Bem-vindos a esta meditação.
Obrigada por se juntarem a mim aqui no SereniMedit.
De forma deliberada,
Hoje decidimos estar aqui num momento de respeito e cuidado interior,
Livre de julgamento.
Adotamos assim a postura mais confortável para nós,
Sentados ou deitados.
Podemos fechar os olhos ou simplesmente baixar o olhar.
Dizemos olá ao nosso corpo e fazemos uma inspiração profunda,
Libertando na inspiração toda a pressão que possamos trazer.
Observamos como o ar entra pelo nariz e nos preenche o peito,
A barriga e a inspiramos com vontade,
Soltando o ar pela boca,
Expulsando qualquer pequena irritação.
E repetimos mais uma respiração bem profunda.
Sabemos que se a qualquer momento ficarmos distraídos por outros pensamentos,
Não há problema,
Basta reorientar a atenção para a minha voz,
Sem julgamento,
Com gentileza.
Neste espaço seguro e tranquilo,
Reencontramos-nos com o nosso corpo,
Com este veículo que nos permite atravessar e experimentar a vida,
Como nos serve até neste simples propósito de estarmos aqui,
Nesta reflexão,
Nesta curta pausa.
E nesse sentido,
Orientamos a atenção para a base do corpo e observamos que sensações existem neste momento nos nossos pés.
Observamos a seguir as sensações nos tornozelos e avançamos para as pernas,
O que surge aqui.
Observamos então o nosso tronco,
Englobando a barriga,
O peito,
As costas,
Os braços,
As mãos,
Os ombros.
Lembrámonos de que é uma mera observação,
Não é obrigatório sentirmos nada,
Mas estamos aqui,
Agora,
E oferecêmonos este momento de escuta.
E subimos a atenção pelo pescoço,
O rosto,
Até o topo da nossa cabeça.
Deixámonos captar pelas nossas feições e até aprofundamos um pouco mais a atenção e notamos se temos uma axilar em tensão,
Se podemos soltar um pouco os lábios,
Relaxar os músculos também à volta dos olhos.
Permitimos-nos esta observação e também a libertação de qualquer tensão que nos possa trazer algum incómodo.
Voltamos a respirar profundamente,
Inspiramos pelo nariz,
Sentimos o ar que nos preenche e soltamos o ar pela boca num movimento lento e completo.
Deixámonos absorver pela nossa presença física,
Deixámonos sentir o próprio espaço que ocupamos aqui,
Neste momento.
Neste mundo tudo parece tão etéreo por vezes,
Tão passageiro,
Ora rápido,
Ora lento,
Mas esta casa que é o nosso corpo está sempre aqui,
No presente.
Podemos sempre regressar ao nosso corpo,
À nossa respiração,
Sempre presente,
Sempre a viver,
Momento a momento.
Nesta perceção física reconhecemos como partes deste corpo estão mais expostas,
Mais visíveis e outras mais ocultas,
Mais protegidas,
Seja pela posição em que estamos,
Sentados ou deitados,
Ou pela roupa e tecido que nos cobre,
Por acaso,
Neste momento.
Reconhecemos como esse estado de exposição ou ocultação acontece de forma aleatória umas vezes e outras vezes de forma intencional e assim acontece também com as nossas partes interiores,
As nossas emoções,
Sentimentos,
Disposição variam a cada dia,
A cada fase da nossa vida e varia também a nossa intencionalidade de os expor ou não ao mundo exterior.
Relembramo-nos desse poder que temos,
Dessas escolhas que podemos fazer,
Podemos expor o que sentimos ao exterior,
Mas,
Acima de tudo,
Podemos escolher o que deixamos entrar no nosso mundo interior.
Tal como escolhemos o que beber,
O que comer e sabemos a importância dessas escolhas para a nossa saúde,
Também relembramos como é vital escolher que estímulos,
Informação,
Influências serão absorvidos pela nossa consciência,
Tanto no mundo real como no mundo digital.
É um dos nossos grandes poderes,
Mesmo quando parece que a vida nos acontece e que os eventos se sucedem e nos fazem tropeçar no caminho.
Tal como temos o poder de regressar ao nosso corpo e à nossa respiração,
Temos o poder de reorientar a nossa atenção para o presente,
Para o nosso bem-estar.
Não significa fugir nem evitar as sombras deste mundo,
Significa antes encarar as situações pelo que são e empreender a ação deliberada de procurar as luzes no caminho,
De procurar as alternativas,
De nos abrirmos ao facto de não sabermos tudo e da existência de infinitas possibilidades neste nosso universo.
Podemos cultivar o hábito de deixar a luz entrar na nossa vida,
Nas nossas partes mais ocultas,
Permitir essa possibilidade de sermos tudo o que somos,
Ocupar todo o nosso espaço,
Destapar pedacinhos que talvez nos incomodem,
Nos confundam,
Que nos possam pesar e trazê-los à luz do dia,
Observá-los de todos os ângulos,
Sem julgar,
Sem recriminar e indagar se não poderemos descobrir algo novo,
Se há luz,
Afinal esses pedacinhos até podem brilhar.
Não somos estáticos,
Não estamos presos a definições nem passados,
Somos maravilhosamente plásticos e mutáveis e podemos escolher viver mais,
Deixar a luz entrar nos recantos deste corpo,
Desta nossa mente e encontrar tesouros que trazemos escondidos,
Inspiramos profundamente,
Sentimos o ar a ocupar o nosso espaço e expiramos deliberadamente,
Sentimos-nos leves e ficamos aqui um pouco e imaginamos como será deixar a luz entrar com este ar que respiramos.
No nosso próprio tempo,
Com calma,
Regressamos ao nosso espaço,
Movendo o corpo com gentileza e abrindo os olhos se os tínhamos fechado.
Obrigada por estarem aqui hoje.
Boas práticas!