
No. 27 - O Que Te Realiza? | Podcast Autoconsciente
O propósito de vida dá um sentido maior à nossa existência. Nos preenche, nos nutre emocionalmente, dá força para enfrentar dificuldades e gera um sentimento de estarmos nos realizando todos os dias. Neste episódio, compartilho algumas reflexões sobre esse tema e experiências também, não só minhas, mas de pessoas que eu tenho a felicidade de conhecer e acompanhar. E quem sabe se desfaça um pouco do mistério que possa existir pra você sobre o propósito de vida.
Transcrição
Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,
Um podcast que entende você,
Pra você se entender melhor.
Sou Regina Gianetti,
Criadora do programa de autogerenciamento Você Mais Centrado,
Pra gente ter mais foco,
Bem-estar e paz com a gente mesma.
Eu faço esse programa pra compartilhar reflexões e ações pra uma vida com mais autoconsciência.
A minha intenção é que ao terminar um episódio,
Você se sinta melhor do que quando começou.
Você é novo por aqui?
É o primeiro episódio que escuta?
Então eu te convido a escutar o episódio 0,
Em que eu apresento a proposta desse podcast e justifico a ideia de estarmos mais autoconscientes,
Nesse turbilhão que é o mundo de hoje.
Episódio 27 – O que te realiza?
Um tema que está muito em evidência hoje é o propósito de vida.
Só pra gente alinhar o entendimento dessa expressão,
Eu me refiro a propósito de vida como aquilo que cada um de nós veio realizar nesse mundo,
O que nos move,
Nos faz levantar da cama todo dia,
A nossa razão de ser.
Nunca se falou tanto disso como nos tempos atuais.
Faz uma pesquisa no Google com o propósito de vida e você vai receber milhares de resultados.
Pesquise livros que falam do assunto e vai encontrar dezenas.
Procure no YouTube,
Tem vídeos de monte.
A filosofia fala disso,
As ciências comportamentais falam disso,
O empreendedorismo,
As religiões também,
Se bem que no caso das religiões o enfoque é diferente das outras áreas.
Mas afinal por que se fala tanto disso?
Em princípio porque existe o entendimento de que o propósito é um dos componentes de uma vida plena e feliz.
A vida é algo mais do que trabalhar pra ganhar dinheiro,
Pagar boleto,
Consumir,
Se divertir,
Atingir metas,
Conquistar coisas.
Tudo isso faz parte,
Claro,
Mas não é o que dá sentido à nossa existência.
O que dá um sentido maior à existência é o propósito,
Que é algo que nos preenche,
Nos nutre emocionalmente,
Nos dá força pra enfrentar dificuldades e gera um sentimento de estarmos nos realizando todos os dias.
Quem não quer viver assim,
Né?
O propósito é muito empolgante,
Mas frequentemente e ironicamente o que nos impulsiona na busca dele é o desconforto.
O desconforto de não saber qual caminho seguir num mundo de tantos caminhos possíveis.
O desconforto de não estar satisfeito com a vida,
De não ver um sentido naquilo que a gente faz.
O desconforto da inquietação de querer algo que a gente não sabe o que é.
O desconforto do vazio,
Da falta de interesse,
De se sentir no lugar errado.
Muita gente hoje sente esses desconfortos,
Já sentiu,
Ainda vai sentir,
O que também é um motivo por que tanto se fala em propósito de vida.
Eu também já senti,
Algumas vezes,
E de verdade,
Eu abençoo as vezes em que senti,
Porque foi esse sentimento incômodo que me forçou a sair do piloto automático,
Da rotina,
Do conhecido e mudar de direção.
Tem momentos da vida em que a gente precisa se perder pra poder se achar.
Nesse episódio eu vou compartilhar algumas reflexões sobre esse tema e experiências também,
Não só minhas,
Mas de pessoas que eu tenho a felicidade de conhecer e acompanhar.
E quem sabe se desfaça um pouco do mistério que possa existir pra você sobre o propósito de vida.
Vamos flexibilizar algumas ideias comuns sobre o assunto.
E a primeira delas é que descobrir o propósito de vida é algo complexo,
Que precisa de toda uma técnica.
Essa impressão que pode dar quando a gente busca artigos e livros sobre o tema e encontra um monte de teorias e metodologias.
Algumas falam em seguir passos pra descobrir o propósito,
Outras propõem responder perguntas,
Outras em fazer testes.
