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Como Ouvir a sua Intuição, Amar o seu Corpo e Muito Mais - Com Mari Poletto

by Duda Schietti

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Essa é a parte 1 do bate papo que tive com Mari Poletto. Falamos sobre como ouvir a sua intuição, medo de comer, como faazer as pazes com o corpo, e muito mais. Autoconhecimento, espiritualidade, amor-próprio, auto-cuidado, mindfulness, superação, auto-compaixão e expansão da consciência.

Transcrição

Oi,

Eu sou a Duda Sketch,

Sou health coach e criadora desse podcast,

The Seeds of Life,

Que traduzindo para o português,

Quer dizer as sementes da vida.

A cada episódio,

A minha intenção é de plantar sementes de ações,

Intenções,

Emoções,

Palavras e pensamentos dentro do seu coração,

Para você refletir,

Se questionar e se inspirar.

E hoje,

O que vamos plantar?

Oi,

Gente!

Tô super feliz de estar aqui grazando para vocês o primeiro episódio do ano de 2020 e mais feliz ainda de ter essa convidada tão maravilhosa,

Que é a Mari Poleto.

A Mari é inclusive eu a conheci porque eu fui me consultar com ela em 2013 e de cara a gente já teve uma conexão muito sorte,

Desde então a gente não se desgrudou mais.

A gente vem se aproximando ao longo desses anos,

Mas eu acho que foi em julho do ano passado,

Quando a gente fez uma viagem juntas para Bali,

Que foi quando a gente teve um encontro de almas.

Nossa,

Parece até que a gente tá falando de um casal romântico,

Mas é que a gente teve uma troca absurda naquela viagem e também estávamos em Bali,

Que é uma terra mágica,

Que respira autoconhecimento,

Evolução,

Espiritualidade,

Expansão de consciência.

As duas estavam buscando esse caminho,

Então acho que foi um momento assim muito maravilhoso da gente ter passado e vivido juntas e eu voltei de lá transformada.

Voltei de lá pensando,

Nossa senhora,

Eu preciso um dia dividir com as pessoas tudo que eu e a Mari dividimos aqui,

Tudo que a gente trocou,

Tudo que a gente viveu aqui,

Tudo que a gente conversou.

Bom,

Eu voltei,

Mas a Mari não,

Ela tá morando lá,

Olha que chato,

E até um dos assuntos que a gente conversou bastante foi desse processo dela,

De mudança,

De desapego,

De como foi encarar um medo desconhecido,

De deixar tudo aqui e ir pra lá,

E confiar na intuição,

Agir e fazer as coisas acontecerem.

A gente falou também sobre a questão de ser muito radical com a dieta,

Com os transtornos para gerar,

Que nós duas inclusive já tivemos transtornos alimentares e como isso afetou nosso corpo,

Nossa mente,

Como isso sugou a nossa autoestima,

A nossa autoconfiança.

Bom,

Eu simplesmente amei a via Mari,

Porque eu sempre aprendo muito com ela,

Eu acho que ela é o exemplo real de uma mulher real,

De fibra,

Que já passou por vários perrengues e que não esconde,

Ela não sonha de mostrar os fracassos,

As frustrações,

Os erros,

Pelo contrário,

Ela faz questão de contar e nos ensinar como que ela transformou cada um deles em aprendizado,

E não é à toa que hoje ela tá vivendo a vida que ela tanto sonhou.

Ela é uma super merecedora de tudo isso que ela tá vivendo,

E ela é uma pessoa que tem um autoconhecimento admirável,

Que não cansa de evoluir,

De aprender,

De transformar.

Eu diria que ela é a minha guru espiritual,

Não tenho dúvidas.

Bom,

Então é isso,

Espero que vocês gostem e depois vocês contem o que achou,

Deixem mensagens,

Comentários,

Que nós a gente vai adorar poder ouvir um pouco de vocês também.

Bom,

Então é isso,

Agora com vocês a minha amadíssima Mari Poleto.

Mari,

Você tá aí?

Olá,

Rapidinha,

Tudo bem?

Ai,

Tudo e você?

Tudo bem,

Daqui de Bali.

Ai,

Meu Deus,

Nem acredito que eu tô fazendo isso com você,

Sério,

Depois de tanto tempo que eu tava querendo gravar uma conversa.

Eu queria ter pensado sobre isso quando você estava aqui,

Inclusive.

Você lembra,

Né?

Essa oportunidade de fazer o podcast,

Esse projeto,

Chegou pra mim enquanto eu tava em Bali,

E eu tava com a Mari,

Eu fui passar meu aniversário de 30 anos,

Em julho do ano passado,

E tudo isso surgiu lá,

Então,

Assim,

E também a Mari é uma das únicas amigas minhas que eu sempre conseguia falar de podcast,

Que a gente trocava um monte de informação,

A gente dividia um monte,

Compartilhava um monte.

Então,

Foi muito especial,

Né?

Quando tudo aconteceu,

Que eu te contei lá,

Você falou,

Meu,

Eu não acredito.

Mas pra mim o mais incrível foi que você,

Você,

Primeiro você projetou o que você queria fazer,

Você botou uma intenção muito forte nisso,

Você falou que tinha vontade de fazer um podcast,

E foi surreal,

Eu fico até arrepiada agora aqui de lembrar.

Que dias depois de você ter passado por todo esse processo de autoconhecimento,

Tudo que você viveu aqui em Bali,

Aconteceu exatamente o que você botou tanta intenção,

Então eu acho que é uma coisa meio de propósito,

Né?

Sim,

Sim,

Não,

Com certeza,

Com certeza,

E é aquela coisa também da gente,

A gente vai se construindo,

A gente vai,

Enfim,

A gente vai plantando,

E acho que na hora certa,

Na hora que a gente tá energeticamente,

Assim,

Acho pronta,

As coisas começam a acontecer,

Né?

Acho que o universo começa a entregar tudo que a gente,

Tudo que a gente vem pedindo,

Que a gente vem construindo,

E foi muito mágico ter recebido aquele embale.

