Olá,
Eu sou a Paula,
Que bom que estás aqui,
Neste espaço que criamos para ti.
Deixa o mundo lá fora e permite-te ter um momento de pura tranquilidade.
Esta é uma história para te ajudar a descansar,
A repousar o corpo,
A deixar que a mente abrande e se prepare para o sono.
Não precisas de fazer nada,
Além de encontrar uma posição que te seja confortável,
Quer estejas na cama,
No sofá ou numa poltrona.
Permite que o teu corpo se acomode,
Que se entregue ao apoio que tens por baixo e se te sentires à vontade,
Fecha os olhos suavemente ou deixe-os apenas entreabertos,
Com o olhar repousado,
Desfocado,
No espaço que te rodeia.
A história vai começar dentro de instantes,
Mas antes vamos dar um espaço entre o dia que passou e este momento de descanso.
Inspira e sente o ar entrar pelas narinas,
Pode ser fresco,
Pode ser quente,
Sente o peito a cada respiração,
Relaxa cada vez mais,
Ajuda a tua mandíbula a relaxar,
Tenda a ser resistente,
Abre e fecha a tua boca para ajudá-la,
O teu coruca-gludo também relaxa,
Não resiste ao alívio da tensão.
Agora o teu corpo entrega-se a cada respiração,
Ficando cada vez mais e mais pesado,
Mais relaxado,
Pronto para o merecido descanso,
Depois de um longo dia.
Vamos dar início à nossa viagem,
Estás num comboio,
É de noite,
Uma noite tranquila e profunda passa lá fora,
Tu observas o céu escuro e vasto,
Que cobre tudo como se fosse um manto grosso,
Através da janela larga que chega à curva do teto.
Na carruagem há um silêncio quase completo,
Apenas interrompido suavemente por aquele som rítmico dos carris,
Soa como um mantra antigo que tembala gentilmente,
Olhas em volta mas a carruagem parece vazia,
És só tu,
O comboio e a imensidão da noite lá fora.
Uma luz quente,
No tom ambar,
Ilumina o espaço de forma suave,
Lançando sombras longas e tranquilas que chegam a todo o espaço dentro da carruagem de metal.
Estás junto à janela,
A tua cabeça repousa pesada no encosto do banco de cu,
Tu sentes a vibração sutil do comboio a percorrer a estrutura da carruagem,
Que continua pelo teu corpo,
Sentes a vibração a subir pelas tuas pernas,
Pelo teu tronco,
Espalhando-se completamente,
Como se fosses uma extensão da velha máquina a vapor,
Encostas a palma da tua mão no vidro,
Está frio,
Confirmas as tuas suspeitas,
Mas aqui dentro do comboio sentes o aconchego,
Pousas ambas as mãos no colo,
Relaxas os ombros,
Deixas as tuas costas ceder como se a gravidade te ajudasse a encaixar no banco de cu,
Não há nada para assegurar,
Nada a fazer,
Não há nada que te assuste,
Lá fora a escuridão é total,
Não se vê quase nada,
Mas não é uma escuridão que te assuste,
É uma escuridão que te acolhe,
Que te conforta,
É uma escuridão que te diz em silêncio,
Chega por hoje,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã,
Chega por amanhã.
Apenas o som hipnótico,
De metal sobre metal,
Que embala o tempo e a ti também,
Sentes a ligeira inclinação do comboio ao descrever uma curva suave,
Quase imperceptível,
Que te balança ainda mais para o sono,
Os pequenos chulabancos são leves e reconfortantes,
Às vezes,
Lá ao longe,
Muito longe,
Consegues ver algumas luzes esbatidas,
Brancas,
Amarelas,
Distantes,
Cintilantes,
Pequenos pontos luminosos,
Que aparecem e desaparecem na vastidão desta noite tranquila,
Parecem memórias distantes,
Que se acendem e apagam devagarinho,
Sem precisares de a seguir,
Sem precisares de dar atenção,
Tu olhas se te apetecer,
Mas não precisas focar em nada,
A tua atenção pode vaguear livremente,
Sem esforço,
Sem julgamento,
Sentes os pés cada vez mais pesados contra o chão da carruagem,
A tua respiração está mais livre,
Mais profunda,
Preenche todo o espaço do teu corpo,
Se ainda não fechaste os teus olhos,
Podes fazê-lo agora,
Estás entre o sonho e a realidade,
Neste espaço seguro,
Este comboio não tem uma estação final,
Nem horários a cumprir,
Vais simplesmente seguindo e levando-te para um lugar de descanso profundo,
Perdões das preocupações do dia,
Das tarefas pendentes,
Do ruído,
Cada carril que passa por debaixo do comboio,
É um pensamento que se afasta,
Que se esvanece no ar,
Cada vibração é um ruído interior que se dissolve,
Que perde a sua força,
Cada movimento suave é uma ideia que deixa de pesar e se transforma,
Deixa-os ir,
Não precisas de os agarrar,
Não precisas de os analisar,
Apenas observa-os a passar,
Como os postes ao longo da linha que desaparecem no escuro da noite tranquila,
Não há decisões a tomar nem metas para alcançar,
Só o agora,
Só o descanso que tu mereces,
Puro e simplesmente o descanso,
Estás entre dois mundos,
O dia que acabou e a noite que começa agora,
Um lugar de rendição,
E é tudo o que precisas,
Às vezes esquecemos-nos que para descansar verdadeiramente basta não fazer nada,
E este comboio lembra-te disso,
Não precisas de guiar,
Nem controlar a velocidade,
Nem segurar o leme,
Só precisas deixar-te levar,
Por este movimento suave,
Deixar-te levar,
Por este comboio seguro,
Calmo e mágico,
Nesta noite escura e tranquila,
Onde o comboio te embala para um descanso profundo,
Talvez já nem saibas se estás a sonhar ou não,
Mas isso também não importa,
O que importa é que o teu corpo e a tua mente encontraram a fonte do descanso,
E que estás aqui,
Entregue,
Nós vamos descansar também,
Mas o comboio continuará a viagem enquanto precisares,
Daqui em diante a viagem é só tua,
Mas não te preocupes,
A tua mente e o teu corpo sabem exatamente o que fazer,
Confia,
Nós não vamos fazer barulho,
Não te vamos acordar,
Bom descanso e boa noite.