
Humana Podcast #009 com Daniel Biron
Nesse episódio #009 do Humana Podcast eu, Gustavo Costa, converso com o Daniel Biron (@chefdanielbiron) fundador do Teva (@tevavegetal), o restaurante que está mudando o conveito de vegano no Brasil. O Daniel contou um pouco da sua trajetória de mais de 13 anos através do veganismo. Falamos sobre os preconceitos com e as novas tendencias da alimentação vegana. Novos modelos de gestão integrada e muito mais.
Transcrição
Estamos começando mais um episódio do Mana Podcast.
Nessa temporada,
Eu tenho entrevistado empreendedores com negócio de impacto no Brasil,
Que têm se preocupado com um futuro melhor e mais viável.
E dessa vez,
Meu convidado especial é o Daniel Biron,
Que é o fundador do Teva,
Que é um restaurante de vegetais em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Daniel,
Obrigado pelo convite de estar aqui.
E o que é um restaurante de vegetais?
Conta para a gente.
Então,
Eu que agradeço o bate-papo.
É sempre legal falar sobre os detalhes do Teva,
Porque a gente não consegue ter o espaço e a mídia necessária para contar toda a história que a gente tem.
O cardápio não é suficiente,
As mídias sociais também não.
A gente está sempre querendo uma forma de passar os nossos valores,
Os nossos propósitos para mais pessoas,
Para entenderem o que tem por trás de um restaurante de vegetais.
Então,
Eu sou vegano já há 13 anos e,
Nesse percurso,
Eu vi muita coisa de conceito antes de abrir o Teva,
Viajei com o meu sócio e,
Na época,
A gente via muito o padrão se repetindo no Brasil,
Dos restaurantes veganos que tinham uma filosofia muito militante,
Muito no sentido de tentar converter as pessoas.
E nessas pesquisas que a gente fez e foi amadurecendo,
Na vivência prática de eu trabalhando,
Morando fora e viajando por países em que a cultura gastronômica,
A base dos vegetais é mais presente e aceita,
Eu comecei a perceber.
Que países?
Em que países?
Estados Unidos,
Que é mais Alemanha,
Bélgica,
Inclusive.
Tem alguns países na Europa,
Alguns países nos Estados Unidos,
Canadá,
Na América do Norte,
O Canadá também.
E tem outros lugares também que eu não conheço tanto,
Que conhecem culturalmente a Índia,
Por exemplo,
Que eu tive também,
Que se cozinha muito a base de vegetais e que não se tem esse preconceito até por questões culturais e religiosas.
Eu falei que eu morei na Austrália e lá na Austrália,
Talvez pela proximidade com a Índia e tal,
A cultura dos restaurantes vegetais também é muito forte lá.
Eu não conheço a Austrália,
Não cheguei a conhecer,
Mas eu sei também,
Já escutei bastante falar sobre essa cena e essa cultura mesmo de aceitar um pouco mais isso.
E aí nessas pesquisas todas eu vi,
Eu ficava tentando,
Na época ainda não tinha palavras para expressar ou sabia identificar,
Mas não sabia muito como traduziria o conceito,
Mas eu via que as pessoas saíam para comer em Nova York e em outras cidades do mundo para comer em restaurantes que não serviam carne.
E não tinha o preconceito que o brasileiro tinha e a ideia de que um restaurante sem carne é menos ou de que um restaurante sem carne tem que ter necessariamente um posicionamento ou uma maneira de ser mais alternativa,
Riponga,
Natureba,
É muito classificado como algo pejorativo.
Então natureba,
Natural,
Se tornou algo pejorativo,
Meio que ofensivo e às vezes com brincadeiras que no fundo têm um sentido de,
A intenção de diminuir,
A intenção de diminuir,
A dizer que é menos do que os outros.
E isso assim,
Ao longo dos anos eu fui olhando e vendo que tinham restaurantes na Filadélfia,
Em Nova York,
Que eram excelentes restaurantes,
Não menos do que os outros,
Ao contrário,
Que se viravam para criar coisas com vegetais que os outros lugares não faziam.
E aí eu comecei a associar isso.
Falei,
Bom,
No Brasil não tem nada nesse sentido,
Continuam os vegetarianos ripongas,
Naturebas,
Que fazem os mesmos pratos,
É a mesma coisa.
Você vai num restaurante chique de São Paulo que tenta fazer um prato vegetariano,
É muqueca de palmito com banana.
E aí eu acho assim,
Não tem absolutamente nada de errado com isso,
Eu gosto de comer muqueca de palmito,
Eu gosto de feijada vegetariana,
Adoro essas coisas.
Só que eu acho que para a pessoa entender o valor dos vegetais num universo infinito,
A gente precisa se desvencilhar desses conceitos e ir em frente e trabalhar os vegetais de uma forma diferente.
Verdade,
E assim,
Desde a estética,
Quem conhece,
Tem restaurante em São Paulo,
Tem restaurante no Rio de Janeiro,
Desde o início da estética,
Quando você chega no restaurante,
Você já vê que é um restaurante diferenciado,
Que é aquilo que a gente até chegou a comentar sobre isso.
É um restaurante excelente e que por acaso é um restaurante de vegetais,
Né?
A ideia por trás é essa,
Né?
Eu queria explorar um pouco com você,
Daniel,
Essa sua trajetória,
Que eu sei que é uma coisa que deixa muita gente curioso.
Você falou que você já é vegano há 13 anos.
Como é que começou isso para você,
A história do veganismo?
E até antes de falar,
Você pode explicar um pouco a diferença entre vegetariano,
Vegano?
Porque eu acho que para muita gente isso ainda é uma dúvida.
Sim,
Veganismo é um estilo de vida,
É uma filosofia e que envolve uma alimentação estritamente vegetariana e engloba muito mais,
Engloba toda essa consciência de todos os produtos e todas as relações que a gente firma,
Né?
Inclusive as relações profissionais,
As relações de consumo.
Quando você consome um produto,
Se o produto é ou não é produzido de forma correta,
Justa,
Sem trabalho escravo,
É orgânico,
Faz bem para o meio ambiente ou não faz tão mal assim.
Se você usa uma embalagem consciente ou não.
Então,
Para mim,
O veganismo engloba tudo isso.
E o vegetarianismo,
Talvez,
Claro,
Tem todos os produtos de higiene,
De segurança,
Medicamentos e tal.
E é uma tentativa da gente passar pelo planeta de uma forma menos,
Enfim,
Com uma pegada ecológica menor,
De maior consciência.
Mas é uma tentativa,
Não significa que se atingirá a perfeição.
Então,
Existe muito essa coisa,
Né?
O vegano tem que ser perfeito,
O vegano é elevado.
E aí entra uma outra pergunta que eventualmente você faria,
Né?
Porque eu acho que a gente tinha conversado um pouco sobre isso também.
Que é essa questão da associação do vegetarianismo e do veganismo,
Mais em especial,
Com algo elevado espiritualmente,
Que não necessariamente é a realidade.
Que,
Para mim,
Afasta muita gente da ideia,
Do conceito do veganismo.
Acho que,
Num certo sentido,
Isso não é uma coisa prática.
Porque o pessoal acha,
Olha,
É inatingível para mim,
Porque eu não tenho como pôr isso em prática no dia a dia,
Mas também não me vejo como uma pessoa elevada,
O suficiente para abdicar de alguma coisa.
E isso é um ponto bastante desfavorável ao meu ver.
Mas,
Na minha trajetória,
Eu passei por tudo isso.
Eu também tive uma fase mais missionária,
O vegano que tenta converter e também,
De novo,
Quem sou eu para julgar?
Eu acho que cada um tem que entender o seu papel e a sua forma de ser.
Eu entendi que,
Para mim,
Tendo passado por essas diversas fases dentro do veganismo,
Já há 13 anos vegano,
15 vegetariano,
Eu senti que isso,
Para mim,
Não era o melhor caminho.
Eu preferia fazer um restaurante fantástico,
Que faz a sua militância de uma forma mais sutil,
Mais subliminar,
Que está ali mostrando que é possível um caminho em que os vegetais são a estrela,
Em que os vegetais são trabalhados de forma diferente e,
Ao mesmo tempo,
Sem nada de origem animal.
