Prática da atenção plena dos pensamentos.
Convido-o a alguns minutos de quietude,
De espaço e tempo,
Consigo mesmo,
Permitindo-se estar um pouco consigo,
Com o seu corpo,
Com tudo o que ele nos traz nesta vida.
Adota uma postura que lhe permita estar simultaneamente confortável,
Mas também alerta,
Afastando as costas,
A cadeira,
As mãos podem estar sobre o colo,
Ou uma sobre a outra,
Uma postura digna,
Comece por se centrar na sua respiração,
Ao inspirar,
Poderá notar alguma tensão no corpo,
E ao expirar,
Pode tentar largar essa tensão,
Essa preocupação,
Quem sabe,
Escolher uma zona do corpo onde esta respiração Se esteja a fazer notar,
Poderão ser as narinas,
O peito,
A barriga,
Poderá surgir alguma distração,
Algum pensamento,
Um som,
Alguma dor,
Inquietação.
E o convite é de voltar a notar a sua respiração e aproveitar as expirações para largar,
Suavizar algum desconforto que surja.
Experimente agora largar a respiração e notar se há algum pensamento que se faça especialmente notar,
Apenas notar,
Não precisa de se envolver e de o alimentar,
Apenas notar que ele existe,
Sendo que neste propósito de notar o pensamento,
Ele também poderá ter desaparecido,
Pura e simplesmente,
E não há qualquer problema,
Pode preferir voltar à respiração até que um novo pensamento surja,
E aí sim,
Então,
Notar que pensamento é este,
Que voz,
Que tom este pensamento traz consigo,
É um tom meigo,
Suave,
Ou é um tom agressivo,
De crítica,
Intenso,
Que voz é esta?
E pode dar-se o caso de alguns pensamentos se refletirem no seu corpo,
Alguma carga emocional que se reflete,
Alguma zona,
Algum aperto,
Alguma tensão,
Como é que ele é vivido no seu corpo?
E pode também tentar notar como é que este pensamento surge,
Se é sob a forma de imagens,
De palavras,
De sons,
Como é que ele se faz notar?
E pode também,
De cada vez que surgir um pensamento,
Nomeá-lo,
Dizendo,
Por exemplo,
É um pensamento,
Enquanto espectador,
E os seus pensamentos podem ser vistos por si como uma nuvem,
Ou nuvens que passam por si,
Mas pelas quais não tem de ir atrás,
Não há nada que o faça ir atrás,
São nuvens que passam e acabam por desaparecer.
E a atitude,
É uma atitude gentil a acolher o que quer que surja,
Tanto no pensamento como na sua expressão,
No seu corpo,
Acolher o que quer que aí esteja.
E agora,
Largando os pensamentos,
Experimento voltar à respiração,
A uma zona do corpo onde ela se faça especialmente notar,
Deixando que os seus pensamentos vão agora para a periferia,
Que não sejam os protagonistas da sua atenção,
Que a respiração recupera agora esse lugar de âncora,
De refúgio.
Nestes instantes finais da prática,
Pode levar consigo a ideia de que os pensamentos podem ser vistos como sons que também passam por nós e que acabam por se desvanecer,
Ou nuvens que passam por nós e acabam por desaparecer,
Sendo que os pensamentos que possa ter não são equivalentes a factos ou a uma única realidade.
Aos poucos,
Ao seu ritmo,
Poderá ir notando os seus pés,
Como eles ao longo da prática estiveram suportados por esta terra que nos sustenta.
Pode realizar algumas inspirações mais profundas e aos poucos,
Ao seu ritmo,
Ir abrindo os olhos e quem sabe agradecer a si mesmo por este tempo que dedicou ao seu bem-estar mental,
Que também se poderá repercutir num bem-estar físico,
Ao longo do seu dia e ao longo da sua vida.