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#109 – O que é o Amor na Visão Budista?

by Sobre Budismo

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O amor segundo o budismo é bastante diferente do amor segundo o Ocidente, onde prevalece um conceito ambivalente que requer a presença da outra pessoa, reciprocidade e pertencimento. Neste episódio eu abordo o amor na visão budista - um sentimento puro, dado a outro ser vivo de forma desinteressada.

Transcrição

O que é o amor na visão budista?

Olá,

Tudo bem?

Aqui é o Leonardo Otto e esse é o podcast Iluminação Diária 109.

Para saber sobre os recados e os links úteis que eu tenho para te dar,

É só olhar na descrição aqui desse podcast.

Eu vou trazer aqui mais um texto do professor Alex Berzin,

Que aí ele diz assim,

O amor é o desejo de que os outros sejam felizes e tenham as causas da felicidade.

Então,

Numa perspectiva budista,

É basicamente isso.

Esse desejo de que os outros sejam felizes e que eles encontrem as causas da felicidade.

Porque o amor,

No geral,

Ele está muito associado com o amor romântico.

Tanto é que algumas pessoas até falam,

Né?

Ah,

Eu estou numa relação amorosa,

Num relacionamento amoroso.

Então,

Está associado o amor a essa paixão,

Esse romantismo.

E aqui a gente vai ver que na perspectiva budista não é bem assim.

A perspectiva é sobre o amor e ele continua.

Considerando que todos queremos isso,

Ou seja,

Ser felizes e encontrar as causas da felicidade,

Podemos dizer que é universal e incondicional.

Inclui a qualidade de ter sensibilidade em relação às necessidades dos outros e a disposição de contribuir para que encontrem a felicidade.

Essa última frase é importante.

E aí ela diz assim,

Eu vou repetir.

Inclui a qualidade de ter sensibilidade em relação às necessidades dos outros e as disposições de contribuir para que encontrem a felicidade.

Ou seja,

O que isso aqui significa?

Mesmo,

Vamos supor que a necessidade de uma pessoa seja viajar para o outro lado do mundo para fazer um curso,

Alguma coisa nesse sentido,

Que ela está buscando no caminho dela.

Então se você está junto com essa pessoa,

Seja casado,

Seja namorado,

Não importa como você esteja com essa pessoa,

Se for algum familiar,

Se for um companheiro,

Se for um amigo,

Pode ser que a gente se apegue,

Pode ser que a gente seja apegado a essa pessoa e a gente não queira que ela vá.

Então dentro de nós não é amor que tem,

É apego.

E por quê?

Porque quem ama quer ver o outro feliz,

Quer que ele encontre as causas da felicidade.

E não o que eu quero que a outra pessoa seja feliz,

Não,

É ela ser feliz no caminho e na jornada que ela quer.

Então pode ser que isso não inclua você.

Então o amor é incentivar a outra pessoa a fazer aquilo,

É ver ela feliz.

Às vezes eu vou contemplar isso,

Sobre o amor,

E aí eu trago a minha mente na minha companheira.

E eu penso,

O que eu poderia fazer para que ela seja mais feliz?

Será que é alguma coisa que às vezes eu não concordo,

Mas para ela é bom,

Para ela vai ser significativo.

Então eu vou incentivar ela a fazer aquilo,

Porque ela vai ficar feliz,

Ela vai desenvolver o que ela quer dentro dela.

Nem sempre a gente vai concordar com as coisas,

Na maioria das vezes sim,

Mas tem coisas que você às vezes não vai concordar.

Mas como você ama,

Como você quer que o outro seja feliz,

Você incentiva que o outro faça aquilo que você imagina que para ela é uma coisa boa.

E aí ele continua.

Pode estender-se igualmente a todos,

Independentemente de sua relação conosco e suas ações,

E não espera nada em troca.

No budismo,

O amor é a maior fonte de felicidade.

É claro,

Porque você vai ficar feliz vendo o outro estando feliz,

Encontrando as causas do que faz ele feliz.

E aí,

Amor versus apego.

Em geral,

O amor é acompanhado de outras emoções.

O apego doentio exagera as boas qualidades de alguém,

Reais ou imaginárias,

E nega os defeitos.

Nos agarramos a outra pessoa e ficamos chateados quando ela não nos dá atenção.

Eu te amo,

Nunca me deixe,

Não consigo viver sem você.

Então isso é bom para a gente entender a diferença do amor e do apego.

O apego está muito mais relacionado a nós,

E o amor muito relacionado à felicidade do outro,

Para você desejar,

Aspirar,

Incentivar,

Potencializar a felicidade do outro.

E aí ele continua.

O amor no budismo inclui um sentimento de proximidade com os outros,

Mas que não está baseado no fato deles nos amarem ou importarem-se conosco.

Portanto,

Não envolve dependência.

Olha que importante.

O amor não envolve dependência.

Então na perspectiva budista,

O amor não é algo que você depende de alguma coisa para você amar.

Você vai amar independente das coisas.

E ele continua.

