25:32

No. 32 - Quando Algo Vai Mal | Podcast Autoconsciente

by Regina Giannetti

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Nosso cérebro é projetado para dar muito mais atenção a situações percebidas como negativas do que a positivas. E é bastante comum que a mente se enrede nessa negatividade, criando uma espiral de pensamentos pessimistas e preocupações. Isso em nada ajuda a sair da situação difícil: pelo contrário, amplia sua magnitude, nos desenergiza, desempodera. Precisamos fazer algo a respeito!

Transcrição

Nosso cérebro é projetado para dar muito mais atenção às situações percebidas como negativas,

Do que a positivas.

E é bastante comum que a mente se enrede nessa negatividade,

Criando uma espiral de pensamentos pessimistas e preocupações.

Isso em nada ajuda a sair da situação difícil.

Pelo contrário,

Amplia a sua magnitude,

Nos desenergiza,

Desempodera.

Precisamos fazer algo a respeito.

Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,

Um podcast que entende você,

Para você se entender melhor.

Sou Regina Gianetti,

Criadora do programa de autogerenciamento Você Mais Centrado,

Para a gente ter mais foco,

Bem-estar e paz com a gente mesma.

Eu faço esse podcast para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.

A minha intenção é que,

Ao terminar um episódio,

Você se sinta melhor do que quando começou.

Se este é o primeiro episódio que você escuta,

Eu te convido a escutar o número zero,

Em que eu apresento a proposta desse podcast e justifico a ideia de estarmos mais autoconscientes desse mundo louco em que a gente vive.

Episódio 32 – Quando algo vai mal Um dia desses eu estava na papelaria,

Aguardando um serviço de impressão.

E dois homens conversavam do meu lado.

Deviam ser dois amigos que tinham se encontrado lá,

Casualmente.

Um deles era um senhor de sessenta e poucos anos,

E esse senhor,

Ele desabafava os problemas que estava tendo nos negócios.

Que depois da recessão na economia,

As coisas ficaram difíceis,

O faturamento havia caído muito,

Foi preciso dispensar pessoal e o mercado não estava reagindo.

O empresário se queixava do país,

Dos impostos,

Da burocracia,

Do governo,

Dos políticos e tudo mais.

Estava muito amargo,

E tinha lá as razões dele.

Num certo momento o amigo,

Talvez querendo animar um pouco a conversa,

Perguntou sobre o filho do empresário.

– Ah,

E como vai o seu filho mais novo?

Ele estava para se formar,

Não é?

Já se formou?

E o senhor disse que sim,

Que o filho havia se formado,

E que agora estava procurando emprego.

Mas emprego estava difícil na situação do país,

E que depois de tanto esforço para se formar,

O filho provavelmente iria ganhar uma mixaria,

Se é que iria arrumar trabalho,

Porque a economia está estagnada e coisa e tal.

Aí o amigo saiu com outra pergunta.

– Ah,

E a sua netinha?

Faz tempo que eu não vejo ela.

Com quantos anos ela está?

E o senhor falou que a netinha já tinha feito cinco anos,

Que ela era muito inteligente e que os pais estavam procurando escolinha para ela.

Mas as escolas estavam muito caras,

E escola pública é que não iria ser,

Porque a educação pública no país está quebrada.

E começou a reclamar de novo.

E o amigo,

Que não se dava por vencido,

Tornou a assuntar.

– E a pescaria?

Tem saído com o pessoal para pescar?

E o senhor respondeu.

– Ah,

Eu não tenho pescado,

Não.

Com tanto problema,

Eu não tenho cabeça para essas coisas.

Naquela altura,

O meu serviço de impressão ficou pronto,

E eu saí de lá sem saber se o amigo conseguiu animar um pouquinho que fosse o empresário.

Mas estava difícil,

Né?

Às vezes,

Quando algo vai mal na vida,

A gente entra num estado de negatividade que afeta a nossa perspectiva até daquilo que não está mal.

Do ponto de vista do amigo,

Havia,

Na vida do empresário,

Motivos para ele se alegrar.

Ter formado um filho,

A netinha crescendo com saúde,

Os companheiros de pescaria,

Com quem provavelmente ele se divertia muito.

Mas para o empresário,

Naquele momento,

Os problemas nos negócios predominavam sobre todo o resto.

Olhando de fora para alguém nessa situação,

A gente pode pensar,

– Nossa,

Mas essa pessoa está numa vibe muito negativa,

Parece que tem uma nuvem negra em cima da cabeça.

Mas isso pode acontecer com qualquer um de nós,

Não é?

Como eu sempre digo,

Quem nunca?

