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Zazen - Meditação da Não Reatividade

by Templo do Cuidado Amoroso Eterno

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4.6
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Tipo
Atividade
Meditação
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Todos
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Meditação da não reatividade, orientada pelo monge Alcio Braz (responsável pelo Templo do Cuidado Amoroso Eterno). Como na pintura, nada de excesso, simplesmente o que é adequado em cada momento. Deslize na expiração e corte o excesso.

Transcrição

Sentindo o corpo ainda com a vibração dos exercícios,

Sente o corpo a partir dos pés,

Pernas,

Quadris bem apoiados nas almofadas,

Sente a consistência da almofada debaixo das pernas,

Da almofada debaixo do quadril,

Coloca a consciência no teu hara,

Deixa os ombros soltos,

O peito aberto,

A cabeça bem equilibrada no pescoço,

Deixa a respiração entrar e sair suavemente pelo nariz,

Sem forçar,

Mas também sem atrapalhar.

Consciência no hara,

Barriga solta,

Ombros soltos,

Peito aberto,

Coluna firme na postura.

Vamos procurar lembrar das etapas da meditação e a primeira é a etapa da intenção,

Aquilo que nos traz aqui hoje,

Exatamente nesse momento aqui e agora.

A gente falava lá em cima sobre a possibilidade de deixar alguma coisa que não é o hábito egóico se manifestar na gente,

Através da gente.

A gente falou sobre essa identidade do um em contraposição à identidade individual,

Fictícia.

Então que hoje a intenção possa ser experimentar isso que o mestre Eckart chama de quietação,

O aquietar corpo,

Mente,

Respiração,

Almofada.

Tudo que existe exatamente nesse momento,

Sem tirar nem pôr,

É a própria natureza de Buda.

Cada ego,

Cada corpo,

Cada mente,

Cada almofada,

Cada zendo,

Cada momento,

Cada respiração,

Cada inspiração,

Cada expiração.

Não se trata,

Portanto,

De escolher um modo melhor de funcionar do que outro,

Mas ao contrário,

Trata-se da gente experimentar ou se libertar desse agarramento a uma ideia fixa sobre eu sou.

Dogen Zenji falava sobre deixar cair corpo e mente na almofada.

Deixa cair a ideia de corpo,

Deixa cair a ideia de mente.

A gente fez alguns exercícios para a gente entender o que é habitar essa ideia de corpo e ter uma sensação.

Mas esse corpo não é meu corpo,

É um momento de corpo do nosso corpo inteiro.

Essa respiração não é a minha respiração,

É a respiração que me respira.

É a vida que veio fazer esse corpo funcionar.

Algo me inspira,

Algo me expira,

Algo funciona aqui.

E tudo que eu posso dizer sobre isso é só isso mesmo.

A minha opinião e minha forma de ver.

Algo que,

Na verdade,

Independe de mim.

Nenhum problema em se deixar possuir por essa narrativa,

Por essa funcionalidade,

Por essa identidade momentânea.

Tudo certo,

É assim que a gente funciona nesse mundo.

Mas meditar pode ser um exercício da gente soltar um pouco esse apertão dessa narrativa.

E a gente vai praticar isso não só aqui,

Mas a cada momento saindo daqui também.

Cada vez que a gente sentir uma reação automática,

Cada vez que a gente sentir uma reação afetiva,

Intensa,

Seja qual for.

Tanto de prazer,

Quanto de desprazer,

Tanto de gosto,

Quanto de não gosto.

A gente vai estar podendo ter a chance de examinar em primeira mão que narrativa é essa que a gente chama de eu.

Mas pra isso a gente vai ter que fazer um certo silêncio durante um tempo.

É claro que quando a gente treinar o suficiente,

A gente vai poder continuar observando mesmo quando tiver falando ou fazendo qualquer coisa.

Mas no começo a gente precisa dedicar um pouco mais de firmeza a esse exercício.

Então a gente vai ter que lembrar dessa intenção não só hoje,

Aqui e agora,

Mas o tempo todo essa semana.

Quando a gente tem aula de qualquer arte marcial ou arte pictórica no Japão,

A gente primeiro aprende a imitar a exaustão do professor.

Pra que aos poucos a gente possa abandonar o nosso jeito de fazer e deixar que alguma coisa se manifeste ali,

Que é o jeito dessa unidade,

O jeito desse vivente se manifestar.

Isso é extremamente chato e cansativo e irrita a gente,

Porque afinal de contas a gente tem o nosso jeito de fazer.

Então curiosamente a gente acaba voltando pro começo,

Pro jeito do Buda fazer.