Nossa senhora,

Foi incrível,

E bom,

Mas antes da gente começar aqui,

Se não a gente vai ficar falando até amanhã,

Mari,

Eu queria que você contasse um pouco da sua história,

O que você faz,

O que tá acontecendo na sua vida agora,

Você tá morando em Bali,

Eu quero que você se apresente,

Porque eu acho que tem muitas pessoas aqui que não conhecem o seu trabalho,

Que não te conhecem.

Bom,

Então é o seguinte,

Eu me chamo Mariana Apoleto,

Eu sou nutricionista,

E eu atualmente,

Há exatamente seis meses,

Eu estou morando em Bali,

Eu morava em São Paulo antes disso,

Morei por 12 anos em São Paulo,

Sempre gostei muito dessa área de saúde,

E cada vez,

Cada ano que passava,

Cada vez que eu estudava mais,

Eu me interessava mais pela saúde holística,

Integrativa,

Que quer dizer quando você cuida da pessoa como um todo,

Você cuida dela de todos os lados,

De todas as formas,

Você não trata só um sintoma,

Uma dor,

Ou no meu caso,

Como nutricionista,

Enxerga a alimentação dela pura,

Simplesmente como calorias,

E quanto mais eu fui aprofundando nisso,

E fui passando por um processo também de autoconhecimento,

Eu comecei a ver que você ser saudável envolvia muito mais do que você comer ou não comer certas coisas,

E eu quis realmente mergulhar de cabeça nisso,

Mas ao mesmo tempo eu vi que a minha vida em São Paulo não condizia com nada do que eu queria viver,

E aí eu decidi fazer uma mudança de estilo de vida,

Uma mudança de tudo,

E eu me mudei para Bali,

E hoje estou completando seis meses aqui,

Sem previsão por enquanto de voltar,

E tem sido incrível,

Eu continuo trabalhando,

Continuo atendendo,

E agora cada vez mais entrando nesse mundo da saúde integrativa real,

Mas continuo tendo pacientes no Brasil,

E tento passar tudo que eu aprendi aqui para eles.

— Certo,

Mari,

Deixa eu aproveitar um gancho aí que você falou,

Que eu acho que é uma coisa super importante da gente conversar,

De você falar um pouco desse processo,

Quando você falou assim de mudança,

Essa mudança que você fez na tua vida,

Que você literalmente largou tudo aqui e ouviu teu coração e foi para Bali.

— Certo.

— Eu queria que você falasse um pouco desse processo,

De como foi para você combater esse medo da mudança,

Do desconhecido,

Do desapego,

De ouvir a tua intuição e,

Cara,

Confiar e simplesmente ir,

Sabe?

Me conta um pouco como é que foi esse processo.

— Até para algumas pessoas,

Eu tenho um Instagram que eu compartilho coisas de nutrição e coisas pessoais também,

E quando eu falei da minha mudança,

Eu vi que muitas pessoas quiseram saber mais,

Porque muitas pessoas se identificaram com o que eu falei,

Com o que eu estava sentindo.

O que que acontecia comigo?

Eu basicamente poderia falar que eu tinha uma vida de sucesso,

Sucesso não no sucesso pessoa famosa,

Sucesso é que eu brinco que eu dei o checklist da vida.

Então,

Eu morava em São Paulo,

Num apartamento super legal,

Eu tinha uma turma de amigos super legais,

Eu estava vivendo a profissão que eu sempre gostei,

Não era nem que eu tinha uma profissão que eu não gostava,

Eu sempre gostei da minha profissão,

Eu gostava de estudar,

Eu tinha uma agenda lotada,

Lista de espera de pacientes,

Eu estava ganhando bem.

Então assim,

Eu viajava nas férias,

Eu realmente,

Quando você olha a vida dessa lente,

A lente que eu brinco,

Que todo mundo ensinou pra gente que é isso que você deve almejar e alcançar nessa vida.

— A formulinha perfeita,

Né?

— É,

A vida perfeita.

Eu olhei e falei,

Ok,

Eu tenho uma vida perfeita,

Eu alcancei tudo.

Eu me formei,

Eu sou uma profissional que alcancei um certo,

Eu não gosto da palavra sucesso porque ela pode vir com uma ideia errada,

Mas é só pra facilitar a comunicação.

Então eu tinha sucesso na minha profissão,

Eu estava ganhando dinheiro,

Eu tinha minhas férias que eu viajava pro exterior,

Comprava minhas roupas,

Tinha o meu AP legal,

Minha turma de amigos,

Ok,

Zerei a vida.

Mas eu comecei a observar que eu não estava feliz e aquilo começou a me trazer uma certa angústia porque eu comecei a pensar,

O que é que tem de errado comigo?

Por que eu não estou feliz?

E eu comecei a achar que eu era uma pessoa ingrata,

Que eu não estava satisfeita,

Que eu estava reclamando de barriga cheia e não só eu sentia isso,

Né?

A gente ouve isso das pessoas também.

Quando eu pensava em começar a falar de alguma coisa desse tipo,

Várias vezes as pessoas falavam pra mim,

Porque tem muita gente que adoraria estar no seu lugar,

Então não reclama,

Tem gente que não tem o que comer e você está aí reclamando de coisa pequena,

Então aquilo desqualificava muito o que eu estava sentindo.

Então eu me silenciava.

Você ignorava?

Eu ignorava sim,

Eu não vou nem dizer que eu ignorava,

Eu vou dizer que eu enterrava isso lá no fundo,

Engolia seca e falava,

Bola pra frente,

Vida que segue você não tem direito de reclamar.

E aí eu comecei a viver essa vida meio robótica,

Pensando o que mais eu preciso alcançar pra ser feliz?

Será que eu preciso me casar?

Será que eu preciso ter filhos?

De novo a gente volta pro checklist da vida perfeita que a gente foi ensinado,

A vida da Disney.

