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Aprendendo a Silenciar o Ego

by João Alencar

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Convivemos sob tanta pressão das narrativas dos outros e das nossas próprias que arriscar abrir mão dessas narrativas mesmo momentaneamente pode parecer assustador. Afinal, quem sou eu quando silencio as crenças que tenho sobre mim? Como fazer para observar meu próprio ego? Este episópdio tenta responder estas e outras questões sobre nossas fantasias mais inconscientes em relação à vida.

Transcrição

Olá,

Sejam todos bem-vindos de volta ao AlmaLivre Cast Universalidade Independente.

Aqui quem vos fala é o João e hoje eu quero falar com vocês sobre o ego,

A libertação do ego,

Que não é nada tão fácil assim.

Bom,

Primeiro de tudo eu queria falar sobre o que eu vou chamar de ego nesse áudio.

Tem várias interpretações.

O problema é que a gente está tentando apontar para um conceito abstrato usando palavras.

Se ego é uma palavra que tenta apontar para uma situação que é difícil a gente pegar,

Não é nada palpável.

Então a gente não enxerga direito o que é que a gente está falando quando fala de ego.

É como se a gente jogasse,

Sei lá,

Uma bola no meio de um gramado,

Uma bola pequena,

E uma outra pessoa fosse pegar aquela bola e a outra pessoa não está enxergando e você já identificou onde a bola está e você está de longe apontando,

Está ali,

Ali,

Aquilo ali,

E a outra pessoa,

Onde,

Cadê,

Não estou vendo,

E você está lá ali,

Aqui,

É aquele treco ali,

Do lado para lá,

Dali para cá,

E a outra pessoa está lá perdidinha sem conseguir enxergar do que é que você está falando,

De onde está a coisa.

E é mais ou menos isso quando a gente tenta falar de ego,

Quando a gente está tentando identificar o que é isso,

O que a gente faz quando a gente faz essa situação egóica na nossa cabeça.

Então o que eu quero chamar a atenção hoje é sobre a fantasia.

Eu vou chamar o ego de fantasias,

De identificações com narrativas,

Com situações mentais,

Com julgamentos,

Com a história que a gente conta para a gente mesmo sobre quem a gente é ou o que a gente faz.

E como que a gente se confunde,

Estabelece uma identidade com uma narrativa e existe um apego a essa narrativa,

Um apego a uma história,

A uma interpretação da realidade,

Uma interpretação de quem nós somos.

Agora,

Isso não é necessariamente negativo,

A gente pode considerar que a pessoa que tem uma boa autoestima,

Ela tem uma boa interpretação,

Uma boa concepção dela mesma nesse sentido de como ela pensa ou deixa de pensar sobre si,

Sobre quem ela é,

Sobre os seus valores.

O problema é quando a gente entra em uma viagem na maionese muito grande em relação a isso e entra em delírios ou de grandeza ou em delírios de auto-inferiorização extrema e que a gente vai cada vez mais se apegando a ideias e a conceitos totalmente irreais e que a gente não consegue,

Na verdade,

Sair dessa narrativa,

A gente não consegue vestir uma outra lente em relação à realidade e a gente fica preso em uma interpretação que a gente acha que aquele é o funcionamento da vida,

Aquilo é a verdade da existência,

Sem conseguir perceber que é simplesmente um ponto de vista,

Um ângulo,

Uma possível interpretação.

Mas como eu me acostumei a viver de acordo com essa interpretação,

Eu me acostumei a usar esse pano de fundo,

Esse ego,

Essa fantasia como o cenário onde eu transito na vida,

Fica difícil para mim sair desse cenário,

Sair dessa fantasia.

E fica difícil para mim até identificar que eu estou vivendo numa fantasia,

Em um ego,

Em uma imaginação,

Em uma coisa que está distorcendo mais a realidade do que me ajudando a viver dentro dessa realidade.

