Sente-se numa posição confortável,
Com as costas direitas,
Mas não rígidas,
De forma a que não fiquem muito tensas.
Coloque os pés bem assentos no chão e,
Quando se sentir confortável,
Feche os olhos e comece por focar a sua atenção na sua respiração,
Estando consciente do ar entrar e sair do seu corpo,
Reparando como os ombros sobem quando inspira e descem quando expira,
Notando que o ar que entra nas suas narinas entra habitualmente mais fresco,
Comparativamente com o ar que sai,
Que parece sair sempre um bocadinho mais quente,
E tome consciência que não tem que fazer nada em relação a isso,
Que é mesmo assim que a respiração funciona,
É um processo natural e automático.
E agora,
Peça-lhe que faça um scan do seu corpo,
Isto é,
Que explore o seu corpo e que tente identificar a presença de sensações que a sua cabeça interpreta como desconfortáveis ou dolorosas.
Podem ser sensações novas,
Recentes,
Ou sensações que já lhe são familiares.
A dor crónica pode,
Aliás,
Ser parte da sua vida e algo com o que tem lutado grande parte dos seus dias.
Este exercício não pretende fazer desaparecer a dor,
Mas criar uma relação diferente com a sua dor e com o desconforto que com ela surge.
E por isso,
Aquilo que agora lhe peço é que não tente se abstrair da dor ou mandá-la embora,
Por muito tentador que isso lhe possa parecer.
Peço-lhe exatamente o contrário disso,
Foque-se na sensação de dor,
Na sensação de desconforto e tente a explorá-la um pouco melhor,
Tente compreendê-la um pouco melhor.
Na realidade,
Tente conhecê-la um pouco melhor.
E ao fazê-lo,
Tente responder às seguintes perguntas.
Onde é que ela está localizada?
No peito,
No abdômen,
Nos ombros,
Na garganta,
Na outra parte do corpo?
E será que ela,
Que é essa sensação desconfortável ou de dor,
Tem alguma forma?
Parece-lhe uma bola,
Ou qualquer outra coisa,
Ou parece não ter forma de tudo?
Procure também saber se é uma sensação estática,
Que permanece sempre no mesmo sítio,
Ou se é móvel,
Deslocando-se de um lado para o outro,
Ou até se tem temperatura.
Será que essa sensação ou dor é quente,
Fria,
Neutra,
Não tendo temperatura de todo?
Tente percebê-la,
Conhecê-la um bocadinho melhor.
É muito estranho que isso lhe possa parecer.
E agora que se está a focar nela,
A conhecê-la melhor,
Tente perceber o que é que está a acontecer.
A dor ou a sensação desconfortável está a mudar,
Ou permanece na mesma?
E já agora,
O que é que diz a sua cabeça sobre ela?
Algumas vezes as nossas cabeças tendem a dar rótulos às nossas sensações,
E o fenómeno da dor não é exceção.
Algumas vezes esses rótulos da cabeça ajudam a lidar com a dor e o desconforto,
Outras vezes nem tanto.
E agora que a explorou melhor a sua dor e o que a sua cabeça diz sobre ela,
O que é que aconteceu?
A dor mudou de alguma maneira?
Tornou-se mais intensa,
Mais desconfortável,
Ou pelo contrário,
Menos intensa e menos desconfortável?
Volte a focar-se nela e a perceber o que acontece quando se volta a focar nela.
O que é que está a acontecer?
O que é que o seu corpo e a sua cabeça lhe dizem,
Sem nunca esquecer que há aí um corpo que respira e uma pessoa que observa tudo o que se passa no corpo e na cabeça,
E que essa pessoa é você,
Mais do que um corpo que respira,
Mais do que uma cabeça que perde os pensamentos.
Volte a focar-se na sua respiração,
No ar a entrar e a sair do seu corpo,
Voltando a notar que os ombros sobem quando a inspira e descem quando a expira,
E ao fazê-lo perceba que possivelmente a sensação de dor não desapareceu,
Continua lá,
Reconheça isso mesmo que ela continua aí,
Sem a querer mandar embora,
Deixe-a simplesmente estar,
Deixe-a simplesmente existir,
Voltando a focar-se na sua respiração,
No ar que entra e que sai do seu corpo.
E agora,
Vou contar de 5 e até 0,
E quando chegar ao 0 e se sentir confortável,
Ou quando se sentir confortável,
Abra os olhos e volte ao espaço onde está.
5,
4,
3,
2,
1,
0.
Muito obrigado e votos de um bom dia.