Será que eu tenho que casar e ter filhos?

Será que eu tenho que morar num apartamento maior?

Será que eu tenho que ter um cachorro?

O que está faltando?

Então eu estava sempre buscando fora,

O que está faltando que eu ainda não alcancei,

Que eu ainda não tenho?

Será que eu preciso ter mais roupa?

Será que eu preciso comprar um carro ou viajar mais?

E quanto mais coisas eu ia alcançando,

Eu continuava com aquele vazio dentro de mim e falava,

Duda,

Pra você ter uma ideia,

Levantar de manhã pra mim,

Eu tinha que me convencer a fazer aquilo,

Eu tinha que falar,

Mariana,

Você consegue,

É só mais um dia,

Você vai trabalhar,

Em algum momento seu dia vai acabar e você vai poder voltar pra casa.

E aí eu comecei a.

.

.

Mari,

Quanto tempo você ficou nessa?

Anos.

Anos?

Eu diria que facilmente de dois a três anos foi quando eu vi que a coisa estava feia,

Mas eu continuei.

Dois a três anos?

De dois a três anos que eu senti,

Sabe assim,

A revira embaixo do colchão?

Eu senti aquele incômodo,

Ele estava ali no cantinho e eu ignorava ele.

Por eu não me permitir sentir aquilo e também por muitas pessoas não me permitirem sentir aquilo.

As pessoas às vezes tentando me ajudar ou tentando me aconselhar,

Elas acabavam desqualificando o que eu estava sentindo.

As pessoas não olhavam pra mim e falavam,

Sério?

Por que você não muda?

O que você sente?

Muitas pessoas falavam,

Mari,

Você não tem do que reclamar,

Segue em frente,

A vida é assim,

A vida não são só momentos de felicidade,

A vida é difícil.

Eu acho que vem de crenças que a gente tem de não merecimento,

De que a gente precisa sofrer muito pra curtir o fim de semana,

Precisa trabalhar cinco dias pra curtir o fim de semana,

Precisa trabalhar 350 dias pra ter 15 dias de férias.

A gente tem essa concepção.

Sim,

Total.

Então parecia errado eu reclamar tendo essa vidinha perfeita,

Mas aí eu comecei a ver que não estava certo,

Sabe?

Que tinha alguma coisa errada e que eu tinha que fazer algo.

E isso envolvia começar a encarar o fato de que eu não estava feliz.

Isso pra mim foi o primeiro passo.

Foi aceitar que.

.

.

Mas assim,

Você lembra se você chegou um dia e você acordou e falou,

Meu,

Agora chega?

Como foi isso?

Eu vou te falar duas coisas que foram muito marcantes pra mim,

Que eu vi que eu falei,

Nossa senhora,

Realmente tem alguma coisa errada.

Primeiro,

Eu mudei de apartamento e de clínica e eu morava um quarteirão do meu trabalho.

E aí eu comecei a achar que eu tinha,

Assim,

Zerei a vida.

Porque pra quem não sabe ou quem não é de São Paulo,

Morar perto do trabalho é a melhor coisa que pode acontecer na sua vida.

É a melhor coisa,

Com certeza.

Eu morava dois quarteirões do meu trabalho,

Então eu ia a pé.

E eu comecei a falar sobre isso com as pessoas com um nível de,

Assim,

Meu Deus,

Sabe?

Alcancei o nível máximo de qualidade de vida.

Eu vou a pé pro trabalho.

E aí,

Depois de um tempo,

Eu comecei a pensar,

Assim,

Sério que eu acho isso o máximo da vida?

Que eu acho que,

Assim,

Eu não preciso de mais nada,

Eu sou muito feliz,

Uau,

Eu tenho tudo o que eu precisava porque eu vou a pé pro trabalho.

Tipo,

É com isso que eu cheguei a completar com isso,

Sabe?

Tipo,

Aí eu pensava,

Né?

Eu sempre gostei muito de viajar.

Eu falava,

Nossa,

Com o mundo inteiro,

Com tudo,

Com tanta vida que existe,

Né?

Com tantas coisas maravilhosas,

Eu realmente acho que o ápice da vida é morar perto do trabalho,

É isso.

Entendi.

Falei assim,

Tem alguma coisa muito errada.

Se eu tô achando que isso é o máximo que eu vou alcançar na minha vida,

Tem algo que não tá funcionando.

E uma outra coisa que aconteceu também,

Que o meu pai,

Ele teve um declínio na saúde nos últimos dois anos,

De várias coisas que foram se somando,

Né?

Um problema de coração,

Um problema de intestino,

Um problema de pele,

Uma doença autoimune.

E o meu pai sempre foi uma pessoa que trabalhou muito,

Que priorizou muito o trabalho na vida dele.

E ele sempre tinha uma ideia de que quando ele se aposentasse,

Ele iria curtir a vida com a minha mãe,

Viajar o mundo,

Morar em vários lugares.

Tipo assim,

Aquelas coisas que a gente também faz.

Ah,

Quando eu me aposentar,

Né?

Sim.

Que a gente deixa depois.

Que a gente fica planejando,

Né?

Quando eu tiver,

Quando,

Quando,

Quando,

Quando.

Quando,

O quando.

Isso.

E é o que aconteceu com o meu pai.

Quando ele se aposentou,

A saúde dele declinou.

E isso limitou muito,

Né?

Limitou bastante ele,

Limitou várias coisas.

Então,

Assim,

Aquilo pra mim.

.

.

Isso mexeu com você.

Foi uma coisa que eu diria que no Réveillon de 2018 pra 2019,

Aquilo ali literalmente me tirou o sono.

Porque a gente estava viajando,

Mas eu via durante a viagem as limitações do meu pai.

Coisas que ele queria fazer e não conseguia,

Ele não tinha energia,

Ele precisava descansar,

Ele precisava sentar.

E aquilo mexeu muito comigo,

Assim.

Até que pra mim o Réveillon de 2018 pra 2019 foi um Réveillon muito introspectivo.