E é possível que eu tenha adotado essa ideia,

Essa fantasia,

Essa interpretação da vida,

Do mundo,

Da existência,

Esse sistema de como as coisas funcionam,

Como eu acho que as coisas funcionam,

Podem ter sido instaladas na minha cabeça pelo contato com a cultura,

Com a família,

Onde eu cresci,

Onde eu nasci,

Cresci,

Amadureci e fui pegando ali por pressão,

Por livre espontânea pressão social,

Ideias sobre o que a vida é ou deveria ser,

O que eu devo fazer,

No que eu devo acreditar,

O que eu devo pensar,

O que eu devo achar que é valor e o que eu devo desprezar.

E aí eu vou estruturando mais ou menos uma identidade que não é totalmente livre,

No sentido de eu não escolher 100% de tudo aquilo que eu acredito de que eu sou,

Eu nasci,

Já dentro de um sistema estabelecido que tenta replicar-se em mim para que eu perpetue esse sistema de crenças,

De pensamento,

De interpretação da vida.

Por isso que conhecer outras culturas,

Outras línguas,

Outros lugares é interessante para a gente começar a ver outras formas de se relacionar com a vida,

Outras formas de conhecer,

De experienciar mesmo a existência que fogem ao nosso sistema fechado de compreensão,

Que ampliam a visão de mundo,

Que ampliam a percepção de possibilidades diferentes de compreensão,

Que ajudam a expansão da consciência nesse sentido e que podem ajudar a gente a identificar um ponto cego na nossa interpretação.

Ou seja,

Essa coisa que eu falei de que eu nem percebia que eu pensava de jeito X,

Que eu nem percebia que eu estava vivendo dentro de uma narrativa que não é necessariamente a única possível para a vida,

Para a existência.

E aí eu poder passar a escolher melhor por onde eu quero transitar,

Nem que seja em termos de pensamento,

Para onde eu quero levar a minha mente,

Onde eu quero colocar minhas crenças,

Os meus valores,

Com o que eu quero me sentir bem ou sobre o que eu posso deixar de me sentir mal.

E aí a gente vai identificando formas de ter mais flexibilidade na vida,

De ter mais habilidade mental,

Consciencial.

Porque,

Por exemplo,

Se eu não tenho essa capacidade de observar caminhos diferentes que se apresentam em termos de relacionamento com a vida,

Eu posso pegar essa ideia única,

No espiritismo o pessoal chama muito de monoideísmo,

De monoideia,

Ideia única,

De vivência,

De experiência,

De objetivo de vida,

De o que é ser eu,

De o que é estar vivo,

E,

De repente,

A vida pode mostrar para mim que não,

Que não é esse o caminho,

Que não vai acontecer,

Não vai estar tendo o que eu queria que estivesse tendo,

A vida não vai estar acontecendo de acordo com o que eu imaginava que deveria estar acontecendo.

E,

Se eu não tenho essa flexibilidade,

Eu posso entrar em um processo depressivo.

Claro que depressão,

Existem vários aspectos,

Vários motivos pelos quais a pessoa pode entrar em um estado depressivo.

Eu não estou aqui querendo esgotar o assunto depressão,

Mas eu quero colocar que um dos fatores possíveis é essa coisa de que,

De repente,

A pessoa fica sem chão porque a vida mostrou para ela que os objetivos dela,

Ou a ideia que ela fazia,

Vai ser frustrada e ela não tem como lidar com aquilo porque ela não tinha uma outra ideia,

Não tinha uma outra possibilidade,

Não tinha um plano B,

Digamos,

Não tinha essa flexibilidade mental ou até ideológica de conseguir lidar com a vida sem aquele conjunto de crenças e valores que foram destruídos,

Entre aspas,

Pela situação,

Que passou a não existir mais pela situação da vida,

Que mostra para ela que o que ela achava que era certo,

É errado,

Ou o que ela achava que funcionava,

Não vai funcionar.

E que ela vai se ver,

Então,

Obrigada a abrir mão daquilo que ela imaginava,

Daquele pensamento,

Daquela fantasia,

Daquele cenário imaginário.

E,

Nisso,

A pessoa pode vir a ficar sem chão,

Como se a vida tivesse puxado o tapete dela e ela não tivesse opção,

Não tivesse mais como lidar com a vida.

