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Quarentena da Reflexão 2: Estamos Preparados?

by Fabricio

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Essa série "quarentena da reflexão" está sendo realizada para nos trazer algumas reflexões sobre nossa experiência com os desdobramentos pessoais da quarentena. Alinha-se com a proposta da presença e atenção plenas. O segundo tema desenvolve-se a partir da pergunta: estamos preparados?

Transcrição

Olá,

Tudo bem?

Fabrício Suryo novamente,

Dando continuidade às nossas reflexões da quarentena.

Hoje trazemos.

.

.

Estamos preparados?

É uma pergunta,

Né?

Estamos preparados?

É importante estarmos preparados porque isso nos traz uma sensação de segurança com as coisas que vão acontecer.

Nós podemos nos valer de recursos financeiros,

Emocionais,

Materiais,

Mentais,

Para poder fazer frente a uma demanda que possa nos surgir.

Agora,

Sabemos que nem sempre tudo que acontece vem com data e hora marcada,

Né?

Então,

Nós temos situações inesperadas que nós temos que dar conta com o que nós temos,

Mas nada que nos impeça de nutrir interiormente alguns recursos que são ótimos para passar por qualquer situação,

Independente de qual ela seja.

São recursos como autoconfiança,

Autoconhecimento,

Autocompaixão,

Autoestima.

Isso tudo vai ajudar em situações inesperadas ou esperadas.

Então,

Para situações esperadas é tudo mais fácil.

Você tem uma reunião,

Você já sabe o dia,

O local,

Com quem você vai se reunir,

Qual tema vai ser tratado,

Como você pode se apresentar,

Com a roupa,

Com a alimentação,

Dependendo do horário.

Então,

Você se sente melhor.

Agora,

Existe uma reunião na qual todos os seres viventes são chamados para comparecer e por mais que nós saibamos que ela acontecerá,

Nós não sabemos o dia,

Mas ainda assim,

Nós evitamos pensar sobre o assunto.

É um evento chamado morte.

Não quero assustar ninguém,

Mas não temos como colocar esse elefante debaixo do tapete.

É uma situação que não temos como negar que vai acontecer.

Mas nós temos um receio de pensar sobre o assunto.

Nós realmente não nos preparamos para isso.

E como é que se prepara para morrer é uma coisa meio paradoxal,

Mas como nós vamos ver se a gente se prepara para morrer sabendo viver.

Então,

Não falar sobre isso,

Sobre a morte,

É porque nós temos medo.

A raiz disso tudo é o medo.

É o medo do desconhecido,

É o medo de termos que nos distanciar da familiaridade,

Do conforto que nós construímos e conquistamos,

Medo de nos separar das pessoas que nós amamos.

E os medos da morte também podem decorrer como medo da doença,

Que é uma coisa que nós estamos vivendo.

Nós temos medo de ficar doentes e medo de morrer.

Medo das pessoas que nós amamos morrerem também.

Medo de perdermos nossos recursos financeiros.

Então esses medos vão se desdobrando e esses medos,

Eles começam a corroer o nosso sistema emocional,

Trazendo uma experiência que nós estamos observando.

E algumas pessoas na sociedade como um todo,

Até mesmo nós,

Podemos estar experienciando elas como ansiedade,

Pânico e pitadas de depressão.

Porque é desanimador,

Às vezes,

Você encarar a situação que nós estamos percebendo.

Então o medo,

Geralmente,

Da morte é porque nós vamos sair dessa familiaridade que nós temos com a vida.

Traz esse certo desconforto.

Na verdade,

Tudo que muda traz um certo desconforto para a gente.

E a mudança nada mais é do que a morte de algo que nós conhecemos como normal para vir uma outra coisa,

Vir uma coisa nova.

Bom,

E como é que podemos estar em paz com isso?

É uma reflexão filosófica,

Na verdade.

Como é que a gente pode estar em paz com o medo da morte?

Então um dos pontos que eu trago é saber que nós não somos onipotentes.

Não tem como ser onipotente.

A natureza já nos concebeu a vida,

Nos trouxe a existência com umas regras que nós não podemos burlá-las.

Então a própria morte é uma regra da vida,

É uma regra da natureza.

Então nós temos que aceitá-la como algo natural.

A natureza tem uma sabedoria,

Uma simplicidade,

Mas uma simplicidade muito eficiente.

E essa mudança de ciclos faz parte da natureza.

Então a gente tem que aprender que existe uma força maior do que a nossa controlando a própria vida em si.

Um outro ponto importante que podemos trazer para a reflexão é sobre a impermanência.

Porque nada permanece igual.

Nós não permanecemos iguais.

Nunca.

A gente sempre está mudando.

Independente de qual caminho seja,

Se seja pelo aprendizado pelo amor ou aprendizado pelo amor,

Pelo amor ou aprendizado pela dor,

Desculpe,

Nós estamos em constante mudança.

As nossas relações estão em mudança,

A sociedade está em mudança,

Hoje os costumes são diferentes do que eram antes.

Então a impermanência é uma lei também.

A impermanência no sentido de que não é porque as coisas têm que acabar num lado negativo.

Não,

Elas podem se transcender,

Elas podem se melhorar de formas que nós talvez não conseguimos conceber agora.

Então a gente precisa às vezes de uma mexida,

Um susto para ver uma coisa que nós não estamos observando.

E faz parte do ciclo da natureza também,

Tem a mudança das estações.

