que a gente precisa largar tudo o que a gente está fazendo para encontrar esse propósito dentro do trabalho.
Mas eu também tenho a percepção de que de repente é você encontrar o propósito dentro daquilo que você já está fazendo.
O propósito não está nos lugares,
O propósito está na gente.
Enquanto eu não me conheço,
Enquanto eu não entendo o que eu sei fazer de legal,
O que me faz bem,
Como é que eu vou procurar lá fora?
Por que quando eu tenho um propósito de poder facilitar para que as pessoas possam se sentir melhores,
Por que eu acabo parando dentro de um ambiente desse?
Aí eu vou dizer,
Não,
Eu vou sair do ambiente desse e daí essa que a deixa,
Sabe?
Não,
Eu vou encontrar uma forma de poder impactar aquele ambiente.
Às vezes isso,
Quando eu me dou conta disso,
Tudo fica diferente.
Mas isso só acontece se eu sei o que eu quero,
Entendeu?
Então vamos lá,
Né?
A gente está falando aqui de,
Em primeiro lugar,
Fazer uma reflexão e se voltar para esse estudo de autoconhecimento.
Antes de tomar qualquer decisão,
Precisa existir essa certeza do que essa pessoa quer,
Para onde ela quer ir,
Qual é o propósito dela,
É isso?
É,
Eu digo que é começar a tomar consciência,
Sabe?
Eu não acredito que um processo de autoconhecimento é da noite para o dia,
Ele é um caminho,
Né?
E também não acredito naquele propósito,
Ah,
É definitivo para o resto da vida.
Também eu acho,
Na minha percepção,
Isso passa por transformações.
Então,
Mas quando eu entro nesse universo,
Eu começo a tomar consciência das minhas questões para com aquele meio.
Eu estou mais consciente de mim mesma,
Eu começo a observar,
Não é?
Meu corpo começa a dar sinais,
Eu começo a sentir dores,
Eu começo a entender,
Ah,
Não estou respirando legal,
Então meu corpo vai dando sinais,
Porque é sistêmico,
Não sou separada.
Então,
Às vezes eu começo a ter conflitos demais com a minha família,
Quando eu retorno do trabalho,
Então várias questões vão trazendo e somando o que pode vir a criar uma doença.
A grande questão,
É por isso que eu falei do processo de autoconhecimento,
É se eu entro nesse universo,
Eu tomo consciência mais rápido daquela situação,
Mas eu consigo calibrar isso e não entrar no processo de doença.
Você já identifica quando ele está acontecendo e a partir desse autoconhecimento,
Dessa autopercepção,
Você tem o controle.
É,
Não é tão racional o controle,
Sabe?
Mas deixa eu te falar assim,
Por exemplo,
Vamos supor que eu estou numa situação com alguém lá do trabalho e que a gente se desentendeu.
Certo.
E na minha estrutura de personalidade,
Na minha estrutura de comportamento,
Eu sou explosiva.
Ah,
Ok.
E daí é muito difícil eu respirar antes de ser explosiva,
Eu acabo sendo explosiva,
Mas daí eu não entro naquilo,
E por isso que eu estou falando do autoconhecimento,
Eu não vou mergulhar naquilo e ficar no processo,
Por exemplo,
De raiva e angústia.
Nossa,
Parece uma entrevista que eu fiz com a Tati Parker,
Que falava sobre inteligência emocional.
Parece que tem alguma coisa a ver aí.
Tá,
Obrigado!
E aí a gente entra numa questão que é o seguinte,
De que forma eu vou fazer essa transição que seja mais saudável e sem traumas?
Você como mentora de carreira,
Que atende pessoas que não sei o que eu quero,
O que eu faço?
Quero sair,
Mas quero sair de uma forma legal,
Fazer o que eu gosto.
Como sair disso?
Como tornar isso possível de forma saudável e sem traumas ou tão impulsivamente?
Ah,
Descobri que o meu propósito não é aqui,
É em outro lugar.
Aí chega em outro lugar,
Descobri que não é aqui,
E arrepende de ter saído de lá.
Isso deve acontecer diariamente,
Né Mari?
Muito,
Muito,
Muito.
A gente vê muitas coisas assim,
Até estava falando e lembrei de uma situação de uma menina que trabalhou comigo,
Foi muito engraçado.
E ela dizia que ela queria viver escalando montanhas,
Que isso era o que ela gostava de fazer,
Andar em trilhas.
E o trabalho administrativo não era satisfatório para ela.
E ela se jogou na vida,
Foi viver outras coisas.
Mas ela não foi subir morro,
Mas ela encontrou um trabalho onde aquele tipo de sensação que ela tinha quando estava na trilha,
Nesse trabalho novo,
Isso apareceu.
Por isso que eu sempre falo,
Não é fora,
É dentro.
Primeiro é dentro.