Olha,
Só pra escolher um método a gente já fica confusa.
Outra impressão que pode dar é que a descoberta do propósito é um processo racional,
Lógico,
Que no final vai dar um belo enunciado,
Uma frase pomposa pra gente fazer um quadro e botar na parede.
Mas também não é por aí.
Nem complexa,
Nem racional,
A descoberta do propósito pode ser muito simples e tem a ver mesmo com o que a gente sente.
Na essência desses métodos,
Por mais elaborados que eles sejam,
Nós vamos encontrar basicamente três elementos,
O reconhecimento dos nossos talentos,
O reconhecimento daquilo que adoramos fazer e o reconhecimento do efeito que nós queremos gerar,
Um efeito que seja significativo pra nós,
Que nos traga um sentimento de realização.
Essas são três pistas muito confiáveis pra gente seguir o rastro do nosso propósito.
Então veja como sentir é importante aqui.
Reconhecer o que a gente adora fazer tem a ver com sentir.
Reconhecer o efeito que desejamos gerar e que nos realiza tem a ver com sentir.
Já pra reconhecer os talentos,
A gente talvez precise de uma ajudinha de fora,
Porque talento ou dom é tudo aquilo que a gente faz bem e com naturalidade.
E como fazemos com naturalidade,
Nem sempre percebemos que aquilo é um talento,
Mas os outros,
Que observam como a gente faz bem determinadas coisas e como essas coisas parecem fáceis pra n��s,
Eles reconhecem os nossos talentos melhor do que nós e até se admiram como a gente faz bem aquilo que é o nosso talento.
Então vale perguntar pras pessoas que convivem conosco,
O que eu faço bem?
Quais são os meus talentos,
Na sua opinião?
E olha,
Vamos expandir a nossa compreensão do que seja um talento?
Não é só artista,
Músico,
Jogador de futebol ou chefe de cozinha que tem.
Existe uma infinidade deles.
Tem talento pra cuidar,
Pra ensinar,
Curar,
Embelezar,
Construir,
Consertar,
Planejar,
Aconselhar,
Organizar,
Motivar,
Alegrar,
Comunicar,
Conduzir,
Administrar e tantas outras atividades que seres humanos fazem.
Então sem desmerecer os métodos que estão aí pra nos ajudar,
A descoberta do propósito em última análise precisa que a gente olhe pra dentro,
Se perceba,
Se reconheça e se responda,
O que me realiza?
Outra ideia bastante comum sobre o propósito é que ele remete a uma profissão,
A uma atividade que seja meio de vida.
E embora isso seja muito comum e até desejável,
Nem sempre é o caso,
Né?
Nem sempre o propósito está associado a uma profissão.
Ele pode estar associado a uma atividade que a gente faz sem nenhuma intenção de ganho financeiro,
Faz só pela realização de fazer.
E é o caso da minha amiga,
Cynthia Bia.
Ela se formou em arquitetura,
Mas não exerce a profissão.
Ela não se encaixou no exercício da profissão arquiteta,
Mas se encaixou no trabalho administrativo de uma organização.
Então a Bia exerce competentemente uma atividade que não é,
Assim,
A paixão da vida dela,
Mas lhe dá o salário pra tocar sua vida,
E ela tá bem com isso.
Agora,
Ela é uma pessoa divertida,
Engraçada e de muita compaixão.
Uma pessoa que anda com pacotinhos de amendoim no carro e dá pra quem vem pedir um trocado no farol.
Ela abre o vidro,
Fala com a pessoa,
Cria empatia.
E o propósito dela tem a ver com essas características.
A Bia conta que um dia assistiu um filme,
O título em português é PS Eu Te Amo,
E esse filme deu uma chacoalhada nela.
É a história de uma moça que perdeu o chão com a morte do marido por causa de uma doença muito agressiva.
Quando essa moça tá no fundo do poço,
Ela começa a receber cartas que o marido tinha escrito antes de morrer,
Pra apoiar o processo de aceitação da esposa,
Pra que ela encontrasse um sentido pra vida e seguisse em frente.
Esse filme mexeu muito com a Bia,
E ela começou a se questionar.
Essas são literalmente as palavras dela,
Mas que bosta eu tô fazendo da minha vida?
E ela ficou numa grande inquietação até ter o insight de se tornar uma doutora da alegria.
