
Reconhecer Quem Você É: É Um Ato de Coragem
by Lívia Dutra
Muitas vezes, construímos nossa identidade com base em expectativas externas, sem perceber. Este episódio convida a uma pausa sincera: quem é você, além dos papéis que aprendeu a representar? Ao trazer luz para o que é seu e o que foi imposto, você pode iniciar um processo profundo de reconexão com a sua essência. Ser você mesma não precisa ser difícil — pode ser libertador.
Transcrição
Olá!
Seja muito bem-vinda e muito bem-vindo ao Ser Livre Podcast.
Aqui você encontra episódios curtos e semanais,
Toda quinta e domingo,
Para falarmos e filosofarmos sobre você.
Sobre ser,
Ser humano,
Ser corajoso,
Ser livre,
Ser alguém que conquista seus sonhos e objetivos.
Aqui eu trago reflexões de uma forma muito humana e real,
Sobre como você pode se tornar uma pessoa melhor,
No sentido de se conhecer e desenvolver.
Evoluir uma vida sentindo satisfação e prazer em ser você.
Se perceber como o centro da sua vida,
O personagem principal e responsável por alcançar os seus sonhos.
Se perceber com coragem e movimento.
E,
Se aqui a gente fala sobre você,
Hoje eu quero começar o episódio com uma pergunta.
Quem é você?
Quando eu faço essa pergunta,
O que te vem na cabeça?
Como você me responderia?
Com o seu nome,
Talvez sua ocupação,
Sua idade.
Algumas pessoas,
Com certeza,
Já falariam do signo.
E mesmo sem te conhecer,
Eu vou te falar dois fatos sobre você.
Porque,
Independentemente da pessoa que esteja ouvindo isso agora,
Eu tenho certeza absoluta de que você é um ser humano como eu.
Então,
O primeiro ponto é,
Somos seres sociais.
A nossa espécie,
Homo Sapiens,
É extremamente social e essa característica teve um papel crucial na nossa evolução.
Ao contrário dos outros animais,
Que podem prevalecer pela força física ou habilidades específicas,
A nossa vantagem competitiva,
Como Homo Sapiens,
Aconteceu principalmente por conta da nossa capacidade de nos conectar,
De nos comunicar e cooperar um com os outros.
E foi por conta dessa habilidade social que a gente desenvolveu a linguagem,
A fala e a consciência,
Que foram elementos essenciais que moldaram a nossa cultura,
A tecnologia,
Enfim,
A civilização como a gente conhece hoje.
Então,
A linguagem permitiu que a gente transmitisse conhecimento,
Histórias,
Ideias,
Até coordenar atividades em grupo de uma forma eficiente,
Como a gente conhece hoje o trabalho ou o esporte também.
E um exemplo moderno dessa vantagem é o próprio podcast.
Não é apenas uma forma de entretenimento ou informação,
Isso aqui é também uma manifestação da nossa natureza social.
É um meio de comunicação que conecta a gente em uma escala global e que permite que pessoas de diferentes origens e culturas compartilhem as suas experiências,
Suas perspectivas e conhecimentos.
Então,
Você não encontra nenhum outro ser ou espécie do mundo animal que produza podcasts ou formas semelhantes de comunicação.
Então,
Beleza!
O primeiro fato que eu sei de você é que você é um ser social.
E o segundo fato que eu sei é que você gosta que gostem de você.
Sabe por quê?
Isso acontece porque,
Além da gente ser um ser social,
A gente também é um ser adaptável por natureza.
E essa adaptabilidade está profundamente enraizada nos nossos instintos de sobrevivência.
Pensa,
Quando as pessoas gostam da gente,
A gente sente uma sensação de segurança,
Certo?
Porque a gente sabe que,
Quando a gente está com esse senso de pertencimento,
É muito menos provável que a gente vai se sentir ameaçado ou rejeitado.
Então,
É uma questão quase instintiva buscar a aprovação dos outros porque,
Historicamente,
Isso significava pertencimento a um grupo e proteção contra ameaças externas.
E aí você deve estar pensando,
Beleza,
Mas por que esses dois fatos,
O primeiro de ser sociável e o segundo de ser adaptável,
São relevantes para a construção da identidade,
Né?
