
Minha Infância e Sexualidade (E a De Muitos Homens)
Nenhum homem nasceu olhando para mulheres como um objeto sexual para saciar sua carência afetiva. Porém, devido à socidade em que vivemos, é muito comum que ao longo da vida de um homem surjam diversas ideias e crenças deturpadas, vindas de repressões sofridas na infância - por homens especialmente, mas também por mulheres. Esse podcast é a historia da minha vida e a de tantos outros. (Obs: esse podcast apresenta ruídos externos, pois foi gravado sem edição)
Transcrição
Amigas,
Amigos,
Fábio Manzori de novo,
Hoje eu vou fazer um podcast falando um pouco da minha história,
Que é a história de muitos homens,
Nesses dois anos que eu venho rodando o Brasil,
Fazendo círculos mistos e círculos só de homens,
Eu pude realmente perceber que a minha história não é só a minha história e que a minha história realmente,
O que eu vivi na minha infância,
Que foi uma castração emocional e que eu achava que só eu tinha passado por isso,
É a história de muitos homens e eu quero falar sobre isso eu já fiz um podcast sobre masculinidade tóxica,
Mas muita gente me pergunta do porquê que eu comecei a fazer esse trabalho com homens,
Que eu senti de fazê-lo num retiro de silêncio há três anos e quando terminou esse retiro,
Eu senti que o meu propósito era trabalhar com essa desconstrução de repressão emocional nos homens e de repressão sexual nas mulheres,
Que eu estou generalizando porque eu sei que tem homens reprimidos sexualmente e que tem também mulheres reprimidas emocionalmente mas no geral,
O que eu sinto e o que eu vejo é isso,
Homens extremamente reprimidos na emoção,
No lado emocional não conseguem se expressar,
Não conseguem sentir absolutamente nada por conta dos traumas de infância e condicionamentos que vêm da infância e mulheres com as dificuldades com relação a prazer,
Orgasmo também por conta de repressões advindas,
Especialmente dos primeiros sete anos que é quando a gente forma os principais condicionamentos que permeiam o nosso subconsciente e ficam,
E esses condicionamentos acabam,
Como que eu posso falar isso?
Eles acabam norteando os nossos próprios comportamentos,
Tanto mentais como os nossos comportamentos sociais também e eu tenho 39 anos,
Eu vim de uma gravidez bastante desafiadora,
Porque minha mãe teve depressão durante a gravidez porque o pai dela,
Meu avô materno faleceu e ele era o porto seguro da minha mãe e eu nasci,
Quase faleci no parto,
Eu e minha mãe,
O que minha mãe me fala é que a gente sobreviveu por um milagre a gente chegou a ser e a estar desacreditado pelos médicos,
Mas por alguma razão a gente não morreu e aí eu nasci com um pequeno problema no meu cérebro e eu tinha muitas convulsões na minha infância e sempre fui muito sensível,
Sou pisciano,
Não sou ligado,
Não tenho entendimento de astrologia,
Mas sempre que eu falo para alguém que eu sou pisciano,
A pessoa olha para mim,
Quando a pessoa conhece a astrologia e fala,
Só podia ser,
Você é muito sensível e etc e na altura dos meus três,
Quatro anos,
Eu tenho essa memória na minha mente que quando eu ia dormir,
Eu tinha medo do bicho papão,
Como muita criança,
E eu começava a chorar e eu ficava num quarto sozinho,
Nessa época eu tinha duas irmãs e alguns anos depois veio a terceira mas eu dormia sozinho,
Eu tinha medo do bicho papão,
Eu começava a chorar e a memória que eu tenho de várias noites que meu pai aparecia na porta do meu quarto,
Ele não me agredia fisicamente mas ele aparecia com uma expressão de ódio,
Com uma expressão de tipo psicopata mesmo e ele olhava para mim chorando e com um dedo em riste,
Ele me ameaçava e ele falava sempre a mesma frase engole o choro se não vai ter,
E além de um dedo em riste,
Na outra mão meu pai segurava um chicote de boi porque meu pai era fazendeiro nessa época,
Então ele me ameaçava,