Inclusive,

Esse eu acho que é um dos traços do processo depressivo,

Eu continuar dentro dessa narrativa que eu achava que tinha que ser,

Não tenho a flexibilidade para enxergar de outra forma,

Não consigo nem mesmo ver que o que eu estou fazendo é estar vestindo uma lente que eu incorporei e que eu internalizei,

Que já não funciona mais,

Que já coloca a vida como sendo algo totalmente diferente do que minha lente estava querendo me dizer que era.

E,

Como eu não consigo sair dessa narrativa,

Eu não consigo sair dessa linha de história que está por trás,

Lá no fundo da minha consciência,

Eu não consigo sair desse processo de achar que a vida não tem sentido,

Que as coisas não têm o porquê.

É muito possível também que a pessoa tenha ficado presa a uma narrativa de algo que aconteceu no passado,

Algo que não deveria,

Não podia ter acontecido,

E ela está fortalecendo aquela ideia de que aquela situação é a história dela e ela está trazendo,

Internalizando e trazendo como identidade dela aquela história que já passou,

Mas que deixou uma marca,

Nesse caso aqui,

Psicológica,

E ela carrega isso com ela porque ela ainda não conseguiu fazer essa flexibilização mental de colocar uma outra história,

De uma outra narrativa,

De conseguir deixar aquilo ir.

E é claro que,

Às vezes,

A pessoa precisa mesmo de um tempo.

As pessoas,

Às vezes,

Entram em um processo de trauma que não é tão simples assim de você simplesmente.

.

.

Não,

Vou mudar a chave aqui,

Cerebral,

Mental,

E está tudo certo.

Às vezes,

É preciso um processo de readaptação realmente,

Já que,

Às vezes,

Essa situação pode ter levado a uma lesão que não é tão só psicológica assim,

Que pode ser uma lesão até no nível cerebral.

Quando a gente faz,

Reforça algum pensamento ou alguma situação de vida que acontece repetidamente com a gente,

Aquilo vai criando o caminho neural,

A gente vai crescendo os nossos neurônios,

Os dendritos,

Que vão se expandindo e se conectando para facilitar e deixar que aquele caminho aconteça de forma mais fácil.

Então,

Essa narrativa fica mais fácil de vir novamente na mente,

De novo,

De novo,

De novo,

Por causa da nossa vivência ou por causa do nosso pensamento repetido dentro daquele circuito.

E aí,

Aquilo vai virando um circuito fechado,

Físico mesmo,

Palpável,

Elétrico,

De neurônios ali,

Que facilitam que aquele pensamento volte de uma forma mais fácil.

E aí,

Às vezes,

Vai precisar não só a ideia de mudar a chave mental,

Como exercitar a mudança da chave mental para que a gente consiga,

Cada vez mais,

Criar um hábito diferente de interpretação da vida,

Um hábito diferente de onde eu vou estar colocando a minha narrativa mental,

Onde eu vou estar colocando a minha energia,

A minha mente,

Os meus pensamentos,

As minhas emoções.

É como se a gente precisasse dizer não para aquele caminho fácil,

Várias vezes,

Até a gente conseguir estabelecer o hábito mais saudável,

Dizendo cada vez mais sim para aquilo que a gente quer,

Que seja a nossa interpretação,

A nossa mente,

A nossa energia,

A nossa emoção,

Em termos de narrativa sobre a vida,

Sobre o que está acontecendo aqui e agora.

E isso também passa pela questão do orgulho,

Do ego no sentido de apego à questão do que aconteceu ou deixou de acontecer,

De você conseguir abrir mão daquele negócio que não teve,

Que não vai estar tendo,

Ou até abrir mão do fato que realmente aconteceu e você não queria que tivesse acontecido,

E você está em briga,

Em contato com aquela realidade que provavelmente não existe mais,

Que pode ter acontecido,

Ok?

Aconteceu uma coisa péssima,

Horrível,

Que já passou,

Às vezes,

50 anos e não existe mais mesmo.

E a gente,

Às vezes,

Fica preso naquela situação,

Brigando com o fato daquilo ter acontecido.

É um nível de orgulho no sentido de não,

Eu não vou deixar,

Eu não vou abrir mão deste fato.

