
Sair do Sofrimento Também É Um Ato de Amor
by Lívia Dutra
Às vezes, sem perceber, nos apegamos ao sofrimento porque ele nos traz um tipo familiar de conforto. Neste episódio, refletimos sobre como esse apego pode virar um ciclo silencioso de estagnação, travando nosso movimento. Reconhecer esse padrão é o primeiro passo para quebrá-lo. O verdadeiro acolhimento não está em permanecer na dor, mas em escolher a transformação — mesmo que dê medo.
Transcrição
Mentes fortes sofrem sem reclamar,
Enquanto mentes fracas reclamam sem sofrer.
Isso é um ditado estoico que diz basicamente que o sofrimento é uma experiência inevitável da vida humana e que o que vai diferenciar uma pessoa da outra é a forma como a gente responde a esse sofrimento.
Já se sentiu assim?
Olá,
Seja muito bem-vinda e muito bem-vindo a mais um episódio de Ser Livre Podcast.
Aqui você encontra episódios curtos e semanais,
Toda quinta e domingo,
Para falarmos sobre formas de ser.
Ser livre,
Ser corajoso,
Ser a principal causa da sua realidade.
E como a gente conversou no último episódio,
O objetivo aqui não é apenas ser feliz.
A vida tem altos e baixos,
Ela é inconstante e impermanente.
E hoje eu quero trazer essa provocação de como é a sua resposta ao sofrimento,
Visto que ele é algo inevitável da experiência humana.
E antes disso,
Eu queria te contar que o nosso ego ele adora sofrer.
Mas para a gente poder falar sobre isso,
Só uma rápida explicação da diferença entre o ego e a essência.
O nosso ego é a parte da nossa mente que cria a nossa identidade,
Baseada em crenças,
Medos,
Desejos,
Experiências passadas.
O ego ele se preocupa com a aparência,
Com status.
Ele está sempre comparando,
Buscando segurança e aprovação externa.
Enquanto a essência é a nossa verdadeira natureza,
Quem a gente realmente é,
Além dessas máscaras e defesas.
A essência é a autenticidade,
Que está conectada com os nossos valores profundos,
O nosso propósito,
E não depende da aprovação dos outros.
Então enquanto o ego vive na comparação,
Se sentindo ou superior ou inferior aos outros,
A nossa essência ela busca paz,
Realização interior.
Então a nossa essência atua apenas na interioridade.
Ela quer a pura identidade,
Ela não quer comparação.
Então voltando aqui para a questão do sofrimento,
O nosso ego ele adora sofrer porque é uma forma dele se sentir importante.
E ele não consegue ficar na essência do tipo,
Sou um ser humano,
Estou aqui na terra,
Experienciando várias emoções,
Junto com um bilhão de outros seres e seres humanos,
Pessoas.
Não,
Ele tem que se sentir superior.
Só que às vezes,
Para ele se sentir superior,
A única estratégia que ele tem é se sentir superior no sofrimento.
Isso parece um pouco contraditório,
Né?
Mas para aterrissar um pouco,
Eu queria te perguntar.
Quando alguma coisa te incomoda,
Te machuca,
Quando você se sente sozinho,
O que você busca?
Quando você vai conversar com os outros sobre o seu sofrimento,
Você busca colo ou cura?
Quando eu falo colo,
Eu tô falando de algo que vem do ego.
É uma expressão que é basicamente para amenizar a nossa carência interna.
Já a cura,
Ela é uma urgência da alma,
Da essência.
Então,
Pensa que a cura,
Ela vai dar mais trabalho.
Ela é um processo de longo prazo.
Ninguém vai se curar da noite para o dia.
O colo,
Em contrapartida,
Ele é mais imediatista.
Ele quer um aconchego ali naquele momento,
Um pequeno prazer volátil.
Ele quer ser visto,
Ele quer ser acolhido.
Só que isso vai durar só até a próxima vez em que a gente sentir carência de novo.
E aí,
A gente vai precisar de mais colo e mais colo,
O que vira um ciclo eterno de dependência de colo.
Então,
No longo prazo,
Essa necessidade do colo vai se tornar ainda maior.
E as estratégias que a gente usa para conseguir o colo também mudam.
Pensa que quando a gente é criança,
A gente só precisa pedir colo que literalmente os nossos pais vão dar colo.