E o melhor que a gente pode fazer não só pelos vegetais em si,
Mas também pelos funcionários,
Pelo planeta.
Então,
Colocar tudo isso no mesmo barco.
E o que te motivou a mudar a sua alimentação?
Porque a alimentação padrão,
Geralmente,
Quando uma criança.
.
.
Hoje em dia,
Isso já mudou muito,
Né?
Mas,
Geralmente,
Quando você se transformou vegano,
A minha geração,
A sua,
Né?
A gente nascia dentro de uma alimentação carnívora.
Então,
O que te levou para esse lado,
Em termos de reflexão interna?
Então,
Como eu disse,
Eu passei por essas etapas Então,
Até essa coisa da espiritualidade,
Do yoga,
Isso tudo,
De alguma forma,
Me influenciou.
A religião e tal.
Eu sou de família judia e existe,
Dentro da religião judaica,
Alguns preceitos em relação à alimentação.
O kasher,
O kosher,
Para muita gente.
Só que eu comecei a questionar isso também.
Comecei a questionar,
Ué,
Mas por que pode matar um animal,
Não pode outro?
Por que tem que matar,
Teoricamente,
Sem dor?
Mas não existe matar sem dor.
E aí,
O veganismo entra nesse sentido de você questionar e dizer,
Bom,
Não é matar com dor ou sem dor.
É não matar.
E esse é o principal,
Né?
Para mim,
É o que faz também eu discordar completamente de qualquer dessas religiões e dessas formas de pensar das religiões.
Isso foi um dos pontos que,
De alguma forma,
Foi um ponto de entrada,
Mas,
Mais na frente,
Foi um ponto de reflexão também sobre como as pessoas excusam e desculpam esses hábitos tradicionais de séculos ou milênios em nome da religião.
Então,
O cara que é mais religioso dentro da religião judaica ou halal,
Na religião muçulmana,
O cara diz o seguinte.
Se tiver alguém matando e matando sem dor,
Teoricamente,
Lá longe de mim,
Não tem problema.
Está matando em nome de Deus.
Está tudo certo.
E eu comecei a questionar isso também.
Mas,
No início,
Eu me tornei vegano muito por conta do sofrimento animal e também por questões éticas e também por saúde.
Acho que,
Se a gente fosse fazer uma divisão assim,
Existem três tendências que as pessoas se tornam veganas.
Uma é essa que você falou da questão dos animais em si.
A outra é uma questão de sustentabilidade,
De impacto ambiental,
Né?
E tem uma terceira que está relacionada à saúde também.
Porque,
Enfim,
Geralmente a pessoa que.
.
.
Isso não é regra,
Né?
Mas a pessoa que começa a ir para o veganismo,
Ela também quer se distanciar um pouco da comida industrializada e quer ir para uma comida mais natural.
O que também não é verdade,
Né?
Porque,
Hoje,
A indústria do vegano tem evoluído muito,
Né?
Como é que você enxerga essa indústria do vegano?
Então,
Isso é fato.
Há 13 anos atrás,
Quando me tornei vegano,
Eu era.
.
.
Enfim,
Eu seguia uma alimentação whole foods plant-based,
Que depois isso foi deturpado.
Então,
Assim como a palavra natural não significa muito mais,
A palavra plant-based também,
Hoje,
Está um pouco distorcida do que era a origem da palavra.
Mas eu sempre me.
.
.
Como eu fui.
.
.
Me tornei vegano muito por questões de saúde,
Então eu buscava uma alimentação integral,
Orgânica,
Com alimentos frescos.
Não era o vegano do supermercado.
Não,
Exato.
Não era do supermercado,
Não.
Era o vegetal mesmo.
Exatamente.
E como eu fiz a escola de culinária em Nova Iorque,
Uma escola que tinha como base,
Como fundamento da filosofia dessa escola,
Que não era vegana nem vegetariana,
Mas que tinha essa linha realmente de whole foods plant-based,
Apesar de servir um pouco de proteína animal,
De oferecer.
.
.
A maioria dos alunos era vegetariano ou vegano justamente porque a escola abraçava esse grupo,
Né?
Que não queria tocar,
Não queria mexer com carne.
Então,
Foi o curso que eu procurei fazer.
Mas isso,
Em 2010,
Quando eu fiz o curso,
Eu comecei a ter mais contato,
Morando nos Estados Unidos,
Com os produtos industrializados veganos.
E é muito bom também.
Então,
Assim,
Se você me perguntar o que eu acho da tendência,
É uma pergunta que pode levar a live inteira para debater.
Porque tem lados bons,
Tem pontos positivos no sentido de facilitar.
Eu sempre dizia,
Em 2010,
Que eu não entendia por que não tinha produtos bons no Brasil,
Veganos,
Né?
Tanto que eu até considerei importar produtos em 2009 ou 2010.
Então,
É aquela lógica que talvez você lembre da história do biscoito tostinis é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque está sempre fresquinho.
Então,
Eu não sabia dizer se não tinha mais produtos veganos porque não tinha mercado ou se não tinha mercado porque os produtos eram uma porcaria.
E agora,
Com os produtos melhores,
Industrializados,
Eu acho que ele abre uma oportunidade para as pessoas em transição entenderem que é um produto que pode ser bom.
Então,
Quando você come,
Ou quando você leva uma pessoa não vegana para comer num restaurante vegano,
Vegetariano,
E a experiência não é boa,
Isso pode se tornar um desserviço para aquela pessoa.
Então,
Assim,
Um produto de qualidade,
Eu acho que é uma porta de entrada.
Agora,
Se a longo prazo é sustentável no ponto de vista de saúde,
Eu,
Com certeza,
A resposta é não.
Assim como toda alimentação baseada em produtos industrializados.
Exatamente,
Exato.
E tanto que o conceito do Teva exclui,
Ou exclui,
Agora a gente até flexibilizou um pouquinho alguns desses conceitos,
Mas muito pouco no sentido de usar o menos processado e o menos industrializado possível.
Então,
A gente fabricava tudo no Teva.
Só que tem coisas em leite vegetal,
Leite de coco,
Leite de amêndoa,
Leite de aveia.
Tem alguns desses que você começa a.
.
.
Leite de castanha,
A gente consegue fabricar algumas coisas.
Tanto que os sorvetes são feitos,
Os queijos são feitos no Teva.
Mas a gente começou a abrir umas exceções também por conta da pandemia,
Porque é o gosto das pessoas.
As pessoas gostam de provar.
E é legal você ter,
De repente,
Em algum momento,
Um estímulo diferente no sentido de cardápio também.
Legal,
Legal.
Eu também acho que essa discussão,
Se é boa ou se não é ruim,
Eu acho que é positivo,
Na verdade,
A evolução dessa indústria do vegano,
Da indústria do alimento,
Assim como é positivo ter produtos industrializados em todos os segmentos alimentares.
Eu acho que cabe a cada pessoa saber o que é saudável e o que não é saudável.
E de vez em quando,
Se a pessoa quiser comer alguma coisa que não é saudável,
Ela come e depois ela limpa.
Acho que todo mundo é livre para fazer isso.
Exatamente.
E isso é parte até do conceito do Teva.
Teve alguém que falou um pouco lá em cima,
Nos comentários,
Disse que o fato de a gente não se definir como vegano é uma coisa positiva para não afastar,
Não repelir.
E isso,
De fato,
Foi estratégico.
Tanto que a gente,
No início,
Só abria à noite,
O foco na experiência,
O bar na frente do restaurante.
A gente abriu no Rio primeiro,
Abriu em São Paulo tem um pouco mais de um ano.
E até abrir o Teva era difícil de explicar,
Porque as pessoas não conseguiam se explicar e a gente tinha que tomar um cuidado para não parecer que você estava falando mal dos outros conceitos.
Porque eu não estou falando mal dos outros conceitos.
Acho que todos eles têm que existir.
É que nem você pensar,
Por exemplo,
Existem italianos de vários segmentos.
Tem o italiano estilo cantina,
Tem o espoleto,
Tem o restaurante mais chique,
Tem o fazano.
Você pode ter uma gama de conceitos dentro de um tema.
Tanto que,
Às vezes,
Até hoje,
As pessoas têm dificuldade de entender o posicionamento do Teva.