Eu reconheço que,

Em vários momentos,

Quando algo ia mal na minha vida,

Não me saía da cabeça aquilo que ia mal.

E por que isso acontece?

Porque o nosso cérebro é projetado para dar muito mais atenção a situações percebidas como negativas do que a positivas.

A neurociência e a psicologia chamam isso de viés de negatividade.

Ou,

Em outras palavras,

Nossa tendência de destacar a importância de tudo aquilo que representa um perigo,

Uma ameaça.

Tem estudos científicos que comprovam a existência desse viés.

Um desses estudos mediu a atividade elétrica no cérebro quando pessoas são expostas a imagens de conotação negativa e de conotação positiva.

E se observou que imagens negativas,

Como fotos que retratam atos de violência,

Produzem uma atividade elétrica muito mais intensa do que fotos de gente se divertindo,

Por exemplo?

Isso mostra como o cérebro reage mais intensamente a situações negativas.

Pode parecer que o viés de negatividade é alguma maldição da natureza,

Mas é bem o contrário.

Essa é uma característica do cérebro importantíssima para a sobrevivência da espécie humana.

Foi graças a isso que o homem primitivo tinha a atenção chamada e ficava alerta para tudo aquilo que representava uma ameaça.

Por exemplo,

Um movimento estranho na mata,

Que poderia ser um predador ou um inimigo pronto para atacar.

E ainda hoje,

Mesmo que tenhamos uma vida muito diferente do homem primitivo,

É preciso que o nosso cérebro seja especialmente perceptivo a tudo que representa ameaças,

Porque elas continuam existindo.

O viés de negatividade também faz o cérebro gravar mais os eventos negativos do que os positivos.

As memórias de eventos tristes,

Revoltantes ou assustadores são muito mais marcantes que a dos eventos felizes.

Por isso a gente se lembra tão bem delas.

E se lembra para quê?

Para poder evitar situações parecidas com aquelas que geraram as memórias,

Tipo esse filme eu já vi.

Esse viés também coloca como que sob uma lente de aumento um detalhe negativo em meio a muitos aspectos positivos.

Por exemplo,

Seu chefe lhe dá um feedback cheio de elogios e reconhecimentos e destaca um único ponto em que você precisa melhorar.

Pois pode apostar,

Você vai dar muito mais importância para o ponto de melhoria do que para todo o resto.

Muito bem,

Então.

O cérebro coloca problemas e situações difíceis em relevo e a mente faz o resto.

Fica pensando e pensando e pensando na situação.

Analisa os motivos.

Por que isso foi acontecer?

Onde foi que eu errei?

Por que fulano fez tal coisa comigo?

Imagina as consequências.

E se isso ou aquilo acontecer?

E da situação que vai mal,

Brota uma espiral de iluminações e preocupações e os pensamentos negativos se avolumam no campo mental.

O quanto a mente se envolve na negatividade,

Isso varia de pessoa para pessoa.

Vai depender das experiências de vida,

Da visão de mundo,

Da psique de cada um.

Mas é bastante comum que a preocupação com aquilo que vai mal afete negativamente a nossa visão de nós mesmos,

Dos outros ou da vida.

É bastante comum,

Por exemplo,

A gente se julgar e se culpar pela situação difícil que está vivendo.

Na mente ficam rodando pensamentos do tipo é tudo culpa minha,

Estraguei tudo,

É bem feito para mim,

Sou um nada,

Eu errei e agora tenho que pagar.

Às vezes a gente culpa outras pessoas,

O mundo,

O destino.

A vida é injusta,

Fulano me ferrou,

Esse país não vai pra frente,

Esse governo não presta,

O sistema é perverso.

Por que temos esses pensamentos todos?

Porque a nossa mente precisa ter uma explicação lógica para o que está acontecendo.

Culpar a gente mesma,

O outro,

A vida,

O sistema são formas de justificar o que vai mal.

A nossa mente pode até conviver com aquilo que ela não controla,

Mas não suporta conviver com o que ela não entende.

E aí cria uma explicação que seja lógica ou conveniente para ela.

É bastante comum também o pensamento de que a situação difícil não tem saída,

Que não há nada que possamos fazer.

E isso é um álibi,

Digamos assim,

Para a nossa suposta incapacidade de lidar com a situação.

Quer dizer,

Num recanto obscuro da nossa mente,

A gente se considera incapaz de lidar,

Mas procura se convencer de que a situação é que não tem saída.

O que mais pode passar pela nossa cabeça?

Que a fase ruim não vai melhorar,

Que vamos carregar aquele fardo para sempre.

Também podemos achar que a situação difícil está arruinando a nossa vida como um todo.

