
#119 – A Compaixão Como Fonte De Felicidade
O propósito da vida é alcançar a felicidade. Nesse episódio eu trago uma reflexão sobre o tema da compaixão, explicando porque ela é, na visão budista, uma potencial e genuína fonte da verdadeira e duradoura felicidade.
Transcrição
A compaixão como fonte de felicidade.
Olá,
Tudo bem?
Aqui é o Leonardo Otto e esse é o podcast Iluminação Diária 119.
Pra você saber mais dos recados que eu tenho pra te dar,
É só você ir na descrição desse podcast e se esse podcast te ajuda de alguma forma,
Você pode apoiar clicando no primeiro link aqui da descrição.
Nesse ensinamento,
Sua Santidade Dalai Lama diz O propósito da vida é tentar alcançar a felicidade.
Nós estamos aqui,
Existindo,
E temos o direito de existir.
Até os seres não-sencientes,
Como flores,
Têm o direito de existir.
Se qualquer força negativa for exercida contra ela,
Então as flores,
A nível químico,
Regeneram-se a si próprias para sobreviver.
Mas,
Mais do que isso,
Nós,
Os seres humanos,
Os insetos e até as amebas e os mais pequenos seres,
Somos considerados seres sem-cientes.
E como seres sem-cientes,
Nós temos ainda mais mecanismos para ajudar a sobreviver.
Coisas que conseguem se movimentar sobre a sua própria vontade ou desejo,
Isso significa ser sem-ciente,
De acordo com os debates que tive com o cientista.
Sem-ciente não significa necessariamente ser consciente ou ser humano a um nível consciente.
A verdade é que é difícil definir o que significa consciência ou consciente.
Normalmente significa o aspecto mais claro da mente.
Mas será que não há consciência quando estamos semi-conscientes ou inconscientes?
Será que os insetos têm isso?
Talvez seja melhor falarmos de faculdade cognitiva,
Em vez de consciência.
De qualquer forma,
O ponto principal que aqui estamos referindo,
Por faculdade cognitiva,
É a capacidade de experimentar sentimentos,
Dor,
Prazer ou sentimentos neutros.
Na verdade,
O prazer e a dor,
A felicidade e a infelicidade,
São coisas sobre as quais devemos analisar com mais profundidade.
Por exemplo,
Cada ser sem-ciente tem o direito de sobreviver,
E sobreviver significa ter um desejo de felicidade ou conforto.
É por isso que os seres sem-cientes lutam pela sobrevivência.
Portanto,
A nossa sobrevivência baseia-se na esperança,
Na esperança de algo bom,
A felicidade.
Por causa disso,
Eu chego sempre à conclusão de que o propósito da vida é a felicidade.
Portanto,
Com esperança e um sentimento de felicidade,
O nosso corpo sente-se bem.
Por conseguinte,
A esperança e a felicidade são fatores positivos para a nossa saúde.
A saúde depende de um estado mental feliz.
Então,
Está bem explicado aqui essa questão de ser sem-ciente,
Que todos os seres têm essa vontade,
Esse desejo intrínseco de ser feliz,
De não sofrer,
E isso inclui esses seres sem-cientes que a sua Santidade Dalai Lama acabou de explicar.
Por outro lado,
A raiva baseia-se num sentimento de insegurança e nos provoca medo.
Quando deparamos com algo bom,
Sentimos-nos seguros.
Quando algo nos ameaça,
Sentimos-nos inseguros e nos tornamos irritados.
A raiva é uma parte da mente que se defende daquilo que prejudica a nossa sobrevivência.
Olha que importante.
Até porque um ensinamento desse vai ter vários micro-ensinamentos dentro desse mesmo.
E aí a gente vai aprendendo também várias perspectivas de um grande mestre sobre determinados temas,
Determinados ensinamentos.
Isso aqui é meio que a definição do que é raiva.
Quando algo nos ameaça,
Sentimos-nos inseguros e nos tornamos irritados.
A raiva é uma parte da mente que se defende daquilo que prejudica a nossa sobrevivência.
Mas a raiva em si mesma faz-nos sentir mal e,
Portanto,
Em última instância,
Ela faz mal à nossa saúde.
O apego é um elemento útil para a sobrevivência.
Por isso,
Até as plantas,
Sem qualquer elemento consciente,
Têm no entanto uma parte química que faz com que elas se protejam a si mesmas.
E que ajuda em seu desenvolvimento.
O nosso corpo a nível físico é igual.
