Olá,
Sejam bem-vindos e bem-vindas.
Mais um momento especial,
Mais um momento de aprendizagem,
Mais um momento de reflexão a partir de um conto tibetano.
Tem o título de compartilhamos o trabalho e traz-nos algumas reflexões sobre processos de trabalho,
Sobre a escolha de pessoas,
Sobre as nossas características.
É uma forma também de refletirmos sobre nós individualmente e sobre as nossas capacidades,
As nossas competências e o nosso lugar no mundo.
É um conto de veras interessante e eu vou passar então à descrição do conto.
Compartilhamos o trabalho,
É o título.
Era uma vez uma bilha de barro,
Um bolo de lama,
Um nabo,
Uma mosca,
Uma espiga e uma agulha.
Fizeram um dia uma reunião para decidir sobre o governo da casa.
A bilha de barro ficou como governanta,
Cabendo-lhe dividir o trabalho entre todos.
O bolo de lama ficaria encarregado de ir buscar água.
O nabo,
De tomar conta da vaca.
A mosca,
De guardar o boi.
A espiga,
De joerar o trigo.
A agulha,
De limpar a casa.
Enquanto também ela teria a seu cargo vigiar a própria casa.
Depois de dar tais ordens,
Subiu para uma prateleira,
Sentou-se imóvel e aí ficou a pensar nos trabalhos do dia.
Então estamos a falar da bilha de barro.
Os outros partiram para desempenhar as suas tarefas.
E eis então o que sucedeu.
O bolo de lama foi procurar água.
Encheu a sua jarra,
Mas depois ficou também todo molhado.
E como era feito de terra,
Tornou-se num monte de lama e de amor unou-se.
E assim não chegou água nenhuma lá à casa.
O nabo levou a vaca para o campo.
E a mosca foi guardar o boi.
No caminho a vaca teve fome e devorou o nabo sem querer.
A sorte da mosca também não foi melhor.
Ao seguir o boi demasiado de perto,
Ficou debaixo de uma bosta deste e,
Como era muito pequenina,
Não conseguiu de lá sair e ficou enterrada.
Deste modo,
A vaca e o boi nunca mais voltaram para casa.
A espiga foi joerar o trigo.
Joerar é peneirar.
Estava ela de pé num dos cantos do terraço para ver de que lado vinha o vento quando se levantou uma forte ventania que a levou pelos ars.
E sabe-se lá para onde.
E assim a espiga também não voltou mais à casa.
A agulha,
Enquanto procurava a vassoura por todos os lados para ir limpar o chão,
Desapareceu por uma fenda do soalho.
E naturalmente que este acabou por não ser limpo.
A vilha de barro ficou uma porção de tempo sentada à espera que todos os outros voltassem.
E como nunca mais vinham,
Começou a ficar preocupada.
Seus,
São todos uns incapazes.
Sou ainda eu quem tem de se preocupar com eles?
Bom,
Tenho de os ir buscar para ver onde é que eles estão.
Esquecendo-se de que era feita de barro,
Saltou para o chão e partiu-se em mil bocados.
E assim,
Mais ninguém se passou a preocupar com a casa.
E o final desta história é um conto tibetano que nos alerta para o facto de que todos temos as nossas características,
As nossas competências,
O nosso valor.
E aqui quem manda,
Quem lidera,
Quem distribui o trabalho,
Quem educa,
Tem de ter isto em conta.
As características e as tendências de cada um.
Capacidades mal ajustadas são fatais.
Não devemos ficar tristes por aquilo que achamos não ter jeito.
Mas sim procurar,
Na realidade,
Aquilo que gostamos.
E por aqui também se vê nesta história que um conjunto de indivíduos não faz uma equipa.
Uma equipa é coordenar competências.
Não é só coordenar pessoas,
Coordenar relações,
É coordenar também competências,
Coordenar funções,
Coordenar atividades.
E essas atividades têm de ser bem distribuídas por todos.
Essas atividades têm de ter em conta as competências de cada pessoa,
Ou de cada indivíduo.
Neste caso da história,
A Bilha de Barro era mau líder.
E não devia estar nessa posição.
E ela também pagou o preço e provocou prejuízos.
E cada pessoa deve pensar também quais são as suas capacidades,
Quais são os seus apelos,
Quais são os seus talentos,
O que é que gosta de fazer,
O que é que atrai mais na vida.
E seguir esses sinais.
Por exemplo,
Aqui neste caso,
A Bilha de Barro podia ter guardado o boi.
O Bolo de Lama poderia ter ido joerar o trigo,
Ou peneirar o trigo.
O Nabo poderia ter ido buscar água.
A Mosca,
Limpar a casa e vigiar ao mesmo tempo.
A Espiga podia ter ficado como governanta.
Protegida dentro da casa.
Protegida dos ventos.
E a Agulha,
Por fim,
Podia ter ido tomar conta da Vaca.
Era uma forma diferente de distribuir os indivíduos pelas suas qualidades e manter a equipa a funcionar e obter os resultados esperados,
Que era todos voltarem a casa e tratarem das suas tarefas o melhor possível.
Muito bem.
Fica bem e até breve.