Chamata e Vipassana.

Cada vez que vier uma vontade muito intensa de se contrapor,

Falar,

Fazer qualquer coisa,

Deixa a expiração fluir em silêncio.

De novo,

Eu não estou falando de evitar fazer coisas que tem que ser feitas.

Se uma criança vai atravessar a rua e vem um carro,

Você pode segurar a criança,

Segure a criança,

Mas segure em silêncio.

A questão aqui é aquelas coisas que provocam uma reação afetiva intensa,

Aquilo que realmente toca nessa identidade da gente.

Então quando vier aquela reação muito forte,

Procura simplesmente só sentar,

Entre aspas,

Só respirar,

Só expirar.

E começa a praticar aquele não que o Buda falou pra mulher que pediu a ele a fruta.

Poder dizer não pra aquele desejo de resposta,

Reação,

Comentário,

Opinião.

E observar o que acontece.

Só observar,

Sem entrar numa conversa consigo mesmo sobre isso.

Desliza na expiração e só observa.

Vipassana é manter um silêncio mental,

É poder observar sem ficar comentando o que está observando.

Se você fica comentando o que está observando,

Você não está fazendo chamada nem vipassana.

Você está só se dedicando a praticar o seu ego.

Então,

Cada vez que você puder simplesmente expirar em silêncio,

Expira.

E quando vier uma reação mental a isso,

Observa essa reação mental.

Isso é vipassana.

Dogen falava de zazen,

Essa possibilidade do caminho único.

Vocês vão ver isso escrito algumas vezes em sânscrito É o caminho único,

Por oposição a ficar chamando um caminho de Hinayana,

Mahayana,

Vajrayana.

Dogen e outros professores do século XIII no Japão usavam a expressão Ekaiana pra dizer qual era o caminho único.

E o caminho único pra Dogen era zazen.

Mas lembra,

Ele estava falando com uma plateia que sabia chamada e vipassana.

E é por isso que ele dizia,

O caminho que eu ensino está mais além do Hinayana,

Theravada e do Mahayana.

É o Ekaiana.

Mas pra isso a gente vai ter que praticar muito,

Chamar e vipassana.

Não como coisas menores,

Mas como essa possibilidade de oferecer o dom do tempo a essa prática.

Desenvolver disciplina,

Cultivar a energia dessa prática,

Ter paciência.

Desenvolver,

Portanto,

A concentração,

A meditação e chegar à sabedoria.

A gente está falando das seis parâmetros.

Quando você pinta sumiê,

O professor vai te dizer,

Procura ficar no centro,

No hara,

E deixa o braço seguir a expiração.

O sumiê não corrige um traço.

O traço sai do jeito que sai a expiração.

Na caligrafia também.

E você observa isso no jeito que o pincel toca o papel e no traço que é pintado.

Então,

Desliza na expiração.

Como na pintura,

Nada de excesso,

De tinta ou de traço.

Simplesmente o que é adequado em cada movimento.

Desliza na expiração.

Entende cada momento da sua vida como essa pintura,

Sumiê.

Desliza na expiração e corta o excesso.

Quando vier aquela vontade de florear a fala,

Florear o gesto,

Faz o que é necessário.

Quando vier a necessidade de descarregar alguma coisa,

Desliza na expiração e observa o que está querendo sair.

Não é reprimir,

É acolher observando.

Mas perceber que a expiração sai em silêncio.

O Buda ofereceu pra gente essa disciplina básica.

Ficar quieto em silêncio.

Só respirar ou só sentar.

Na verdade,

Quando a gente senta pra Zazen,

A gente está treinando as seis paramitas.

É isso que Dogen Zenji fala.

Zazen é uma manifestação das seis paramitas e é um treinamento nas seis paramitas.

Sentar,

Doar o tempo,

Doar a vida.

Disciplina,

Ficar quieto.

Seguir o que o corpo inteiro faz,

O corpo dos praticantes.

Paciência,

Sem expectativa.

Energia,

Persistência na prática.

Foco no centro,

No Hara.

Observar a dança da respiração,

Do corpo,

Da postura,

Do Zen Do,

Do mundo,

Em volta do centro.

Econimidade,

Aceitar o que vem como vem,

Vai como vai.

Meditação,

Sabedoria.

Quando você pretende ser um atleta ou um artista,

Um grande músico,

Um grande pintor,

Você vai descobrir que todo treinamento implica em passar quase que todo o seu tempo acordado praticando aquilo.

O pianista que tem que praticar oito horas por dia,

A ginasta que tem que praticar oito horas por dia.