Mas como seres humanos,
O nosso corpo também tem um elemento positivo a nível emocional que nos leva a ter apego a alguém ou a nossa própria felicidade.
A raiva,
Por outro lado,
Com o seu elemento nocivo,
Leva-nos a afastar as coisas,
Inclusive da felicidade.
A nível físico,
O prazer que a felicidade traz é bom para o corpo,
Enquanto que a raiva e a tristeza que esta traz é prejudicial.
Portanto,
Numa perspectiva de luta pela sobrevivência,
O propósito da vida é ser feliz,
Ter uma vida feliz.
Este é o nível humano fundamental de que estou falando.
Não estou falando sobre o nível religioso,
Secundário.
A nível religioso,
É claro que existem explicações diferentes sobre a finalidade da vida.
O aspecto secundário é muito complicado e,
Portanto,
É melhor falarmos apenas no nível humano fundamental.
Como o nosso objetivo e propósito de vida é a felicidade,
O que é então a felicidade?
Às vezes,
O sofrimento físico pode até trazer um sentimento de satisfação mais profundo,
Como os atletas depois de um treino exaustante.
Por isso,
Felicidade significa principalmente um sentido de profunda satisfação.
O objetivo da vida,
O nosso objetivo,
Então é a satisfação.
A alegria,
Tristeza ou sofrimento,
Para estes existem dois níveis,
Um nível sensorial e um nível mental.
O nível sensorial é comum nos pequenos mamíferos,
Até insetos e moscas.
Quando o sol aparece num clima frio,
As moscas exibem um aspecto feliz,
Voando aqui e ali.
Numa sala fria,
Elas desaceleram,
Voam devagarzinho,
Dando mostras de tristeza.
Mas,
Se houver um cérebro sofisticado,
Então há até uma sensação ainda mais forte de prazer sensorial.
Além disso,
Porém,
O nosso cérebro sofisticado é o maior em tamanho e,
Portanto,
Também temos inteligência.
Considerem o caso dos seres humanos que não se sentem ameaçados fisicamente.
Têm uma vida feliz e confortável,
Bons amigos,
Salário e reputação.
Mas,
Mesmo assim,
Notamos que,
Por exemplo,
Alguns milionários,
Embora se considerem que são parte importante da sociedade,
Muitas vezes eles,
Enquanto pessoas,
São muito infelizes.
Em algumas ocasiões,
Eu conheci pessoas muito ricas e influentes que mostraram um sentimento de perturbação muito forte.
No fundo,
Tinham sentimentos de solidão,
Estresse e preocupação.
Assim,
A nível mental,
Eles sofrem.
Então,
Olha que importante pontuar essa parte.
A gente acha que felicidade é apenas a satisfação física.
Então,
A gente vai pra praia,
A gente consome algum bem,
Alguma coisa material,
A gente tem alguma experiência,
Um show,
Algum tipo de satisfação de coisas que a gente gosta.
Só que a gente lida com isso só no nível físico.
E aí a gente pensa,
Nossa,
Mas a pessoa que é rica não tem como ela ser infeliz,
Porque a gente entende assim,
Olha o tanto de satisfação que essa pessoa tem.
E aí,
Aqui a gente começa a entender o porquê essas pessoas têm insatisfação mesmo,
Às vezes,
Sendo ricos,
Porque senão o dono de banco ia ser as pessoas mais ricas do planeta.
E por que não são?
Porque a nível mental,
Elas não são felizes,
Ainda lidam com coisas,
Questões mentais,
Às vezes agitação mental,
Não sabem lidar com as emoções que têm,
Não sabem se relacionar direito consigo mesmo com o mundo.
Então,
Olha que interessante isso.
É bom a gente ir aprendendo a olhar essas coisas de uma forma mais profunda,
Pra gente entender.
Entendendo,
A gente pode aprender a lidar melhor.
Nós temos uma inteligência maravilhosa.
E por isso,
O nível mental da nossa experiência é mais dominante do que a nível físico.
A dor física pode ser mitigada ou subjugada por ele.
Um pequeno exemplo.
Há algum tempo atrás,
Eu desenvolvi uma doença grave.
Senti muitas dores nos meus intestinos.
Nessa época,
Eu estava em Bihar,
O estado mais pobre da Índia.
E passei por Bodhgaya e Nalanda.
Ali,
Eu vi inúmeras crianças muito pobres.
Elas estavam coletando esterco de vaca.
Não tinham instalações de ensino e senti-me muito triste.
