
Instintos, Traição e Escolhas
Quem é você no fim do dia depois de ter respondido a estímulos, situações e instintos? Como animais, também temos instintos. Comemos, nos relacionamos, buscamos pertencimento e segurança por instinto. Mas, até que ponto podemos justificar nossas ações por ele? Como escolher com consciência quando o instinto bate? O que acontece se você responde a ele sem pensar? Na reflexão de hoje, falo sobre isso e mais um pouco.
Transcrição
Instinto.
Até onde a gente pode justificar os nossos comportamentos por causa dele?
Minha mãe,
Um tempo atrás,
Ela pegou a filmagem do meu primeiro aniversário e levou para um moço que transformava as fitas em arquivo digital.
Com o arquivo em mãos,
Eu me preparei para assistir a filmagem do meu primeiro aniversário,
Que aconteceu há 30 anos.
Obviamente que eu não gostava da festa,
A não ser pelas fotos fofas que a minha mãe guarda em que eu pareço um bombonzinho com vestido cheio de babada,
Sapatinho de verniz e laço na cabeça.
Eu achei tão curioso me ver tão pequena.
Eu era uma fofurinha,
Não tem como negar.
Mas o que mais me chamou atenção era o que eu fazia.
Basicamente,
Se eu não estava chorando,
Pedindo atenção ou querendo algo,
Eu estava comendo alguma coisa.
Tipo,
Qualquer coisa.
Porque tem um trecho da filmagem que eu tô sentada no gramado da casa da minha avó e por um descuido dos adultos,
Eu pego algo do chão e coloco na boca.
Eu lembrei disso esses dias e aí eu lembrei de uma foto que eu tenho,
Que eu devo ter uns dois anos e eu tô sentada numa escadinha com o joelho todo sujo e um pirulito na mão.
Com essas evidências,
Juntando com o meu histórico até aqui,
Não há como negar que eu sempre gostei de comer e que instintivamente eu sempre busquei comida.
Ninguém precisou me ensinar,
Eu nasci sabendo quando eu estava com fome.
Os instintos,
Eles são predisposições inatas para determinados comportamentos que são baseados na nossa genética.
Ou seja,
São ações que fazemos porque estamos formados para isso.
Instintos são característicos dos animais.
Instintivamente,
Nós,
Os pássaros,
As baleias,
Os elefantes,
Buscamos sobreviver e perpetuar a espécie.
Para isso,
A gente faz e busca uma série de coisas,
Como acasalar,
Nos proteger,
Comer,
Pertencer a um grupo e assim por diante.
E até aí tá tudo bem,
Tudo certo.
Não fosse por uma leve e poderosa diferença que existe entre a gente,
Os pássaros e as baleias.
O nosso poder cognitivo,
Nossa consciência,
A nossa habilidade de pensar,
Refletir,
Perceber e escolher.
Como a psicologia percebeu após estudos,
Existem sim determinadas tendências de ação pré-definidas que participam das nossas ações,
Mas também existem outros elementos que tornam essa ação plástica,
Como os nossos pensamentos.
Então,
Ao contrário do pássaro e da baleia,
Nós temos escolha quando o instinto chama e um comportamento está prestes a acontecer.
Vou dar uns exemplos.
Imagine que você está com fome e está sem comida com você.
Você está em um posto de gasolina para comprar um lanche para aguentar até a hora da refeição.
Chegando lá,
Você vê um mundo de doces,
Biscoitos e chocolate e você deseja eles,
Mas você precisa controlar os níveis de açúcar no seu sangue.
Você tem duas opções,
Ou você compra o doce ou você compra outra coisa.
Você sente um impulso de comer,
Talvez um impulso maior ainda para comer doce,
Já que somos formados para desejar alimentos ricos em açúcar,
Porque é como sobrevivemos como espécie lá no passado bem remoto e isso ainda está nos nossos genes e na nossa resposta metabólica.
Mas você tem consciência,
Você pensa e você pode refletir.
Você pode lembrar sobre o que o seu médico disse,
Você pode lembrar do que você quer conquistar e escolher comprar um sanduíche natural.
E aí,
Nesse caso,
Você está mais para ceder ao impulso do seu instinto ou você usa o seu poder cognitivo para escolher com mais consciência?
Eu peguei um exemplo relacionado à alimentação,
Mas tem um outro que eu acho ótimo e que também acontece com frequência.
A infidelidade.
Você já ouviu aquele papo que não somos programados para sermos monogâmicos,
Que nossos instintos pedem que a gente tenha relações e blá blá blá?
Só eu que acho ridículo falar isso.
Uma espécie como a nossa que construiu o foguete,
Foi pra lua,
Está fazendo órgãos em laboratório,
Dominou todas as outras espécies animais e vegetais,
Não consegue controlar um impulso de transar com alguém.
Se fosse assim,
Eu acho que veríamos pessoas tendo relações sexuais no meio da rua,
Tipo quando eu passei na barca do sul e vi babuínos acasalando no meio da estrada.
Eles sim estavam respondendo aos instintos.
Mas pra gente,
Seres humanos,
Ceder ao impulso de se reproduzir com um amiguinho enquanto namorado ou marido está em outro lugar,
Comer a barra de chocolate antes do almoço ou inventar mentiras pra alguém pra pertencer a um grupo,
Não é instinto,
É falta de consciência.
Pra ser mais explicada no uso das palavras.
Pois é,
Depois de semana sem episódio novo eu voltei mais sincerona.