É um processo quase que vingativo de significar que eu não posso estar bem,

Eu não me permito ficar bem.

Por quê?

Porque aconteceu x 50 anos atrás.

Se eu ficar bem,

Eu vou estar dizendo que está tudo bem ter acontecido x 50 anos atrás.

E eu não posso permitir que a pessoa que fez x 50 anos atrás ache que está tudo bem.

E,

Às vezes,

Aquela pessoa já morreu,

Às vezes,

A pessoa já está em outra situação,

Já mudou de vida,

Já se arrependeu,

Já.

.

.

Enfim,

Tudo já mudou,

A configuração toda da vida,

Da existência já mudou e eu estou preso naquele cenário que não é exatamente o que eu estou pensando,

Porque a nossa memória,

A nossa imaginação vai distorcendo aquela situação com o tempo.

Primeiro que a gente nunca tem a percepção 100% total de tudo que está acontecendo no momento em que está acontecendo.

A gente nunca tem como perceber todos os fatores que levaram a vida acontecer ou aquela situação ruim acontecer do jeito que aconteceu.

Então,

A gente não tem a capacidade de compreender totalmente o processo que tem por ali.

O histórico de vida da pessoa que veio e cometeu aquela coisa ruim em relação a mim.

Os traços,

Todas as características da família,

Da pessoa,

Os próprios traços dela,

Os conflitos internos dela,

Os processos negativos que ela passou na vida dela ou que ela depois passou a passar depois de 50 anos de ter feito aquela situação.

Então,

Eu acho que eu tenho uma compreensão do que aconteceu naquele momento,

Há 50 anos atrás,

Mas eu não tenho.

E em cima disso,

Ainda por cima,

Eu vou colocando minhas memórias e essa memória não é perfeita,

Não é real,

Não é como se fosse uma gravação com microfone,

Tudo é diferente e eu tenho um filtro emocional em relação àquela memória que vai distorcendo para eu manter a minha narrativa,

Para eu manter a minha lente que eu vesti sobre aquela situação,

Aquela realidade ou a minha suposta realidade,

A minha identidade está relacionada àquilo.

Eu sou uma pessoa que.

.

.

X,

Eu sou a pessoa que sofreu aquilo,

Eu sou a pessoa que passou por isso.

Aí eu tenho toda aquela narrativa que ajuda a construir a minha imagem do meu ego,

Da minha personalidade,

De quem eu penso que eu sou e por que eu sofro o que eu sofro,

Por que a vida acontece de tal forma.

E aí,

Por que às vezes a gente não consegue abrir mão dessas situações?

Eu acho que tem a ver,

Inclusive,

Com a questão do porquê que algumas pessoas não conseguem ficar no silêncio total.

Tem gente que diz que não consegue meditar,

Não consegue ficar em silêncio.

Por quê?

Porque tem sempre que ter uma narrativa de fundo,

Ela está sempre se apoiando,

Se encostando na sua existência.

Há uma história,

Há um histórico,

Há uma situação de que ela acha que é o projeto de vida dela,

De onde ela veio para onde ela está indo.

E ela não consegue simplesmente parar e ir para o nada,

Para o vazio,

Para o silêncio,

Que é um descanso na realidade.

É uma pausa nessa narrativa,

Nessa história toda.

E ela,

Às vezes,

Entra em desespero ali.

Como se ela começasse a ficar sem chão de novo.

É como se ela estivesse apegada constantemente a uma canção de Ninar constante,

Que,

Se tiver uma pausa,

Ela começa a entrar em parafuso e começa a fazer uma birra consciencial dela com ela mesma,

Porque ela não pode ficar em silêncio.

É como se ela entrasse em um vácuo,

Em um buraco negro de vazio,

De absurdo.

E também existe uma interpretação negativa também sobre o vazio,

Sobre o que é o silêncio.

Por exemplo,

A pessoa pode começar a pensar,

Ela entra nesse processo de silêncio sozinha,

E aí pode vir aquela interpretação negativa do estou sozinha.

A interpretação negativa de estou solteiro.

Ou,

Sei lá,

Eu não estou fazendo algo que outra pessoa poderia estar fazendo.

