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Humana Podcast Episódio #006 com Bruno Grossman

by Gustavo Costa

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No episódio #006 do Humana Podcast eu, Gustavo Costa, entrevisto o Bruno Grossman, fundador do Acolheita, um mercado de comida de verdade no Rio de Janeiro. Esse é um lugar vamguardista e exemplo de sustentabilidade para o mundo todo. Falamos sobre alimentação orgânica, produção local, empreender com propósito, responsabilidade social e muito mais.

Transcrição

Olá!

Estamos começando mais um episódio do Mana Podcast e dessa vez o nosso convidado de honra é o Bruno,

Um dos fundadores do Acolheita,

Que é um mercadinho de comida de verdade no Rio de Janeiro.

É um mercado fundado recentemente no bairro de Botafogo.

Bruno,

Obrigado por ter aceitado.

Conta pra gente o que é o mercado de comida de verdade.

Oi Gustavo,

É um prazer estar aqui.

Boa pergunta.

O que é comida de verdade?

É até estranho falar isso.

Comida de verdade pra gente é a comida que os nossos avós conheciam e reconhecem como comida.

É aquela comida minimamente processada,

É aquela comida não industrializada,

É a comida viva.

Eu vou dar um exemplo real,

Uma historinha que aconteceu.

A minha avó sempre gostou de fazer muitas coisas em casa.

Ela fazia iogurte,

Ela fazia o próprio pão dela.

E aí eu cresci observando aquilo e um dia eu tentei fazer a receita dela.

E aí ela olhou e falou assim,

Bruno,

Iogurte você faz com leite e o fermento,

Mas você comprou leite de caixinha.

Leite de caixinha não é leite.

Como assim,

Vó?

Como é que não é leite?

É um leite que não tá vivo,

Bruno.

Você precisa de um leite vivo pra poder fazer iogurte,

Que é um alimento também vivo.

E aquilo ficou muito tempo na minha cabeça,

Eu demorei muitos anos pra finalmente entender o que ela tava falando.

Então a gente foi muito motivado,

Não por querer abrir um mercadinho,

A gente não partiu daí.

Isso foi uma consequência.

Eu acho que a gente percebeu uma coisa que muitas pessoas já perceberam,

É que existe algo de muito errado no nosso sistema alimentar.

É quando a gente consegue dar um passo pra trás e começar a fazer algumas perguntas que a gente não tá acostumado a fazer,

Porque a gente tem a tradição de ir no supermercado fazer a compra toda semana,

A gente bota as comidas no carrinho,

Leva pra casa,

Mas a gente sabe muito pouco do que a gente tá comendo.

A gente basicamente não sabe o preço dos alimentos,

Mas questões como quem tá por trás da comida,

Quais foram os nomes das pessoas,

Onde foi feito,

Você compra frutas,

Legumes,

Verduras,

Aquilo veio próximo,

Aquilo veio longe,

Quanto tempo demorou pra ser produzido,

Como foi armazenado,

Quanto as pessoas receberam financeiramente.

Eu pago ali,

X valor do tomate,

Mas quanto o produtor recebeu?

E como é que os animais foram tratados,

Como é que o meio ambiente foi tratado?

Então essas são questões que motivaram muito a gente.

E é isso,

A gente não pode naturalizar isso,

Achar que esse sistema que tá diante de nós sempre foi assim.

Não era assim,

Na época dos meus avós,

Não era assim.

A comida vinha de perto,

A comida vinha a 100km,

A 150km de distância.

Hoje a comida é importada,

Tem comida que vem da Itália,

Tem comida que vem do Japão.

E assim,

A gente parar a pensar o custo ecológico disso,

O consumo,

A produção de carbono,

A pegada de carbono é algo imoral de se pensar.

E não tem necessidade,

Porque você consegue tudo no Brasil e o que você não conseguia,

Você aceita sempre.

O Brasil tem essa sorte,

Você é um país muito rico.

Então nesse mercadinho que a gente criou,

Por exemplo,

A gente não importa nada.

E a gente consegue quase tudo aqui,

Respeitando as gestações,

Respeitando o clima,

A natureza e etc.

Nossa,

Bem interessante.

Você fala que vocês oferecem de tudo no mercado?

Sim,

Em termos de sessões,

De mix de produto,

São todas as sessões que você vai encontrar no mercado tradicional.

Você tem uma área de hortifruti,

Alimentos frescos de verdura,

Frutas,

Legumes,

Temperos.

Isso no nosso mercado é 100% orgânico,

É 100% local,

É direto do produtor.

E essas questões podem parecer pequenas,

Não são nem um pouco pequenas,

E dão grande trabalho pra gente.

Porque tradicionalmente esse mercado,

Ele não quer lidar com pequenos produtores.

Então ele compra porque dá trabalho,

Porque ele pode ter uma ruptura,

Ele pode ter algum risco aí.

Ele prefere comprar de um grande consolidador que compra de vários pequenos.

Isso quando não há ainda um segundo ou terceiro intermediário.

A gente compra diretamente.

Por que a gente compra diretamente?

Primeiro que aí o produtor consegue receber muito mais produto dele.

Segundo,

É mais fresco,

Vem direto para o mercado.

Esse alimento não para numa central logística.

Aqui no Rio de Janeiro a gente tem a Seasa,

Tem a Cadeg,

Em São Paulo tem a Seagesp,

E por aí vai.

Então é o próprio produtor.

Os clientes que estão na loja,

Eles veem o produtor entregando e aquilo é lindo.

Aquele momento onde chega alimentos que foram colhidos no dia anterior,

Às vezes há 12 horas,

Há 15 horas,

Mais fresco é impossível,

É muito cheiroso e ele recebe muito mais.

E uma vantagem é que a gente pode devolver isso para o cliente na forma de um preço competitivo,

Porque ele não tem intermediários.

Então os nossos orgânicos são 50% do valor do orgânico do mercado.

Legal.

Quando você falou assim,

Os alimentos vêm da Itália,

Vêm de outros países,

Eu fiquei imaginando quanto tempo levou a vida,

Quando o alimento era vivo ainda,

Você colheu até o momento que ele chega para o nosso prato.

De vivo ele não tem nada,

É como sua avó bem disse,

O leite lá de caixinha não era vivo.

O orgânico é uma coisa realmente nova,

Porque no tempo dos nossos avós,

Eles comiam orgânico,

Mas chamavam de comida.

Até vi recentemente um vídeo da Alice Braga,

Bem interessante,

Que ela está falando sobre isso.

Nossa,

Como a gente hoje em dia chama de orgânico e tudo que era alimento de verdade naquela época.

Falando um pouco especificamente sobre o orgânico,

Qual que é a importância de consumir orgânico?

Por que eu opto por um alimento orgânico em relação a um não orgânico?

Legal,

Gustavo.

O orgânico é basicamente o que a humanidade vem comendo há 3 mil anos.

E agora tem um nome para isso e tem que ter uma legislação para proteger o que é orgânico.

É uma coisa para se pensar.

Qual a importância do orgânico?

Geralmente as pessoas associam o orgânico a uma questão de saúde,

Porque é o que sai mais na mídia,

No noticiário,

Os agrotóxicos,

O veneno,

Etc.