Porque a gente é um restaurante de vegetais,
Que a gente não se define como vegano,
Não porque eu não sou vegano,
Não porque eu não acredite que o veganismo é um caminho muito bom e que a maioria deveria seguir.
Enfim,
Não que eu não acredite nisso,
Só que eu acho que existem formas e formas de falar e cada um escolhe a sua forma de comunicar e a mensagem vai tocar a pessoa de uma forma diferente.
Tem gente que acha que o veganismo tem que ser extremamente popular e tem que ter preço popular,
Mas eu tenho uma visão prática.
A gente emprega muita gente,
A gente tem um conceito de ser uma empresa B,
A gente tem uma consciência com nossos colaboradores,
Que são nossa família,
O maior ativo que a gente tem.
Então,
Todos os conceitos que a gente consegue embutir dentro do Teva,
Eles também têm um preço.
A gente cozinhar com água filtrada,
Usar panela de inox,
Usar ácido elástico para higienizar os orgânicos que a gente usa,
São várias práticas que outros restaurantes.
.
.
Se você for ver por aí,
As pessoas não cozinham em inox,
Não usam água filtrada para cozinhar,
Não higienizam hortifruti com ácido elástico,
Não botam cloro,
A gente usa uma filtragem super específica,
A gente nunca vendeu água no Teva,
A gente sempre dá água para o cliente.
Então,
São várias iniciativas que têm um preço.
A gente tem que repassar de alguma forma e o negócio precisa existir de uma forma sustentável.
Se não,
Não adianta,
Porque não tem militância,
Não tem forma de você passar coisa nenhuma se você não for financeiramente sustentável.
E é muito complicado você criar uma categoria vegana e colocar todo mundo lá dentro daquela categoria.
Então,
Assim,
O que eu percebo é que você quer sair dessa categoria,
Alguma coisa assim,
Ah,
Eu sou vegano,
Então eu tenho que ser isso e ser aquilo.
Não,
Eu sou um restaurante,
Né?
Aquilo que a gente falou lá no início.
Por acaso,
A gente faz comida vegetal e tem muito propósito por trás,
Eu quero entrar nisso.
Eu só quero fazer duas perguntas antes da gente entrar um pouco mais sobre o restaurante.
A primeira é,
Você falou assim,
Eu não quero dizer que não é um caminho super interessante e que as pessoas deveriam seguir o veganismo.
É um caminho super interessante e as pessoas deveriam seguir o veganismo?
Então,
Eu acredito,
Sempre acreditei nisso,
Mas ao mesmo tempo aí vem uma parte minha um pouco,
Talvez não muito otimista,
Assim.
Infelizmente,
Quando você tem poderes muito grandes na indústria dos governos,
Ainda com uma agenda de empurrar produtos,
Você vê quantos produtos,
Você fala em commodity,
Produtos exportados do Brasil,
Gado sendo exportado vivo para países que sacrificam esses animais no formato halal.
Nossa,
Isso,
Gado sendo exportado vivo,
É um absurdo.
São vários absurdos,
Mas esses absurdos acontecem porque os animais são vistos como commodity,
Como coisa,
Como produto,
Você pode ter,
Você compra,
Mas você não.
.
.
Então,
Enquanto isso existir,
Infelizmente,
E com tantos problemas que um país como o Brasil tem,
As pessoas tendem também a relativizar,
Falar,
Você é vegano,
Mas o que você faz?
E,
Às vezes,
As pessoas não fazem nada,
Nem pelo social,
Nem pelo ambiental,
E criticam o vegano que está tentando ali,
Ao máximo,
Fazer alguma coisa.
Mas,
Assim,
Por esse lado da tua pergunta,
Eu só acredito que isso vai mudar quando existir um conjunto de sociedade e governo,
Porque é muito difícil,
Enquanto as pessoas sentem no direito de consumir,
Você bate com uma pessoa que come carne,
Que fala assim,
Não quero me privar do meu direito de comer carne,
Aí entra na esfera da questão religiosa,
Que é outro ponto que eu tinha trazido também,
Porque as religiões cancelam o uso e manuseio dos animais.
E aí você vê,
A própria religião judaica fala,
Se você dá descanso com o seu animal que é teu escravo durante um dia por semana,
Quer dizer,
Comparado com quem não dá descanso,
Talvez seja melhor,
Mas é o que é a visão do bem-estarismo.
Então é como se você tem um escravo,
E se a gente vivesse na época da escravidão.
.
.
Que foi até 50 anos atrás,
Né?
Sim,
Exatamente.
É como se a gente tivesse,
Por exemplo,
Um escravo,
Eu e você tivéssemos um escravo,
E no meu escravo eu tratasse bem,
Botasse ar-condicionado na senzala,
E você desse chicotado e maltratasse,
Quer dizer,
Os dois têm um escravo.
Se tratar ele melhor,
Teoricamente,
Talvez tenha alguma evolução ética nisso,
Mas se ele continua sendo escravo.
Então se tratar melhor um animal,
Para quem é vegano abolicionista,
Sem dúvida nenhuma é a mesma coisa que nada,
Você não está indo para lugar nenhum,
Se você continuar impondo essa agenda.
Por outro lado,
Você tem iniciativas bem-estaristas que visam,
Pelo menos,
Sair do lugar,
Porque senão você fica numa utopia,
Numa teoria que não é prática.
Então,
Assim,
É um tema bem complexo,
Acho que não dá para a gente chegar a uma conclusão.
Envolve o capitalismo,
A gente tem países em estágio de desenvolvimento muito diferentes,
Países em que a religião impera de forma horrível,
Em que as mulheres são mutiladas,
Exploradas,
Enfim,
Aí você vai falar dos animais,
Não,
Legal,
Acho importante falar também,
Mas é,
Fica muito distante.
Então,
Para mim,
Infelizmente,
É uma utopia,
Eu acho que a gente está evoluindo,
Mas ainda é difícil pensar no mundo 100% vegano sem entrar na questão de saúde também,
Que aí eu acho que entra numa outra,
Numa esfera de debate mais na área de nutrição,
Enfim,
Que eu também acho que não vale,
Eu não tenho conhecimento suficiente para dizer também.
Legal,
Teve uma vez que eu estava numa aula e o Eduardo Janetti,
Um economista,
Entrou na sala para dar aula e ele falou assim,
Gente,
O que vocês acreditam que daqui a 100 anos a gente vai olhar para trás e vai falar assim,
Que absurdo que a gente fazia isso,
Né?
Que eu acho que é a mesma coisa,
Assim,
Que 150 anos atrás a gente tinha escravidão no Brasil,
E a gente olha para trás e fala,
É um absurdo,
Mas as sociedades que viviam naquela época,
Elas não reconheciam como absurdo,
Era uma coisa que era normal dentro da sociedade,
Né?
E aí algumas poucas pessoas começaram a enxergar o absurdo inerente daquilo,
E aí meio que todo mundo desperta,
Né?
E acorda para o absurdo,
Mas óbvio que isso leva um tempo.
E eu sempre penso na questão dos animais,
Eu imagino que você também,
Que assim,
Daqui a 100 anos,
Espero que menos,
A gente vai olhar para a forma que a gente cria os animais,
Mata os animais para consumo,
O volume,
De uma maneira bem absurda.
E acho que a gente está caminhando para isso.
Eu sem dúvida concordo com você,
Mas às vezes eu tive essa discussão,
Só tem um tempinho,
Sobre essa questão do aumento do vegetarianismo,
E eu acho que as medidas sociais são bastante responsáveis por isso,
Né?
Eu acho que assim,
A informação correndo mais solta,
As pessoas abrindo um pouco mais a sua cabeça para isso,
Né?
Com surgimento de produtos melhores,
Acho que é um conjunto de fatores que pavimentam aí o caminho para isso que você acabou de descrever.
Por outro lado,
Os índices e as estatísticas,
Elas têm que ser avaliadas.
A gente não pode achar o que.
.
.
Assim,
Eu tenho um lado emocional bastante forte,
Mas eu também sou uma pessoa que considera os dados.
A gente vai considerar os dados,
A China consumindo mais,
Mais produtos,
As pessoas tendo mais recursos,
Estão consumindo mais produtos de origem animal.
