
Amando o Seu Lado "Feio"
Medo, raiva, tristeza, culpa, vergonha.. não dá para escolher que eles nunca façam parte da nossa vida, mas dá para escolher como vamos percebê-los e usarmos a nosso favor. Amar o feio é libertador, mas antes vai ser irritante. Na reflexão de hoje comento como olhar para minha raiva e meu medo tem me ajudado a amar mais.
Transcrição
Medo,
Culpa,
Raiva,
Vergonha,
Inveja,
Tristeza.
Todos sentimos,
Mas basicamente nenhum de nós gosta de sentir ou falar sobre,
Não é?
Mas eu adoro eles e por isso que o episódio de hoje,
Do Bocadinho,
Eu vou abrir o meu coração e contar para você porque que eles são legais.
Eu sou a Flávia Macchioni,
Sou health coach e culinarista funcional.
Socialmente não é legal você demonstrar medo,
Ou culpa,
Ou raiva,
Ou vergonha,
Ou inveja.
E eu lembro bem quando eu fiz um dos primeiros posts de zabafos lá no Instagram.
Eu tava péssima.
Eu sempre me cobrei muito,
Sempre quis fazer muitas coisas ao mesmo tempo e tinha uma dificuldade enorme em dizer não,
O que fazia com que eu aceitasse basicamente todo e qualquer convite e me visse trabalhando em um ritmo insano.
Em meados de 2015,
Eu tava no meu limite.
Eu dava vários cursos por semana,
Em estados e cidades diferentes e me cobrava para estar sempre com energia,
Disposta e alegre.
E se não bastasse isso,
Eu ainda gerenciava a minha carreira,
Cuidava das finanças,
Respondia às demandas de comentários e dúvidas das plataformas que eu utilizo o conteúdo e ainda criava conteúdo novo diariamente para manter tudo em movimento.
Depois de uma aula péssima em que uma das minhas receitas que eu mais replico deu errada três vezes,
Eu não aguentei.
Fiquei arrasada e de zabafei no Instagram.
Eu lembro de uma pessoa próxima mandar uma mensagem para mim,
Assim,
Flavinha,
Não demonstre suas fraquezas publicamente,
As pessoas não vão ver com bons olhos.
E eu vou te falar uma coisa,
Se tem algo que eu acredito depois de abrir a minha vida pessoal para milhões de pessoas que não me conhecem,
É que se mostrar vulnerável te conecta muito mais com os outros do que fingir que você não tem medo,
Raiva,
Tristeza,
Culpa,
Inveja e vergonha.
E sabe por quê?
Porque todo mundo sente raiva,
Medo,
Tristeza,
Culpa,
Inveja e vergonha.
São sentimentos básicos e que se você é um ser humano,
Você sente eles.
Tem um livro que eu adoro,
Que é A Coragem de Ser Imperfeito,
Da Brené Brown.
Ela pesquisou durante anos a vulnerabilidade e chegou à conclusão que pessoas que têm coragem de serem quem são,
Mostrando suas vulnerabilidades e medos,
Conectam-se mais a si mesmas e aos outros.
Aquele papo que fizeram a gente acreditar de que quando você demonstra suas fraquezas,
As pessoas vão se aproveitar de você,
Te passar para trás,
Te enganar ou falar mal de você,
Não é verdade.
Não que não existam pessoas que fazem isso,
Existem sim,
Mas essas pessoas,
Elas estão numa batalha tão grande com elas mesmas,
Tão infelizes,
Inseguras e amedrontadas,
Que acham que o ataque é a melhor defesa.
Essas pessoas,
A gente vai deixar de lado um pouquinho nesse episódio,
A gente pode falar sobre eles em um próximo,
Mas hoje nós vamos focar em você,
Porque você é quem importa.
Como eu disse no início,
Eu tenho medo grande por esses sentimentos que a maioria de nós queremos negar e ignorar,
E principalmente pela raiva e pelo medo,
Que são amigos que me acompanham assim desde que eu lembro ter pensamentos.
Mas é claro que a nossa relação nem sempre foi boa,
Na verdade,
Por muitos e muitos anos ela foi bem péssima.
O medo e a raiva não entendiam que eu não queria eles ali,
E mesmo eu ignorando eles,
Eles ficavam enchendo o saco e davam um jeito de aparecer.
Saco,
Né?
Eu toda querendo ser zen e de repente tinha um ataque de raiva e queria mandar todo mundo para aquele lugar.
E eu cheia de planos para me jogar no mundo e criar projetos novos,
Vinha o medo tentando me agarrar e falar para eu não dar mais nenhum passo,
Porque eu ia me machucar.
E eu tentava ignorar eles,
Eu ouvia,
Ficava triste,
Eu ficava incomodada e tentava seguir.
Mas como eu disse no último bocadinho,
Se o incômodo é constante,
Ele precisa de atenção.
Eu resolvi então olhar para eles.
Durante as minhas meditações,
Eu comecei a perceber exatamente os momentos em que eles surgiam,
E aí eu comecei a ver que tem um padrão.
Quando comecei a perceber esse padrão,
Eu fiquei curiosa em saber qual era a origem deles,
E foi aí que eu comecei a gostar deles.