Então o consumidor está pensando na sua saúde,

Na saúde da sua família.

A gente chama atenção para a saúde do produtor,

Para começar,

Porque ele está muito mais vulnerável.

A quantidade de agrotóxico,

Pesticida que ele está exposto é muito maior do que o consumidor está.

E isso,

Essa alienação,

Esse esquecimento,

Tem tudo a ver com o que a gente falou antes.

Que a gente acha que a comida aparece magicamente no supermercado e desconsidera o trabalho que está por trás daquilo.

O tempo,

O risco que é você produzir um tomate,

Por exemplo.

Você produzir qualquer coisa da terra,

Eu digo,

Não tem descanso,

Não tem feriado.

A natureza não para no Natal,

No Réveillon,

No Carnaval,

O produtor trabalha 365 dias do ano,

Passa chuva,

Passa sol,

Ele perde às vezes toda uma produção por questões climáticas ou por uma fraga que afetou.

E a gente olha aquele alimento e julga,

Ah,

Está caro,

Está barato,

Sem considerar a história.

A gente acredita muito no poder de você conhecendo as coisas e você ver o valor delas.

Então é importante contar a cadeia,

Contar a história do produtor,

O caminho do alimento até chegar no seu prazo.

Voltando à história do orgânico,

A gente precisa considerar o risco,

A saúde,

A vida dos produtores e produtoras.

A gente precisa considerar o prejuízo para a natureza,

Para o ecossistema.

Porque eu comecei a entender a questão do orgânico quando eu entendi a forma de pensar do orgânico versus da produção convencional.

São dois paradigmas totalmente diferentes,

São duas formas de pensar.

Enquanto convencional,

A agricultura tradicional pensa o seguinte,

Você tem uma praga,

Por exemplo,

E aquilo é um problema,

Aquilo é um vilão e você tem que combater.

Então essa é a forma de ver,

Você tem que combater.

Então você pega um remédio e você combate aquilo.

Na teoria,

Se a gente pensava em nossas doenças,

A gente poderia pensar,

Pô,

A gente às vezes fica doente,

A gente toma um remédio e melhora.

Só que no orgânico,

Ele pensa através de equilíbrio.

E mesmo na nossa saúde,

A gente também pode pensar através de equilíbrio,

Mas desculpa,

Pode continuar o seu acionicírio.

Exatamente.

Então o ecossistema equilibrado,

E quando a gente fala de ecossistema,

A gente está falando desde a menor parte dos micróbios,

Dos insetos,

Aos maiores animais,

Às plantas,

A tudo que está ali naquela região.

Quando ele está equilibrado,

Ele não fica doente.

E você não tem a necessidade de usar esse remédio,

Porque a cabeça é outra,

Não é de combate.

Então,

Voltando à analogia da nossa saúde,

O que acaba acontecendo na produção convencional?

É que aquele remédio,

Não basta usar uma vez.

Na próxima vez que você for usar,

Você vai ter que usar uma quantidade maior.

E é um ciclo vicioso.

Quanto mais você usa,

Mais a terra.

.

.

Porque,

Imagina,

Você borrifa,

Você pulveriza aquele produto.

Ele vai entrar na terra,

A terra vai absorver isso,

O lençol freático também vai absorver.

O alimento vai absorver,

Claro.

E a terra vai ficando pobre,

Vai ficando sem nutrientes.

E aí esse produtor vai ter que combater de novo.

Ele vai ter que usar mais ingredientes,

Produtos,

Agrícolas,

Fertilizantes químicos,

Para conseguir injetar energia de volta naquela terra,

Que,

Por sua vez,

Vai precisar dos venenos.

Então,

É uma coisa sem fim.

E isso está ligado também ao sistema de monocultura.

A gente sabe,

Desde a escola,

Das aulas de geografia,

Que a monocultura cansa a terra.

Você precisa ter um sistema definado,

Diverso,

Onde você faz o rodígio disso.

Então,

Essas técnicas são as técnicas que a gente vê em produtores.

Eu passei a conhecer mais a realidade do produtor,

A visitar as roças,

As plantações,

As fazendas,

Os sítios.

É uma coisa nova na minha vida.

Eu tenho três,

Quatro anos.

Aprendi muito com eles.

E muitos vieram no sistema convencional.

Isso é o máximo.

E a cabeça deles mudou.

É muito bacana ver isso.

Eles trabalhavam dessa forma e os vizinhos todos deles trabalhavam assim.

E aí,

Eles foram entendendo,

Foram se educando e pesquisando.

E aí,

Quando um produtor começa,

Às vezes isso vai convencendo,

Vai atraindo outros produtores vizinhos.

Aqui no Rio de Janeiro,

A gente tem a capital do orgânico,

Ali a região do Brejal,

Que a gente chama,

Onde você tem vários produtores de orgânicos fazendo hortaliças maravilhosas.

Então,

Muito bonito ver esse trabalho.

E tem um impacto,

Você falou isso também,

Tem um impacto na saúde de toda a cadeia,

Na verdade.

Tem o impacto na saúde do produtor,

O impacto na saúde do meio ambiente,

Da terra e o impacto na nossa saúde.

Isso até me lembrou,

Você falou da questão do combate.

Tem um documentário,

Chama The Biggest Little Farm.

Eu não sei o nome em português.

Mas é basicamente um casal que ele decide,

A história é que eles decidem se mudar para uma fazenda e aí cultivar toda uma agricultura orgânica lá,

Em equilíbrio.

E aí tem um momento que tem uma infestação de caramujo na plantação.

Você assistiu esse documentário?

Tem um momento que tem uma infestação de caramujo na plantação e aí eles ficam bem.

.

.

E agora,

O que a gente vai fazer?

Se a gente usasse veneno,

Ia ser fácil.

A gente ia lá jogar o veneno e matava os caramujos.

Mas aí eles têm que pensar.

E aí,

De repente,

Eles pensam,

Nossa,

Pato come caramujo.

E aí eles vão lá e soltam os patos na plantação e eles comem e aí faz-se o equilíbrio.

Porque ao invés de ter que dar ração para o pato,

O pato come o caramujo e estabelece de novo essa cadeia.

Muito legal.

Falando em cadeia,

Quando a gente fala de produtor local,

A gente fala também sobre,

Talvez,

Diminuição de desigualdade.

Porque eu tô vendo você falar assim,

O produtor trabalhava dentro do grande sistema,

Então,

Provavelmente,

Ele era assalariado ali.

E aí,

De repente,

Ele percebe que faz sentido ele cultivar localmente,

Aí ele começa a produzir.

E aí o colega do lado começa a produzir também.

Existe uma relação entre diminuição da desigualdade e a produção orgânica?

Isso,

Sim.

Porque pela legislação orgânica no Brasil,

Não é só uma questão de manejo da terra.

Ela vai além e tem uma série de conformidades,

De questões sociais que o sistema tem que garantir para que ele possa ser cientificado dentro do que a lei exige.

Então,

Isso é muito importante.

Isso,

Com certeza.

O fato da legislação contemplar esse aspecto social é muito positivo.