Então com dependência e apego,

O amor é instável.

Se a pessoa que amamos fizer algo que nos magoe,

Podemos não amá-la mais.

Pense em quantos casamentos começam com amor e terminam com divórcio.

Quando não temos expectativas,

Nada nos abala.

Desenvolver um amor estável nos dá forças para lidar até com as pessoas mais difíceis.

Assim como os pais que amam e querem o bem de um filho problemático.

Requer treinamento,

Mas todos temos essa habilidade.

E agora eu vou falar de amor próprio.

E aqui é engraçado porque tem pessoas que falam assim,

Nossa,

Mas a página de vocês está contraditória.

Uma hora fala que o amor próprio,

Que olhar para si é negativo,

E a outra hora fala que tem que olhar para os outros,

E aí eu fico confuso se eu tenho que olhar para mim,

Se eu tenho que olhar para os outros,

Se eu tenho que cuidar dos outros.

Mas como é que eu vou cuidar dos outros sem olhar para mim?

E aí fica essas questões.

Eu também tinha muito essa dúvida.

Uma hora o budismo fala para a gente olhar para dentro.

E aí algum outro mestre fala que olhar para dentro,

Só olhar para si é negativo,

É egoísta.

Aí a gente fica muito confuso.

Mas estudando mais,

Praticando mais,

A gente vai clareando isso.

E esse ponto vai clarear.

Amor próprio.

O amor universal inclui um aspecto bastante negligenciado.

Precisamos nos amar também.

Não de uma forma autocentrada e narcisista,

Mas com uma preocupação sincera com o nosso bem-estar de curto e longo prazo.

Bingo.

Esse bingo foi meu.

Porque olha só,

Aqui que está a chave.

Você pode ter amor próprio,

Mas não egoísta e narcisista.

Mas sim para o seu bem de curto e longo prazo.

E para que você vai ficar bem?

Para você beneficiar os outros da forma que você puder.

Para você amar os outros da forma que você puder.

Como é que você vai amar alguém se você não se ama?

Não tem como.

Então você começa com você.

Para quê?

Para você expandir isso para as pessoas que estão à sua volta,

No seu trabalho.

Esse amor vai expandindo.

E aí ele continua.

Pode ser que não gostemos de certos aspectos autodestrutivos de nossa personalidade.

Mas isso não quer dizer que queremos serem felizes.

O que seria o oposto do amor.

É lógico que queremos ser felizes.

Quando dirigimos o amor a nós mesmos,

Isso não significa apenas querer que nosso interminável desejo por prazer e entretenimento seja satisfeito.

Apenas a quantidade de felicidade que obtemos com essas coisas nunca dura.

E sempre acabamos querendo mais.

Se nos amarmos sinceramente,

Tentaremos encontrar a felicidade duradoura.

E não apenas prazer temporário.

Somente quando conseguimos nos amar de verdade,

É que realmente conseguiremos amar os outros.

Então qual é a sugestão para você aplicar isso no seu dia a dia?

E se a gente ficar só ouvindo,

Ouvindo e não aplicar nada,

A gente não vai se tornar um ser humano melhor.

A gente vai ficar só cheio de conteúdo.

Vai ser um livro ambulante,

Que não serve pra muita coisa.

A gente precisa aplicar.

E aí qual que é a minha sugestão?

É que você olhe para as pessoas à sua volta.

Olhe para você.

Olhe para os seus amigos,

Sua família,

As pessoas do seu trabalho.

Olhe sinceramente e do fundo do coração você deseja que você seja feliz e que você encontre as verdadeiras causas da felicidade genuína.

Cara,

Isso é muito profundo.

Eu tenho experiência própria de fazer isso na minha vida.

E o tanto que brota uma felicidade que é inexplicável.

Porque você está feliz porque o outro está feliz.

Porque você está desejando que o outro seja feliz.

Eu te garanto,

Se você fizer isso do fundo do coração,

Primeiro começando com você,

Que eu seja feliz.

Que eu encontre as verdadeiras causas da felicidade genuína e duradoura.

Para benefício dos seres.

Para me beneficiar e para beneficiar os seres.

Para beneficiar a curto e longo prazo.

Isso muda a nossa perspectiva de vida.

Você olha para os outros já pensando na felicidade dele.

Se você tem uma companheira,

Um companheiro,

Um familiar próximo,

Daqui a pouco você começa a fazer isso com as pessoas que você não conhece na rua.

E aí o seu mundo começa a mudar.

O jeito de ver a vida muda.

E é muito bom,

Você vai ficar muito feliz com isso.

Eu te garanto.

Mas tem que praticar.

Então,

Gratidão.

Até o próximo podcast Iluminação Diária.

4.9 (42)

Avaliações Recentes

Vanessa

February 1, 2020

Palavras perfeitas para o momento. Esse podcast está entre os melhores que eu já ouvi! Gratidão!

Adriana

January 10, 2020

Bom aprender sobre o amor! O amor prevalece sempre!

Olga

January 7, 2020

Muito bom.

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