Quando eu resolvi que eu ia usar todos esses sentimentos para entender melhor o que eu estava sentindo e por que eu acabava sempre sentindo a mesma coisa em situações diferentes.
Sabe o que é mais impressionante?
Quando eu parei de fingir que eles não estavam ali,
Eu fiquei olhando para eles com curiosidade,
E eles diminuíram de tamanho.
Eles pareciam que tinham virado tipo uns filmes de comercial de TV,
Sabe?
Aqueles tipo quando vão mostrar os micróbios da gengiva em comercial de pasta de dente.
O meu medo,
Raiva,
Inveja,
Culpa,
Pareciam eles.
Até meio fofinhos,
Sabe?
A raiva,
Por exemplo,
Ela mostrou para mim quando minhas necessidades não estavam sendo atendidas,
E aí eu comecei a perceber quais eram as minhas necessidades,
E vi que eu ficava com raiva quando fingia não me escutar,
Quando não demonstrava interesse,
Quando me ignoravam.
Com isso,
Eu consegui organizar melhor os meus pensamentos,
E assim eu me afastei de pessoas e situações que claramente não estavam me ajudando,
Porque eu não preciso ficar perto de pessoas que não querem perceber que eu tô ali,
Né?
O medo,
Ele escancarou minha insegurança.
Sabe quando você tem uma ideia,
Sim,
Uma vontadinha lá dentro de você,
Que quando você pensa em fazer,
Vem um sentimento gostoso?
E aí,
Logo em seguida,
Você pensa,
Ai não,
Vão rir de mim,
Vão falar mal,
Vão achar nada a ver,
E assim,
Quem sou eu para fazer ou falar sobre isso?
E aí,
Magicamente,
Em poucos minutos,
Você desistiu de algo que você realmente queria.
Eu percebi que era o medo que falava isso,
E eu vi que ele ficava menor cada vez que eu olhava mais pra ele.
E assim foi indo com os outros sentimentos.
A inveja me mostrou que eu queria algo que eu ainda não tinha,
E me deu ideias e vontade de ir mais além.
A culpa mostrou que eu achava que precisava sempre fazer mais,
E que,
Na verdade,
Ela estava abraçada com a insatisfação.
A tristeza me mostrou que algo não estava legal,
Que eu estava procurando coisas nos lugares errados,
Aceitando situações que eu não queria,
E fingindo estar tudo bem.
A vergonha mostrou que eu não aceitava bem o que eu queria,
Ou como eu era,
E por isso eu achava que se me mostrasse de verdade,
As pessoas iriam se afastar.
Por vergonha eu me escondia.
Quem diria que esses sentimentos,
Que eu tentei ignorar e expulsar por tanto tempo,
No fim eles estavam ali pra me ajudar a ficar mais perto da minha essência,
De ser quem eu realmente sou.
Quem diria que eles estavam tentando me mostrar o caminho pra eu ser amada e me sentir feliz.
Quem diria que ter muita raiva podia ser algo bom.
Quem diria que ficar paralisada de medo poderia fazer eu ir mais rápido depois.
Quem diria que me entregar pra tristeza e dormir um dia inteiro ia me liberar pra sorrir mais no dia seguinte.
Quem diria que olhar pra minha culpa por comer um doce ia mostrar que eu precisava cuidar de mim com mais carinho.
Quando a gente muda a nossa percepção do que acontece com a gente,
A vida muda.
Aceitar cada experiência como uma oportunidade pra ampliar a consciência,
Pra amar mais,
Pra se cuidar mais,
Transforma a sua relação com você mesmo e com o mundo.
Eu sempre falei muito sobre comida e alimentação,
E por isso que eu sempre tive contato com quem tá travando batalhas com a sua saúde e hábitos alimentares.
E o que eu vejo é sofrimento e negação.
Sofrimento porque não quer ficar triste,
Não quer ter raiva,
Não quer sentir culpa,
Não quer ter vergonha,
Não quer ter inveja,
Mas tem.
Porque todos temos.
Negar o que acontece não faz sumir.
Se você não consegue acordar mais cedo pra se exercitar,
Não consegue resistir aos alimentos que você quer evitar,
Não consegue se alimentar melhor,
Não consegue dizer não,
Você tem que cutucar e ver o que você tá assegurando que não precisa.
Todos esses sentimentos que a gente considera como ruins,
Eles são uma ótima oportunidade pra nos levar mais além e pra trazer o que a gente realmente quer.
Como a Gloria Steinem diz,
A verdade vai te libertar,
Mas primeiro ela vai te irritar.
Eu tô subindo uma meditação guiada em breve,
E eu convido você a fazer.
Ela complementa a reflexão de hoje.
Obrigada pela audiência.
Eu tô muito feliz com o feedback de vocês,
Dos podcasts.
É muito bacana essa nossa troca,
E é por isso que eu te espero lá no Instagram,
Que é arrobaflaviamacchione,
Com CHI,
Pra você me contar o que tem achado.
Se você gostou,
Compartilha com os seus amigos,
Deixa sua avaliação e me segue aqui também.
A gente se vê na semana que vem.
Um beijo!
Conheça seu professor
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