E eu acho que toda vez que a gente consegue transmitir para o consumidor o valor do que ele está consumindo,

O impacto que ele tem naquele cada realzinho que ele gasta,

Ele está corroborando para o tipo de sistema que ele quer manter.

Então,

Isso é muito importante.

A gente trabalha muito com esse conceito de transparência radical.

Transparência radical?

Pois é.

Por que transparência radical?

Porque a palavra transparência caiu em senso comum.

Hoje,

Até os grandes bancos dizem que são transparentes.

A gente.

.

.

Foi uma palavra que ficou fácil,

Bonita de se dizer,

Mas a gente sabe que na prática não é bem assim.

Então,

A gente quer ir além.

A gente acredita que não tem segredo,

Não tem fórmula secreta,

Escondida.

Seja uma empresa nua,

Conte tudo,

Revele tudo,

Humanize.

Conte suas virtudes,

Mas conte seus defeitos.

Fale de igual para igual com o seu cliente.

Não se esconda atrás de relações públicas ou de uma assessoria de imprensa.

Geralmente,

As grandes empresas recorrem a esses recursos.

Fala como se você fosse seu amigo e conta tudo.

Então,

A gente fez um esforço de,

Vamos abrir os números,

Vamos pensar quais são os impactos que a gente tem.

Porque você quer construir um negócio que possa devolver mais do que colher,

Que é a filosofia do orgânico.

Então,

A gente construiu um negócio assim,

Como é que a gente pode criar algo no mundo que vai impactar positivamente?

Porque a gente está colhendo,

A gente está gastando energia,

A gente,

Por mais que você tente minimizar recursos,

Você acaba tendo uma produção de recursos,

Resíduos,

Etc.

Mas como é que a gente pode devolver mais?

Então,

Isso é muito importante.

Eu vou dar um exemplo,

Reciclagem.

Reciclagem é uma palavra que muitas pessoas acham que é o caminho.

Vamos reciclar,

Reciclar está tudo resolvido.

A gente sabe que não é.

Porque quando você recicla,

Você ainda tem um grande gasto,

Você tem uma produção ainda,

Esse material vai ter que ir para algum lugar,

Vai ter que ir para uma cooperativa,

Vai ter um consumo elétrico lá,

Isso vai ter que ser transportado e materializado,

Etc.

O que a gente já sabe,

Algumas décadas,

Que o sistema melhor que a gente tem que procurar é a economia circular.

A gente reaproveitar o máximo possível aquilo sem gerar resíduos.

Então,

A gente começou a pensar assim,

Cara,

Como é que a gente faz o mercado de economia circular?

Enfim,

É difícil para burro.

Vamos pensar assim,

Ovos.

Todo mundo brasileiro adora comprar ovos,

Você compra aquela caixa que é ou de papelão ou de isopor,

Você consome aqueles ovos,

Joga fora.

Para para pensar quantas caixas o Brasil deve gerar por dia.

Pensa um supermercado,

Agora pensa todos os supermercados na cidade,

É um número que assustaria a gente.

Com certeza.

E aí,

Beleza,

Como é que a gente resolve isso?

Pois bem,

A gente resolveu.

Muito simples,

O cliente não joga fora a caixa.

Ele usou a caixa,

Não joga fora.

Ele traz de volta,

Quando ele voltar na loja.

E aí,

A gente tem lá uma grande cesta.

E o cliente,

É legal isso porque é lúdico,

Essa brincadeira de você pegar todos aqueles ovos caipiras,

Coloridos ali,

Você escolhe,

Você bota na sua caixinha e leva para casa.

Ok,

Mas Bruno,

Como é que a cadeia,

O fornecedor não tem problema?

O fornecedor nos entrega em bandejas de plástico que voltam para ele e ele pode lavar.

Então ele lava.

E ele utiliza isso mil vezes.

Então assim,

A gente não está gerando resíduo na cadeia.

E como é que o ovo fica na cesta?

Eu fiquei com medo deles quebrarem,

Como é que eles ficam?

Não,

Eles ficam perfeitos.

Eles ficam ótimos.

Eles ficam um em cima do outro?

Ficam em cima do outro.

E essa cesta,

É uma graça.

Mas supondo que outro mercado fosse adotar,

Ele não precisaria colocar nessa cesta.

Ele poderia botar nas próprias bandejas de plástico.

O meu ponto é,

Nós somos um mercado muito pequeno e a gente conseguiu solucionar algumas questões fundamentais para o mundo.

Eu fico pensando no impacto que uma grande rede de mercado teria se adotassem essas práticas.

Então a gente está lá todo dia provando isso.

Um outro exemplo é a tal da sacola plástica.

É que tem todo um trabalho de consciência.

Vocês estão ensinando o consumidor,

Né?

Na verdade,

É como uma escola mesmo.

Sim,

Eu acredito no poder da conversa,

Do diálogo,

Do relacionamento.

Não é uma relação fria,

Assim,

De o consumidor vai,

Paga e vai embora.

Eu acho que,

Aliás,

Gustavo,

Esse é um dos grandes problemas do sistema alimentar.

Não só alimentar,

A gente pode além pensar moda,

Pensar outras indústrias.

Que são orientadas por conveniência,

Por preço,

Para garantir um produto com a máxima validade possível.

Então,

Assim,

Como que eu posso tratar o meu cliente,

Assim,

Quase ele como uma criança e eu facilitar o máximo a vida dele e o cliente,

Ao longo do tempo,

Ele vai ficando viciado nisso,

Ele acaba normalizando,

Mas a gente não vê os custos invisíveis.

Aí que está o problema,

É o tal dos custos invisíveis.

Qual é o custo de manter um sistema que mima as pessoas?

Que você tem uma lasanha congelada por R$4,

50,

Que não é um alimento de verdade.

Vai ter um custo invisível,

Não é invisível para a nossa saúde,

Para a nossa família,

Para a saúde dos animais.

Porque para conseguir naquele preço,

Qual é o custo invisível dos trabalhadores,

Dos animais?

Como é que essas vacas viveram?

A gente sabe,

Animais confinados,

Que são alimentados de ração,

A gente sabe que boi e vaca não foram feitas para comer milho,

Então esses animais ficam doentes,

Logo recebem antibióticos.

Eu vi um número do FDA americano que 80%,

Todos os antibióticos do mundo são dados para os animais.

Então é um número assustador esse.

Que são os animais que a gente consome,

É essa a cadeia.

O Michael Pollan tem uma frase ótima,

Ele diz assim,

As pessoas acabam comendo o que elas comem,

Comem.

Então você come o que você come,

Come.

Então o que os animais comem,

Você acaba.

E é claro,

A gente tem que pensar nos animais,

A gente tem que pensar em respeitar as características de vida daquele animal e não é comendo milho,

Ou soja,

Transgênica e por aí vai.

Então tudo volta a história dos custos invisíveis.

Quando você vai no supermercado e você não leva ecobag de casa,

E eu chamo assim ecobag,

Não sei se é aquela coisa chique,

Aquela sacola bonitona com frases,

Efeitos.

Uma ecobag pode ser um saco plástico,

Que você já tinha em casa e levou no bolso.