De repente estamos com um problema no relacionamento amoroso e ficamos desmotivados no trabalho,

Nos afastamos da família,

Não queremos ver os amigos,

Nem nos cuidar.

Vai tudo para o brejo.

A negatividade contamina outras áreas da vida.

É típico da nossa mente antecipar os desdobramentos de uma situação para se proteger ou se prevenir.

E nesse exercício de imaginação,

Acabar ampliando a duração ou a extensão daquilo que vai mal,

O que também amplia o nosso sofrimento.

Agora veja,

Por mais humano e compreensível que seja o nosso viés de negatividade e tudo que lhe acarreta,

Esses pensamentos não vão nos ajudar a sair da situação difícil,

Não é?

Pelo contrário,

Eles ampliam a magnitude da situação difícil,

Nos desenergizam,

Nos desempoderam,

Arrasam com a nossa autoconfiança e podem também nos afastar de outras pessoas.

Em última análise,

Levam a uma desesperança que pode até culminar numa depressão.

Precisamos fazer algo a respeito.

E a primeira coisa é parar de nos julgar pela nossa negatividade.

A gente ouve muito falar que é preciso pensar positivo,

Que pessoas que pensam positivo são mais felizes,

Mais resilientes,

Mais bem-sucedidas.

Verdade.

É bom para nós pensar positivamente,

Pensar naquilo que desejamos para nós,

Ter confiança na vida,

Confiança em nós mesmos.

Agora,

Isso não justifica a gente se julgar e criticar por ter pensamentos negativos.

Se julgar e criticar por isso,

Na verdade,

Só vai dar mais força para a nossa negatividade.

Quer ver uma coisa?

Não pense num sorvete nesse exato instante.

Isso.

Não pense num sorvete.

Viu?

Para entender a informação,

Não pense num sorvete,

Você teve que pensar.

Foi inevitável pensar.

Da mesma forma como isso aconteceu,

Quando dizemos para nós mesmos não posso pensar tal coisa,

Já estamos pensando.

Para completar,

Se a gente se julga porque pensou essas coisas,

Se a gente diz para si mesmo algo como eu não deveria pensar isso,

Ou eu sou uma pessoa negativa,

Estamos,

Na verdade,

Reforçando esses traços em nós.

E ainda por cima,

Estamos aumentando o nosso mal-estar.

Para tudo,

Gente.

Para tudo.

Vamos mudar a nossa maneira de lidar com isso.

Olha,

Não se trata de combater os nossos pensamentos negativos,

Porque isso só dá mais força para eles.

Vamos apenas parar de alimentar esses pensamentos.

Parar de dar sustentação para eles.

Então,

Quando você perceber uma nuvenzinha negra da negatividade na sua mente,

Feche os olhos e sinta a sua respiração por um momento.

Num instante em que você sente a respiração,

Os pensamentos se dissolvem.

Eles vão voltar em seguida,

E tudo bem.

Sinta a sua respiração de novo,

E de novo,

E de novo.

Ao respirar,

Você está fazendo o quê?

Tomando fôlego.

Tomando um alento.

E olha que bonito isso.

A palavra alento,

Além de ser sinônimo de respiração,

Ela também significa aquilo que revigora alimento,

Coragem,

Entusiasmo,

Vontade.

Olha,

Eu faço isso direto.

Quando pinta uma nóia na minha cabeça,

No ato,

Eu respiro.

Se não der para fechar os olhos,

Porque de repente eu estou dirigindo,

Por exemplo,

Eu fico de olhos abertos mesmo.

Experimente,

E você vai ver como isso alivia.

Nos dá um alento,

Realmente.

O mesmo vale para pensamentos de auto julgamento,

Tá?

Quando eles surgirem na sua mente,

Feche os olhos,

Respire,

Alente-se,

E diga para si mesmo,

Eu sou um ser humano em busca de felicidade.

Essa é uma frase que nos lembra da nossa humanidade,

Da nossa vulnerabilidade.

Nos lembra que somos pessoas de carne e osso,

Tendo as nossas experiências,

Os nossos aprendizados,

E fazendo o melhor que sabemos.

Cometemos enganos,

Temos reveses,

Nos decepcionamos,

Nos frustramos,

Temos problemas e perdas,

Entramos em crise,

Sofremos.

É da vida.

Nos momentos de dificuldade,

Quando você tiver vontade de chorar,

Chore.

Se permita isso.

Para você,

Homem,

Que está me escutando agora,

Já foi o tempo de achar que homem não chora,

Né?

O choro descomprime,

Alivia,

Dá vazão para a emoção.

É terapêutico chorar.

É uma bênção chorar.