Então assim,
É um jogo de números.
Não adianta só se deixar levar pelo que ah,
Eu acho que tem mais gente vegetariana,
Eu acho que está tendo um despertar da nova era,
É um novo planeta,
A pandemia veio como algo.
.
.
De novo,
Entra em um debate esotérico em que não tem comprovação,
E eu não estou vendo isso acontecer,
Eu estou vendo os indicadores,
Infelizmente,
Não são favoráveis,
Estão dizendo sim,
As pessoas estão consumindo mais produtos de origem animal,
Por isso que eu digo,
Para que haja uma mudança efetiva,
Tem que ter realmente um poder mais forte,
Não só a sociedade,
Mas tem que ter também,
Assim,
Talvez uma questão ambiental muito forte.
Não que não esteja acontecendo,
Está acontecendo,
Mas quanta gente nega isso.
E outro ponto que você trouxe com relação à escravidão,
Que a gente estava falando,
Que de novo,
É um jogo de números.
Infelizmente,
Se você for olhar os números relativos,
Pelo que eu entendi,
Pelo que eu li da última vez,
E ainda existe a escravidão,
E existe até em maiores números relativos,
Por causa da população ter aumentado,
Né?
E talvez isso mudou de forma,
Mas tem absurdos acontecendo todo dia,
E por isso que a gente tem que trabalhar para,
De alguma forma,
Conscientizar as pessoas de que,
Tá,
Legal,
Andamos,
Evoluímos,
150 anos se passaram,
Mas para algumas pessoas isso,
Infelizmente,
Não é a realidade.
Para algumas pessoas não é mesmo.
Acho que a gente evoluiu muito,
A gente é um país melhor,
É um país mais justo,
Muito mais do que era 150 anos atrás.
Acho que a gente tem vários motivos para comemorar,
Mas ainda tem muitos motivos para trabalhar também.
Tem muita gente trabalhando para isso,
Né?
Acho até que esse ponto que você falou,
Do aumento no volume do consumo de carne,
É que a gente estava analisando duas variáveis ao mesmo tempo.
Uma é o aumento da renda em países que consomem carne,
Né?
E aí você citou o exemplo da China.
E o outro é o aumento de pessoas que consomem,
Que pararam de consumir carne em países já estabelecidos.
Então são dois movimentos que estão acontecendo ao mesmo tempo.
Então acho que existe um índice aí para ser comemorado,
Que é pessoas que antes consumiam carne,
Estão deixando de consumir carne.
E aí existe um outro índice que é pessoas que já consumiam carne,
Estão ganhando mais dinheiro,
Estão consumindo mais carne.
Então acho que,
Olhando os dados mesmo,
Acho que existe um ponto aí para ser comemorado e existe uma tendência que está se mostrando,
Entendeu?
Se a gente consegue,
De repente,
Levar essa tendência ocidental para a China,
Pode ser que isso mude.
Mas eu concordo com você,
Tem que ter todo um investimento governamental e um processo de políticas públicas inteligente.
É,
Eu digo isso também porque você vê o caso da pandemia,
A história da questão dos impactos que a pandemia gerou em vários sentidos.
Mas vamos pegar o exemplo de toda a parte de embalagem e tudo que.
.
.
O Teva,
Desde o início,
A gente ficou praticamente três semanas fechado.
Três semanas fechado justamente porque o nosso conceito nunca foi ter delivery.
A gente teve que se adaptar a essa nova situação logo no início,
Final de março,
Início de abril.
E aí não teve discussão.
Eu e meu sócio,
Na hora,
Eu passei esse período refletindo,
Relutando se queria ou não queria,
Como que faria,
Porque o nosso conceito não era esse.
Mas assim,
Não foi discussão entre nós,
Em momento algum,
Se a gente usaria embalagem biodegradável de bagaço de cana ou se a gente usaria plástico.
Não houve essa discussão.
Mas,
Infelizmente,
95% dos negócios olham o lado financeiro.
A gente embutiu esse valor,
Ainda fez um preço um pouco mais popular,
Porque a gente sabia das dificuldades que as pessoas iam ter no início,
Mas é aquilo que eu falei.
Até um certo ponto,
A coisa começa também a nos ferir,
Se a gente não tiver uma margem suficiente para se manter.
Mas é um outro ponto,
Que às vezes as pessoas acham,
Mas a pandemia veio para mudar a consciência das pessoas,
As pessoas vão tomar consciência de que não devem consumir mais tantos produtos de origem animal,
Porque,
Teoricamente,
Se realmente é verdade ou não essa história da contaminação no mercado de Wuhan,
Já não se sabe se é ou não é,
Se foi manipulado,
Enfim,
Teorias à parte.
Supostamente,
Alguns desses vírus surgiram,
Sim,
Do convívio dessas diferentes espécies em situações não higiênicas e não ideais.
Então,
Até que ponto isso realmente mudou com o comportamento seis ou sete meses depois?
Legal.
Deixa eu.
.
.
Legal,
Não,
Né,
Acho que é um movimento aí para ser pensado.
Eu queria te fazer uma pergunta,
Que eu até fixei essa pergunta aqui,
Qual a sua opinião sobre orgânicos e transgênicos?
Porque você se define,
Né,
Vocês são um restaurante de vegetais orgânicos.
O que é orgânico?
Qual que é a sua opinião sobre ele?
Então,
O orgânico,
Para mim,
Além de ser um alimento produzido sem nenhum tipo de agrotóxico,
Né,
Fertilizante,
Produtos químicos que são extremamente maléficos para o meio ambiente e para qualquer pessoa que esteja envolvida fora as corporações que produzem esses agrotóxicos,
Esses,
Sim,
Se dando bem nisso daí,
Indústrias químicas muito,
Muito poderosas,
O orgânico é um voto,
Né,
Ele é um voto de toda a cadeia,
Quando você dá suporte ao produto orgânico,
Você está votando por um mundo mais sustentável,
Mas toda a cadeia que está envolvida na produção,
De forma ética e tal,
Tendo o selo ou não.
É óbvio que o selo é uma fonte de alguma forma de regulamentação e também de garantia até certo ponto,
Mas se você tem uma relação com um pequeno produtor e com essa forma que ele faz,
Então,
Assim,
De alguma forma é uma volta parcial às origens,
Uma relação com a terra muito mais equilibrada.
Então,
Assim,
Não há como um restaurante que se preze ou que objetive ser uma empresa B com essa consciência socioambiental,
Não advogue o uso do orgânico,
É muito difícil.
Agora,
Claro,
A gente não consegue achar tudo orgânico,
A gente faz o máximo para achar o sazonal e o orgânico,
Mas é parte do nosso DNA.
O transgênico,
Você tem alguma opinião formada sobre?
Então,
O transgênico,
Eu não sei o suficiente para dizer,
Enfim,
Para ser totalmente contra,
Porque existem argumentos dos dois lados,
Eu não conheço o suficiente,
Assim,
A minha primeira,
Teoricamente,
A minha primeira resposta seria,
Eu sou contra os transgênicos,
Mas eu prefiro não responder de forma tão veemente,
Por quê?
Porque talvez tem alguns alimentos que se beneficiaram do uso de transgênico,
Da manipulação da transgênia,
Mas eu não conheço o suficiente com propriedade para dizer.
A princípio,
A gente não usa produtos transgênicos de forma nenhuma,
Então a minha resposta inicial,
De novo,
Seria,
Eu sou totalmente contra o transgênico,
Mas eu conheço menos do transgênico do que do orgânico,
A gente não usa,
Mas eu também não conheço toda a amplitude desse tema.
O Flávio Passos me disse uma vez que a questão do transgênico está mais relacionada à capacidade dele de suportar agrotóxicos do que qualquer outra coisa,
Porque o objetivo é que ele consiga sobreviver aos agrotóxicos,
Então eles acabam absorvendo mais agrotóxico,
Então,
De repente,
O transgênico que não é orgânico,
Ele vem carregado com uma dose de veneno maior.
