Bem-vindo a esta prática de Meditação Mindfulness e vamos dar atenção em especial aos nossos pensamentos.
Começamos a prática por estabelecer uma postura que nos seja confortável,
Que nos transmita estabilidade,
Quietude,
Que não precisemos de um esforço em particular.
Eu vou estar sentado a praticar-me,
Mas pode fazer a prática deitada,
Até de pé.
O mais importante é mesmo a atenção voltar-se para o que está a acontecer cá dentro e para isso ajuda o facto de os olhos poderem ficar-se miscerrados,
Focando um ponto à nossa frente ou se for confortável,
Gentilmente fechados,
Sem esforço.
Isto já estabelece a intenção de darmos atenção ao que está cá dentro e não estarmos tão suscetíveis à distração,
À perpetuação de reações de reatividade.
Podemos cuidar da postura,
Ajeitando o corpo,
Se assim pretendermos,
E deixar que a gravidade atue e que permita que o esforço necessário para mantermos esta postura seja o mínimo esforço possível.
E o que fazemos entre o silêncio das orientações da prática é prestar atenção ao corpo,
Notar como o corpo já está sentado,
Como a nossa postura se mantém sem esforço,
Como a partir da posição sentada,
Deitada ou de pé,
Existem pontos de contacto do corpo,
Colchão,
Tapete,
O que seja,
E esse contacto traz a nossa atenção para o momento presente,
Para o único momento em que pode existir efetivamente um contacto.
Não existe um contacto no futuro ou no passado,
Isso fica no mundo da imaginação,
Da visão,
Da retrospectiva,
Mas a experiência direta e vivida é aqui e agora.
E esse prestar de atenção ao corpo já é parte da prática,
Seguir a nossa respiração,
Notando-a,
Respeitando-a,
Honrando o seu papel fundamental e quando percebemos que a nossa atenção está mais ancorada no momento presente,
Seguindo uma respiração,
Seguindo as sensações,
Mesmo que de comixão ou algum desconforto,
Essas são lembranças que estamos aqui e agora,
Por mais agradáveis,
Desagradáveis,
Ou até neutras que sejam essas experiências.
E durante esta prática vamos dar atenção aos pensamentos,
Quando surgem,
Como se a nossa mente fosse uma fábrica de bolas de sabão,
Cada pensamento,
Uma bola de sabão que surge,
Que nós podemos ver claramente.
Que se forma,
Torna-se maior,
Esvoa-se,
Até sair do nosso alcance,
Ou arrebentar.
E o desafio é o de notar os pensamentos da mesma forma,
Notando a escolha que podemos ter em nos relacionarmos com os pensamentos,
Como eles são impermanentes,
Eventualmente desaparecem,
Se não lhes dermos mais atenção do que é necessário,
Como não precisam ter um impacto,
Um poder sobre nós,
São muitas vezes insubstanciais,
Não têm grande fundamento,
Grande verdade,
São apenas fenómenos que passam,
Que surgem,
De forma aleatória,
E que agarrarmos aos pensamentos,
Pode ser uma fonte de sofrimento,
Porque se não os vigiarmos,
Podem ser uma forma de fuga,
Do único momento em que podemos viver.
E se porventura,
Dermos por nós,
Demasiado próximos destes pensamentos,
Vivendo-os,
Podemos nomeá-los,
Isso ajuda a ganharmos perspectiva sobre esses pensamentos.
Algo simples,
A primeira ideia que surge,
Pode ser tão simples como o passado,
O futuro,
Preocupação,
Frustração,
E o mais importante é regressarmos a seguir à respiração,
Com uma atitude de bem-crença.
Podemos até,
De forma voluntária,
Colocarmos nós um pensamento,
Como se está tudo bem,
Faz parte,
Não te preocupes,
Podemos regressar sempre que quisermos à respiração,
E ao corpo,
Como forma de ancorar a atenção no momento presente.
Independentemente de termos despendido segundos,
Minutos,
Perdidos em pensamentos,
Está tudo bem,
Podemos sempre regressar à respiração e ao corpo.
O facto de termos notado que já estávamos distraídos,
Essa é a prática,
Notamos que há uma distração,
Um tal pensamento,
A bolha de sabão,
Acho que não tem de ditar toda a minha experiência,
Posso regressar,
Uma e outra vez,
Ao meu corpo,
De forma gentil,
Sem luta.
Existem pensamentos mais persistentes,
E que geram em nós alguma frustração,
E com esses podemos tomar uma atitude de nomear,
Notá-los,
Rapidamente,
Um gesto de determinação,
De tensão em viver o momento presente.
Posso simplesmente notar,
Dizendo interiormente,
Pensamento,
E notar o que acontece,
Por vezes os pensamentos surgem como narrativas completas,
Histórias,
Revivemos,
Que de tão aliciantes perdemos a noção de que ainda assim se tratam de pensamentos.
O nosso desafio é apenas notar,
Trazer uma atenção que simplesmente nota,
Não tem uma agenda,
Em prática,
Mantém-se viva,
Pela intenção que trazemos à mesma.
A nossa mente de principiante,
Curiosidade,
Que se alimenta por este desdobrar da vida,
Mistério,
Nem certeza de que não há dois momentos iguais.
E por isso,
O convite é de estar presente,
Honrar essa vida,
Não a deixar passar à nossa frente,
Com os nossos próprios quereres e agenda,
Escondida,
Guiadas pelas lentes dos nossos pensamentos.
O convite é o de trazer para o resto do dia,
Da vida,
Esta noção de estarmos presentes aos pensamentos,
Ao corpo,
A cada momento,
Existir essa noção,
É possível estar presente.
E como,
Se nos abstivermos de o fazer,
Grande parte da nossa vida é informada por aquilo que já sabemos,
Aquilo que queremos ver,
Aquilo que não é assim tão misterioso,
Não é uma aprendizagem,
Mas sim uma confirmação.
Terminando esta prática com uma dedicatória que diz que esta prática,
Que esta vida,
Seja benefício de todos os seres,
Que esta vida seja benefício de todos os seres.