Porque aquilo me deu um clique e me veio uma coisa na cabeça de assim,

A vida é agora.

A vida é agora.

O amanhã não é uma garantia.

E aí eu comecei a pensar,

Se de repente eu adoecesse hoje,

Né?

Se acontecesse qualquer coisa comigo hoje e eu ficasse acamada e eu tivesse alguma coisa,

Né?

Que não tivesse cura ou eu ficasse com muitas limitações.

Eu estaria muito satisfeita com o que eu vivia até hoje?

E a resposta,

Na verdade,

É que sim.

Só que eu iria ficar incomodada de pensar que eu poderia ter vivido muitas outras coisas além de trabalhar e ir a pé pro trabalho,

Sabe?

Entendi.

Olha que interessante.

Então,

Tudo isso que aconteceu com o seu pai te despertou isso,

Né?

Olha como na vida,

Gente,

As coisas.

.

.

Tudo a gente tira uma lição,

Né?

Por mais que ele tava lá naquela situação,

Foi o seu clique.

Você falou,

Cara.

.

.

Foi o meu clique.

É.

E tipo,

Isso não acontece só com o meu pai,

Né?

Isso pode acontecer com qualquer um de nós.

Eu acho que até 2019 foi um ano um pouco duro,

Né?

Aconteceu muita coisa,

Muitas pessoas próximas acabaram falecendo.

Sim.

Foi um ano que eu acho que foi meio um chacoalhão.

É.

E assim,

Pra mim veio essa coisa do.

.

.

A vida é agora,

Você tá viva agora.

Você pode viver coisas diferentes agora.

O amanhã é uma aposta.

Nossa.

E aí eu falei.

.

.

Falei.

.

.

Eu quero viver.

Eu quero viver.

.

.

Eu quero sentir que eu tô viva,

Sabe?

Eu quero sentir que.

.

.

Ser feliz e ser.

.

.

E me sentir alegre é mais do que ir a pé pro trabalho.

Nossa,

Que lindo isso.

Eu comecei a pensar nessa mudança de vida,

Né?

Eu pensar que eu queria muito mais dos meus fins de semana do que ficar deitada no sofá vendo Netflix.

Eu não aguentava mais chegar tudo e sair de casa todo dia às seis horas da manhã e voltar às nove horas da noite.

Aquela rotina que não te preenchia,

Né?

É.

E mesmo que eu pudesse fazer essa mudança em São Paulo.

.

.

Ah,

Trabalha um pouco menos,

Viaja pra praia.

A questão do custo de vida em São Paulo pra mim me pegou muito também,

Né?

Então,

Assim,

Pra eu conseguir ter mais qualidade,

Eu precisava de mais dinheiro.

No Brasil existe isso.

Você só consegue ter mais qualidade de vida se você tiver mais dinheiro.

Pra você ter mais dinheiro,

Você precisa trabalhar mais.

Trabalhar mais.

Eu achava.

Sim.

Pra eu conseguir passar todo fim de semana na praia,

Eu teria que trabalhar ainda mais do que estava trabalhando.

Então,

Eu falei.

.

.

Bom,

Aí é que eu acho que a vida te manda sinais.

Aí,

Conversando com um amigo meu,

Ele me mandou uma frase.

E falava assim.

.

.

Você não se cura no lugar que você adoeceu.

Nossa,

Eu já ouvi essa frase.

É muito maravilhosa.

Muito.

Nossa.

Aquilo pra mim foi assim.

.

.

Você precisa ir embora.

Sério?

Você sentiu isso?

Você sentiu?

Eu senti medo.

Eu senti medo do que os meus pais iam falar.

Eu senti medo do que os meus pacientes iam pensar de eu ir embora.

Eu senti medo da questão financeira.

Eu senti medo de tanta coisa.

Mas o meu lema de 2019 foi.

.

.

E se ter medo,

Vai com medo mesmo.

Eu me comprometi em 2019 a aceitar desafios,

Mesmo que eu tivesse medo.

Coisas que eu geralmente não faria.

Eu me encheria de desculpas,

Mas eu não faria aquilo.

Nossa.

E eu resolvi que eu ia primeiro falar sim,

Depois eu ia pensar.

Pra tudo.

Então,

Eu recebi um convite,

Por exemplo,

Pra dar aula pra 200 médicos.

A Ana de antes falaria.

.

.

Deus me livre.

Que eu tinha um compromisso no dia que eu não ia poder.

Aí eu brinquei com a Mariana em 2019.

Primeiro falou que sim,

Se comprometeu.

E depois pensou,

Meu Deus,

Que besteira que eu fiz.

Sabe?

Eu sei,

Eu sei.

Eu fui fazendo muito disso.

Eu fui primeiro sentindo medo.

Falando,

Ok,

Medo.

Eu vejo você aí,

Mas eu vou fazer isso.

E aí eu fiz tudo com a ajuda de um planejador financeiro.

Então foi nada que eu fiz na louca.

É isso que eu ia te perguntar.

Você se planejou.

Você ficou.

.

.

Você foi final de 2019.

Não,

Foi no meio que você foi.

Foi no meio.

Então,

Assim,

Você ficou no primeiro semestre,

Você foi se planejando.

Foi.

.

.

E foi desenhando tudo.

Não foi do nada,

Né?

Não,

Não foi.

Até porque eu acho que pra viajar de uma forma tranquila,

A gente precisa de planejamento.

Sim.

A história de confiar em Deus mais tranca o cabo.

Então,

Assim.

.

.

Essa é boa.

Gostei.

Faça uma mudança.

Uhul,

Que legal.

Mas assim,

Se planeje.

Vê de quanto dinheiro você tem ou de quanto dinheiro você precisa.

Por isso que eu decidi ter seis meses pra eu trabalhar,

Juntar dinheiro,

Diminuir meus custos.