Porque os homens pensam assim,

Cara,

Eu boto no bolso,

Eu tenho algum saquinho assim,

Eu tenho um que é,

Eu esqueci aqui,

Material TNT,

Que não é um material ecológico,

Mas me deram essa aqui,

Eu boto no bolso,

Pronto,

Eu recuso o saco plástico.

Então a gente se acostumou que qualquer loja que a gente for no mundo,

Alguém vai dar sacola para a gente.

Isso é um hábito infantil,

É um hábito de criança,

Porque a gente é animado.

Eu não vou me preocupar com isso.

Eu digo assim,

Eu tenho uma solução.

No dia que custar 50 reais a sacola na farmácia,

Ninguém vai mais esquecer.

Porque até hoje.

.

.

Você acha que essa é a única solução?

Eu não acho,

Mas resolveria.

Porque ninguém nunca perdeu um braço de levar um saquinho de casa.

Então a gente conseguiu isso lá no mercado,

A gente não fez sacola para o cliente.

O cliente que vai pela primeira vez,

Ele vai lá no caixa,

E ele tem aquele costume,

Alguns clientes botam tudo ali,

Espera que você vai empacotar,

Vai botar na sacola,

A gente só passa no caixa e fica parado.

Aí no final,

Às vezes não tem a sacola,

Isso dá uma chance da gente conversar.

Essa conversa com o primeiro cliente,

A gente deve ter feito milhares de vezes.

Não tem um letreiro escrito assim,

A gente não tem sacola.

A gente tentou,

Mas não tem letreiro que possa substituir uma conversa.

Não tem,

Sem dúvida alguma.

Essa é a oportunidade explicada.

Exato.

E qual o supermercado que vai querer fazer isso?

Porque o supermercado está pensando em eficiência,

Em venda.

Eu quero que ele passe rápido e volte.

Passe rápido.

Eles já querem ter controle,

Não existe um indicador de vendas por caixa,

Por funcionário.

Então,

Eles vão lá e brigam.

Se o funcionário está lento,

Eles vão e brigam.

Então,

A gente está tentando operar por uma outra lógica.

É uma lógica que não é só do resultado,

Do lucro,

Da venda.

É claro que a conta tem que fechar,

Senão aquilo é só um sonho,

Só uma fantasia,

O negócio tem que ser fiável,

Mas a gente precisa mudar a forma de pensar,

A gente precisa pensar no impacto e que o mundo precisa de uma mudança radical agora.

Não dá mais para adiar isso.

E dá para ganhar dinheiro?

Dá para o negócio ser sustentável,

Criando alguma coisa que você vai considerar sempre esses custos invisíveis?

Vocês estão experimentando isso agora,

Né?

Financeiramente falando.

A gente está para completar o nosso segundo ano de vida.

Segundo ano.

Toda empresa nascente,

Esses dois primeiros anos,

Três primeiros anos,

É um momento muito delicado,

É um momento muito especial,

Que você tem que tirar o negócio do papel e você está resolvendo mil problemas ao mesmo tempo.

A gente é muito feliz,

Porque a receptividade das pessoas foi muito grande.

Clientes de todos os perfis,

Todas as tribos descobriram,

A gente criou vínculos com os clientes,

Um monte,

Dezenas,

Centenas de clientes que a gente hoje em dia tem relacionamento.

Inclusive,

A gente está aqui junto,

Né,

Gustavo?

Foi indicação de uma cliente nossa.

Foi,

Que me apaixonou.

Pois é.

Então,

É incrível.

Eu acho que é isso,

A gente pensar mais do que só um negócio.

Mas,

É claro,

Tem que ser viável,

Mas quais são os valores,

Qual é o propósito do negócio?

Eu acho que tudo isso começa.

.

.

Você está naquela pergunta assim,

O que eu quero entrar nessa?

Antes de você pensar o que você vai fazer,

Mas o que me move,

O que me tira da cama?

E para a gente foi isso,

Fazer alguma contribuição para melhorar o nosso sistema alimentar.

Legal.

Bruno,

Você era executivo,

Você trabalhou em grandes corporações.

Estou vendo que você fez a pesquisa aí.

Eu fiz uma pesquisa.

Eu queria saber como é que foi essa mudança entre ser executivo,

Trabalhar nas grandes corporações e aí depois empreender em um negócio bem diferente.

Teve uma mudança aí na sua cabeça,

Né?

E o que é bom estar na vida é para mudar mesmo,

Para evoluir.

Ainda bem que a gente olha para trás e fala nossa,

Estou diferente,

Estou melhor agora.

Boa pergunta.

Minha trajetória não é muito convencional mesmo.

Eu sou psicólogo de formação,

Eu nunca trabalhei na área,

Eu me apaixonei por empreendedorismo.

Eu saí da faculdade já querendo empreender e aí eu me juntei com meu amigo de escola,

O Alexandre,

Dois recém-formados,

Perdidões,

Ingênuos,

Mas com uma certa cara de pau,

Uma certa coragem.

A gente começou a trabalhar com consultoria para pequenos restaurantes.

E foi aí que a gente descobriu o mundo da comida,

O mundo da operação de alimentos,

Cafeterias,

Bares,

Lanchonetes,

Restaurantes chiques.

A gente começou a circular isso e se apaixonar.

Ficamos alguns anos fazendo isso até que a gente abriu,

A gente queria ter um bolo solo,

Um bolo próprio,

E a gente abriu uma rede de frozen yogurt,

Uma iogurteria chamada Yog.

Isso foi em 2008.

A gente abriu a primeira loja no Rio,

Uma loja própria,

A gente chegou a ter mais duas lojas próprias,

Um total de três,

E o negócio recebeu demanda por franquias.

Então,

A gente começou a abrir franquias em várias cidades.

Teve até aquela,

Ali em 2009,

2010,

Uma grande explosão de iogurterias,

De concorrência.

Então,

A gente viveu intensamente esse período,

Um período bem desafiante.

E,

Eventualmente,

A gente acabou vendendo esse negócio.

A gente achou que a gente precisava,

Para continuar o negócio,

Dar um salto maior.

A gente não tinha condição de fazer isso,

Não tinha conhecimento.

E a gente passou essa marca para um grupo de alimentação bem grande,

Que é um grupo gestor,

Dono da marca Bob's,

Entre outras redes de péssimo brasileiro.

A gente fez a venda da franquia,

Da rede e tal,

E nessa venda,

Eles também fizeram um convite para a gente estar lá,

Nesse grupo.

Então,

Eu e meu sócio,

Nos vimos da noite para o dia,

Deixamos de ser empreendedores e viramos executivos de marcas nesse grande grupo.

E aí foi uma experiência muito diferente e de muito aprendizado.

Eu diria que foi o meu MBA na prática.

Porque era uma pressão grande,

Era uma pressão diferente.

Eu agora respondia a um conselho,

A um board,

Em que eu precisava prestar contas.

Eu respondia ao presidente da companhia.

Era uma empresa muito grande,

200 funcionários,

Tinha um escritório no Rio,

Outro em São Paulo.

Eu passava viajando o tempo inteiro.