Se eu não parasse de chorar de me bater com esse chicote,
E isso foi realmente uma castração,
Foi um estupro emocional que eu vivi na minha infância e eu tenho memórias,
Por exemplo,
De ter medo do escuro então eu chorava no escuro e meu pai me trancava no quarto escuro até eu parar de chorar eu não lido bem até hoje com o escuro,
É muito mais fácil,
Mas ainda me incomoda e com insetos também eu tinha medo de barata,
Porque minha mãe tinha pânico de barata e quando eu via barata ela surtava,
Gritava,
E aí como eu era menino eu não podia ter medo porque também não era coisa para homem,
E aí meu pai me trancava num banheiro empesteado de insetos e baratinhas,
E eu só saia de lá quando eu parava de chorar então ali eu sinto que o meu lado emocional e o meu lado sensível,
Ele foi tipo um morreu mesmo esse lado meu das emoções ficou completamente congelado,
E aí me vêm memórias a partir dos meus 8,
9,
10 até uns 13,
14,
15 anos de estar vendo desenho animado e de estar vendo também às vezes filmes de comédia romântica,
Filmes água com açúcar,
E tinha cenas que me emocionavam às vezes em desenhos e filmes,
E meu olho lacrimejava,
Eu lembro até hoje que se tivesse alguém do meu lado no sofá eu me jogava um pouquinho para trás,
Ficava com a coluna mais ereta para esconder meu rosto e aí eu fazia uma força descomunal para não deixar as lágrimas saírem e nessa época não entendia muito,
Eu tinha mais ou menos apagado os meus traumas de infância eu tinha esquecido disso nesse momento,
Depois isso voltou em terapia,
Com psicólogos mesmo antes de eu entrar na espiritualidade,
Então eu tenho essa memória de a partir desse momento ali da minha infância de realmente eu não conseguir mais chorar,
E eu sei que eu fiquei ali uns 30 anos,
Até meus 34 anos que eu devo ter chorado acho que umas 5 vezes,
E todas as outras lágrimas eu realmente suprimi e eu engoli,
E aí obviamente que eu me tornei um homem doente e abusador no sentido emocional com homens mais especialmente com ex-namoradas,
E eu não entendia nada do que acontecia comigo eu me sentia uma pessoa completamente doente,
E aí dentro do autoconhecimento,
Da espiritualidade de muitos retiros e longos,
Eu fiz trabalhos muito fortes,
De jejuns longos e silêncio longo e aí comecei a montar esse quebra-cabeça e entender que especialmente com mulheres eu vivia a misoginia e eu realmente me sentia péssimo por isso,
Mas eu não sabia o que fazer exatamente porque além de tudo que eu falei,
Eu aprendia na minha infância com duas irmãs que eu gostava de estar com elas,
De brincar com elas,
E de brincar de boneca por exemplo,
Porque eu não tinha irmão e aí meu pai também,
Ele me reprimia e falava que aquilo era coisa da mulherzinha e aí isso ficou na minha cabeça,
Esse lance da mulher ser um ser inferior e aí eu sentia raiva também porque era uma projeção da negação do meu feminino,
Da minha sensibilidade da minha compaixão,
Da minha intuição,
Do meu lado emocional completamente reprimido e como eu já falei em outro podcast,
Eu projetava isso nas mulheres especialmente,
Mas também nos homens gays que eu sempre disfarcei essa homofobia,
Mas no fundo,
Em algum lugar eu tinha uma repulsa interna com relação até à possibilidade de eu mesmo ser gay,
Eu já tive atração por homem algumas poucas vezes nessa vida eu só consegui abrir isso em 2017 num texto que eu escrevi no meu Instagram e no meu Facebook foi realmente muito libertador,
Então essas foram as principais marcas no meu lado emocional essa história com meu pai e eu estou às vezes dando umas gaguejadas porque essa é uma história que ainda mexe comigo para falar e eu não estou lendo nenhum texto,