Ô Mari,

E uma pergunta que as pessoas que a gente tem em comum,

Quando eu comentei que você ia morar em Bali,

Que falavam,

Gente,

Mas ela vai sozinha?

Ela tá indo sozinha?

Ela conhece alguém?

Gente,

Ela tá indo sozinha?

Ela vai?

Não,

Eu ouvi isso de tantas pessoas.

Como que foi isso?

Como que foi?

E eu acho que,

Assim,

Na verdade,

Tudo.

.

.

Eu respondi,

Inclusive,

Esses dias,

Uma pessoa que me mandou no Instagram,

Falando que ela tem pânico de viajar sozinha,

Porque ela acha que várias coisas podem acontecer.

Eu falei pra ela assim,

Quando eu mudei pra Bali,

Eu tive que aprender a dirigir moto,

Porque aqui todo mundo anda de moto.

Não existe carro,

Não existe ônibus,

Não existe bicicleta,

Ninguém faz isso,

Ninguém anda nem a pé dirigindo.

Todo mundo se move de moto.

E eu tinha medo absurdo disso.

Eu pensava,

Assim,

Que eu ia sofrer acidente,

Que eu ia me machucar,

Eu tinha pânico.

E aqui ainda é mão inglesa,

Ainda é mão invertida.

Então eu tinha um medo absurdo.

Tanto medo,

Que esse medo começou a me paralisar.

E aí eu falei assim,

Nossa,

Eu preciso enfrentar esse medo.

Só que eu preciso de ajuda.

E eu comecei a pesquisar na internet,

Né?

Podcasts,

Instagram,

Livro,

Tudo isso.

E eu encontrei um podcast de um cara que eu não lembro agora.

E ele falou que assim,

Que era uma forma de você enfrentar o seu medo.

E ele falou uma coisa que eu achei muito valiosa.

Ele disse assim,

Quando você sentir medo de alguma coisa,

Entenda que o medo tá tentando te proteger de algo.

Certo.

Então senta e conversa com o seu medo.

Ao invés de ignorar ele.

Exato.

É aquela expressão que eles falam em inglês,

Né?

Sit,

You have to sit with your feelings.

Pior que seja.

Exato.

É.

E ele falou uma coisa que eu achei incrível.

Ele falou,

Senta com o seu medo e conversa com ele.

Fala,

Oi medo,

Tudo bem?

Eu tô te sentindo.

Isso.

E eu sei que você quer me proteger de algo.

Tipo assim,

Tenta fazer uma amizade com ele,

Né?

Não note que ele é seu inimigo.

Exatamente.

É.

E aí você vai pensar.

E eu literalmente um dia eu respirei e falei,

Medo,

Eu tô te vendo.

Toda vez que eu penso numa moto,

Você aparece.

Do que exatamente que você tá tentando me proteger?

E aí eu pensei,

Né?

E aí o cara,

O que ele falou é assim.

Ofereça soluções para o seu medo.

E fale pra ele,

Tipo assim,

Deixa comigo,

Eu resolvo.

Nossa,

Que genial isso.

Porque eu tenho muito medo,

Porque eu tenho medo de sofrer um acidente.

Aham.

Vai falar,

Ok,

Então vamos fazer uma coisa.

Eu sempre vou usar capacete.

Eu vou muito devagar,

Muito devagar mesmo.

E eu,

No começo,

Só vou dirigir em ruas pequenas e de dia.

Então,

Relaxa.

Nossa,

Mari,

Só de ouvir isso,

Juro.

Só de ouvir você falando,

Eu já sinto um alívio.

Sabe?

Um alívio.

Um alívio.

Pensa,

Meu,

Tá tudo bem.

Tá tudo bem.

É imediata a mudança.

É?

É imediata.

Nossa,

Que mudança.

Porque eu mendo rápido e falo,

Ah,

Então tá bom.

Então se você vai se proteger,

Eu não preciso mais existir.

Nossa.

Então,

Pra mim,

Eu comecei a usar essa técnica pra muitas coisas.

Nossa,

Eu vou começar a usar essa técnica agora pra tudo na vida.

Achei genial.

Você senta com ele e fala,

Ah,

Tudo bom?

Eu tô te vendo aí.

Do que exatamente que você quer me proteger?

A gente pode usar isso,

Por exemplo,

Até pra relacionamentos,

Né?

Sim.

Ah,

Eu conheci um cara,

Eu tô afim dele,

Mas eu tô com muito medo,

Eu não vou mandar mensagem.

Senta com medo e fala,

Edu,

Do que você tá tentando me proteger?

Ah,

Eu acho que se você mandar mensagem,

Você vai ficar muito disponível.

Tá,

E qual que é o problema disso?

Então,

Assim.

.

.

É uma conversa que você tem que ter,

Né?

Você tem que ir conversando.

E às vezes,

Até isso foi uma coisa que eu aprendi no curso de yoga aqui.

Sempre que você começa a questionar os seus medos,

Você vai encontrar um fundo que é alguma necessidade primária sua que não está sendo atendida.

Então,

Quando você vai cavando,

Tirando todas as camadas,

Você sempre vai voltar pro eu quero ser amada,

Eu quero ser aceita.

A sobrevivência,

Né?

O medo de não sobreviver.

Que aí entra,

Eu acho,

Muito depois que a gente pode falar a questão da alimentação,

Da fome,

Da compulsão alimentar.

Então,

Sempre que você escava os seus medos e os seus hábitos nocivos,

As coisas que te paralisam,

Você encontra alguma coisa relacionada a uma necessidade básica de sobrevivência,

De amor,

De pertencimento.

Que às vezes tem muito a ver com a nossa infância,

Né?

De coisas que a gente carrega,

De traumas,

De situações.

Que o nosso corpo vai armazenando tudo isso.

Fica na memória celular até,

Né?

É uma coisa muito forte.

E a gente não tem muitas vezes consciência disso.

Aí foi muito engraçado,

Porque viajar sozinha,

Estar sozinha,

Nunca foi uma coisa que eu tive medo.