Por mais que eu goste mais do inverno ou do verão,

Eles vêm,

Eu experimento,

Eles vão passar,

Independente de eu querer isso ou não.

E a própria flor hoje que você observa numa árvore,

Ela vai cair,

Ela vai murchar,

Ela vai virar matéria orgânica para a própria árvore reabsorvê-la nas suas raízes e transformar numa seiva para que ela possa fazer uma nova flor.

O ciclo da impermanência é esse.

Um outro ponto é que nós somos iguais,

A morte nos traz essa igualdade,

Nos traz um sentimento de que seja rico ou pobre.

Rei ou plebeu,

Todo mundo vai ter o mesmo fim.

Então isso pode trazer uma reflexão de que somos todos iguais perante a natureza.

E além de tudo isso,

A gente ainda pode ver a morte como um mistério,

Porque ela realmente é um mistério.

Por mais que existam relatos de pessoas que dizem ter passado e voltaram,

Ainda é um mistério.

Em vez de ver esse mistério como algo que possa nos escurecer a visão da vida,

A gente pode observar isso como uma aventura.

Por que não?

Uma aventura do desconhecido,

Como as crianças gostam de aventuras.

A gente pode rever como as crianças veem também.

E parte dessa dificuldade de observarmos a morte aqui no Ocidente é porque nós vemos isso como um tabu.

No Oriente,

O próprio fato da espiritualidade já ser bastante enraizada no dia a dia das pessoas,

Elas conseguem observar que a existência que nós estamos experienciando agora é apenas uma transição.

Existe uma vida além da morte.

E nós,

Como colocamos o nosso Ocidente,

Como colocou grande parte do seu conforto nos bens materiais,

A morte parece um distanciamento desse conforto material.

Então a gente tem medo de desapegar de tudo isso.

E esse medo pode ser também,

Esse medo da morte,

Essa questão toda,

Ela pode ter um antídoto que foi justamente o antídoto do vídeo anterior,

Que é sobre propósito.

Porque quando você descobre o seu propósito,

Você se ocupa tanto com o momento presente que não dá tempo de pensar sobre a morte.

E eu vou valer agora as palavras do António Teixeira Perri,

Que foi o escritor do Pequeno Príncipe,

Num livro chamado – vou pegar ele aqui – num livro chamado Terra dos Homens.

Olha só que beleza que ele nos fala.

Quando tomamos consciência de nosso papel,

Mesmo o mais obscuro,

Só então somos felizes.

Só então podemos viver em paz e morrer em paz,

Pois o que dá um sentido à vida,

Dá um sentido à morte.

Então,

Procurar viver esse momento,

O momento presente,

É o que nós temos nas mãos.

Deixe a morte ser observada como algo natural,

Mas procure dar sentido à sua vida,

Para que ao final dela tenha sentido tudo o que você viveu,

Independente do que você vai encarar lá na frente.

E ainda sobre essa temática,

Existe um livro chamado The Five Regrets of the Dying,

Que é da Bronnie Warr,

Que é uma enfermeira australiana que trabalhou com pacientes terminais,

Nos quais ela conseguiu observar que todos eles tinham uns arrependimentos muito semelhantes,

Todos eles quando chegavam no leito de morte,

Que é não ter vivido a vida que eles queriam,

As pessoas trabalhavam demais e assim deixavam a família de lado,

As pessoas não falavam sobre os seus sentimentos,

As pessoas não ficavam com os seus amigos e as pessoas não se permitiam ser felizes.

Então,

De todas as pessoas que ela teve contato nesses cuidados paliativos,

As reclamações eram muito semelhantes.

E perceba que elas não reclamavam de não ter ganhado dinheiro,

Ou de ter perdido dinheiro,

Ou de não ter seguido uma religião específica,

Ou uma religião diferente daquela que eles queriam ter seguido.

Era algo muito mais sobre a arte de viver,

Como se aquilo fosse dar uma paz durante o momento de passagem.

E tem um ditado chinês que fala o seguinte,

Quando você nasceu,

Você chorava e muitos sorriam.

Viva de forma que quando tu morras,

Tu sorrias e os outros chorem.

Então vamos viver esse momento presente,

Que é a única coisa que realmente nós temos de concreto na nossa consciência,

Na nossa experiência,

Procurando trazer mais da nossa essência interior,

Mais daquilo que nos faz vibrar com alegria,

Com luz,

Com harmonia na vida.

Porque é isso que vai trazer esse sentimento de estarmos vivos.

E não teria outra forma melhor de terminar essa pequena reflexão também,

Com a frase de um grande poeta que eu sei que muitos admiram,

No qual ele nos diz que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

E é esse amor que eu desejo para todos vocês,

Que possam se amar e amar as pessoas que cercam.

Um grande abraço.

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4.9 (46)

Avaliações Recentes

Cleci

August 3, 2025

Gratidão 🙏🏻

Cida

April 26, 2022

Gratidão pela reflexão!✨🙏🏽

Marilia

June 10, 2021

Maravilhoso! 😍

Eloisa

January 23, 2021

Muito oportunas essas reflexões... gratidão. 🙏

Patricia

June 3, 2020

Linda reflexão, palavras que precisava ouvir.

Flávia

June 1, 2020

Muito bonito.

Jackie

May 13, 2020

Linda e profunda reflexão.

Juli

April 28, 2020

Gratidão 🙏🏼

Marcia

April 27, 2020

Excelente. Obrigada

Leticia

April 24, 2020

Gratudao

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