Para mim,

O choro é como o desabar de uma tempestade.

E depois que a tempestade passa,

O céu fica limpo,

O ar fica fresco,

E tudo volta a ser calmo.

Algo que também nos apoia muito nos momentos de dificuldade é reconhecer que nem tudo está perdido.

Que em outras áreas da vida,

Temos motivos para ser gratos.

A gente vê às vezes na televisão,

Na cobertura de alguma tragédia,

Aquela pessoa que diz perdi a minha casa,

Ou perdi o meu negócio,

Mas eu estou vivo.

Minha família está bem.

Foram só danos materiais.

Você vê no semblante daquela pessoa que ela está realmente se apoiando naquilo que ficou de pé.

E isso é muito importante.

Reconhecer o que está de pé na nossa vida e sermos gratos por isso.

O reconhecimento e a gratidão por tudo que temos nos fortalece,

Nos dá energia para lidar com aquilo que vai mal.

E também nos permite enxergar o que vai mal do tamanho que aquilo realmente tem.

Se a gente deseja lidar de uma maneira mais serena e lúcida com as situações difíceis da vida,

Precisa ter aceitação dessas situações.

E vamos alinhar aqui entre nós o que significa isso.

Ter aceitação não é se vitimizar,

Não é se submeter.

Ter aceitação no contexto do mindfulness é reconhecer que aquela situação está presente na nossa vida e encará-la como ela é,

Sem comparar com o que a gente gostaria que fosse.

Nós,

Seres humanos,

Temos o hábito de idealizar as situações da nossa vida.

Nós criamos expectativas sobre pessoas,

Circunstâncias,

Acontecimentos e tudo mais.

Eu falei disso no episódio 14,

Melhor não alimentar expectativas.

Vale a pena escutar de novo ou pela primeira vez.

Bom,

Mas aí,

Contrariando as nossas expectativas de como as coisas deveriam ser ou acontecer,

Surge,

Então,

Uma situação difícil.

Surge um revés.

E aí a gente briga,

E se revolta,

Ou reclama,

Se vitimiza.

Enfim,

A gente opõe resistência ao que está acontecendo.

Não bastasse a situação ser dolorosa,

Nós aumentamos o sofrimento por resistir a ela.

Tem o ditado popular que diz aceita que dói menos.

Às vezes a gente fala isso meio que da boca pra fora,

Meio frase pronta,

Né?

Mas o significado é muito verdadeiro.

Aceitar uma situação difícil que está presente nos poupa de um sofrimento maior.

E afinal,

Aceitar é o que a gente precisa fazer pra poder lidar com aquilo da melhor forma possível.

Eu costumo dizer que a aceitação é a base da resiliência.

A gente só pode lidar com aquilo que reconhece que existe.

Ter aceitação é como levantar uma bandeira branca de paz dentro da gente.

É nos dar uma trégua,

Parar de brigar ou reclamar.

O que gasta uma energia tremenda.

Aí então podemos dirigir a nossa energia pra lidar com a situação.

Talvez buscar uma solução,

Ou quem sabe remediar um pouco as coisas.

Ou talvez não fazer nada.

Porque tem situações em que não há nada mesmo a fazer,

Se não simplesmente aceitar.

E permitir que aquilo se resolva por si mesmo.

Olha,

O mundo tá cheio de histórias muito inspiradoras de aceitação.

Eu conheço um bocado delas,

De pessoas próximas,

De alunos,

E tenho lá as minhas historinhas também.

Mas aqui eu gostaria de compartilhar com você um caso de aceitação muito bonito,

Que é contado em um filme.

Aliás,

É um daqueles filmes que está na minha coleção de obras inspiradoras.

Vale a pena você assistir.

É um documentário intitulado Happy,

Do diretor Rocco Bellic.

Na página desse episódio no meu site,

Eu publiquei links para acessar o filme no Netflix e no YouTube.

Uma das histórias contadas no documentário é o da americana Melissa Moody.

Ela vivia num rancho no Texas,

Casada,

Com três filhos,

Uma vida bem ocupada e coisa e tal.

Em 1992,

Essa vida virou de cabeça pra baixo.

No auge de uma discussão,

A Melissa foi acidentalmente arrastada pela caminhonete de uma parente por uma estrada de terra e pedras,

E ficou muito machucada.

Teve metade do rosto destruído.

Pra complicar,

O choque do acidente trouxe à tona um trauma de abuso sexual na infância que ela havia reprimido a vida inteira.

Foram nove anos pra se recuperar,

Trinta cirurgias pra ter de novo uma face,

Que ainda assim ficou deformada.