A minha resposta foi nesse nível,
Nesse tom,
Porque também você vê,
Você vai ter comentários aí,
Transgênicos vão salvar a humanidade,
Transgênicos são péssimos para a saúde,
Então,
Assim,
É um tema que,
De novo,
Eu acho que eu não me aprofundei o suficiente para dar uma resposta final,
A minha tendência,
Enfim,
Como eu falei,
A gente não usa,
Não usa nenhum produto transgênico no restaurante,
Não usa,
Evita ao máximo qualquer produto convencional,
Mas eu acho que é nessa linha,
Pode ser que sim,
Que são manipulados de forma a suportar uma maior carga,
Enfim,
De agrotóxicos e tal,
Mas até,
E aí,
Quer dizer,
Nesse sentido,
Para mim,
Intuitivo,
Eu me diria que se ele recebe maior carga de agrotóxico,
Não faz bem,
Porque agrotóxico não faz bem,
Mas aí,
De novo,
Podem ter certos benefícios que eu desconheço.
Tá.
Só de transgênica,
Nem só de transgênica.
É polêmica,
É polêmico,
É polêmico esse assunto,
Mas,
Enfim,
É importante a gente entrar em assuntos polêmicos,
Até porque quando você toma uma decisão de negócio,
Você toma decisões ali,
Então,
Assim,
Eu queria entender mais sobre essas decisões.
Você é uma empresa B,
O que é ser uma empresa B?
O Tev é uma empresa B,
O que é ser uma empresa B?
Então,
Esse conceito de B Corp,
De empresas B,
São empresas que querem fazer o melhor pelo planeta,
Que avaliam toda a dimensão socioambiental.
Então,
Você preenche um questionário,
Você tem uma escala,
Você vai melhorando,
Você vai evoluindo dentro dessa avaliação,
Então não é uma escala perfeita,
Você pode ainda crescer dentro da escala e estar adotando práticas,
E elas envolvem uma série de detalhes,
Desde reciclagem de lixo,
Quer dizer,
Não necessariamente assim,
Tem negócios que se adequam mais.
Tem negócio,
Por exemplo,
Se você fabrica óculos a partir de rede de pesca,
Isso,
Com certeza,
A sua empresa já é B,
Mesmo que você não tenha certificação,
Porque você está tirando o lixo dos oceanos e transformando num outro produto.
Então,
Você está fazendo upcycling e isso é uma coisa bacana,
Então,
Mesmo que você não aplicasse para uma empresa B,
Você,
Como empresa B,
Você naturalmente seria,
Assim como vários produtores agroecológicos,
E que já têm isso no seu DNA.
A Morada Floresta é uma empresa B?
Eu não sei te dizer.
Ah,
Tá,
Que eu fiz um podcast com o Claudio,
E assim,
Claramente,
Eles são uma empresa B,
Né?
Eles reciclam o PET para fazer a composteira,
Para reciclar o lixo.
Exatamente.
Então,
Muito provavelmente,
Isso não é por DNA.
Então,
Assim,
A gente tem alguns pré-requisitos e tal,
E o meu sócio que trouxe muito isso,
Essa vertente,
Essa dimensão de ser uma empresa B,
E que é uma família de empresas que querem o melhor pro planeta,
E estão sempre tentando evoluir aí dentro.
Então,
Aí entra a reciclagem,
O uso do orgânico,
Toda a forma como a gente trata os colaboradores,
Desde incentivos para a contratação de pessoas em vulnerabilidade.
Então,
Tem vários detalhes que vão somando na sua avaliação.
Então,
A gente tem essa prática de tentar contratar pessoas com diversidade.
Como é que funciona isso?
Porque eu acho que muitas empresas hoje estão querendo contratar com diversidade,
Mas não sabem por onde começar.
Como é que é essa experiência de vocês?
Então,
A gente acha que isso enriquece totalmente a nossa experiência dentro do restaurante.
A gente tem pessoas com grande diversidade em todos os sentidos,
Gênero,
Enfim,
Religiões,
E todo tipo de diversidade que você pode imaginar.
A gente tentou,
No início de São Paulo,
Fizemos uma campanha para a contratação de transgêneros também,
Enfim,
De trans.
Mas a gente teve um pouco de dificuldade,
Porque são temas ainda muito recentes,
De difícil aceitação até,
Às vezes,
Da própria pessoa que é contratada.
Então,
A gente tem dificuldade.
Às vezes,
As pessoas têm um lado psicológico muito forte nessa história.
A gente tem um gerente em São Paulo que é fantástico,
Estava estudando psicologia,
Então participou muito desse processo.
Ele veio do Rio,
Ficou em estar em São Paulo com a gente.
E essa diversidade começa no dia-a-dia ali,
Enfim,
De ter a contratação feita por uma pessoa que já passou por isso e que sabe o que é de fato,
Sente na pele a dificuldade,
O racismo que existe no país.
Então,
A gente abriu o Teva São Paulo com 80% da equipe de salão negra.
E isso foi,
Num certo sentido,
Um pouco complicado,
Porque a população de São Paulo,
Infelizmente,
É mais racista até do que a população do Rio,
De modo geral.
E a gente sentia.
.
.
Como é que você sentiu isso?
A gente sentia,
A equipe sentia,
Quer dizer,
Eles têm esse olhar.
E assim,
Em vários detalhes da pessoa meio que.
.
.
Sabe aquelas coisas de você,
Da pessoa chegar e não acreditar que o nosso gerente é negro,
Por exemplo?
Enfim,
E você está falando com o gerente.
Eu queria falar com o gerente,
Mas eu sou o gerente.
Coisas do gênero que acontecem,
Esses abusos de poder e autoridade que as pessoas acham.
Eu quero falar com você quem,
Mas eu sou o gerente.
E você vê no olhar que a pessoa se surpreende porque ela não acredita que o gerente pode ser negro.
A gente teve um garoto da louça auxiliar de serviços gerais que saía e a gente via,
As pessoas se assustavam com ele quando ele saía do restaurante e ia fumar.
As pessoas muitas vezes reagiam de forma negativa achando que,
Sabe assim,
Meio que segurando a bolsa.
E são atitudes e coisas que a pessoa talvez não note ou não nota,
Não acha que o outro vai notar.
Mas isso é muito,
Infelizmente,
Toca num ponto muito chato e triste da nossa história mesmo.
Então assim,
São muitas as iniciativas que a gente tenta fazer.
Mas eu imagino que,
Assim,
Você falou de algumas pessoas,
Né?
Mas eu imagino que a maior parte das pessoas,
Né?
Se o restaurante tá funcionando,
A maior parte das pessoas gosta desse estilo,
Né?
A gente tá falando de pessoas que já se conscientizaram minimamente em relação à alimentação.
Por exemplo,
Eu já fui no restaurante algumas vezes,
Eu noto essa diversidade e isso pra mim é um fator de interesse,
Na verdade.
Eu imagino que deve ter muita gente como eu também que vai no seu restaurante e que gosta desse estilo,
Né?
Da diversidade.
Sim,
Com certeza.
Eu acho que é a maioria.
Eu não acho que seja a maioria,
Ao contrário.
Eu acho que a maioria é isso.
Ah,
Tá.
A maioria,
Eu acho que é isso.
Só que assim,
O que a gente vê e pôde notar,
Né?
Nesse quase um ano e meio aberto em São Paulo,
Foi isso.
Mas,
Realmente,
O nosso conceito também,
De uma certa forma,
Não foi apenas tocar as pessoas como você que ou moraram fora ou que tem a cabeça mais aberta no sentido alimentar.
A gente queria tocar as pessoas de modo geral.
E,
Às vezes,
Tem gente que é influenciada pela mídia,
Acaba vendo uma matéria,
Vai no restaurante,
E aí você,
Enfim,
Acaba não sendo.
.
.
É meio o peixe fora d'água ali e aí você nota esse tipo de comportamento.
Mas as práticas das empresas B,
Em geral,
São essas e tem várias outras.
E aí você,
Desde um manual de colaborador com clareza para que os colaboradores entendam o propósito da empresa,
Propósitos claros,
Enfim,
Todo esse lado ambiental de práticas de sustentabilidade,
De reciclagem,
Divisão do lixo.
A gente separa o lixo e aí manda para os destinos corretos.
Tem,
Enfim,
Quatro coletores de lixo diferentes.
Então,
Tem tudo isso.