Então,
Perto de Patna,
A capital do estado,
Tive muitas dores e suores.
Reparei numa pessoa idosa,
Doente,
Vestindo roupas brancas,
Muito,
Muito suja.
Ninguém estava cuidando dessa pessoa.
Era realmente muito triste.
Naquela noite,
No meu quarto de hotel,
A minha dor física era muito severa.
Mas a minha mente estava pensando nessas crianças e nesse velho homem.
Essa preocupação reduziu imenso a minha dor física.
Tomem,
Por exemplo,
Aqueles que treinam para os Jogos Olímpicos.
Fazem um treino muito forte e,
Independentemente da quantidade de dor e sofrimento que experienciam,
Eles se sentem felizes a nível mental.
Assim,
O nível mental é mais importante do que a experiência física.
Por isso,
O que é na vida realmente importante é a felicidade e a satisfação.
E aí eu complemento o que ele acabou de dizer,
A nível mental.
Porque a nível físico a gente pode suportar,
Mas a nível mental,
Às vezes,
É muito difícil.
Porque não tem para onde correr,
A sua mente está dentro de você.
Às vezes,
Até uma dor física você pode,
Não é o meu caso,
Não tomo remédio.
Mas quando você tem uma dor muito severa,
Por algum motivo,
Você pode tomar um remédio.
Aquilo também a nível físico é,
Vamos dizer,
Remediado.
É melhorado naquele momento.
E olha que interessante.
Não só saber o que é a felicidade nessa perspectiva humana,
A Sua Santidade da Leilão está explicando,
Nos ensinando,
Mas também saber o que causa a felicidade.
Então é legal também a gente saber o que causa a felicidade.
E aí,
Nesse ensinamento,
Sua Santidade prossegue.
Quais são,
Afinal,
As causas da felicidade?
Eu penso que,
Como o nosso corpo se sente bem com uma mente calma e não com uma mente perturbada,
Uma mente calma é,
Por si,
Uma mente calma é,
Por isso,
Muito importante.
Não importa a nossa situação física.
É mais importante a tranquilidade mental.
Então,
Como é que podemos tornar a mente calma?
Agora,
Eliminarmos todos os problemas seria impraticável.
E entorpecer a mente e esquecer os nossos problemas também não dá resultados.
Temos que analisar objetivamente os nossos problemas e lidar com eles,
Mas,
Ao mesmo tempo,
Manter a mente calma para podermos ter uma atitude realista e sermos capazes de tratar e lidar bem com esses problemas.
Relativamente àqueles que tomam tranquilizantes.
Bem,
Disso eu não tenho experiência.
Não sei se quando as pessoas tomam tranquilizantes a sua inteligência é apurada ou entorpecida.
Tenho que perguntar,
Por exemplo,
Em 1959,
Quando eu estava em Missouri,
A minha mãe,
Ou talvez tenha sido outra pessoa,
Andava agitada,
Com muita ansiedade e com sono perturbado.
O médico explicou que havia alguns remédios que podiam tomar,
Mas isso tornaria a mente um pouco entorpecida.
Pensei naquele momento que isso não seria bom.
Por um lado obtém-se um pouco de calma mental,
Mas,
Por outro,
Se o efeito for entorpecente,
Isso não será bom.
Eu prefiro uma outra maneira.
Prefiro ter a inteligência a funcionar na sua totalidade,
Atenta e alerta,
Mas não perturbada.
É melhor a tranquilidade mental não perturbada.
Para tal,
O afeto humano compassivo é realmente importante.
Quanto mais compassiva for sua mente,
Melhor funcionará o nosso cérebro.
Se nossa mente desenvolver o medo e a raiva,
Então,
Quando isso acontece,
O funcionamento do nosso cérebro piora.
Em certa ocasião,
Conheci um cientista com mais de 80 anos de idade.
Ele deu-me um de seus livros.
Acho que se intitulava Somos Prisioneiros da Raiva,
Ou qualquer coisa assim.
Ao falar de sua experiência,
Diz que quando desenvolvemos raiva a um objeto,
O objeto parece ser muito negativo.
Mas 90% dessa negatividade está na nossa projeção mental.
Isto veio da sua própria experiência.
O budismo diz o mesmo.
Quando a emoção negativa surge,
Não conseguimos ver a realidade.
Quando temos que tomar uma decisão e a mente está dominada pela raiva,
Então vamos provavelmente tomar a decisão errada.
Ninguém quer tomar a decisão errada.