Já quando a gente é adulto,
As nossas manifestações de carência são mais sutis,
São mais disfarçadas.
Então,
A gente acaba usando discursos que pedem por aprovação e validação.
A cura,
Por outro lado,
É um trabalho que precisa ser construído.
É enfrentar diretamente a raiz do nosso desconforto e não só ficar remediando os sintomas.
Então,
A carência,
Por exemplo,
É um ótimo exemplo de sombra,
Que faz com que a gente busque colo constantemente.
Quando a gente se sente carente,
A gente está projetando no outro a responsabilidade de tapar esse buraco dessa falta.
Mas a cura para isso vem de dentro para fora.
A cura,
No caso da carência,
É você transformar solidão em solitude.
A solidão é quando você precisa do outro,
É quando você se sente só.
A solitude é quando você pode até estar sozinho,
Mas você está em completa paz consigo mesmo.
E aí,
Quando a gente encontra paz na nossa própria companhia,
A gente libera o outro da obrigação de corresponder às nossas expectativas,
Construindo relações muito mais saudáveis e independentes.
Então,
Esse ciclo de buscar colo para acalmar as nossas carências internas está intimamente ligado a esse conceito de que o sofrimento vicia,
Porque você está atuando no ego.
Teve um outro episódio aqui do podcast que eu comentei de um livro que eu gosto muito também,
Que é A Coragem de Não Agradar.
E logo no início tem essa passagem de um jovem conversando com um filósofo,
Em que o filósofo explica que uma pessoa pode se sentir superior porque ela acha que a dor dela é maior.
Então,
Ela fica confortável,
Parada,
Estagnada no sofrimento dela,
Porque essa é uma forma das pessoas virem até ela trazendo colo.
Então,
Percebe como é muito interessante esse hábito de ficar pedindo colo,
De querer ser uma pessoa que é vista como frágil?
Na verdade,
É o seu ego atuando para conseguir mais atenção.
E o nome que a gente dá para esse padrão de comportamento é vitimismo.
Muitas pessoas se vitimizam porque elas aprenderam que essa é a forma que elas vão conseguir atenção.
É um ciclo vicioso,
Em que você vai depender sempre do outro para confirmar a sua posição de vítima,
E assim você se mantém no sofrimento.
Quando a gente encontra esse lugar de solitude,
A gente curou a carência,
Porque isso não quer dizer que a gente vai mais conviver com o outro.
Isso só quer dizer que as relações com o outro,
Agora,
Vão partir de um lugar muito mais saudável,
Sem dependência e sem transferência.
Então,
Percebe que eu posso simplesmente curar os sintomas buscando colo,
Ou eu posso atuar lá na raiz,
Aprender de onde vem e como eu posso trazer um novo olhar sobre isso.
E aí,
Eu te convido a refletir sobre como você conta as suas histórias desafiadoras,
Porque o ego sempre vai estar buscando colo,
Ele não está buscando cura.
Então,
Quando você for dividir com as pessoas as histórias,
Pare e pensa se você está falando de uma forma em que você espera que o outro te valide,
Que ele te valide sua dor,
Que ele sinta pena,
Porque o que mais atrapalha o crescimento é esse hábito de se vitimizar.
Como eu comentei,
Muitas pessoas se vitimizam porque elas aprenderam que essa é a forma que elas conseguem atenção,
Mas existem outras inúmeras formas da gente se sentir conectado,
De se sentir visto,
Sem precisar jogar a própria vibração lá no chão.
Então,
Pensa que o vitimismo é quando a gente está falando para o universo que o que a gente tem não é suficiente.
Então,
São pessoas que podem até estar com um discurso de vítima automático,
Sem perceber.
Elas estão sempre contando os fatos da vida,
Narrando de uma forma trágica,
Aumentando e exagerando,
Porque no fundo,
O que elas estão esperando é que quem está escutando tenha pena,
Piedade,
Ofereça uma mão estendida,
Valide a possibilidade dela se manter reclamando,
Se manter na dor,
Fique naquele ciclo vicioso de sofrimento,
De dor e de colo.
E aí,
Esse vitimismo,
Ele pode ser só um pedido de ok,
Para que o outro diga,
Verdade,
A sua vida é muito difícil,
Pode continuar sofrendo.