E aí eu te explico.
Tem uma frase de um sociólogo super reconhecido chamado Charles Horton Cooley.
Ele é considerado um dos seis pais da sociologia americana e eu acho essa frase sensacional para ilustrar todo esse nosso papo sobre identidade.
Ela diz o seguinte,
Eu não sou quem você pensa que sou,
Não sou quem eu penso que sou,
Eu sou quem eu penso que você pensa que sou.
Então,
Basicamente,
Existe uma influência direta das percepções externas na construção da nossa própria identidade.
O ser humano,
Ele se adapta ao que os outros pensam como um instinto de sobrevivência,
Ou melhor,
Na verdade,
A gente se adapta ao que a gente acha que os outros estão pensando sobre nós.
Cara,
Vocês não acham isso maluco?
A formação da nossa identidade é uma projeção do que a gente pensa sobre nós mesmos.
Eu dei um nó na sua cabeça agora,
Né?
Mas a verdade é que todo mundo já viveu alguma situação em que,
Por exemplo,
Você mudou o seu comportamento só para agradar uma pessoa específica.
Você foi mais simpático,
Concordou mais com as opiniões daquela pessoa,
Ou até evitou certos temas porque sabia que poderia desagradar.
Ou uma situação em que você teve dificuldade de dizer não,
Dificuldade em estabelecer limites claros porque você tinha medo de desapontar ou causar algum desagrado para aquela pessoa.
Tem outras situações também de conformidade social,
Situações em que você se autocensura para poder ser aceito,
Você não diz o que pensa,
Não diz os seus limites,
Ou até busca por validação,
Que é super comum,
Né?
De você tentar ser algo que você não é,
Porque você acredita que aquilo vai te fazer se sentir pertencente àquele grupo.
E tudo isso por conta dessa adaptabilidade.
Então,
Quando a gente fala de identidade,
É super importante a gente falar da adaptabilidade e de como isso está intrínseco ao ser humano,
Porque senão a gente acaba vivendo a vida com máscaras para agradar aos outros,
Mas a gente acaba não vivendo a nossa verdade.
E aí,
O que eu quero que você entenda é,
A sua identidade não é algo fixo,
Não é algo imutável e nem cravado em pedra.
É natural que ela vá se adaptando ao longo do tempo,
Dependendo dos ambientes e círculos sociais em que você se encontra.
Porque a sua identidade,
Ela é literalmente com o que você se identifica.
É a noção geral de quem somos,
Autoimagem,
Senso de pertencimento e identificação com grupos.
Pensa quando você era criança,
Você tinha certos gostos alimentares,
De programas de TV,
De música.
Nas viagens em família,
Você gostava de fazer certas coisas.
Ao longo do tempo,
Você não foi simplesmente envelhecendo.
Os seus gostos foram adaptando.
Eu lembro quando teve aquele 10 year challenge de fotos de antes e depois com uma diferença de 10 anos nas redes sociais,
Que era muito bizarro assim.
Você via que a pessoa tinha mudado obviamente o físico,
Mas era muito curioso de ver o contexto em que as pessoas estavam inseridas,
Né?
Quem nunca passou por uma fase,
Talvez emo,
Que usava mais roupas pretas e ouvia aquelas músicas mais melancólicas?
E aí você foi mudando os seus gostos.
Você pode ter mudado de gosto alimentar,
Você pode ter mudado da forma como você se veste,
Os grupos sociais em que você está inserido.
E você também já deve ter ouvido aquela frase,
Diga-me com quem andas que direi quem tu és.
Ou até,
Você é a média das cinco pessoas que mais convive.
Então,
Identidade é exatamente isso.
Porque o ambiente em que você está inserido ou inserida tem um impacto direto na construção da sua identidade,
Em como você se percebe,
Em como você interage com o mundo,
Nos seus gostos e na forma como você se comporta.
E eu,
Lívia,
Tenho uma filosofia de vida,
Pessoalmente,
Que é muito clara,
Assim.
Eu quero poder ser quem eu sou e me sentir confortável na minha própria pele,
Em paz comigo mesma.
Isso significa que eu tô sempre tentando criar ou achar ambientes em que eu me sinta confortável,
Em que eu me sinta verdadeiramente eu,
Da forma mais autêntica possível.
