
Reconhecendo A Consciência Como Um Farol
Em meio à correria, podemos sentir que a mente nunca descansa. Os pensamentos se sucedem sem pausa, enquanto o corpo permanece em segundo plano. Nesta prática, convido você a reconhecer a consciência como um farol: uma presença estável e silenciosa capaz de observar, sem se confundir com o movimento da mente ou das emoções. Por meio da respiração, do relaxamento e da percepção do corpo como um campo de sensações, você será conduzido a sair do excesso de atividade mental e reencontrar uma sensação de estabilidade, presença e descanso. Uma prática inspirada na tradição budista, adaptada para favorecer a autorregulação do estresse, a reconexão com o corpo e uma escuta mais gentil das necessidades físicas e emocionais. Não é preciso controlar a mente. Apenas permitir-se repousar, por alguns minutos, nesse lugar silencioso que sempre esteve presente. Esta meditação chegou até mim pela condução sensível de Lia Beltrão, da Comunidade O Lugar.
Transcrição
Prática reconhecendo a consciência como um farol.
Sente-se em uma postura confortável,
Respirando naturalmente pelas narinas.
Sinta as suas colunas se elevarem em uma linha ereta até o topo da cabeça.
Descanse os braços e as mãos.
Soltando os ombros,
A mandíbula,
A musculatura ao redor dos olhos e a língua.
Vamos treinar o relaxamento com estabilidade e vivacidade,
Nos apoiando na respiração.
Balance o corpo de um lado para o outro,
Sentindo os dois isquios,
Os ossinhos onde nos sentamos.
Sentindo se pressiona mais um do que o outro e fazemos ajustes necessários para encontrar um eixo central.
Agora balance para frente e para trás até encontrar o eixo central da sua experiência com a coluna ereta.
Vá observando o movimento de subida e descida dos pulmões e do abdômen.
E inspirando.
E é esperando.
Observando a breve pausa que se abre entre a entrada e a saída do ar.
Inspirando.
Pausa.
E respirando.
Pause.
Vamos investigar o corpo como um campo de sensações.
Comece observando como está o seu corpo nesse momento.
Recolhendo qualquer desconforto com gentileza.
E ajustando a postura com micromovimentos.
Sinta os pés em contato com o chão.
E observe se eles estão realmente aterrados.
Se necessário,
Movimente-os levemente,
Convidando o corpo a encontrar estabilidade.
Esse é um tempo de descanso e reconexão.
Permita-se encontrar conforto.
E observe que normalmente operamos com um adensamento de energia na cabeça.
Habitamos esse espaço na maior parte do tempo.
Com a mente agitada como uma água turva e revolta.
Cheia de pensamentos,
Opiniões,
Decisões,
Condicionamentos,
Julgamentos e imaginação.
Vamos aos poucos deixar essa água assentar.
Não é necessário entender,
Hasta permitir.
Gerando no seu coração esse desejo de assentar a energia mental e turbulenta e acalmar o corpo.
Convidando a energia da consciência a descer.
Do alto da cabeça até os pés.
Do ar para a terra,
Do mental para o corpo.
Percebendo o apoio do corpo,
O chão,
A solidez.
Rendendo-se ao elemento terra.
Sentindo a firmeza.
E a estabilidade.
E se perceber que a atenção voltou pra cabeça,
Tudo bem.
Desça novamente como uma gota que retorna à Terra.
Agora leve a sua atenção para o corpo inteiro.
Percebendo como um campo vibrante de sensações.
Fazendo pequenos movimentos com os dedos dos pés,
Das mãos.
Notando que a atenção pode estar em vários lugares ao mesmo tempo.
Esteja presente nesse corpo vivo.
Observando as sensações da respiração nos pulmões,
No abdômen e por todo o corpo.
Agora,
Ao inspirar,
Experimente de forma nua o momento presente.
O passado já passou.
O futuro ainda não chegou.
Nós só temos esse momento presente da respiração.
Veja o que a realidade está trazendo para você agora.
E na inspiração,
Refresque a sua consciência.
Vividamente presente,
Não no passado,
Não no futuro,
Mas presente agora.
E na expiração,
Relaxe o corpo e a mente.
Afrouxando,
Soltando,
Liberando.
E se surgirem pensamentos sobre o que já foi ou o que virá,
Expire com suavidade retornando ao agora.
Perceba que enquanto você está vividamente no presente,
Estão acontecendo sensações no seu corpo.
O movimento da respiração.
Nos batimentos cardíacos.
Há também movimento na sua mente.
Pensamentos.
O corpo é um ambiente vivo.
A mente é um ambiente vivo.
Mas,
Em meio a esse movimento,
Você consegue sentir se há algo dentro de você que não se move?
Algo estável,
Quieto,
Que observa.
Como um farol fincado em meio à tempestade.
O mar se agita.
O vento sopra,
Os pássaros voam.
Mas o farol permanece.
Você consegue perceber isso?
Algo silencioso,
Atento,
Luminoso.
Percebe algo precioso além do corpo dentro de você?
Chamamos isso de consciência.
Que há instância de nós que sabe,
Que conhece,
Que está ciente,
É o aspecto experiencial da mente.
A consciência não julga.
Não se compara.
Não se agita.
Ela simplesmente é.
Descanse,
Ainda que por um breve instante,
Nesse lugar silencioso e firme dentro de você.
Esse espaço é a sua âncora.
É também o espaço onde nasce a verdadeira escuta do corpo.
Das emoções.
E da fome real.
Quando descansamos nessa consciência.
Damos um passo em direção a quem somos de verdade.
Além dos rótulos,
Dos números.
Das certezas sobre o que deveríamos ser ou de como devemos nos comportar.
E inspirando.
E respirando.
Vamos ficar um minuto em silêncio.
Deixando a mente repousar.
Deixando o corpo respirar.
Inspirando.
E expirando.
Vai trazendo a tensão de volta.
Sentindo todo o seu corpo presente no aqui e agora.
Mantendo a ancoragem da mente na respiração.
Unindo as palmas das mãos diante do coração,
Num gesto de reverência e gratidão.
Sorrindo e reconhecendo a sua coragem de investigar a si mesma ou a si mesmo.
E alegre-se por ter dedicado esses minutos à presença,
À escuta,
E ao autocuidado.
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