São coisas que adicionam custo para a empresa.
E aí,
O que mais?
A água.
A questão da água.
Não gerar plástico.
A gente nunca vendeu garrafa PET.
Nunca usou canudo.
Coisas que,
Depois que o Teva Rio abriu,
A gente era matéria direta.
A gente nunca usou canudo.
Sempre botou,
No início,
Botou canudo de inox,
Depois não botou canudo nenhum.
Então,
Tiramos porque até sumiram os nossos canudos na época e a gente teve que deixar de usar os canudos porque era o melhor caminho.
Ao invés de você gerar qualquer tipo de lixo ou até mesmo canudo de inox,
Melhor não ter.
E são muitas dessas iniciativas que constituem uma empresa B.
Mas não são só essas,
São outras também.
Legal.
E,
Daniel,
Os pratos são muito bem pensados.
De onde vem a sua inspiração para a criação?
Você é o chefe do Teva.
Sim.
E de onde vem a sua inspiração para a criação dos pratos?
Então,
A inspiração vem de vários lugares.
Eu estava te contando que eu viajei,
Que eu morei fora,
Fiquei dois anos e meio em Nova Iorque,
Depois eu fiquei um ano e meio em Paris,
Viajei bastante,
Fiquei cinco meses viajando pela Índia e vários outros países também,
Sudeste Asiático.
Então,
As diferenças,
Todas essas vivências culturais dessas viagens foram meio que formando,
Formatando o meu repertório.
Então,
Tem várias diferenças.
A gente tem a couve-flor no Manchurian,
Que é a couve-flor que a gente tem no Teva,
No Teva São Paulo agora,
No Teva Rio não tem,
Mas que faz o maior sucesso,
Foi uma referência que eu peguei numa viagem na Índia.
Então,
Vem de vários lugares.
A inspiração vem desde trabalhar os vegetais de forma diferente,
Fazer um brócolis na churrasqueira,
Fazer um cogumelo de uma forma diferente,
Defumado,
Usar um produto de forma inusitada,
Criar uma versão de algo que não é vegano,
Transformar ela numa versão vegana,
Fazer massa sem ovo,
Sem nada de origem animal e dizer que.
.
.
E pra mostrar que massa não precisa de ovo,
Massa fresca não precisa de ovo,
E que você consegue fazer recheios fantásticos sem nada de origem animal.
Então,
É isso.
Molho branco sem nada,
Sem leite,
Queijo sem nada de origem animal.
Então,
As inspirações são muitas.
Vêm de referências culturais e dessa vontade de também desconstruir a ideia que as pessoas têm dos vegetais.
Porque muita gente,
Às vezes,
Tem preconceito,
Ficou traumatizado na infância.
.
.
Acha que um restaurante de vegetais é um restaurante de salada,
Né?
Exatamente,
É isso aí.
Vêm as pessoas,
Às vezes,
Passam no restaurante e falam que só tem salada.
Então,
É isso.
Mas o nosso papel,
Na verdade,
Eu enxergo muito isso como meu papel,
É justamente não corroborar com essa ideia que as pessoas têm.
Por isso que o Teva começou a Brindar Noite,
O Teva não tem nenhum nome associado a coisas esotéricas,
A coisas indianas,
A coisas ripongas.
Por quê?
Porque as pessoas associam o restaurante.
Quando você chama um lugar de Krishna,
Buda,
Goa,
Gaia,
Prana,
Ou coisas do gênero,
Você cria uma associação para a pessoa.
Então,
A gente procurou muito o cuidado de todo o branding,
Né?
De toda a parte de conceito,
Da estética,
E da estética dos pratos,
Da estética do restaurante,
Dos uniformes,
Do profissionalismo de todo mundo que trabalha com a gente,
Para mudar a experiência que as pessoas têm.
Porque não basta só você mudar o produto,
Mas também não basta você mudar tudo isso e ter o produto igual.
Não adianta eu fazer tudo isso e servir a mesma coisa que os outros servem?
Eu não ia criar um conceito que tivesse bem amarrado.
Então,
Acho que foram muitas atitudes alinhadas para criar esse conceito,
E o valor que a gente acredita ter criado.
Então,
São muitas iniciativas.
Uma pessoa que não é vegana,
Não é vegetariana,
Vai no Teva e vai ficar muito satisfeita,
Porque os pratos são deliciosos,
E eu não tenho dúvida disso.
Agora,
Uma pessoa que é vegana.
.
.
Eu vou citar um pouco a minha história.
Eu te contei que eu fui vegano durante um tempo.
Quando eu morei na Austrália,
Lá era mais fácil,
Porque existem muitos restaurantes,
A sociedade já está estruturada dessa maneira.
Então,
É natural a pessoa ser vegana,
Se alimentar só de vegetais.
Mas quando eu voltei para o Brasil,
Eu senti uma dificuldade grande,
Exatamente porque não tem muitos restaurantes,
Eu não conseguia cozinhar em casa.
Você tem alguma dica para uma pessoa que está querendo ir por esse caminho,
Que está querendo começar?
Então,
Eu acho que esse tema.
.
.
Bom,
Você voltou quando para o Brasil?
Tem quanto tempo?
Tem três anos.
Isso é bem recente.
Na época que eu me tornei vegano,
Eu tinha que me satisfazer com uma massa com molho de tomate,
Uma salada sem molho,
Sabe assim?
Que é uma coisa que,
De novo,
Eu acho que isso só reforça,
Infelizmente,
O estereótipo dos restaurantes que atendem um público específico.
Então,
Eu acho que isso mudou,
Melhorou muito.
Melhorou muito.
Ainda tem alguns que insistem em servir uma salada quando você não pediu,
Que acham que você tem que melhorar sua flora intestinal,
Quando o cara atocha uma salada sem molho,
Acha que você tem que comer a salada de alface com tomate sem o vinagrete,
Com cenoura ralada e rabanete porque acha bonito.
Assim,
Eu acho fantástico.
Acho que,
De novo,
A escolha da pessoa comer um produto industrializado ou algo mais natural,
Algo mais integral e próximo da natureza é individual.
Por isso que no Teva a gente oferece as opções.
Se você quiser comer uma fritura,
Você come.
Se quiser comer uma salada,
Você come.
Se quiser comer um prato à base de vegetais mais sofisticado,
Você come.
A ideia é essa.
Empoderar o nosso cliente para fazer as suas escolhas.
Mas eu acho que isso mudou.
Eu acho que de uns 5 anos para cá,
Isso melhorou muito.
Então,
Sinceramente,
As opções estão surgindo e são melhores do que eram há 10,
13 anos atrás.
E,
Sim,
Se a pessoa puder cozinhar em casa e quiser seguir esse caminho,
Também não faltam recursos.
Porque hoje isso,
De alguma forma,
Também dificulta até o negócio,
O business de gastronomia hoje em dia.
É que as pessoas acham que podem fazer tudo nas suas casas porque estão com seus celulares nas mãos.
Tem acesso à informação muito mais fácil,
Mais ágil.
Então você pode cozinhar.
Isso faz com que o restaurante tenha que se desafiar mais e fazer produtos melhores para justificar a pessoa sair de casa e pagar um valor mais alto.
Eu me lembro que eu morei em Nova Iorque em 2010 e recentemente eu voltei.
Tem algum tempo já,
Ano passado,
Eu voltei.
E aí eu ficava pensando nisso.
Falei,
Ué,
Por que eu vou gastar 15 dólares num avocado toast?
Porque a pessoa pega um abacate,
Um avocado,
Amassa num pão,
Coloca no negócio para você tomar brunch no lugar da modinha em Nova Iorque.
Falei assim,
Pô,
Eu vou num supermercado,
Vou até no Whole Foods,
Que é um supermercado caro,
Compro um abacate e amasso no pão.
Você tem 300 pães maravilhosos,
Não precisa de alguém fazendo isso para você.
Então por isso que o restaurante tem um papel de fazer algo que o cliente se surpreenda e sinta que não dá para fazer em casa.
E claro,
Na pandemia a gente mudou um pouco o nosso posicionamento nesse sentido.
A gente começou a fazer coisas que a gente não fazia porque a viagem pedia isso,
Né?