Mas,
Antes do que adianta,
Onde está a maturidade e o crescimento de ficar preso ao sofrimento?
A gente tem,
Dentro de todo mundo,
Uma essência de querer ser feliz,
De se mover,
De movimentar,
Mudar,
Crescer,
Aprender.
Será que se a gente mudar o nosso discurso e aprender que a gente pode se conectar com as outras pessoas e conseguir ser visto por elas sobre uma ótica mais positiva,
Não seria muito mais interessante?
Será mesmo que a gente quer ser visto como coitado?
Ou não seria muito melhor alguém falando sobre nós do tipo,
Nossa,
Essa pessoa tem uma energia muito boa,
É muito gostoso estar do lado dela,
Ela tem uma conversa sempre tão construtiva,
Ela se responsabiliza pela própria vida?
Nesse segundo exemplo é muito mais interessante,
Né?
Pensa na pessoa que você gostaria de conviver e pensa na pessoa que você tem sido,
Porque,
Talvez por hábito,
Lá atrás o seu discurso tem um vitimismo escondido.
E lembra que quem é vítima não está se colocando como protagonista principal da sua própria vida.
A gente se vitimiza quando a gente ainda não aprendeu que existe uma forma bem mais saudável de se relacionar com as pessoas.
Então eu proponho um exercício de você refletir qual que é o tom que você dá para suas conversas.
Será que você está pedindo colo ou você está pedindo por cura?
Porque momentaneamente,
A curto prazo,
O colo vai te servir.
Ele vai dar uma calada temporária,
Mas a longo prazo,
Você sempre vai precisar desse colo.
E a melhor forma de você se curar é olhando a dor na origem,
É se sentindo responsável por essa cura e parando de projetar no outro.
Acilada?
Você entende?
Pensa em quem você tem projetado a sua responsabilidade por aquilo que você está insatisfeito na sua vida hoje.
Onde que você projeta essa responsabilidade?
Talvez as circunstâncias da sua vida hoje não sejam aquelas que você imaginava para uma vida feliz,
Mas é o que você tem hoje.
E o que que você escolhe fazer com a vida que hoje te é oferecida?
Para de olhar para o lado,
De imaginar,
Ai,
Mas se a minha vida fosse diferente,
Se eu fosse fulano,
Se eu tivesse tais condições,
Se a vida tivesse me oferecido tais oportunidades.
Porque a verdade é que todas essas pessoas que você se espelha,
Se você olhar de perto,
Todas elas têm problemas,
Elas também têm questões,
Mas talvez elas tenham simplesmente criado o hábito de se colocar como protagonistas e origens da própria vida e de se preencher sem depender do outro,
Sem ficar esperando que a vida traga nada,
Entende?
É muito imaturo a gente esperar que a vida nos deve alguma coisa,
Que deveria nos dar algo que nos falta.
Então,
A virada de chave é você se colocar como pilar central da sua vida,
Como causa da sua realidade.
Vai dar trabalho,
Mas vai dar muito mais trabalho usar a máscara de vítima,
Porque quando você usa esse vitimismo,
Quando você se vicia na dor,
Quando você deixa o seu ego ganhar querendo se sentir superior pelo sofrimento,
Além de drenar toda a sua energia,
Ele te tira e te rouba todas as oportunidades de cura.
Então,
O meu convite hoje é justamente você tentar fazer um detox desse vício do sofrimento,
Do vitimismo,
Da dor,
De projetar a responsabilidade da sua vida no outro,
De abrir mão do sofrimento.
Então,
Para isso,
Vem para o aqui e para o agora.
Desapega de ficar revivendo a sua história na sua cabeça.
Chega disso,
Gente.
A vida,
Ela é sim abundante,
Ela é sim mágica,
Ela é divina e tá tudo aqui agora à sua disposição.
Você só precisa escolher viver ao invés de sofrer.
Experimenta.
Por hoje é isso.
Muito obrigada a quem ficou até o final.
Se você ainda não tá seguindo o podcast,
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Se ressoou esse episódio em você de alguma forma,
Ranqueia aqui com cinco estrelas.
E se você lembrou de alguém ouvindo o episódio de hoje,
Envia para essa pessoa.
Isso pode ser exatamente o que ela tá precisando ouvir hoje.
Um beijo no coração de vocês e até o próximo episódio.
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