Eu não simplesmente aceito os ambientes em que eu estou e permaneço ali.
Faz sentido?
A gente é a única espécie que tem consciência da própria consciência.
E eu acho isso muito lindo,
Porque a gente tem essa capacidade de introspecção,
Que vai diferenciar a gente de todas as outras formas de vida.
A gente questiona sobre quem nós somos,
Sobre o nosso propósito na Terra.
Então,
Pensa,
Se a gente tem essa capacidade de refletir,
Questionar e adaptar as nossas crenças e comportamentos,
Por que simplesmente aceitar a condição em que a gente está?
Por que não buscar evolução?
Se é possível ser mais feliz e contribuir mais para a sociedade,
Vivendo de outra forma,
Por que não?
Por que permanecer na inércia e na zona de conforto?
Eu acho muito triste ver algumas pessoas desperdiçando potencial e vivendo apenas no piloto automático,
Apenas transitando o corpo físico de um lugar para o outro,
Vivendo de uma forma mecânica,
Como se a pessoa não conseguisse ativar a consciência dela em nenhum momento,
Vivendo só de uma forma racional,
Sem sentir,
Sem lembrar que a vida só vai acontecer e só vai mudar se a gente despertar e fizer alguma coisa diferente.
Pensa comigo,
Se eu sei quem eu sou e que o meu senso de identidade tem uma influência externa direta,
Viver melhor também significa escolher melhor os ambientes em que eu me insiro.
E aqui eu não tô falando para você negar ou não olhar para o seu passado,
Você pode ser quantas versões você quiser ser,
E todas as versões que você já foi se acumularam e transformaram nessa versão que você é hoje.
O que eu tô falando aqui é para você ter consciência de quem você é.
Depois desse podcast,
Eu tenho certeza que toda vez que você ouvir alguém falando,
Para de se importar com o que os outros pensam,
Você já vai saber que isso não é possível,
Que isso é balela,
Não tem como você simplesmente desligar uma chavinha para opinião alheia,
Mas sabe o que você pode e deve fazer?
Justamente ter consciência de quem você é e de quais são as opiniões que estão impactando a sua formação de identidade.
Se o ambiente externo impacta diretamente na forma como você se enxerga e na forma que você age,
Quais são hoje as pessoas que você convive e os ambientes em que você está inserido?
Eles estão alinhados com seus valores?
Eles te fazem crescer e evoluir de alguma forma?
Como que eles contribuem para a pessoa que você quer se tornar?
E eu sei que essas talvez não sejam perguntas ou reflexões que vocês façam diariamente,
Mas eu mesma virei uma chavinha e comecei a fazer isso e eu percebi a minha vida mudando.
Sabe quando você joga uma pedrinha na água,
Que aí a água vai fazendo aqueles círculos em volta da pedrinha que você jogou?
É exatamente isso.
Quando você cria certa consciência,
Você vai percebendo o ambiente exterior mudando,
Porque o interior está consciente do que está acontecendo.
E quando eu aprendi isso,
Na verdade foi com um ex-namorado meu,
Que sempre antes de dormir,
Ele tirava um tempo em silêncio só para pensar e refletir sobre o dia e digerir tudo que tinha acontecido.
Na época eu era ansiosa e imatura demais para entender a importância e impacto daquilo,
Mas hoje isso se tornou um hábito e eu faço diariamente no meu ritual noturno.
Eu basicamente repasso todo o meu dia na minha mente e não em uma ótica de lista de tarefas,
Pendências e produtividade.
Eu repasso o meu dia recordando do que eu senti,
Quais foram as minhas emoções e os meus sentimentos durante aquele dia,
Como se fosse um replay,
Tirando o piloto automático e ligando a atenção plena.
O que que eu fiz naquele dia que fez eu me sentir bem e que eu quero continuar fazendo e o que que me gerou algum tipo de incômodo que eu gostaria de mudar e de conduzir de outra forma?
É a minha forma de ter um momento de reflexão e presença de alguma situação que pode ter passado despercebida por conta do piloto automático.
É um scanner que ajuda na compreensão de quem eu sou,
Com o que eu me identifiquei e não me identifiquei.