Nesse meio tempo,

O marido a deixou,

Ela entrou em depressão.

A Melissa conta que sentia raiva de estar viva.

E se continuou viva,

Foi pelos filhos.

Foi muito sofrimento.

Até que chegou um momento em que ela abriu mão de entender o que havia acontecido e por que havia acontecido.

Ela aceitou a vida dela com todas as suas experiências.

Aceitou a si própria com todas as suas cicatrizes físicas e emocionais.

Ela diz,

Foi assustador,

Mas isso foi o catalisador de um processo de cura pra toda a minha família.

Com a aceitação,

Ela enfim ficou em paz e recuperou a capacidade de se sentir feliz.

A Melissa se casou de novo,

Vive muito bem com o novo marido e o nome dele,

Olha que demais,

É Happy.

Seria tão bom se a gente pudesse saber qual vai ser o aprendizado ou quem sabe a cura que uma situação difícil vai nos proporcionar lá na frente,

Não é?

Mas não dá pra saber.

A gente vai ter mesmo é que descobrir e descobrir vivendo.

Descobrir passando por aquilo e confiando que aquela situação tem um propósito.

Mas quem sabe a gente possa,

Pelo menos,

Não criar expectativas tão terríveis sobre certas coisas que nos acontecem.

Quem sabe a gente possa aprender a olhar as situações da vida com neutralidade,

Sem prejugar se aquilo é bom ou ruim,

Mas apenas vendo a situação como ela é.

E pra encerrar esse episódio,

Eu vou compartilhar com você uma parábola sobre isso.

Era uma vez um aldeão,

Um homem simples,

Agricultor,

Que tinha um magnífico cavalo branco.

Sempre que ele ia à vila levar seus produtos pra vender,

O cavalo puxando a carroça,

As pessoas ficavam admiradas com tanta beleza.

Era um animal branco como a neve,

Alto,

Forte,

Imponente.

O aldeão recebia muitas ofertas pelo cavalo,

Algumas até bem altas.

Daria pra ele viver um tempo sem trabalhar.

As pessoas da aldeia diziam venda o cavalo,

Você vai ficar rico.

Mas ele não vendia.

O animal era pra ele como uma pessoa da família.

Certa manhã,

O aldeão deu falta do cavalo.

A porta do estábulo amanheceu aberta e não havia nem sinal do animal.

As pessoas da vila logo imaginaram que ele havia sido roubado,

Porque era muito cobiçado.

E comentavam.

O aldeão foi um tolo de não vender o cavalo.

Agora ele tá lá,

Sem cavalo e sem dinheiro.

Mas o aldeão não parecia abalado.

Ele apenas dizia.

O fato é que o cavalo desapareceu.

Tudo mais são julgamentos.

Semanas depois,

O cavalo voltou.

E junto com ele trouxe um pequeno bando de cavalos selvagens,

Todos jovens e fortes.

Na aldeia o povo se alvorossou.

Mas que sorte é desse aldeão.

O sumiço do cavalo,

Afinal,

Foi positivo.

Mas o aldeão apenas dizia.

O fato é que o cavalo voltou e trouxe outros com ele.

Tudo mais são julgamentos.

O aldeão resolveu adestrar os animais.

E numa tarde,

Seu filho se acedentou quando tentava domar um cavalo.

O ferimento foi grave e o rapaz não podia mais mover as pernas.

Na vila,

O povo lamentava o acidente.

Que desgraça!

Quem poderia imaginar que os cavalos iriam trazer tão má sorte ao aldeão?

Mas ele mesmo não parecia muito abalado.

E dizia.

O fato é que meu filho caiu e não move mais as pernas.

Tudo mais são julgamentos.

Tempos depois,

O reino entrou em guerra.

E todos os homens jovens da aldeia foram convocados para a luta.

Todos,

Menos o filho do aldeão,

Que não podia mover as pernas.

Na vila,

O povo dizia.

Nossos filhos estão sendo mandados para o campo de batalha e podem não voltar com vida.

Mas o filho do aldeão vai continuar vivo ao seu lado.

No final,

O tombo do cavalo lhe trouxe sorte.

E o aldeão apenas dizia.

O fato é que meu filho não vai à guerra.

Tudo mais são julgamentos.

Que você esteja bem.

Um abraço.

4.9 (31)

Avaliações Recentes

Mare

March 7, 2024

Maravilhoso

TaniaTriatleta

September 25, 2023

Muito boa a historia do aldeão!! Contada por Regina, então! Uma maravilha!! Agradeço! Vou usar nos cursos de CNV.

Marília

May 27, 2022

Magnânima palestra grande Regina! Gratidão pelo sopro de vida 😘

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