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Como Olhamos o Mundo

by Ricardo Sasaki

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Meditação
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O poeta japonês Basho, escreveu: Olhem cuidadosamente / a nazuna floresce / ao longo da cerca / ah ah, no qual quis mostrar o que é revelado pelo olhas contemplativo. Isso foi abordado no podcast anterior. Retomamos agora este tema sobre o como olhamos o mundo. Trecho de uma aula de outubro de 2008.

Transcrição

Este é o DharmaCast,

Meu nome é Ricardo Sasaki,

E aqui falamos sobre Budismo,

Meditação e Sabedoria Ancestral no Mundo Moderno.

Sejam bem-vindos.

Falamos anteriormente sobre a Nazuna,

Naquele poema de Bachot,

Sobre as pequenas flores ao longo da cerca.

Uma das ideias presentes nesse poema era de uma flor muito pequenininha,

Insignificante,

Mas que desabrochava 100% e não segurava nada.

Ela não mantinha nada para si,

Mas se expressava completamente.

Outra ideia,

Semelhante,

Tem a ver com o Sol,

O qual também se expressa completamente 100%.

É claro que nem sempre todos recebem a luz do Sol,

Porque existem nuvens,

Nem todos recebem sua luz,

Mas o Sol está sempre presente,

Porém é passível de ser encoberto por nuvens pesadas.

O momento da iluminação do Buda ocorre junto com a estrela da manhã,

Começando a subir no horizonte.

A ascensão de Vênus é uma das coisas que são relatadas sobre esse momento da iluminação.

Siddhartha Gautama passa a noite inteira meditando e então,

Nesses primeiros raios,

Ele olha para esta luz.

Ele olha diretamente e existe o momento da iluminação,

Como que culminando o esforço feito por ele.

O poema nos traz imediatamente para a questão da atitude que temos diante da vida.

Bachot foi capaz de ver esse desabrochar completo.

As pessoas passam pelas flores,

Pela cerca e não percebem nada.

Uma primeira questão para refletirmos é como usamos a nossa atenção.

Isso é importante porque temos a tendência a focar mais no externo.

Neste caso de agora,

Com a pergunta quem é o iluminado?

Que características tem esse iluminado?

Provavelmente as pessoas pensam num sujeito de barba ou sem barba,

Mais velho,

Vestido como um sábio,

Com tais e quais características.

Nossa tendência é criar uma visão mais exterior diante da pergunta.

Se eu encontrasse com aquele iluminado,

O que eu faria?

Como ele seria?

E como eu agiria?

No caso específico do encontro com a pequena flor,

Vemos algo que foi fundamental naquele momento,

Uma atenção especial.

Podemos falar que,

De certa forma,

Cada um desses poemas dos grandes mestres como Bachot são também momentos de iluminação,

Indicativos da iluminação e do que você deveria fazer diante desses momentos.

É uma observação especial que permite perceber algo diferente no ordinário.

Então como usamos a nossa atenção?

A primeira coisa a ser notada aí é que consideramos as coisas como exteriores.

O iluminado está lá,

Lá fora,

E ele tem certas características.

Seria então só uma questão de você saber quais características o iluminado tem e você o encontrará.

Quem pensa que é a florzinha que é a iluminada?

E quem pensa que a atitude diante da florzinha iluminada é a atitude que você tem de ter diante do iluminado?

Como usamos esta nossa atenção e para onde nós olhamos?

Como nos comportamos em relação às coisas que nos acontecem?

Em outras palavras,

Como olhamos para as coisas?

Não é à toa que a palavra tão presente no budismo contemplativo,

Vipassana,

Significa literalmente ver.

É como se estivesse falando que todo treinamento dentro desta tradição é você aprender a olhar.

É interessante perceber que o como olhamos as coisas determina o que vemos.

Isso porque dentro do budismo toda a existência é interdependente.

Então não existe um sujeito que é separado de um objeto,

Um objeto que é separado de um sujeito.

Não existe um lá que seja completamente independente de um aqui que observa.

No sentido de como olhamos,

Vemos também coisas diferentes.

E é isso que faz com que diferentes pessoas vivam em diferentes mundos.

Poderíamos mesmo falar que cada pessoa vive num mundo próprio,

O qual toca muito rapidamente aqui e ali,

Por alguns momentos,

O mundo dos outros.

Nesse contato existem concordâncias,

Mas os mundos nunca são os mesmos.

Nunca vivemos no mesmo mundo que os outros.

Como vemos ou como olhamos as coisas determina o que vemos.

Por sua vez,

O que e o como vemos determina o como nós nos comportamos.

É importante entender essa trama como profundamente interdependente.

Ela começa com uma atitude que é a nossa escolha de olhar,

Que depende de uma série de qualidades interiores que foram se acumulando ao longo do tempo,

Que foram trabalhadas por influências e por intenções.

O treinamento que o Buda propõe é o treinamento do olhar.

Dependendo deste modo de olhar,

Veremos coisas diferentes.

Nossos mundos serão diferentes.

Uns serão mundos mais felizes,

Outros mais tristes.

Uns mais amplos,

Outros mais constritos.

E esses mundos,

À medida que são interpretados diferentemente,

Farão com que tenhamos ações diferentes.

Essas ações serão de três tipos,

Pelo pensamento,

Pela linguagem e pela ação física.

Começamos a pensar sobre as coisas,

Sobre as experiências,

Sobre as pessoas,

Sobre as situações e,

À medida que pensamos,

Vamos emitindo julgamentos baseados naquilo que vemos e interpretamos.

A partir desses julgamentos também verbalizamos e tentamos nos comunicar,

Tanto internamente com aquilo que estamos vendo,

Quanto externamente com os outros.

Passamos também a nos comportarmos,

Agirmos fisicamente no mundo,

Baseados naquilo que vemos.

Há sequências de camadas acontecendo.

Uma coisa influencia a outra e,

A partir do momento em que nos comportamos nesses três níveis,

Isso se torna novamente o começo de mais um ciclo,

Solidificando a forma como escolhemos ver as coisas.

O condicionamento influencia o que vemos,

O que confirma para nós que estamos agindo corretamente.

É um ciclo que podemos aproximar com aquilo que o budismo chama de samsara,

Um ciclo no qual giramos e que não tem,

Aparentemente,

Uma saída.

4.6 (13)

Avaliações Recentes

Cleci

July 11, 2025

Gratidão 🙏🏻

Edna

March 14, 2021

Muito bom 😊 Gratidão 🙏

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