Não estou na festa X,

Não estou na companhia de Y,

Não estou na casa de alguém,

De alguma amizade.

Como se fosse sempre uma comparação,

Uma narrativa de que a grama verde,

Mais verde lá fora e em outro lugar,

Nem do vizinho,

Mas é sempre uma imaginação,

Uma fantasia do que eu poderia estar fazendo.

Nessa alimentação crônica,

Constante,

Compulsiva e impulsiva de interpretação de eu estar fazendo algo,

De estar sendo alguém para alguma pessoa.

E se eu estiver sozinho,

Qual é a interpretação que outras pessoas poderiam fazer e que eu posso fazer de mim mesmo como uma pessoa sozinha?

E aí entra o processo de como é que eu vou lidar com o vazio,

Com o estar em silêncio total.

Então,

A gente só vai conseguir se permitir esse descanso do silêncio total à medida que a gente se dispor a abrir mão,

Pelo menos temporariamente.

A gente pode pegar depois as nossas crenças,

As nossas ideias,

Fantasias,

Ao final desse processo meditativo que eu estou propondo de silêncio profundo,

Inclusive do ego,

De simplesmente estar no nada,

No vazio,

No aqui e agora,

Que não precisa ir para lugar nenhum,

Que não tem julgamento,

Que não tem valores,

Que é simplesmente o que é,

Sem ter que ser útil para uma outra situação,

Sem ter que ser um meio para um fim.

É simplesmente o aqui e agora.

E aí a gente começa a conseguir enxergar melhor no que a gente está colocando a nossa cabeça.

Quando a gente não se permite esse silêncio,

É como se a gente estivesse sempre tagarelando.

E quando a gente está falando com alguém,

Se a gente não para de falar,

A gente não consegue ouvir o que a outra pessoa tem a dizer.

E é mais ou menos a mesma coisa com a cabeça da gente.

Se a gente não para essa narrativa,

A gente fica constantemente correndo atrás desses personagens que a gente criou na nossa consciência,

Na nossa cabeça.

A gente não consegue ver,

Enxergar o feedback da vida,

A realidade da situação que pode estar mostrando para a gente que o caminho,

Se o caminho está certo,

Se a gente está dando os passos adequados,

Se a gente está interpretando a vida da maneira mais clara,

Mais concisa,

Mais precisa,

Ou se a gente está viajando na maionese,

Falando em cima do que a vida está falando para a gente e não entendendo nada no processo,

Achando que está entendendo.

E aí,

Então,

A gente pode entrar nesse processo de silenciamento e de abrir mão,

De chegar em qualquer lugar.

Meditação é abrir mão de tudo,

É um fazer nada profundo,

É o estar simplesmente por estar no aqui e agora.

E o aqui e agora é o motivo final da meditação,

Não é para chegar,

Não é para melhorar a consciência,

Não é para melhorar nada,

É para estar no silêncio total,

Profundo.

E aí,

A gente consegue até cada vez mais desenvolver a habilidade de colocar a mente em alguma coisa,

Porque a gente tem a intenção de colocar a mente ali e de tirar também,

De tirar a importância de alguma coisa,

De silenciar uma narrativa que já não faz mais sentido,

De tirar a importância de uma história que pode estar fazendo mal para a gente.

E a gente vai desenvolvendo essa habilidade,

Que eu vou até chamar de um certo tipo de inteligência emocional,

De conseguir enxergar melhor qual é a narrativa que a vida está propondo para a gente.

A vida,

Sim,

As pessoas geralmente propõem algumas interpretações,

Alguns jeitos de viver para a gente,

E para a gente conseguir estar lúcido e consciente se a gente quer comprar aquela narrativa daquela pessoa,

Se a gente quer entrar naquele processo que está acontecendo ali,

Ou se a gente quer simplesmente deixar passar,

Abrir mão,

Manter-se neutro e não se abalar,

E não entrar naquela emoção,

Naquela narrativa,

Que é aquele relacionamento com aquela pessoa,

Que a pessoa está trazendo caso você se mantenha em contato com aquela pessoa.