Mas naquele momento,
A parte do cérebro e da inteligência cuja função é direcionar o certo do errado e tomar a melhor decisão funciona muito mal.
Até os grandes líderes têm experiência disso.
Portanto,
A compaixão e a afeição ajudam o cérebro a funcionar mais facilmente.
Além disso,
A compaixão também nos dá força interior,
Dá-nos autoconfiança,
Que reduz o medo e isto,
Por sua vez,
Mantém tranquila nossa mente.
Deste modo,
A compaixão tem duas funções.
Faz com que o nosso cérebro funcione melhor e dá-nos força interior.
Estas são,
Então,
As causas da felicidade.
Eu acredito que assim seja.
Então,
Como é que a gente pode aplicar isso na nossa vida,
No nosso dia a dia?
É desenvolvendo compaixão,
Porque a compaixão vai dar esses dois aspectos.
Ela vai fazer com que a gente tenha mais afeição,
Empatia pelos outros,
Que a gente se coloque no lugar dos outros.
Isso vai ser muito bom para o nosso cérebro.
E também vai nos dar força interior,
Autoconfiança.
Vai reduzir os nossos medos,
As nossas inseguranças.
Então,
É isso.
É simples,
Mas não é fácil.
A gente pega esses ensinamentos e aplica,
Vai desenvolvendo compaixão.
Como se colocar no lugar do outro,
Como ouvir o outro.
Porque isso vai nos dando essa capacidade de ser mais compassivo.
A gente vai aspirando que o outro não sofra,
Que ele supere as causas do sofrimento,
Que ele encontre a felicidade,
Que ele encontre as causas da felicidade.
A gente vai aspirando,
Mesmo com pessoas que a gente não conhece.
Com as pessoas que a gente conhece é mais fácil,
Porque às vezes a gente tem um contato maior,
Você pode conversar mais com essa pessoa,
Desejar isso para ela,
Falar isso para ela.
Ou você pode fazer isso mentalmente para as pessoas que você não conhece também.
Isso é uma boa forma de você desenvolver sua compaixão.
Então,
A gente também precisa pegar tudo isso e aplicar.
Então,
Vamos desenvolvendo compaixão,
Vamos praticando esses ensinamentos desses mestres.
E é como eu comentei em outro podcast.
As pessoas perguntam,
Mas como é que eu mudo?
Como é que eu melhoro?
Você vai ter que fazer exercício.
Quando você quer passar em uma prova,
Você não tem que estudar a teoria e fazer um monte de exercício para você ficar preparado para o dia da prova.
É a mesma coisa.
Se você ficar só ouvindo,
Ouvindo,
Lendo,
Lendo,
Lendo,
Assistindo,
Assistindo.
Só a teoria.
Mas você não aplicar,
Não fizer os exercícios.
Então,
Como é que você faz o exercício?
Você pega esse ensinamento,
Você ouve.
Eu sugiro sempre que você anote os pontos que você achou mais importantes para o seu contexto,
Para a sua vida.
E que você desenvolva a qualidade que o mestre aplique.
Que é o que?
A compaixão.
Então,
Como é que você pode fazer isso agora?
Você imagina uma pessoa.
Pode ser uma pessoa que você tenha dificuldade.
Pode ser uma pessoa que você goste.
Com uma pessoa que você goste vai ser mais fácil.
E você deseja que ela.
.
.
Você vai desenvolver a compaixão.
Então,
Você vai pensar assim.
Que essa pessoa,
Que ela não sofra.
Que ela supere as causas do sofrimento.
Se ela estiver sofrendo por qualquer coisa,
Você emana um amor,
Compaixão.
Você vai desejando isso para ela.
E aí,
Você vai fazendo isso com várias pessoas.
E com você mesmo também.
E aí,
Além da compaixão de vocês colocarem no lugar do outro.
Você se preocupar e querer cuidar do outro.
Você vai desenvolver uma autoconfiança de que você está nesse mundo para ser luz.
Para poder ajudar.
O que é ser luz?
Iluminado.
Você está aqui para beneficiar as pessoas.
E não para atrapalhar.
Você está aqui para ajudar.
Você está aqui para desbloquear.
Você está aqui para destravar.
Então,
É assim que você vai poder aplicar no seu dia a dia.
Então,
Aspiro que você aplique isso.
Eu agradeço esse momento por compartilhar um ensinamento tão precioso.
E gratidão até o próximo episódio do nosso podcast Iluminação Diária.
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