Eu estou falando realmente tudo que está vindo e eu quero aproveitar também para falar de um condicionamento que eu sofri na minha sexualidade e que tem a ver com o lance de olhar para mulheres como objeto sexual e para mulheres como um condicionamento que existe no inconsciente coletivo de que tem uma mulher para casar e uma mulher para se relacionar sexualmente eu fiquei muitos anos achando que isso tinha vindo do meu pai,
Até que eu fiz um trabalho sagrado masculino um dos primeiros que eu fiz,
Que foi acho que no começo de 2017,
Meu pai estava presente e aí eu falei sobre esse condicionamento de olhar para a mulher,
Entre aspas,
Como puta e santa porque hoje eu não acredito mais nessa divisão e nem que a mulher,
Que para mim a mulher que eu via como para transar na verdade são as mulheres libertas,
Só que eu não entendia nada disso e eu estava condicionado e preso nessa visão dual,
De uma mulher eu posso casar e apresentar para a família e apresentar para a sociedade,
Mas eu só posso me relacionar sexualmente com ela de uma forma super careta porque afinal ela é uma santa,
E com a outra mulher eu posso expressar as minhas fantasias sexuais eu posso me soltar na relação sexual,
Porque ela é a mulher,
Entre aspas,
Que não presta eu espero que me entendam aí quem estiver me ouvindo,
Porque realmente não vejo mais assim mas eu sei que é assim que está no inconsciente coletivo e aí nesse trabalho que meu pai estava presente,
Depois que eu partilhei essas questões da minha sexualidade de ver a mulher dessa forma objetificada,
Meu pai falou que ele mesmo nunca tinha visto a mulher desse jeito e aí na hora eu pensei,
Nossa ou meu pai está muito inconsciente,
Não consegue perceber as distorções dele ou realmente eu não sei o que pode ter acontecido e aí começou a me vir memórias de muitas vezes na minha vida que eu ouvi mulheres próximas a mim especialmente amigas,
Que às vezes viam uma mulher de saia muito curta ou com um fio dental ou mulheres que expõem o seu corpo e essas amigas falavam,
Essa mulher não presta essa mulher não é para namorar,
Essa mulher é só para levar para a cama e aí isso também me condicionou e esse é um condicionamento que eu sigo trabalhando essa desconstrução da mulher como objeto,
Da mulher dividida em duas categorias porque na minha história sexual,
O que acontecia?
Eu só aceitava namorar com as mulheres entre aspas santas,
Mas eu sempre tive na verdade por alguma razão que eu não sei,
A minha química,
O meu tesão sempre foi para com mulheres mais libertas que realmente já não vivem essa repressão sexual,
Mas na época para mim não era assim eu via a mulher como puta e santa,
Então eu só poderia namorar com as santas,
Só que eu não tinha tesão por elas e eu só tinha tesão na hora da conquista,
Eu não entendia muito porquê,
Não entendia nada do porquê disso fui entender depois,
Como que era na prática,
Eu tinha tesão durante o momento de estar conquistando a mulher porque era como se inconscientemente eu quisesse colocar mais um troféu na minha prateleira de objetos conquistados e depois que eu sentia que a mulher estava entre aspas nas minhas mãos,
Que eu já tinha conquistado,
Que ela estava apaixonada eu perdia completamente a libido,
Ia para o nível zero,
Isso me incomodava muito eu achava que todas as relações eram assim e aí muitas vezes eu ia me relacionar sexualmente e aí eu já chegava para a relação sexual com essas ex-namoradas,
Que eu via como as santas pensando nas mulheres por quem eu tinha realmente fetiche e atração física e química e aí eu já chegava extremamente excitado também por um medo inconsciente de broxar e muitas vezes isso acabava com ejaculação precoce,
Eu não entendi absolutamente nada e aí em algum momento eu até escrevi um texto sobre isso que eu percebi que na minha vida até aquele momento eu vivia o sexo mental,
Completamente preso na mente,
Sem sentir,
Completamente preso em fantasias e muitas vezes transando e me relacionando com uma mulher,