O delivery pedia produtos mais adequados com o que as pessoas queriam em casa,
No dia a dia.
Então a gente passou a fazer coisas que a gente nunca fez.
Jogada vegetariana,
Bobó de shiitake e vários outros pratos.
A moqueca que eu brinquei lá,
Que eu estava falando.
Então assim,
Eu não sou contra essas coisas.
Eu não sou absolutamente contra nada disso,
Eu acho isso ótimo.
A minha comida do dia a dia é arroz com feijão.
Mas eu acho que quando a pessoa paga para ir num restaurante que quer ter uma experiência,
Ela precisa ter mais.
Quando ela paga e ela cria essa relação de valor e que ela está indo,
Ela tem um atendimento,
Ela saiu de casa ainda mais do que nunca.
Agora,
Mais do que nunca.
A partir da história da pandemia,
Você vê.
As pessoas estão saindo para ter uma experiência bacana no lugar,
Para descontrair,
Para estar com os amigos,
Estar com a família.
Mais do que nunca a gente dá valor a essas coisas.
Então eu acho que você tem que selar essa experiência com um produto que deixa a pessoa no mínimo se perguntando.
Poxa,
Como é que ele faz?
Como é que é isso?
Como é que dá esse gostinho de defumado?
Poxa,
Que legal,
Não sei fazer em casa.
Legal.
Não sei se eu respondi a tua pergunta.
Acabei falando sobre várias coisas,
Mas as dicas para mim são essas.
Eu acho que isso já está acontecendo.
As pessoas estão vendo isso,
Estão botando a mão na massa.
Acho que é mais legal.
Não faltam revistas,
Não faltam blogs,
Não faltam lives de pessoas falando,
Ou fazendo,
Demonstrando.
Isso,
A tecnologia,
Nesse sentido,
Facilitou muito.
A pessoa abre um tablet e bota lá uma.
.
.
Tanto que as escolas de culinária também estão sofrendo.
A maioria está indo para o online,
Porque até o presencial em escola de culinária,
Imagina,
Algo que não seria possível de se pensar,
Hoje está rolando.
O online em escola de culinária,
Né?
Até o online em escola de culinária.
Sim,
Sim,
Sim.
Eu acho que tem um pouco de disposição também,
Né?
Tudo que é vanguardista,
Você tem que ter uma disposição também.
Eu acho que até algumas pessoas aqui falaram.
Na verdade,
Pode ter sido um pouco da minha disposição mesmo para continuar,
Né?
Porque já existem muitas opções veganas,
Enfim.
Já é muito mais fácil.
Muito mais fácil do que quando você se tornou há três anos atrás e muito mais fácil do que há três anos atrás,
Quando eu voltei.
É,
Exatamente.
É isso que eu ia falar.
Eu não gosto,
De novo.
Eu acho que tudo parte da nossa motivação.
Quando a gente tem uma motivação filosófica,
Por isso que a gente está falando sobre diversas motivações que as pessoas optam pelo veganismo.
Então,
Assim,
Quando a gente quer,
A gente precisa ter realmente vontade de fazer.
E aí a gente vai conseguir ultrapassar.
Mas isso eu sempre disse,
Né?
E eu acho que continuo achando que o pilar mais sólido do veganismo é a questão ética.
Porque todas as outras que você mencionou,
De saúde,
Meio ambiente,
Às vezes a pessoa acaba dando uma escorregada.
Mas o pilar ético é o que,
Na minha opinião,
Sustenta mais.
E tá óbvio que tem os outros.
Quem quiser botar o pilar espiritual,
Religioso,
Tudo bem.
Eu não uso.
Mas não acho ele relevante.
Mas para algumas pessoas pode ser.
Também não faço pouco caso.
Então,
Eu acho que qualquer motivação é válida.
Mas o mais importante mesmo é se manter.
E aí,
Com todos os recursos que a gente tem hoje,
Tá cada vez mais fácil.
Legal.
Daniel,
Se a gente tivesse que apagar tudo que você já deixou de mensagem para o mundo,
O Teva fosse deixar de existir e você pudesse deixar três mensagens,
O que você deixaria dessas três mensagens?
Pergunta difícil.
A gente não ensaiou isso antes.
A gente não ensaiou isso antes.
Essa é a surpresa.
Quando a gente conversou por telefone antes,
Eu falei para você,
Eu falei,
Daniel,
Eu gosto de deixar algumas coisas surpresas para ir acontecendo e tal.
E qual que é?
Quais são as suas três mensagens?
Então,
Eu.
.
.
Bom,
Deixa eu pensar um minutinho.
Deixa eu responder uma pergunta que alguém perguntou aqui rapidinho,
Que eu já desconverso um pouco.
Pode responder.
Mas alguém perguntou o nome Teva.
O nome Teva significa natureza em hebraico.
Então,
E também significa.
.
.
Tem uma.
.
.
Como as palavras em hebraico têm radicais comuns,
Eu pesquisando a palavra vegana em hebraico,
Que é tivoni,
Eu descobri que o radical era comum na palavra Teva.
E Teva,
Para mim,
Era uma palavra mais sonora,
Curta,
Fácil de lembrar,
E ao mesmo tempo tem um significado fantástico.
Além disso,
Além de natureza,
Tem o significado também de imprimir,
Que são aqueles.
.
.
O radical da palavra dividido com essa palavra,
Acho que a origem vem de imprimir,
Daqueles selos antigos de impressão.
Tem alguma coisa,
Alguma relação com isso.
E aí,
Para mim,
Fez sentido,
Porque eu acho que tem a ver também com a tua pergunta.
De alguma forma,
A gente quer deixar um legado positivo para o planeta.
Eu acho que a gente,
Quanto mais pessoas a gente puder conscientizar através da alimentação estritamente vegetariana,
Através do conceito da filosofia do veganismo,
Eu acho que a gente,
Sem dúvida nenhuma,
É um caminho mais sustentável para o planeta.
E é a nossa vontade de manter,
De passar isso para as pessoas de alguma forma,
Mas não aquela forma mais óbvia,
Necessariamente.
Eu acho que existe.
.
.
É que nem assim,
Se você comparar o que as pessoas fazem,
Aqueles filmes americanos que botam um produto,
Fazem ali o merchandising do produto de forma mais subliminar.
Ele está ali,
Mas não precisa levantar e falar,
Use homo,
Ele é melhor,
Faz a sua roupa ficar sempre branca,
Sei lá.
Você não precisa fazer isso.
Ele pode estar no fundo da tela ali de uma forma mais sutil,
Porque eu espero e entendo que o meu cliente é uma pessoa inteligente.
Então,
Suponho que as pessoas são inteligentes e que vão perceber.
Porque eu acho que a militância funciona para muita gente.
E eu acho que as pessoas recebem a mensagem de forma diferente.
Para alguma pessoa aquilo pode fazer sentido,
Mas para outra não.
E vão ter outras pessoas fazendo,
Dando a mensagem mais óbvia.
Tem vários tipos de militância,
Né?
Tem a militância mais explícita e tem a militância menos explícita.
Mas não deixa de ser uma militância,
Né?
Você sustenta uma causa,
Você tem um propósito por trás,
Né?
Exatamente.
E aí,
Eu acho que uma das outras mensagens e uma das minhas vontades maiores é que as pessoas comecem a entender e a aceitar os vegetais como protagonistas mesmo.
Que eles são fantásticos.
Eu estava falando isso,
Mas as pessoas têm muito trauma.
Às vezes,
A pessoa criada com a mãe cozinhando não sabe cozinhar uma ervilha torta,
Não sabe cozinhar um brócolis.
Cozinha demais um alimento e atosta isso na boca da criança.
Obrigava a criança a comer,
Né?
E obriga a criança a comer.
Eu tenho até uma amiga minha que está assistindo a live.
Tem duas filhas lindas,
Veganas.
E a gestação foi vegana.
As meninas são lindas,
Super saudáveis.
Amamentadas até dois anos,
Três anos.
Enfim,
Vão ser com certeza.
Super saudáveis.
E é isso.
A gente tem que buscar romper esses paradigmas que as pessoas têm,
Esses preconceitos também.
De alguma forma,
Esses preconceitos se manifestam nos profissionais de saúde que condenam uma mãe a ter uma gestação vegana.