O que eu faço,
O que eu gosto de fazer?
O que me põe em flow?
O que é isso?
E no ambiente que eu estou,
Eu não posso fazer isso?
Por que as pessoas resistem?
O que elas têm tanto medo?
Do que?
Existe quando a pessoa chega para você e fala Mari,
Eu estou infeliz,
Mas eu estou infeliz trabalhando aqui,
Não me sinto conectada a esse projeto,
A essa empresa,
Mas eu não saio por isso.
Muitas pessoas não saem por causa da questão financeira.
A grande maioria?
A grande maioria não sai porque eu preciso ganhar meu salário,
Eu preciso me sustentar.
Mas é uma crença limitante.
Então aí nós temos outro trabalho com essa pessoa,
Fazer essa crença para que ela consiga se deslocar.
Isso mesmo.
Por exemplo,
A gente foi criado,
Muitas pessoas foram criadas,
Eu tenho isso também na minha história,
Que a gente precisava estar de carteira assinada para dizer que estava trabalhando.
Tinha que estar lá,
Carteirinha assinada.
Aquilo era um bem precioso,
A carteira assinada.
É uma crença limitante.
Eu não consigo ganhar dinheiro se eu não tiver a carteira assinada.
Nossos pais nos orientavam assim.
Outra coisa,
Eu tenho que entrar numa empresa,
Tenho que ficar anos,
Tenho que me aposentar naquela empresa.
Isso é um profissional sério.
Outra crença limitante.
Então como é que eu faço esse processo de transformação se eu não olhar para essas questões que me limitam?
Essas questões estão presentes,
Então daí tem todo o processo.
O processo terapêutico,
Às vezes é necessário entrar no processo terapêutico.
Às vezes não adianta só um processo de mentoria,
Que virou muita mola,
Um processo de coaching e tal.
Às vezes é necessário revisitar questões do lar da minha história.
Isso quem vai me dar condições é um processo terapêutico,
Um processo mais profundo de autoconhecimento para que eu tome consciência,
Porque são os meus medos.
Os nossos medos são esses.
Mas essa pessoa que fez a transição e já está atuando numa outra área,
Tem esse momento de confusão,
Uma nova adaptação.
O que você diria para essa pessoa?
Porque até então ela ainda não tem certeza se realmente é aquilo.
Se ela fez a escolha certa de sair daquele emprego que trabalhou tantos anos e acabou indo para uma nova atividade.
E aí?
E daí nesse sentido que eu penso que a gente tem que olhar se conectar com a gente mesmo.
Por exemplo,
Se a gente usar até a ferramenta Ikigaya,
Que é o que eu faço bem feito,
O que eu amo fazer.
Só que eu preciso fazer bem feito,
Preciso amar fazer,
Mas eu preciso que o mundo precise disso.
Começa por aí,
Senão não adianta.
Vou ficar lá sozinha.
E o que o mundo,
De uma certa forma,
É próspero.
Ele está disposto a pagar.
Porque às vezes ele não vai estar disposto a pagar.
E eu vou ficar naquele ciclo.
E eu preciso.
A questão da prosperidade faz parte disso.
Então,
Nesse sentido,
Essa confusão que passa por esse momento,
Eu preciso olhar para isso tudo.
Engraçado.
Eu venho de dois perfis da minha família.
Meu pai,
Durante toda a minha trajetória profissional,
Se eu chegasse com alguma questão em casa,
Um questionamento,
Uma tristeza,
Uma angústia,
Ele falava,
Pode sair do seu trabalho,
Porque você não está passando fome.
E aí,
Aquilo me pendia para um lado.
E a minha mãe falava,
Aguenta mais um pouco.
Perceba se é isso mesmo que está acontecendo,
Se não é uma fase.
Ou se você não está feliz,
Veja primeiro outro emprego antes de sair desse.
Mas eu sempre fui para o lado do meu pai,
Porque aquilo era confortável para mim.
Acho que o resumo dessa conversa mesmo traz muito para essa questão,
Em primeiro lugar,
A tomada de consciência,
Esse autoconhecimento,
Para onde eu realmente quero ir,
Onde eu quero estar.
O que eu quero estar fazendo e o que me faz bem.
Porque nessa vida,
Eu fico pensando o que eu vou escrever no final?
Que história eu vou contar?
Quais são as marcas que eu vou deixar nessa vida,
Nos espaços onde eu estiver?
Como que eu quero se lembrar?
Obrigada,
Mário.
Eu que agradeço.
Foi ótimo,
Esclareceu muita coisa.
Espero que tenha ajudado muitas pessoas também que estão nesse processo.
Seguimos essa jornada,
Porque ela nunca acaba.
Nunca acaba.
E isso que é a delícia,
Sabe?
A delícia de caminhar de forma mais consciente e mais feliz.
Conheça seu professor
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