Mas tem momentos em que eles têm aulas,

Treinamentos,

Mas a maior parte do resto do dia é um treinamento próprio.

Disciplina e construção de uma outra possibilidade de ser.

Então quando a gente senta aqui é como se fosse esse treinamento em conjunto,

Mas a nossa vida é um treinamento contínuo,

Prática contínua.

Esse é o sentido de Dogen Zen Chin.

E a gente pratica exatamente como qualquer pessoa que quer desenvolver alguma capacidade que normalmente não é desenvolvida.

O que ela faz?

Ela treina o dia inteiro.

Então a gente treina o dia inteiro também.

Mas dessa maneira que integra a prática no nosso dia a dia.

Chamata,

Vipassana,

Até o momento em que o Zazen vai começar a se manifestar.

Zazen não é uma técnica.

Zazen é alguma coisa que acontece quando você abre mão de todas as técnicas.

Então você realmente deixa cair corpo e mente na almofada.

Mas para isso tem que praticar muito Chamata e Vipassana.

E não é nenhum bicho de sete cabeças,

É apenas isso.

Quando vier aquela vontade de manifestar o ego,

Expira,

Só expirar.

Só sentar,

Só ficar em pé,

Só ficar na postura que você está.

Tranquilo e suavemente,

Só expirando e observando os afetos que vêm e que vão.

É uma dança permanente em volta do raro.

Não é para ficar se criticando ou se julgando.

É só percebendo que 95% do que a gente vai dizer ou fazer é totalmente inútil.

As pessoas se reuniam naqueles mosteiros porque elas percebiam que era possível um outro tipo de existência.

Mas que para isso elas precisavam praticar.

O mundo vai andando e as coisas vão se modificando.

Mas a gente carrega o nosso zendo o tempo inteiro com a gente.

A gente é um zendo,

A gente é um cenário.

E a gente pode convidar os outros a habitarem esse cenário,

Respeitosamente.

Quando você estiver dando aula de meditação,

Você pode convidar formalmente através da sua instrução.

Mas mesmo sem estar dando aula de meditação,

A sua vida é o cenário onde todos vão transitar.

Então observa esses atores,

Os atores de dentro e os atores de fora.

A dança desses atores.

Que a gente possa ser um foco de silêncio contemplativo essa semana inteira.

Um silêncio que contempla e um silêncio que é ativo.

Na hora que precisa ser ativo,

Esse silêncio possibilita que a ação venha do centro,

Venha do raro.

E não seja uma ação egoísta.

Mas uma ação em que flui esse um que a gente compartilha.

Mas para esse um fluir,

Tem que ter o silêncio.

Tem que ter o silêncio contemplativo.

Se você pretende ser um instrutor de meditação,

Olha para você mesmo como um instrutor de arte marcial,

Um instrutor de pintura de sumi,

Um instrutor de ikebana,

Um instrutor de qualquer arte vinculada ao Zen.

Alguém que se dedica a essa prática realmente.

Para se dedicar a essa prática,

É claro que você não precisa ser um irmão da ordem.

Um monge,

Seja lá o que for.

É claro que você precisa se comprometer com a sua prática.

E vai ser o que você tiver que ser.

O personagem que você quiser desempenhar,

Essa dança dos personagens que é a nossa sociedade,

Está tudo certo.

A questão é que você possa ser realmente um Zen Do.

Que a sua presença estimule a prática.

Mesmo que as pessoas não saibam bem o que é a prática,

Isso não importa.

Vocês têm que ser que nem aquele cara que sabe dançar,

Que quando chega na festa,

Tira alguém para dançar e a pessoa dança com ele.

Mesmo sem saber dançar.

Porque suavemente ele faz a dança fluir naquele momento.

Então é isso.

E quando a gente estiver acabando o nosso período de meditação,

A gente sempre coloca uma intenção no coração de continuar praticando e,

No nosso caso,

É continuar mesmo praticando.

E uma intenção de gratidão,

Seja lá o que for que a gente acredite,

Para a gente estar vivo e ter saúde suficiente,

Para a gente poder compartilhar esse momento.

4.6 (53)

Avaliações Recentes

Thiago

December 12, 2025

Ótimo conteúdo

Carla

March 19, 2021

Wow esta bateu forte! Muito bom!

Luis

February 14, 2021

Ótimas reflexões.

Marlene

January 4, 2021

Você proporcionou um momento de reflexão maravilhoso

Tatyana

January 26, 2020

Gratidão por esses minutos preciosos 🙏

Castro

January 25, 2020

Excelente!! ✨

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