Então,

Foi bem diferente e um enorme aprendizado.

Eu fiquei um pouco,

Acho que dois anos,

Mais ou menos três anos nesse trabalho e aí eu saí.

Eu resolvi voltar.

A loucura de empreender.

E aí eu estou nessa desde então.

Você saiu e aí já foi para montar a colheita?

Eu antes disso,

Antes da colheita,

Tem que ser legal,

Eu me envolvi em uma experiência que acabou dando uma luz para a colheita.

Porque o que aconteceu?

Vou voltar ao Yorg.

Quando a gente teve essa rede de franquias,

De algoderia,

A gente fez uma fabricação própria da matéria prima.

A gente achou que era muito importante ter um próprio produto,

Desenvolver sabores e a gente não queria ficar importando ou comprando de fornecedor.

A gente construiu uma fábrica disso.

Essa fábrica não se envolveu na venda.

A gente manteve esse negócio e a gente continua até hoje fornecendo para a empresa.

Por que isso é importante?

Porque a gente tinha essa fábrica e a gente ficou pensando assim como é que a gente traz novos negócios para essa fábrica?

A gente tem um espaço grande aqui,

Um espaço ocioso,

A gente tem maquinário,

Ótimas pessoas aqui,

Vamos desenvolver novos produtos,

Vamos desenvolver outros alimentos.

Foi uma fase,

Quando eu saí dessa empresa que eu comentei,

A gestora do BOBS,

Eu fui atrás de ideias.

Eu viajei,

Eu fui em congresso de comida,

Eu conversei com mil pessoas,

Eu pesquisei as tendências e a gente fez uma lista de coisas.

Desde vamos fazer suplemento nutricional,

Vamos fazer cookies mais gostosos,

Um trilhão de coisas a gente pesquisou.

E aí a gente sempre esparrava no mesmo problema.

Onde a gente vai vender?

Como é que você começa vendendo isso?

Se você pensar o canal tradicional,

Você pensa as grandes redes,

Porque é lá que você vai conseguir volume,

Você vai conseguir escala.

E aí toda vez que a gente esbarrava nisso,

As pessoas falavam para a gente,

Desiste.

Você não vai ser atendido,

Não vão dar atenção,

Vocês são muito pequenos.

Os grandes mercados,

Eles trabalham com grupos enormes de alimentares.

É uma empresa que é dona de 10 marcas,

15 marcas,

É aquela coisa da Coca-Cola,

Que é dona de várias marcas,

É um bebe.

E aí essas empresas disputam entre si a negociação com os supermercados.

E os supermercados,

Por sua vez,

Se consolidam e compram uns aos outros.

Existe até uma informação que toda a cidade tem basicamente três grandes redes de supermercado,

Que dominam.

E é assim,

Se você ver o Rio,

São Paulo,

Paris,

Nova York,

É assim,

Você tem três grandes redes brigando entre si,

Comprando outras menores para ganhar volume,

Para poder negociar melhor com grandes grupos de alimentos.

Então a gente começou a ver aí uma lógica.

É a coisa do sistema de comida que não é de verdade.

É aquela comida que parece que é comida,

Que tem cheiro de comida,

Mas que não é comida.

É o pão de forma que nos traga,

Que tem 17 ingredientes.

É o iogurte,

Que tem três ingredientes.

É o molho estranho.

Tudo isso.

E a gente começou a olhar a quantidade de comida congelada que tem no supermercado.

A falta de alimentos orgânicos.

A falta de informação e transparência sobre os fornecedores.

E aí isso foi alimentando a nossa ideia.

Poxa,

Um pequeno produtor,

O que ele faz?

Um cara assim.

.

.

Para quem que ele vende?

Para quem que ele vende?

É horrível.

A gente chegou a ter reunião.

Eu fiquei meses esperando para essa reunião.

Quando você chega na sede da empresa,

Você fica.

.

.

E isso é fato.

Todo mundo sabe do meio.

Você fica cinco horas esperando na sala de espera.

Os fornecedores já são cadastrados.

É normal.

Os caminhões ficam lá parados horas.

Isso não é forma de tratar um produtor,

Um fornecedor de alimentos.

Então isso alimentou muito a gente.

E se houvesse um supermercado que trata bem os fornecedores?

Onde eles são os protagonistas?

Onde eles são uma estrela,

Um show?

Onde em vez de você cobrar do fornecedor para expor o produto num destaque na gôndola,

Que é o que acontece hoje,

A gente sabe que sobra muito pouco para o fornecedor porque ele tem que pagar várias taxas de promoção,

De representante,

De repositor.

E se a gente fizesse o máximo para expor ele?

Colocar uma foto dele.

Exatamente.

Deixa ele lá.

O próprio fornecedor botar foto,

Ele conta a história.

É o inverso.

Porque a gente quer dar espaço,

É fazer ele crescer.

A gente quer torcer para ele crescer.

Então hoje a gente é apaixonado pelos nossos produtores.

A gente vende eles,

Entre aspas.

Vai um cliente,

O cliente pergunta.

A gente tem muita informação para dar porque a gente acredita muito no trabalho desses fornecedores.

Eu vou dar um exemplo.

O primeiro fornecedor que eu visitei foi um ano e meio antes da gente abrir o Mercativo,

Porque a gente precisava visitar e entender essa cadeia de alimentos.

Foi em São Paulo e foi um fornecedor de queijos,

De queijos orgânicos.

No interior de São Paulo a gente foi,

Um tempão,

Na estrada,

Aquela coisa,

GPS,

Para achar o cara.

A gente passou a tarde inteira lá.

Vimos os animais soltos.

Um modelo de gestão de pasto rotacionado que é para evitar tragas nesses animais.

Os animais comendo pasto,

Graninha.

Você vendo os animais pedindo pato ao cliente.

E a gente conheceu a realidade dos produtores,

Conversou com eles.

Essa história eu conto até hoje.

Eu conto para os clientes,

Esse queijo que você está comprando é tudo verdade.

Porque hoje tem um ceticismo,

Aquela história do storytelling e do storyline.

Foi pego com umas marcas,

Foram pegas.

A história da vovó,

Do sorvete,

Do suco,

Não sei o que.

Então hoje eu posso falar assim,

Eu fui na fazenda.

É tudo verdade.

Eu conheço o produtor.

E qualquer dia você vai esbarrar com ele aqui na loja.

É isso.

A gente já levou o cliente,

A gente quer fazer mais disso.

Mas é porque eu como consumidor vivi cético também.

Eu pensei o seguinte,

Eu só vou comprar de quem eu conheço,

De quem eu visito.

Eu confio em ter essa informação.

E Bruno,

O consumidor que vocês têm lá,

Brasileiro,

Carioca,

Provavelmente tem gente do Rio de Janeiro inteiro.

É um mercado local,

Mas deve ir outras pessoas,

Porque eu acho que deve ser bem encantador.

Eu ainda não conheço a loja.

Mas deve ser bem encantador entrar lá.

Mas esse consumidor,

Ele também se encanta por isso?

Isso realmente é alguma coisa que está mobilizando também o cliente?