Mas pensando em outra e era uma dor que eu carregava,
Porque para conseguir me manter nas relações eu acabava sendo infiel porque eu sentia uma necessidade de me relacionar com mulheres por quem eu realmente sentia libido isso era um peso e hoje eu agradeço todo esse peso e essa culpa que eu carregava das traições,
De transar até a traição de me relacionar com uma mulher pensando em outra,
Porque para mim também isso é uma traição hoje eu agradeço essa culpa,
Esse peso na consciência que me dava,
Porque foi o que me fez realmente começar a minha busca de querer me curar e a minha cura começou quando eu comecei a abrir essas questões há três anos com amigas,
Com ex-namoradas,
Com familiares,
Mulheres muito próximas e aí eu comecei a colocar isso para fora,
Comecei a me abrir,
Comecei a falar as verdades que me incomodavam muito inspirado na relação que eu tenho com o meu mestre Jesus Cristo,
Com quem eu tenho uma relação direta desde os meus sete anos de idade e para mim não é o Jesus que está na Bíblia,
E respeito aqueles que acreditam na Bíblia e na verdade eu nem li muito a Bíblia,
Mas o que eu sinto é que não é aquele Jesus,
Porque o que eu já ouvi da Bíblia de gente que lê a Bíblia é que está escrito lá que sexo é sujo,
Pecado e que Deus castiga eu falei um pouco disso no último podcast e isso para mim nunca fez sentido,
Mas através dessa conexão com Jesus e com frases muito simples que ele falou como a verdade vos libertará e realmente liberta eu comecei a me abrir,
Porque eu não aguentava mais segurar tudo isso dentro de mim e porque eu estava ali na altura dos meus 37 anos,
Eu comecei a achar que eu iria morrer de tanta dor que eu tinha acumulado,
De tantas lágrimas que eu tinha reprimido dentro de mim e ali em algum momento eu pensei,
Já que eu vou morrer,
Eu vou vomitar todo esse cocô que eu venho guardando a minha vida inteira porque eu quero morrer mais leve,
E aí eu comecei a falar sobre meus traumas de infância,
Especialmente e sobre a minha sexualidade também bastante,
E aí aos poucos,
Num processo,
Eu comecei realmente a me transformar hoje eu percebo também que eu passei muitos anos da minha vida sem conseguir sentir absolutamente nada que não fosse raiva por tanta repressão,
Eu só consegui acessar o sentimento de raiva que dentro do inconsciente é um sentimento considerado masculino então esse era o único sentimento que eu me permitia,
E eu quero finalizar esse podcast lembrando a quem estiver me ouvindo que se eu não posso sentir medo,
Se eu não posso sentir tristeza,
Se eu não posso sentir angústia e todos os sentimentos que o homem reprime,
E eventualmente mulheres,
Eu também ouço de mulheres nos meus trabalhos que elas também,
Às vezes,
Algumas,
É um número menor,
Mas que também reprimem mas se a gente não puder sentir as nossas vulnerabilidades,
Eu tenho convicção e afirmo para você que está me ouvindo esqueça da possibilidade de sentir amor,
Eu não estou falando sobre falar de amor,
Eu não estou falando sobre pensar em amor eu estou falando sobre se sentir,
Porque a gente literalmente é amor,
Na nossa essência,
A gente é uma alma,
A gente é um espírito e a gente é parte de um grande espírito que a gente chama de Deus,
Que é o amor incondicional e que é a vida e que é a verdade e a gente sendo um pedacinho disso,
A gente também é isso,
Então para a gente poder se sentir e sentir amor,
Que é o que a gente é a gente vai ter que primeiro aprender a desbloquear e poder acessar as emoções que estão renegadas e reprimidas dentro de nós tá bom?
Então agradeço a sua atenção,
Finalizo o podcast de hoje,
Em breve eu posto mais um um beijo no coração de todos e que Deus desperte em todos os seres visíveis e invisíveis de todos os planos com muito amor,
Fábio Manzolli
Conheça seu professor
4.8 (33)
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