Ou,
Enfim,
Condenam as pessoas a só comerem legumes.
Ou que não tem proteína suficiente nos alimentos de origem vegetal.
E tem uma série de preconceitos que a gente,
De alguma forma,
Tem que romper.
Então,
A minha vontade é,
Sim,
Que as pessoas entendam e comecem a aceitar isso de uma forma mais ampla,
Mais aberta.
Porque melhora pra todo mundo.
Melhora pra quem é vegano,
Por exemplo.
Hoje é muito melhor pra mim que sou vegano há 13 anos do que era há 13 anos atrás.
E no que isso afeta,
Né?
Quer dizer,
Eu acho que isso,
De alguma forma,
Reflete a nossa sociedade evoluindo pra aceitar as minorias,
Pra abraçar as minorias de forma mais ampla.
Porque essas minorias crescem e,
De repente,
Se tornam as maiorias.
Ó,
Tem mais uma aqui.
A Carol falou que a filha dela é vegana também.
Tem três anos já e é vegana.
Tem até uma história.
Quer falar sobre as mensagens?
Você englobou as três mensagens aí nessas?
Quer falar sobre mais duas?
Eu acho que englobei.
Não sei se eu englobei bem,
Mas.
.
.
Não,
Legal.
Quer falar?
Não,
Acho que dessas mensagens,
Acho que foi isso.
Não sei se tem mais alguma pergunta que alguém queira.
.
.
Fazer.
Não sei se tem aqui mais alguma que eu não respondi.
Olha,
Acho que foram acontecendo aqui as perguntas.
É difícil,
Né?
Porque a gente tá falando e,
Ao mesmo tempo,
Vão surgindo as perguntas.
Eu fui vendo algumas coisas que surgiram aqui e fui te perguntando ao longo do processo.
É,
Eu tenho uma,
Assim,
Uma.
.
.
A gente não falou tanto,
Talvez,
Sobre essa coisa do rótulo,
Né?
Do estereótipo.
Mas no sentido de estereótipo que as pessoas têm,
Né?
Dos restaurantes sem carne.
E que isso foi muito parte do nosso posicionamento.
De se definir como restaurante vegetais.
De ter todo esse trabalho justamente por isso.
Porque a gente sabia que isso era.
.
.
De alguma forma,
Poderia tocar pessoas que não tocariam.
Enquanto que,
Se você se define como vegano,
Se você se nomeia como exotérico,
Ou como algo iogue,
Né?
E tal,
E.
.
.
De novo,
Não tem julgamento de valor nisso.
É uma escolha que a pessoa faz.
Mas isso acaba repelindo muita gente que não se considera parte daquela tribo.
Então,
Acho que isso é um conceito que,
Pra mim,
Sempre foi muito claro.
De ser um bom restaurante.
De ser o melhor que a gente pode ser no mundo dos vegetais.
Enfim.
E,
Ao mesmo tempo,
Não se colocar como uma concessão.
Você não tá perdendo nada em frequentar o Teva.
Você não tá perdendo.
Ao contrário,
Você tá ampliando o seu leque de opções.
E a gente faz com que as pessoas parem de falar olha,
Isso é bom para o que é.
E isso,
Eu acho que é uma mudança de paradigma.
Então,
Quando a pessoa se liga.
.
.
Que é aquela coisa assim.
.
.
Esse brownie é bom.
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Pra um brownie vegano,
Ele é bom.
Não,
Ele é bom porque ele é bom.
Independente de ser vegano ou não.
Você não tá descontando e chegando e abaixando a sua expectativa quando você vai num restaurante e dizendo olha,
É um restaurante que não tem nada de origem animal.
Você chega lá,
Como você é vegano e tá levando sua família,
Por exemplo,
Você se contenta com menos.
Porque você tá acostumado com menos.
Porque você se tornou vegano e você abre mão por conta de uma filosofia ou de uma questão de saúde.
Às vezes o celíaco,
Por exemplo.
A pessoa que não pode glúten vai numa padaria 100% celíaca.
100% sem glúten.
Que atende os celíacos.
Não é o caso do Teva,
Que não é 100% seguro para celíacos.
Porque a gente lida com.
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Tem ambiente que mexe com glúten.
Mas aí a pessoa chega lá,
Ela se tá satisfeita com qualquer coisa.
Porque ela tá feliz numa padaria sem glúten.
Então ela acaba não lembrando se ela teve uma vida anterior em que ela comia glúten.
Ela acaba dizendo,
Olha,
Tá bom,
É ótimo e tal.
E ela se contenta com aquilo.
Que era o conceito do vegano há 10 anos atrás.
Ele ficava feliz num restaurante vegano.
E tava satisfeito em comer uma comida mais ou menos.
Exatamente porque aquilo.
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Ele tava tendo a possibilidade de ir num restaurante.
Porque antes disso,
Ele só comia em casa.
Exatamente.
Então eu acho que essa mudança.
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Eu acho que tem cada vez mais negócios entendendo isso também.
E empresas,
Enfim,
Investindo nesse segmento.
E eu acho que é isso.
Vai melhorando.
Então tem esse outro lado.
Começa a também fazer com que a gente tenha que sair da zona de conforto.
A gente tem que sempre melhorar.
Porque eu não me satisfaço se outros estão fazendo boas opções veganas.
Eu tenho que fazer ainda melhores.
Porque senão a razão da minha existência perde sentido.
Porque,
Claro,
A gente tem muito mais do que só comida.
O Teva é muito mais do que um restaurante nesse sentido.
A gente quer ser uma marca que engloba todos esses valores que a gente conversou.
Mas ainda assim,
Se a nossa comida não for boa.
Não for atrativa para as pessoas.
Não for interessante.
É difícil.
E a gente foi chamado agora para um evento.
O primeiro restaurante 100% vegetal a ser chamado para um evento.
Que,
Teoricamente,
Dentro de um shopping.
Quer dizer,
Vai ser um evento com vários outros restaurantes renomados de São Paulo.
Em outubro.
E a gente é o primeiro restaurante 100% vegetal a ser chamado.
A gente participou no passado do Rio Gastronomia também.
Primeiro restaurante 100% vegetal a ser chamado para participar.
Então é isso.
As pessoas começam a enxergar que é interessante.
Pode ser muito bom.
E tem que dar um.
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E tem que cada vez mais abrir a cabeça para isso.
Muito legal.
Vocês estão elevando o nível do.
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Estão elevando a régua do veganismo no Brasil.
Assim,
Para fechar esse ponto que as pessoas.
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Algumas pessoas falaram sobre a transição.
Eu vou falar a minha opinião.
Depois você fala a sua,
Daniel.
Eu acho que também a transição para uma alimentação vegana não precisa ser 880.
A transição pode ser pacífica.
Pode ser uma transição lenta.
Então eu acho esse movimento,
Por exemplo,
Segunda Sem Carne.
Acho que é um movimento que o mundo ganha muito com isso.
Tem críticas.
Mas a pessoa só passa.
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Mas antes ela comia 7 dias por semana.
Agora ela come 6.
Então,
Assim,
Já é um movimento interessante.
E aí depois pode ser 5,
4,
3,
2,
1.
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.
Até realmente conseguir sustentar isso.
É,
E de novo,
Isso entra num debate.
Eu também,
Tendo a.
.
.
Hoje,
Com a minha maturidade,
Com 13 anos vegano,
15 vegetariano.
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Eu tendo a concordar com o que você falou.
Eu acho que sim.
Mas sempre vai ter o outro lado,
Que acha que iniciativas como essa acabam excusando as pessoas de fazerem a transição mais rapidamente.
Eu realmente acho que não é 880.
Eu acho que tem essa transição,
Sim.
Mas,
Enfim,
A mensagem e a estratégia diferem de acordo com o espectador.
Tem pessoas que vão repelir aquilo.
Se você tentar impor,
Vão repelir.
Então,
Para essas pessoas,
De repente,
Funciona melhor uma técnica,
Uma estratégia mais gradual.
Para outras pessoas,
Elas entram em choque quando vem alguma coisa e aí deixam de comer carne imediatamente qualquer derivado.
Eu não tenho uma fórmula que sirva para todos.
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