O fato dele saber que existe lá o pequeno produtor.

É real isso?

É real.

Eu digo assim,

Existe o cliente.

Você tem perfis de cliente.

Existe um perfil de cliente que se emociona pela loja.

É muito bacana.

Você não precisa explicar nada pra ele.

Ele entra na loja,

Eles viram pra mim e falam,

Eu entendi tudo.

Eu estou emocionado,

Eu sempre sonhei com isso.

Caramba,

Eu não acredito que isso existe.

Isso mudou a minha vida.

Isso é muito lindo de ouvir.

É muito motivador e mostra que a gente está no caminho certo.

Agora,

Existem outros perfis de clientes.

Clientes que estão procurando alguns aspectos específicos do que a gente faz.

Vou dar um exemplo.

Você tem clientes que estão focando só no aspecto orgânico.

Eu tenho uma cliente,

Uma senhora,

Ela mora até longe da loja e pra ela é muito importante o alimento ser orgânico e ser muito bonito,

Ser muito fresco.

Ela é muito exigente com a qualidade do alimento.

E aí ela fala,

Olha,

Já testei vários serviços de sexta,

Outros mercados tradicionais,

Não gosto de nada.

Agora,

Vocês escolhem muito bem.

Assim,

Maravilha,

Mas pra ela pouco importa se eu faço economia circular,

Se eu trabalho a transparência,

Se eu pago melhor os produtores,

Se eu tenho o canto da fruta feia onde a gente não desperdiça alimento,

Se eu forneço sementes criolas para os produtores,

Ela não está olhando isso.

Ela está olhando o aspecto do orgânico.

Por isso que a gente não se define até com o mercado orgânico,

Porque esse é um termo é um termo novo,

Relativamente novo.

Eu quero dizer,

Ainda é um segmento muito pequeno no Brasil que está procurando o alimento orgânico e mal compreendido.

Se você perguntar pra 100 pessoas o que significa orgânico,

Talvez você vai ter umas 10 definições diferentes.

E ainda é um nicho pequeno.

Os números que eu vejo no Brasil são bem pequenos.

E a indústria de alimentos,

Ela sabe que o consumidor é muito leigo.

Ele não se dá o trabalho de ler.

Ele lê manchete.

A vida moderna é tanta informação que a gente não lê profundamente.

A gente é a geração Tik Tok.

Você quer consumir fast food de informação.

Em um segundo você consome.

Então as pessoas se prendem a palavras mágicas.

Quais são as palavras mágicas da comida hoje?

Se tem glúten,

Se não tem glúten.

Se tem.

.

.

Se é transgênico,

Se não é transgênico.

Até essa palavra é mais difícil.

Me lembra aí,

Gustavo.

Quais são as palavras mágicas?

Eu achava que o orgânico era uma dessas palavras mágicas.

O orgânico é.

É orgânico ou não é orgânico?

Se tem corante,

Se não tem corante.

Os EUA e os mais.

No Brasil e nos Estados Unidos.

Chegou essa questão do corante ou do aroma de corante.

É isso que a gente quer falar.

Porque,

Deixa eu te fazer uma pergunta,

Gustavo.

O orgânico.

Aí o consumidor aprende.

O orgânico é importante pra minha saúde.

É mais ecológico.

Tudo bem.

Aí você vai no supermercado e você vê uma maçã orgânica.

Mas aí ela está embrulhada num saco plástico.

E quando você olha,

O fornecedor veio da Itália.

Isso acontece,

De fato.

Então você tem uma maçã que foi feita num sistema ecológico,

Mas ela veio da Itália.

Então você vê que,

Você conclui apenas procurar pela palavra orgânica não resolve o problema.

Resolve um problema,

Mas não todo.

Ela não vai ter agrotóxico,

Mas ela não vai ser um alimento tão vivo.

Qual é o custo ambiental de trazer um produto embalado em plástico?

Você não precisa comprar nada embalado em plástico.

A verdade é essa.

Você escreveu um livro desses custos invisíveis pra gente.

Olha aí,

Eu nem tinha pensado nisso.

E olha o que você falou no início da conversa,

Né?

Mas agora que eu estou começando a internalizar.

Realmente,

Tem todo um custo de vir de longe.

Esse é um momento meio Matrix.

Assim,

Como você toma a pílula.

Pra mim foi isso.

Quanto mais eu cavava,

Caraca,

Nada era o que parece.

O quanto eu não sei nada.

E você vai ficando assustado.

Eu vou dar um outro exemplo,

Né?

A palavrinha orgânica.

Vamos voltar nela.

Aí você vai comprar um biscoito orgânico.

Você pensa,

Pô,

Eu podia comprar um biscoito comum,

Mas eu posso comprar um biscoito orgânico.

Você tem cookie comum e tem cookie orgânico.

E aí você tem um cookie orgânico,

Tá escrito,

Tem aquele papel um pouquinho diferente.

Às vezes tem uma arvorezinha na entalagem e tem uma,

Sei lá,

Tem alguma garota propaganda,

Assim,

Que passa uma coisa mais natural.

Mas quando você vai ler os ingredientes,

Eu já fiz isso,

São os mesmos ingredientes do biscoito cookie convencional.

Só que orgânico.

Só que orgânico.

Então você tá comendo um biscoito de mentira,

Um biscoito que não estraga,

Um biscoito cheio de aromatizantes,

Cheio de corantes,

Cheio de aditivos químicos que fazem muito mal a gente,

Só que orgânicos.

Então,

A coisa é complexa.

Aí que tá um problema.

É complexo.

E pra indústria,

É bom essa complexidade.

Porque isso mistifica e a indústria se coloca no lugar que ela sabe o que é bom pra gente.

E quanto mais a gente não sabe,

Mais a gente se apega a dietas.

Então,

Agora tem a dieta X,

A dieta Y,

A dieta Z,

O ingrediente vilão,

Que a gente parece que a cada dois anos tem um ingrediente vilão.

E isso mistifica totalmente.

O glúten,

Por exemplo.

O que é glúten?

As pessoas não sabem explicar o que é glúten.

Só sabem que não pode.

Água não tem glúten.

Tá escrito lá na embalagem.

Não tem glúten.

A gente vende um pão,

Não é a gente que produz,

É uma padaria que a gente ama,

Queridíssima,

É a Slow Bakery.

Eles fazem um pão de fermentação natural.

É um pão de lentíssima fermentação,

Que só leva três ingredientes.

É o mesmo pão que a civilização faz desde que existe pão.

É farinha,

Água,

Sal e tempo.

O tempo é o ingrediente mágico aí.

Então,

Esse é um alimento.

.

.

É aquele sarraceno.

O sarraceno é um desses.

É um pão que é feito,

Pode ser feito no método de fermentação natural.

Você tem o Levin,

Que é o pão de fermentação natural francês.

Você tem o Sourdough,

Que é a moda de São Francisco.

Essa padaria,

Ela chama o pão dela de Rio,

De Janeiro,

Porque é a bactéria carioca que está fermentando ali o pão.

Mas é inspirado no pão de São Francisco.

Então,

Esse pão é muito mais fácil de digerir.

O problema é o que a indústria fez com os alimentos.