Quando eu tinha 14 anos,

Eu fui convidada pra trabalhar como modelo.

E eu mudei da minha cidade de Natal,

No Rio Grande do Norte,

Pra São Paulo.

Sozinha,

Com 14 anos,

Por uma decisão própria.

E fui morar sozinha.

Com 15 anos,

Eu fui morar em Milão.

Com 19 anos,

Eu fui morar no Canadá.

Depois,

Com 21,

Eu fui morar na África.

Então,

Isso sempre foi uma coisa da minha natureza.

Então,

Não é um medo meu.

Mas muitas pessoas questionaram isso.

Você não tem medo,

Meu Deus,

De ficar sozinha,

De ir sozinha pra outro lado do mundo?

E aí,

Pras pessoas que me perguntavam isso,

Eu fazia essa mesma conversa.

Eu falava,

Mas do que exatamente que você tem medo?

Ah,

Não sei,

De ficar sozinha.

Eu falava,

Mas por que a solidão te dá medo?

Aí você vai encontrando,

Na verdade,

Não tem nada a ver com viajar sozinha.

Tem a ver com algum medo que a pessoa tem.

E me marcou muito uma mulher que ela me mandou uma mensagem,

Assim,

Ela falou,

Nossa,

Não te traz ansiedade estar do outro lado do mundo,

No fuso horário trocado,

Não saber o que tá acontecendo no Brasil.

Ela falou que isso causaria um nível de ansiedade altíssimo nela,

O fuso horário.

Enquanto eu tô dormindo,

A vida tá acontecendo no Brasil e eu não estou ciente.

E eu falei pra ela,

Mas por que isso te causa medo?

Falei,

Será que você não tem uma necessidade de controlar tudo?

Não estar no controle te deixa ansiosa?

Na hora ela falou,

Sim,

É exatamente isso.

Aí ela falou que ela é muito,

O filho dela sofreu um acidente e depois disso ela ficou maníaca por controlar tudo e tá,

Assim,

Consciente de tudo que tá acontecendo.

Então você vê que tudo que a gente tem essa coisa do medo,

Seja qual o medo for,

Se você aprofundar um pouco mais,

Você vai encontrar uma raiz desse medo.

E aí o medo da moto,

O medo de viajar,

Eles são só sintomas.

Você,

Na verdade,

Não tem medo de viajar sozinha.

Você tem medo,

Talvez,

De ter uma necessidade e não pertencer a nenhum grupo.

E isso pode te causar uma sensação de abandono.

Ou você pode ter medo por ser uma mulher viajando sozinha e você ter algum risco de ser violentada ou de ser abusada.

Se você for pensar,

Isso talvez também te traga alguma coisa,

Alguma coisa da sua infância.

Então os medos da gente,

Eu vejo mais eles como sintomas de coisas que a gente tem que aprofundar.

Porque esse processo de conhecimento é essencial,

Até pra nutrição.

É,

Sim.

Então assim,

Pra gente deixar assim,

Eu acho essa sua técnica,

Vamos dizer,

De conversar com o medo,

Isso que você dividiu,

Eu achei maravilhoso.

Eu acho que muitas pessoas podem se beneficiar e já colocar em prática.

Então assim,

Dê o medo,

Senta com o seu medo e conversa com ele.

Começa a conversar,

Começa a questionar e não tenha medo também do que vai vir à tona,

Né Mari?

Isso é muito importante,

Porque vai vir muita coisa ruim.

Quer dizer,

Na maioria vão vir coisas ruins,

Né?

Esse processo de desenvolvimento da espiritualidade,

Que eu sempre gosto de falar muito,

Porque a palavra espiritualidade é muito parecida com espiritismo.

Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Espiritismo é uma religião e espiritualidade é um processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento,

Que pode envolver terapia,

Meditação,

Escrever diário,

Que eu sei que é uma coisa que você gosta muito.

É você fazer um processo de investigação de você mesma,

Do seu passado,

Do que você quer.

Não tem nada a ver com religião,

Tá?

Então eu sempre gosto de falar,

Antes de falar de espiritualidade,

Gosto de falar isso,

Pra deixar muito claro ao que eu tô me referindo.

Então assim,

O processo de desenvolvimento da sua espiritualidade,

Ele não é um mar de rosas.

Não.

Porque vem coisas que você não quer,

Que você queria,

Preferia esquecer.

Tem coisas que você tem vergonha de já ter feito,

De já ter vivido e você não quer nem lembrar daquilo.

Tem relações,

Você pode ter passado por relações abusivas,

Tanto relações familiares,

Quanto relações de trabalho,

De você deixar as pessoas abusarem psicologicamente ou fisicamente de você.

Então vem muita coisa que às vezes a gente realmente não quer ver e quer esquecer.

Então,

Às vezes,

Surge uma situação que você tem que perdoar uma pessoa,

Ou pedir perdão,

Ou pedir um esclarecimento do que aquilo aconteceu.

Então é difícil.

Não é fácil.

Então a gente vai ser tomado por esses sentimentos.

Mas assim,

Acho que é legal a gente falar que existe um caminho que a gente pode seguir.

Eu acho que eu não diria que a gente consegue se curar disso,

Porque acho que não tem cura,

É um processo que você vai ter que dizer no dia após dia.

Acho que não vai chegar um dia que você vai falar,

Pronto,

Agora não tenho mais medo de nada,

Já sei todos os meus traumas.

Não,

Não é assim.

A vida inteira a gente vai ter.

E eu acho que quanto mais a gente vai se aprofundando,

Mais a gente vai dizendo as coisas,

Tendo novas experiências,

Novas situações,

Mais coisas a gente vai descobrindo que a gente tem medo.

Não é muito assim?

É.

E o que eu acho que é a grande diferença,

Eu não acho que essas coisas são uma coisa que você vai lá e arranca de dentro de você e nunca mais.

Mas você cria consciência.

Você fala,

Ah,

Agora eu entendo.

Isso,

Exato.