Aliás,

Eu queria colocar até a ideia de quando alguém está tentando te colocar,

Te enquadrar em uma narrativa,

Em um julgamento,

Especialmente em uma questão de conflito,

De briga,

E que a pessoa está querendo dizer que você é X e que você fez Y,

E ela quer te colocar em uma narrativa de uma emoção,

De que ela está sentindo,

Que para ela é muito real e faz muito sentido,

E ela quer te convencer que você está errado,

Que você é todo errado,

E que você pode ou não comprar essa história,

Entrar nessa narrativa e se sentir mal de acordo com aquela pessoa,

Com o que ela está falando de você.

E aí você pode ou não permitir que aquela narrativa se torne real para você e você entrar no processo de culpa ou de vitimização ou de realmente se colocar dentro daquela briga,

Dentro daquele processo ali.

Engraçado é que quanto mais distante é aquela pessoa,

Quanto menos relacionamento você tem com ela,

Quanto mais ela não tem nada a ver com a sua vida,

Mais fácil é de você ouvir o que ela está falando de você e você não levar aquilo a sério,

De você não incorporar aquela narrativa daquela pessoa,

De você não dar importância,

Não dar energia.

O problema é quando é alguém próximo,

É alguém com quem você tem um relacionamento,

Ou você teve um relacionamento que você deixou entrar na sua vida,

Que você deu importância para as palavras daquela pessoa em outras situações,

Porque você achou que eram palavras,

Eram situações que você deu valor,

Que você concordou,

Que você achou que tinha uma realidade,

Que tinha a ver.

E aí você passa a interagir com aquela pessoa como se fosse realmente uma relação importante.

E aí você traz aquela pessoa como sendo importante e,

De repente,

Ela se vira contra você.

E para aquilo entrar e pegar em você é muito mais fácil,

Porque você já estava acostumado a ouvir aquela pessoa e trazer como verdade,

Dar energia para aquilo.

E aí para a pessoa te atingir e você internalizar uma narrativa negativa contra você para a sua autoestima cair e você ficar com baixa autoestima,

Fica muito mais fácil.

E aí eis a questão dos problemas,

Dos relacionamentos tóxicos e abusivos,

Porque a pessoa pode realmente vestir a ideia de que realmente o culpado sou eu,

Que realmente eu fiz mal,

X,

Y,

Z,

Eu fiz essa e essa outra coisa que realmente foi ruim,

Porque a outra pessoa conseguiu te convencer daquela situação,

Daquela narrativa,

Daquela ideia,

Que para a outra pessoa,

Às vezes,

Pode ser a verdade mesmo.

E aquilo acaba entrando para você,

Você acaba comprando aquela suposta verdade.

E você pode acabar internalizando aquilo e viver em uma certa tensão que você não está nem percebendo mais,

Que você internalizou aquela tensão de você contra você e você começa a andar com medo de estar fazendo errado,

Com medo de estar desagradando,

De estar sendo uma pessoa ruim,

De você realmente estar pisando na bola,

Você vai pisando em ovos sem precisar,

Porque não tem ovo nenhum para você pisar.

E você pode ir acabando agindo cada vez mais de acordo com essa narrativa e,

De repente,

Você não sabe onde começou essa ideia,

Você não sabe onde começou essa interpretação de você sobre você e vai se tornando cada vez mais difícil de novo abrir mão dessa narrativa,

Abrir mão desse processo.

Enfim,

A cabeça da gente é complicada,

É um negócio,

É um bicho estranho.

A gente está tudo aprendendo a saber lidar com essas coisas,

Com a nossa cabeça,

Mas a gente vai conseguir,

A gente vai estudando cada vez mais.

À medida que eu vou falando aqui,

Eu vou investigando a mim mesmo,

Tentando ensinar o pouco que eu aprendo sobre as minhas próprias loucuras,

Vendo que há coisas em comum entre as minhas loucuras e as loucuras de outras pessoas.

Loucura não,

O normal,

Entre aspas,

Não existe.