Ao refiná-los na forma que ela refina,

Ao processar na quantidade que processa,

Esses alimentos são muito mais difíceis de digerir e fazem mal a gente.

Então,

É isso.

A gente quer um produto conveniente,

Processado,

Pronto,

Quer pagar barato,

Mas não vê os custos invisíveis para o mundo e para a nossa saúde.

O que não falta é farmácia.

Eu não sei na sua cidade,

Mas,

Assim,

Aqui onde eu moro tem uma farmácia por esquina.

É assim,

Acho que em todas as cidades do Brasil.

Pois é,

É um negócio que não para de crescer.

Então,

A gente consegue ver onde está esse algo custo invisível.

E como é que fica aquela questão que,

Às vezes,

A gente ouve as pessoas falarem,

Não,

Mas se a gente não utilizasse agrotóxico,

Se a gente não tivesse o transgênico,

A gente não conseguiria alimentar toda a população do mundo.

Imagino que você já pensou sobre isso,

Né?

Até há pouco tempo eu estava numa conversa com o Flávio Passos e ele falou,

O problema do transgênico em si é exatamente porque as sementes,

Os alimentos,

Eles são geneticamente modificados para eles suportarem mais agrotóxico.

Então,

Ele absorve mais agrotóxico.

Então,

Assim,

O transgênico em si talvez não tem tanto problema,

Mas ele vai ter mais agrotóxico ainda.

Enfim,

Dá para a gente viver sem agrotóxico,

Sem transgênico?

Existe um número,

Não é meu,

É da FAO,

Que pertence à ONU,

Que um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são dispersados.

Um terço de todos os alimentos,

No momento que ele é colhido,

Até chegar no nosso prato,

A gente perde.

Aonde que perde,

Bruno?

Perde no caminho,

Na própria plantação,

Mas é no transporte,

É no supermercado,

É no manejo,

É em casa.

A gente comprou mais do que a gente precisava ou a gente foi preconceituoso,

Aquela coisa assim,

Você viu machucadinho?

Tá feio.

Porque a gente se apegou a padrões de beleza estéticas das comidas também,

Então tem que ser reluzente.

Então,

A gente desperdiça muito alimento.

O problema não é da fome,

Não é falta de produção de alimento,

É um problema de distribuir esse alimento.

Porque a gente está desperdiçando,

A gente está jogando fora.

E o segundo fato que eu dou para essa frase que é repetida,

É que a produtividade no sistema orgânico é a mesma do sistema convencional.

Então,

A eficiência é a mesma,

A produtividade é a mesma.

A questão do transgênico,

Eu não tenho muito opinião formada,

Eu estou respondendo que nem o Obama,

Quando perguntaram para ele,

O Obama falou,

A gente tem que checar a ciência,

Tem que ver,

A gente não pode ter uma resposta binária,

É ruim ou é bom?

A gente tem que ver a cada caso,

Talvez seja muito cedo para a gente ainda,

Mas eu vi uma resposta de um diretor da FAO,

Eu perguntei para ele,

Qual é a sua opinião sobre o transgênico?

O que mais me preocupa é a questão social.

Eu comecei a questão social.

Quando você tem uma semente transgênica,

Ela é propriedade de uma empresa.

Ela é patenteada,

Você compra daquela empresa aquilo,

Mas a natureza,

Ela não respeita essas regras,

Existe vento.

Então,

Aquela semente cai no vizinho,

Esse vizinho vai receber uma cobrança,

Isso acontece,

E eles quebram financeiramente,

Porque isso foi arrastado pelo vento,

E a empresa vai cobrar,

E o que acontece agora com a sua plantação?

Ela está contaminada pelaquela semente.

E,

Adivinhe,

Só o agrotóxico daquela empresa funciona naquela semente.

É uma venda casada.

Então,

Esse cara está ferrado,

Porque o que ele vai fazer?

A semente já está na terra dele.

Então,

Aquilo me chamou muita atenção,

Mas eu não tinha parado a pensar nessa questão social,

O impacto econômico,

Social do transgênico.

Interessante.

E é escalável o modelo da colheita?

Eu fiquei pensando aqui no Whole Foods,

Todo mundo que pensa na palavra orgânico,

Que foi pesquisar um pouco a fundo,

Conhece o Whole Foods,

Já foi no Whole Foods.

Eu acho que o modelo do Whole Foods está bem distante do modelo da colheita hoje.

Eu vi algumas coisas parecidas com a colheita lá na Austrália,

Em que tinha alguns supermercados que você ia,

Você tinha que levar o seu próprio pote,

Vendia muita granel.

Enfim,

Quando eu conheci a colheita,

Eu me remetei a isso.

Mas o Whole Foods,

Ele escalou,

Mas ele começou como um negocinho pequenininho.

Então,

Quis trazer esse exemplo do Whole Foods para você perguntar,

É escalável o modelo da colheita?

E se ele escalar,

Ele vai se transformar em um Whole Foods?

Os brasileiros amam o Whole Foods.

Quando vão para os Estados Unidos,

A primeira vez que eu conheci o Whole Foods,

Eu me apaixonei nela.

Você não quer sair.

Ele tem a loja diferente,

Tem aquelas comidas prontas,

É tudo tão cheiroso,

Tão bonito.

E o Whole Foods é relativamente uma cadeia pequena nos Estados Unidos.

Eu não sei quantas lojas tem hoje,

Mas quando a Amazon comprou,

Tinha 250 lojas.

É algo pequeno.

Mas eu comecei a ficar mais crítico.

Eu comecei a perceber,

Por exemplo,

O Whole Foods tem um sucrilhos,

Mas é próprio.

É uma marca dele e é orgânico,

Mas são os mesmos ingredientes dos sucrilhos.

É comida altamente processada.

O que não é comida de verdade.

O que não é comida de verdade.

Ele tem alguns aspectos bacanas,

Ele tem uma sessão a granel legal,

Ele tem informação sobre os produtores.

O Whole Foods é famoso por botar foto bem grande do pescador,

Do agricultor.

Você lê e informa o nome do produtor.

Então isso é inspirador.

Agora,

Eu acho,

Seguindo aí o que você falou,

A gente tem mais a ver com outras iniciativas na Europa que estão acontecendo.

Na Europa já está mais forte isso.

E até em São Paulo você tem iniciativas como os institutos,

O CHAM,

O Instituto Feira Libre,

Onde a transparência é muito importante.

Comprar o pequeno,

Comprar local,

Incentivar o comércio local.

São valores muito fortes.

Se é escalável,

É uma boa pergunta.

A gente está,

Assim,

O nosso propósito não é abrir outras lojas.

Eu quero que outros empreendedores e empreendedores se animem e se inspirem em abrir suas próprias lojas e a gente vai dar tudo de informação,

De conhecimento,

Caminho das pedras para quem quiser.

Eu já falei isso para várias pessoas que nos procuraram.

A gente quer multiplicar esse sistema.

E é isso.

A gente está plantando uma semente para as pessoas poderem,

Opa,

Acordar com essas questões.

Começar a se questionar de onde vem sua comida,

A história dela e etc.