Não quer dizer que você nunca mais vai ter uma crise de compulsão.

Não.

Mas quanto mais consciente do ato,

Do porquê,

O que tipo de sentimento eu tô tentando abafar,

Porque que eu tô deformando o meu corpo,

Você começa a mudar a sua forma de encarar aquilo,

Você encara com muito mais compaixão e empatia com você mesma.

E você consegue sair da situação,

Eu acho,

Mais rápido.

Na hora que você cria consciência e fala,

Ó,

Tá acontecendo.

Aí você começa a observar,

Você vê que você não é aquilo.

Você não é aquela pessoa.

.

.

A volta é muito mais rápida.

Isso,

A volta.

.

.

Eu poderia ficar anos.

Exato.

Eu poderia estar até hoje sem saber dirigir moto.

Mas quando você cria,

Eu acho que esse processo de espiritualidade,

Desenvolvimento da espiritualidade,

Eu brinco aqui,

O papão é muito mais rápido.

Você vai,

Entra naquele comportamento,

Mas,

Opa,

Peraí,

Volta aqui.

Esse vai e vem,

Ele se torna cada vez mais rápido e mais eficiente.

Isso não quer dizer que você nunca mais não vai sentir medo.

Você vai sentir medo,

Você vai ter um comportamento nocivo,

Só que você vai estar muito consciente.

E aí,

Às vezes,

Você escolhe não fazer aquilo,

Você escolhe parar,

Você escolhe sair daquela relação,

Mas é uma escolha consciente,

Né?

Então,

A escolha que você faz com o seu coração,

Sua intuição,

O amor próprio.

Você não faz aquilo porque as outras pessoas estão falando,

Porque o seu terapeuta mandou,

Ou porque as suas amigas falaram.

Nossa amiga,

Termina com ele.

Você faz aquilo como escolha.

Isso não quer dizer que você não vai sofrer,

Que você não vai ficar triste,

Que você não vai ter uma recaída.

Por isso que eu acho que esse processo é muito bonito,

Porque ele é muito humano.

Ninguém aqui quer ser perfeito,

Mas a gente pode melhorar.

Exato.

E,

Ô Mari,

Agora eu queria até,

Vou voltar em duas coisas que você falou pra gente falar um pouco da alimentação,

Né?

Que é um assunto,

Assim,

Muito extenso,

A gente vai tentar enxugar um pouco.

Mas.

.

.

Porque eu acho que nós duas,

A gente passou por coisas,

Assim,

Parecidas.

E eu acho também que muitas mulheres passam,

Né?

Sofrem com essa coisa de alimentação,

De dieta.

E.

.

.

Até quando você tava falando,

Antes de você mudar pra Bali,

Que você tava passando por todo aquele momento difícil,

Eu acho que a questão da alimentação ali deve ter pegado muito sorte com você,

Da questão.

.

.

Eu lembro até que você comentou comigo,

Naquela época,

Duda,

Eu fazia tudo certinho,

Eu fazia dieta,

Nossa,

Eu não comia um grama mais,

Um grama menos,

Eu treinava todo dia,

Eu fazia tudo,

E meu corpo,

Não,

Mudava.

Lembra que você comentava isso comigo?

Eu não emagrecia,

Eu não saía do lugar,

Pelo contrário,

Eu só me sentia mais cansada,

Até você falou,

Tinha dia que eu não queria acordar.

E isso me faz refletir também uma coisa que eu passei por.

.

.

Quando eu comecei a entrar nesse mundo saudável,

Foi depois de tudo que eu passei,

Da minha doença,

Que eu tive um ADC em 2013,

Então depois daquilo eu decidi mudar de estilo de vida,

Mudar a minha alimentação,

Mudar a forma como eu vivia mesmo,

E eu comecei a sentir os benefícios da alimentação,

Até a Mari,

Eu acho que eu não falei isso ainda,

A Mari foi a primeira pessoa que eu me consultei em 2013,

Depois de tudo que aconteceu e eu a conheci como nutricionista,

Então a gente tinha aquela relação nutricionista-paciente e daí comecei,

Ela foi me passando,

Montando passando o cardápio,

Eu comecei a sentir muita diferença,

Eu sou uma pessoa muito disciplinada,

Quando eu quero alguma coisa,

Eu consigo focar,

Eu tenho disciplina,

Eu sou persistente,

Eu faço a coisa certa.

Super disciplinada,

Super.

Então,

Eu até lembro que você falava tudo,

Lembra?

Exato,

Então olha o que foi acontecendo comigo,

Eu fui me jogando nesse universo,

Você me mandava dieta,

Eu fazia tudo certinho,

Eu fui começando a sentir diferença,

Eu comecei a me apaixonar por tudo isso,

Inclusive fundei uma marca de comida saudável,

Fiquei com 3 anos,

Enfim,

Esse mundo dessa nutrição,

De alimentação,

De bem-estar,

O wellness,

Não sei o que,

Começou a girar o meu mundo.

E até então,

Tava tudo muito bem,

Foi maravilhoso,

Eu consegui emagrecer,

Fiquei com um corpo super,

Vamos dizer assim,

Esteticamente bonito,

Eu era magra,

Tava tudo certo,

Por fora.

Ah,

Né?

Na parte estética,

Física,

Tava tudo certo.

Porém,

Chegou uma hora que isso passou do ponto.

Chegou uma hora que essa questão começou a virar uma obsessão,

Sabe?

Um comportamento muito radical,

Muito restritivo,

Eu comecei a me restringir,

Eu lembro que assim,

Quando você me mandava a dieta,

Eu imprimi eu imprimi as áreas,

Várias copos,

Deixava em todo lugar,

Eu tinha lá no celular,

Eu pesava tudo,

Assim.

Mas essa colher,

Esses gramas,

Exatamente,

Tudo a relaxar,

Uma colher.

Eu até tava lendo,

Gente,

Eu tava pegando uns e-mails que eu te mandava,

Falava gente do céu,

Como que a Mariana tinha paciência comigo.