Achar que existe um padrão de normalidade que eu preciso me encaixar é mais uma narrativa que pode deixar a gente para baixo,

É mais uma fantasia de perfeição que,

No fundo,

Não existe e que a gente pode tentar ficar se empurrando naquela direção lá e se maltratando nesse sentido.

Então,

A minha ideia de a gente sair dessa matrix,

Dessa matrix do ego,

Dessa fantasia,

Dessa loucura,

É a gente se tornar capaz,

Cada vez mais,

De abrir mão dos stories,

Das histórias que a gente tem contado sobre nós mesmos,

Para nós mesmos,

Para os outros.

E eu sinto que as mídias sociais estouraram isso de uma certa forma,

Por isso que eu falei aqui os stories.

Porque muitas vezes parece que,

Para as pessoas,

É mais importante ela contar a história do que ela está fazendo do que ela realmente está fazendo o que ela está fazendo.

Ela vai para um show,

Vai para uma festa e,

Às vezes,

Fica lá com o celular o tempo todo ligado,

Gravando tudo o que está acontecendo,

Ao invés de ela estar experimentando aqueles artistas que estão ali na frente,

Na cara dela,

Ela coloca entre ela e o artista uma telinha filtrando a realidade que ela já poderia ter assistido mil vezes atrás de uma tela antes aqueles artistas que estão ali agora ao vivo na frente dela,

Mas,

Mesmo assim,

Ela escolhe colocar uma tela entre ela e aquele artista,

Porque é mais importante ela pensar sobre ter estado lá do que realmente experimentar aquele momento presente ali.

Viver profundamente aquela realidade daquele momento.

Parece que não é real,

Que a vida não é real para a pessoa se ela não estiver contando a história daquela situação para ela,

Que só é real a contação de história.

É muito louco isso,

Não é?

A contação de história sobre a realidade,

Eu acho que é mais real do que o real.

Eu não estou acostumado a lidar com a verdade,

Estou acostumado a lidar com a minha narrativa sobre a verdade,

Porque eu preciso estabelecer um certo controle e domínio sobre essa verdade.

E eu tendo essa narrativa,

A minha narrativa vai me dar a minha força,

O meu poder de controle,

De saber dizer o que está acontecendo.

Mesmo que seja algo horrível,

Eu estou no controle de eu sei o que aconteceu,

O que aconteceu foi essa porcaria aqui.

E ela conseguiu abrir mão disso,

De experimentar a pera.

Deixa eu ficar no silêncio.

Abrir mão de julgamento,

De valores,

E conseguir abrir a minha percepção,

Sem expectativas,

Para que eu possa perceber o que eu não percebi antes,

Em silêncio,

Em abertura total,

Em percepção,

Para que eu não fique preso numa narrativa só.

Que é essa prisão na matrix,

Na real,

A matrix de uma história só.

Foi Shimamanda Ngozi que ficou famosa com o Ted Talk sobre o perigo da história única.

Ela leva mais para a questão mesmo do domínio de quem venceu uma guerra e do perdedor de uma guerra,

Ou de quem invadiu um país e aqueles que foram invadidos.

E cada um vai ter uma narrativa diferente do fato que está acontecendo ali,

E que é perigoso você ficar preso numa narrativa só.

Por exemplo,

A narrativa do dominador,

Sem perceber o que aconteceu ali,

No ponto de vista da outra parte da história.

Mas aqui eu estou expandindo isso para realmente a gente tentar se colocar naquele que não sabe tudo,

Que não tem o domínio sobre a realidade,

E que está disposto,

Está aberto para aprender cada vez mais,

E está aberto para deixar ir.

Porque a realidade está em constante mudança,

Os fatos estão em constante movimento,

Indo embora constantemente,

E a gente tem se apegado a narrativas,

A construções mentais do que é,

O que deixa de ser.

E a ideia aqui é a gente se tornar cada vez mais aberto e flexível para a percepção de uma realidade que está em constante movimento e mudança ao nosso redor,

Para que a gente possa cada vez mais dançar de uma forma mais habilidosa com essa realidade,

Com a vida,

Com a existência.

Eu deixo vocês com essas reflexões e um abraço para vocês.

Até a próxima,

Pessoal.

© 2026 João Alencar. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

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