Acontece-se a todos nós que as coisas não ocorrem sempre da maneira que desejamos,
Ou que desejamos.
E existem aqueles acontecimentos,
Aquelas situações em que parece menos exigente estar com isto e simplesmente deixar ir.
Como quando,
Por exemplo,
Não somos servidos,
Servidas,
Exatamente como desejávamos num restaurante.
Ao mesmo tempo que também existem aquelas situações em que,
Pelo contrário,
Na vida,
Parece ser bem mais difícil aceitar que aconteceu ou que está a acontecer assim.
Que as coisas não seguem sempre o rumo que desejamos,
Que sigam.
Que criamos expectativas,
Que sonhámos,
Que idealizámos.
Um trabalho que revelou ser diferente do que desejávamos,
Uma conquista profissional ou escolar que teima em não acontecer,
Uma relação que não nos preenche,
O que desejávamos,
O que desejávamos,
O que desejávamos,
O que desejávamos,
O que desejávamos,
O que desejávamos,
Uma família,
Um grupo de amigos,
Colegas de trabalho,
Que não se comportam ou comportam como esperávamos.
Nestas situações,
Os pensamentos parecem atropelar-se,
Uns após os outros,
Uns aos outros.
Não conseguimos entender,
Não conseguimos entender,
Não conseguimos entender,
Não conseguimos deixar de pensar em como deveria ter sido,
Em como as pessoas poderiam ter agido de maneira diferente,
No porquê de ser assim.
Acreditamos que era assim que devia ser,
Revoltamos-nos com a vida,
Parece até que ela nos traiu.
Por vezes sentimos até que não conseguimos imaginar como será o futuro,
Porque o que desejávamos não aconteceu,
Não vai acontecer.
Em como é que será a nossa vida desta maneira?
Sem que algo mude,
Sem que uma certa pessoa faça algo como queremos,
Que uma relação corra como desejávamos.
Seguem-se emoções intensas,
Ressentimento,
Mágoa,
Raiva,
Ansiedade,
Medo,
Incompreensão,
Profunda dificuldade em perdoar,
Apego,
Vergonha.
Nesses momentos,
As pessoas,
Algumas pessoas,
Podem dizer-nos que é melhor deixar ir,
Que temos de esquecer,
Que temos de nos habituar à ideia de que não vai ser como queríamos que fosse,
Que precisamos de aceitar.
Uma palavra muito usada,
Que temos de aceitar.
Por vezes usam até a palavra resignar,
Quer seja relativamente a um sonho,
A um trabalho,
A uma realização,
A uma relação.
Isto de aceitar,
Do que significa realmente aceitar,
É mais fácil de dizer do que fazer.
E deixar ir não é um acontecimento,
Não é algo que está feito e encerrado.
É um processo,
Uma prática.
E não é algo que está feito e encerrado.
Não é algo que está feito e encerrado.
É um processo,
Uma prática.
E quanto mais praticamos,
Mais desenvolvemos a nossa capacidade de deixar ir.
Acontecimentos e emoções negativas.
E mais desenvolvemos a nossa capacidade de estar no momento presente.
O único momento.
Este.
Aqui e agora.
E é extremamente importante,
Para conseguirmos deixar ir algum dia,
Reconhecer que nos sentimos de uma determinada maneira.
Que nos sentimos assim.
Se não reconhecemos as emoções,
Se não soubermos que estão aqui,
Não as podemos deixar ir.
E,
Nesse caso,
As nossas dores emocionais irão causar,
Muitas vezes,
Dores físicas.
As emoções não são reflexo de quem somos,
Mas podem,
Devem,
Ser encaradas como ensinamentos,
Experiências da vida,
Uma dádiva no nosso caminho.
Ficarmos presos aos acontecimentos negativos,
Agarrados,
Agarradas às emoções negativas,
Sem deixar ir,
Gerará apenas mais sofrimento.
Para conseguirmos deixar ir,
Precisamos de nos oferecer bondade amorosa.
Observar como é que nos estamos a sentir neste momento,
Com uma atitude de abertura,
Bondade e amor,
Com que recebemos alguém que amamos.
Observando apenas o que quer que esteja aqui.
Que esteja aqui para nós.
Apenas notando,
Procurando não julgar,
Ou procurando não julgar o julgamento que surge.
Tentando não introduzir rótulos.
Está tudo bem,
Tal e qual como estamos a sentirmos.
E agora,
Notando a respiração,
Notando como é que ela está neste momento,
Superficial,
Acelerada,
Profunda e lenta,
Não temos de mudar nada.
Apenas deixar estar.
Isso pode fazer toda a diferença nos nossos desejos de deixar ir.
Deixar estar o que quer que esteja.
Sentindo o corpo a respirar.
A duração da respiração.
Tal e qual como estava.
Tentando apenas,
Tentando agora,
Que a respiração se faça de uma forma um pouco mais profunda,
Até à zona da barriga.
Mais profundamente.
E ficando aqui,
Apenas na respiração.
Sentindo o corpo parado,
O peso do corpo,
Cada expiração afundando mais o corpo.
E agora,
Sentindo o corpo parado,
O peso do corpo,
Cada expiração afundando mais o corpo.
Deixando estar para deixar ir.
O que quer que nos esteja apesar.
Rendendo-nos a isso,
À experiência.
E rendendo-nos depois às sensações de deixar ir.
Deixando ir.
Que a respiração possa ser a forma de nos rendermos.
Uma experiência em que nos oferecemos bondade,
Amor,
Compreensão.
Curiosidade e aceitação.
Sentimos-nos mais no presente?
Respirando,
Deixando estar,
Deixando ir.
Encontramos parte do corpo em que existe alívio,
Tensão,
Contração?
A que é que estamos agarrados,
Agarradas?
O que é que descobrimos se simplesmente observarmos com bondade amorosa?
O que é que descobrimos se simplesmente observarmos com bondade amorosa?
Aceitando a vulnerabilidade,
O que é alívio e o que é dor,
O que é tensão.
E continuando a olhar para dentro de nós mesmos,
De nós mesmas,
Para os pensamentos,
Para as emoções e sensações associadas.
Observando.
Procurando encontrar a intenção de deixar estar,
De observar para deixar ir tudo o que nos prende,
O que nos magoa.
E talvez colocando uma mão ou as duas mãos na zona do coração.
Respirando a partir daqui.
Confiando.
Cuidando.
Deixando estar.
Deixando ir.
E talvez algumas palavras nos possam ajudar internamente,
Repetindo-as em eco,
Se isso fizer sentido.
Se não,
Apenas repetindo internamente,
Deixando estar.
Deixando ir.
Aceitando.
Abraçando.
Deixando estar.
Deixando ir.
Sentindo o impacto de repetir estas intenções.
Deixando ir.
Deixando ir.