Eram umas perguntas assim,

Ridículas,

Tipo,

Sabe?

A que agora nem lembro de tão ridícula.

Mas assim,

Era uma preocupação obsessiva,

Obsessiva com a comida.

Pra vocês entenderem,

Eram dúvidas do tipo,

Eu colocava lá pra comer seis morangos,

Ela queria saber o tamanho do morango.

Isso,

Era tipo isso.

Juro que era,

Acho que era tipo isso.

Diga mais ou menos quantos centímetros tem esse morango.

Coisa assim.

Era tipo isso.

Nossa,

Eu comecei.

.

.

O tamanho desse morango,

Catarina?

É,

Eu comecei a me encher de regras,

Comecei a me encher de.

.

.

Enfim,

Eu desenvolvi,

Eu tenho certeza,

Desenvolvi a ortorexia,

Né,

Que é um é um distúrbio alimentar.

E quando você fica muito obsessiva,

E você assim,

Eu não comia.

.

.

Gente,

Pra vocês terem uma ideia,

Eu não comia um tomate que não fosse orgânico fora de casa.

Eu ia num restaurante japonês,

Eu levava o meu shoyu macrobiótico,

Não sei das quantas,

Que a soja não é transgênica,

Que não sei o que,

Eram umas coisas assim,

Que não dava.

Ficou insuportável.

Isso é um cuidado e virou uma obsessão.

Virou uma obsessão.

E daí,

Eu comecei a desenvolver,

Desenvolvi essa ortorexia,

Né,

Também tive a menorrea,

Que foi,

Pra quem não sabe,

A menorrea é a perda do ciclo menstrual.

E com certeza,

Tudo que eu tava dizendo,

Estressou demais o meu corpo,

Sabe?

Essa obsessão por comer preceito,

Muito treino.

Eu achava que eu tinha que treinar todos os dias,

De domingo a domingo.

Super intenso.

E eu lembro também,

Eu tava vendo os históricos de e-mail que eu te mandava,

Eu lembro que nunca tava bom.

A cada plano alimentar,

Eu não queria mais,

Sabe?

Ai,

Mari,

Não,

Mas agora eu quero perder mais tanto,

Agora eu quero definir mais isso,

Agora eu quero ficar mais assim.

Nunca tava bom.

Nunca.

E é engraçado que hoje eu olho foto e falo,

Gente,

Do céu,

Mas olha como.

.

.

Eu só te interromper,

Porque hoje eu vi um post de uma mulher que fala sobre body acceptance,

Que é a onda da aceitação do corpo.

E ela falou assim,

A dieta e a magreza não trazem felicidade.

E eu,

Por um momento,

Eu pensei assim,

Ah,

Não sei se eu concordo com isso,

Porque eu conheço muitas pessoas que quando estão magras,

Se sentem mais felizes.

Ai,

Quando eu li a descrição do post,

Fez todo o sentido.

Ela falou assim,

Quantas vezes você já não viu fotos suas do passado e você pensa,

Nossa,

Olha como eu tava mais magra.

Exato.

Se você for lembrar daquela época,

Você não estava feliz.

Não,

Não tava.

Eu não via,

Mari,

Eu não enxergava.

Eu não enxergava aquilo.

As pessoas falavam,

Nossa.

Essa ideia que a gente tem de o dia que eu perder estes quilos,

O dia que eu tiver estes quilos,

Ficar feliz.

Gente,

Isso não existe.

Não é real.

Eu olhava.

.

.

Um ano atrás,

Dois anos atrás,

Eu falava,

Nossa,

Como eu tava magra aqui.

E eu lembro exatamente do dia,

Da data,

Que eu tava me sentindo gorda,

Horrorosa.

Nossa,

Exatamente.

Eu também,

Olha as fotos,

Eu lembro.

Gente,

Eu lembro desse dia,

Eu lembro assim,

Eu lembro eu saindo de casa com essa roupa e eu lembro de não me sentir segura,

De não me sentir bem,

De não estar consciente.

É muito louco isso.

Então,

Essa ideia que a gente tem,

Ela é errada.

Quando eu estar magra,

Eu vou ser feliz e segura.

Não,

A gente já esteve mais magra e a gente sempre achava que deveria estar melhor e que na época não estava.

Exato.

E hoje olhando,

Você fala,

Nossa,

Se eu tivesse esse corpo de novo,

Eu estaria tão feliz.

Exato,

Exato.

E eu não estaria,

Né?

Porque quando se você tivesse esse corpo de novo,

Você tá querendo estar diferente de novo.

É.

Então,

Assim,

Isso,

Eu filetando isso,

Você,

Imagino que você deve ter ficado nessa aí uns 3 anos.

Eu também acho que eu fiquei uns 3,

4 anos nessa e,

Cara,

Eu desenvolvi tudo isso.

E quem olhava pra mim de fora,

Achava que eu estava ótima.

Porque parece que magreza é um sinal de,

Assim,

A pessoa tá bem,

Ela tá feliz.

Só quando a pessoa tá magra,

Tá ali com o corpo definido,

Musculoso e tal,

Parece que as pessoas já batem e falam,

Não,

Ela tá muito feliz.

É isso que é felicidade.

Quem olhava o Instagram dos últimos 3 anos,

Achava que eu estava felicíssima.

Mas assim,

Ai,

Gente,

Eu gosto de rede social.

Muitas vezes a gente ali também posta uma coisa no pôr do sol,

Uma viagem,

Aquilo não é a nossa vida.

Exato.

A gente não posta as dificuldades Não,

Eu acho assim,

O Instagram,

A gente tem que a gente tem que saber,

É um recorte da nossa vida.

É só uma parte.

4.8 (22)

Avaliações Recentes

Bernadete

May 2, 2024

🙏

Solange

February 19, 2024

Maravilhosas. Gratidão ☺️🙏🏽

Francine

April 24, 2020

Amei

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