Então,

Assim,

No momento,

A gente está focado naquela loja e atender cada cliente pessoalmente.

É uma coisa muito importante para ela e ter um negócio viado.

Isso é o nosso foco.

Legal.

Se depender de você,

Então,

Ninguém mais come cereal?

Sucrilhos?

Assim,

Eu não sou radical,

Entendeu?

Então,

Eu acho que não dá para ter essa coisa assim,

Só comer de uma forma.

Eu acho que você,

Eu acho que é comer sabendo o que você está comendo.

Você vai tomar um refrigerante,

Então,

Você sabe o que aquilo representa.

Você vai comer um.

.

.

Eu não sou contra comer besteira,

Comer junk food,

Mas existe hambúrguer e existe hambúrguer.

Então,

Você pode.

.

.

Existe chocolate e existe chocolate.

Por exemplo,

O chocolate que tradicionalmente a gente conhece no supermercado,

Não é chocolate.

Ele não chega nem a 5% de cacau,

Que é o mínimo exigido pela Associação de Produtores Brasileiros de cacau.

Então,

Você compra uma barra de chocolate que não tem cacau.

É uma coisa louca isso.

Ou a gente valoriza o produto importado.

O cacau sai do Brasil,

Vai para a Suíça,

Volta e a gente paga caro nele.

Então,

A gente tem chocolate lá na loja.

A gente compra de quatro produtores do sul da Bahia.

São famílias que estão na quarta ou quinta geração.

São chocolates street to bar,

Ou seja,

Ele produz,

Ele colhe,

Ele faz a barra.

Então,

É uma produção totalmente horizontal.

É um produto lindo,

Maravilhoso.

Então,

Eu prefiro comer um chocolate assim,

Comer menos,

Mas um alimento que mais devolve do que retira da terra.

Dá pra ter junk food de verdade.

Com certeza.

Dá pra ter junk food de verdade.

Legal.

Bruno,

Você é um empreendedor,

O negócio de vocês está prosperando já.

Já é o primeiro negócio,

Já é o terceiro,

Pelo que você me contou.

Eu queria que você falasse assim,

Se a gente perguntasse três dicas para o empreendedor,

Para alguém que quer empreender com propósito,

O que você diria aí?

Eu sei que isso não foi ensaiado antes,

Então,

Estou te perguntando assim na lata.

Então,

Pode trazer o que veio na sua mente.

É uma pergunta ótima.

Eu acho que empreender é uma jornada muito difícil.

Não é pra qualquer um.

Vai se tornar a tua vida,

Você vai passar por desafios enormes,

Uma montanha russa de emoções.

Eu não estou desaconselhando.

O que eu sugiro é o seguinte,

Como você vai passar por tantos desafios e você vai gastar tanto tempo nisso,

Faça algo que importe pra você,

Que seja caro pra você.

Então,

Quanto mais tiver alinhado os seus valores,

Princípios de vida,

Propósito de vida com o teu trabalho,

Mais feliz você será.

Então,

Hoje eu tenho essa sorte,

É um privilégio.

Eu trabalho porque eu acredito na minha essência.

Alguns chamam de mindset,

Isso.

São valores enraizados em mim.

Então,

Isso me move,

Isso me motiva.

Então,

Eu acho isso muito importante.

Você tem que olhar pra dentro e pensar o que eu acredito.

O que me tira da cama?

Então,

Tá aí um caminho.

Porque desafios existirão,

Né?

Independente se você está empreendedor com propósito ou não,

Você vai passar por diversos desafios,

Como você disse,

Uma montanha russa.

Então,

Se você gosta,

Pelo menos você vai passar gostando,

Ao invés de passar só sofrendo.

Exatamente.

E o segundo,

Eu diria foco.

Eu acho que empreendedores de primeira viagem,

Eu,

Inclusive,

Sofri muito pela falta de foco.

Assim,

No primeiro resultado positivo que você tem,

Na primeira notícia positiva,

Isso rola,

Acaba rolando uma coragem excessiva em você,

Você se empolga e você acaba querendo abraçar muito mais do que você deveria estar abraçando.

Eu acho que a gente tem que ser mais paciente.

Entender que a construção de uma empreitada dessa,

A construção de uma marca é algo que leva anos.

É um trabalho de formiguinha,

Dia após dia,

Fazendo a mesma coisa.

Eu,

Assim,

No yoga,

Eu tinha 20 e poucos anos quando a gente fez yoga,

A gente era ingênuo nisso,

A gente abraçava muitas frentes,

A gente queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo e eu vejo que foi um erro.

A gente devia estar concentrado em fazer a mesma coisa,

Mas com muita qualidade.

E eu vejo muitos outros empreendedores ou jovens que me procuram,

Bruno,

O que você acha de eu fazendo isso,

Isso e aquilo?

Cara,

Eu acho que eu chamo isso assim de complexo,

De golden retriever,

Aquele cachorro que não consegue focar atenção em qualquer coisa que pisca,

Ele se distrai.

É um pouco assim.

O Steve Jobs tem uma definição de estratégia que é saber dizer não.

É isso,

Então você tem que focar.

Eu vou fazer isso,

Só isso,

Vou focar e ter paciência.

Focar,

Então,

Eu sei o negócio que eu estou construindo e eu sei que vai levar tempo.

Então eu acho que é entender muito essa noção do tempo.

É isso que o foco está mais relacionado a isso.

Eu tive uma notícia positiva,

Então eu sei que esse negócio vai andar sozinho,

Então eu vou direcionar minha energia para outros lugares.

É isso que é não ter foco.

É isso.

Você tem que se concentrar,

Escolher um caminho,

Um objetivo,

Um produto que você vai fazer,

Uma solução e focar naquilo.

Legal.

Bruno,

Legal.

Muito obrigado,

Viu?

Foi muito legal conversar com você,

Inspirador.

Achei legal que você falou que você quer ajudar outras pessoas que estão querendo montar,

Então nosso ouvinte aí que está com essa ideia já sabe onde procurar.

Falando nisso,

Como que as pessoas encontram a colheita,

Encontram você?

Ah,

Legal.

Encontro,

A gente tem um site,

Mercado Acolheita.

Para quem está ouvindo,

A palavra acolheita é uma palavra só.

A gente juntou o verbo acolher,

A gente acha que o mundo precisa muito de acolhimento,

As pessoas precisam se acolher mais,

Mais afeto,

Mais amor,

Mais respeito e comunicação,

Então a gente juntou essas palavras,

Então é MercadoAcolheita.

Com.

Br ou nosso Instagram,

Que é SomosAcolheita e nosso canal está aberto com todo mundo,

Quem quiser mandar mensagem,

Pergunta,

A gente tem um manifesto na nossa parede,

Na loja,

Bem quietado,

Bem grande,

E ele termina dizendo,

Aqui não há perguntas proibidas,

Então a gente acredita nessa transparência.

Então,

Estamos 100% abertos de coração e alma para quem quiser.

Legal.

Obrigado,

Bruno.

Muito obrigado,

Gustavo.

Foi um prazer.

Foi muito legal,

Um prazer.

Tchau,

Tchau.

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June 15, 2024

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