É que eu realmente não consigo concordar quando alguém justifica o seu comportamento com frases do tipo,
Ah mas homem é assim mesmo.
Em 2019 não gente,
Mesmo.
Nós somos uma construção de mini atitudes e decisões que vamos fazendo ao longo da vida.
Em um determinado ponto,
Essas mini atitudes moldaram quem somos e nós passamos a nos identificar a partir delas.
Você pratica esportes há 10 anos,
Você é uma pessoa ativa,
Um atleta.
Você estudou sobre dentes por 8 anos,
Você é um dentista.
Você está com uma pessoa há alguns meses,
Você é a namorada do fulano.
Você guardou dinheiro há 10 anos,
Você é rico.
Você tratou mal pessoas,
Você é chato.
Você ajuda quem precisa,
Você é bom.
Mas esses padrões de comportamento eles não são fixos e imutáveis,
Ainda bem.
Porque já pensou se eu continuasse respondendo os meus instintos e comendo até comida do chão,
Chorando e reclamando quando não tenho o que quero e não me dão atenção?
Provavelmente minha vida seria bem diferente hoje em dia.
Porque nós não estamos determinados a sermos de um jeito.
Como Foucault diz,
Nós vamos formando a nossa identidade a partir de uma série de interações e escolhas.
E isso é ótimo,
Porque nós,
Ao contrário de todos os outros animais,
Temos poder de controlar os nossos instintos e fazer escolhas mais sábias.
Autorresponsabilidade.
Essa palavra,
Esse conceito,
Muda a vida.
Então eu vou repetir.
Autorresponsabilidade.
Entender que você é o único responsável pela sua vida estar como está.
A próxima vez que você tiver um desejo,
Uma vontade,
Reflita se a ação que você está querendo tomar está alinhada com o tipo de pessoa que você quer ser.
Comer doce quando você precisa evitar por questões de saúde,
Provavelmente vai te tornar uma pessoa com saúde fraca,
Talvez doente e,
Consequentemente,
Sem muita energia e disposição.
Sair com outras pessoas enquanto você está em um relacionamento,
Vai te tornar uma pessoa desonesta.
E é provável que uma hora,
Mais e mais pessoas percebam você assim e que você perca alguém legal porque você não teve foco,
Disciplina e consciência ou acabe em um relacionamento doentio e que ninguém sabe o real motivo de ainda continuar ali.
É gostoso comer doce?
Muito.
É bom se sentir desejado?
Com certeza.
Mas na hora certa e no contexto certo.
Se você,
Em algum nível,
Está prejudicando alguém,
Lembre que você tem poder cognitivo.
Lembre da sua autorresponsabilidade.
Não vire vítima de escolhas inconscientes.
Tenha coragem e força de se posicionar quando o desejo bate.
Seja verdadeiro com você e saiba o que você realmente quer.
Não dá pra ter tudo na vida.
Não tem como construir um relacionamento legal,
Com parceria e respeito,
Enquanto você dá em cima de outras pessoas e mente pra quem está do seu lado.
Não tem como ter saúde enquanto você come comidas pouco nutritivas,
Vive sempre estressado,
Não dorme direito e é sedentário.
Não tem como.
Mesmo.
É impossível.
Você tem que escolher.
E pra escolher,
Você tem que se conhecer e saber o que você realmente quer.
Dizer a verdade pra você é o primeiro passo.
Se está difícil mudar os hábitos,
Engajar nos exercícios,
Começar a meditação,
Ter tempo pra ler,
Dar prioridade para as pessoas que te amam,
Talvez você esteja vivendo uma vida baseada em mentiras que vem contando pra você.
Eu deixo como sugestão um exercício simples,
Mas muito eficaz.
Pegue um papel e caneta ou abra o seu bloco de notas do celular.
Eu vou esperar um pouquinho pra você fazer isso.
Escreva as palavras que eu vou dizer,
Uma em cada linha.
Agora,
Coloque números de 1 a 7 ao lado de cada uma dessas palavras,
Sendo 1 o que você acha mais importante e 7 o que você acha menos importante.
Veja o que você realmente valoriza.
Seja super franco e sincero.
Não tem fórmula universal.
Cada um quer uma coisa,
Cada um valoriza coisas diferentes em intensidades diferentes.
Mas você precisa saber o que você realmente valoriza.
Talvez você ainda não conseguiu o que busca porque você está tentando um caminho que não é seu.
Se você valoriza mais família a dinheiro,
Repense se vale a pena perder um aniversário ou jantar porque decidiu trabalhar até mais tarde.
Se você valoriza mais saúde a status,
Repense quando decidiu sair na quinta,
Sexta e sábado à noite e não conseguiu fazer seus exercícios físicos porque dormiu tarde e está cansado.
Não fique achando que as coisas vão acontecer sem você se dedicar.
Você vive as suas escolhas.
Uma coisa é certa.
Se você quer ser feliz e saudável de verdade,
Comece sendo honesto e falando a verdade pra você.
Pare de agir como se você não tivesse escolha.
Você sempre tem escolha.
Escolha o que realmente quer e sorria.
Deixe o resto pra trás e vai viver em paz.
Como sempre,
Eu estou te esperando lá no Instagram que é o arroba Flávia Machione com CHI pra saber o que você achou desse episódio e se essa reflexão valeu a pena.
Feliz de ter voltado.
Semana que vem eu estou aqui de novo.
E é isso.
Obrigada pela sua audiência,
Por ter me escutado e pelo seu tempo.
Um beijo!
Conheça seu professor
4.7 (94)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