Tem um caso,
E aí eu não lembro onde eu vi isso,
Mas que falava quando as pessoas estão voltando para casa depois de um dia de trabalho,
Elas entram no elevador e aí a mão delas está cheia de coisa,
De sacola de compras,
Mochila do trabalho,
Da academia e tal,
E elas não conseguem pegar no celular.
E aí tem aquele longo momento do elevador subindo até o andar delas,
Que é um momento em que elas simplesmente vão parar para refletir sobre o dia.
Já aconteceu com você algum momento desse?
Ou você está no ônibus,
No metrô,
Ou dirigindo,
Que simplesmente você está ali,
Mas você não está ali.
Você está pensando sobre o seu dia.
Você lembra que não cumprimentou o porteiro,
Ou que esqueceu alguma coisa no trabalho,
E aí as memórias e o seu cérebro vão funcionando para te trazer mais informações.
É exatamente sobre esse momento que eu estou falando.
E a ideia aqui é realmente trazer esse ponto de que as nossas experiências nos moldam.
Os ambientes e pessoas que a gente troca nos moldam de alguma forma.
Eu gosto de dizer que nem tudo são flores,
Mas tudo é semente.
Isso significa que de todas as formas a gente vai ser impactado,
Mas é necessário esse momento de reflexão para a gente escolher de forma consciente o que a gente vai regar e nutrir.
Ter consciência de quem somos e de onde estamos é uma forma muito madura e leve de viver uma vida autêntica e verdadeira em busca dos seus objetivos.
É uma forma de você sentir que a sua vida tem mais intenção e propósito.
É uma forma de você se conhecer,
Saber e ter clareza de quais são os sims que você quer dizer para a vida e quais são os nãos.
Porque quando você sabe e se conhece,
Você aprende a comunicar para o mundo quem você é,
E dessa forma você acaba atraindo pessoas,
Lugares e situações que estejam vibrando na mesma frequência.
Porque todo mundo emite uma frequência.
A sua vida e o que você faz todo dia,
A forma como você se relaciona com o mundo,
As pessoas percebem.
Você com certeza já deve ter passado por isso.
Você tá num ambiente e aí chega uma pessoa que rouba completamente a cena,
Que ela é muito carismática ou que ela é muito autêntica.
É muito claro quando uma pessoa vive muito a verdade dela.
E é aquilo.
Seja você para que as pessoas que estejam te procurando possam te achar.
Eu acho essa frase muito linda,
Porque ela reforça a importância de você saber quem é,
Onde você tá e para onde você tá indo.
Reforça a ideia de você não usar máscaras para agradar ou para tentar se encaixar em um lugar que não é seu,
Que você não pertence.
Tem um lugar para você.
Existem pessoas com os gostos iguais aos seus,
Com certeza tem.
Tem gente para tudo.
Então a questão não é quantas versões você foi durante a vida.
A questão é se essas versões traduzem a sua verdade.
Se você se sente confortável sendo quem é.
Se isso está te levando para onde você quer ir.
O nome desse episódio é quem é você e onde você está.
Então pare e pensa.
Se os ambientes em que você está hoje te inspiram,
Te fazem se sentir leve ou se te geram algum incômodo.
Se é algum lugar que você talvez já aprendeu e evoluiu,
Mas hoje talvez não faça mais tanto sentido para você estar ali.
E quando eu digo ali,
Eu tô falando de um espaço,
De uma relação,
Algum hábito,
Um hobby ou até um esporte.
É muito importante a gente fazer esses escândalos da nossa própria vida para poder entender para onde ela está levando a gente.
E aí eu quero finalizar esse podcast da mesma forma que eu iniciei.
Quem é você?
E eu espero de coração que as respostas agora para essa pergunta sejam pelo menos um pouco diferentes do que veio na sua cabeça no começo.
Muito obrigada a quem ouviu até o final e não esquece,
Caso o que eu falei aqui ressoa em você de alguma forma,
Você pode contribuir avaliando o podcast com 5 estrelas.
E se você lembrou de alguém ouvindo esse podcast,
Envia para essa pessoa.
Isso pode ser exatamente o que ela está precisando ouvir hoje.
Um beijo no coração de vocês e até o próximo episódio.
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