Sabe aquela pessoa que vai pros hospitais animar os doentes,
Fazer brincadeiras e levar alegria pra eles?
É isso mesmo.
E veja,
Isso tem tudo a ver com os talentos que a gente enxerga nela.
O talento pra divertir,
Pra fazer o outro rir,
O talento pra se conectar com pessoas em situação de vulnerabilidade e dar apoio a elas.
Há 11 anos a Bia faz parte de um grupo desses doutores,
E ela se sente realizada quando veste o jaleco branco e a boina vermelha,
Bota o nariz de palhaço com um coraçãozinho na ponta e encarna sua personagem,
A doutora Jolie.
Bom,
Personagem é modo de dizer,
Né?
Porque essa doutora Jolie,
A médica maluca que apronta no hospital,
É uma expressão muito autêntica da Bia,
Da sua essência alegre e amorosa.
E quantas pessoas nesse mundo também se sentem realizadas por fazer trabalhos voluntários,
Não é?
O que motivaria alguém a doar parte do seu tempo,
Em tempos que o tempo é tão escasso pra todo mundo,
Pra prestar algum serviço comunitário?
Quantas pessoas se sentem realizadas com atividades não profissionais como cantar num coral amador,
Fazer poesia,
Viajar pelo mundo ou desenvolver a espiritualidade?
Outra ideia que é preciso flexibilizar sobre o propósito é de que se trata de algo grandioso,
Que impacta muitas pessoas.
E a história tá cheia de exemplos assim,
Que são inspiração pra nós.
Pessoas como o Nelson Mandela,
Madre Teresa,
Gandhi,
A Malala Yousafzai,
Aquela jovem paquistanesa que quase foi morta porque queria ir pra escola,
Recebeu um prêmio Nobel da Paz e hoje defende globalmente a educação pra meninas.
Hoje os meios de comunicação contam histórias de pessoas que revolucionam algo no mundo com as suas startups inovadoras,
Artistas que questionam a desigualdade e injustiça com a sua música,
Atletas que dão grandes exemplos de superação.
São casos muito inspiradores,
Mas incomuns.
Propósitos de vida que ganham grande projeção são raros.
Se a gente bota na cabeça que propósito tem que ser grandioso,
Essa ideia,
Essa idealização de propósito pode nos afastar daquilo que é verdadeiro pra nós e que verdadeiramente nos realiza.
Eu tô acompanhando uma história em que isso aconteceu.
É de um aluno meu,
O Luiz.
Ele foi diagnosticado com TDAH,
O transtorno de déficit de atenção e operatividade.
Teve depressão,
Fazia tratamento,
Fazia terapia e entrou pro programa de mindfulness pra lidar com várias questões que incomodavam.
Dificuldade de concentração,
Procrastinação,
Frustração profissional e amarrando isso tudo um grande descontentamento com ele mesmo.
A origem dos problemas do Luiz,
Que depois ele acabou compreendendo,
É a seguinte.
Numa adolescência,
Quando normalmente a gente começa a se interessar pelo que vai fazer da vida,
Ele começou a ter pensamentos do tipo,
Eu preciso ser alguém,
Eu preciso fazer algo importante.
E ele não sabia o que era esse algo e os pensamentos não saíam da cabeça dele,
Acabaram se tornando recorrentes e geravam ansiedade.
Aí ele começou a ter dificuldades pra se concentrar,
Estudar,
Se fixar nas coisas e isso alimentava ainda mais o pensamento,
Eu preciso ser alguém,
Eu preciso fazer algo importante e isso trazia mais ansiedade,
Mais dificuldade de concentração,
Enfim,
Se criou um ciclo vicioso na mente do Luiz.
Mesmo assim ele foi capaz de se qualificar profissionalmente e entrar pra aeronáutica.
Foi aprovado em concurso e isso não é fácil,
Né?
Mas infelizmente ele não se identificou com o trabalho que fazia.
E aí surgiu também uma grande frustração profissional que deu ainda mais força pro pensamento,
Eu preciso ser alguém,
Eu preciso fazer algo importante.
O Luiz se sentia perdido,
Infeliz,
Isolado das outras pessoas e chegou a entrar em depressão.
Então veja,
A autoexigência de se destacar no mundo,
Que aliás é mega incentivada pela cultura de competitividade que existe hoje,
Né?
Essa autoexigência empurrou o Luiz numa direção que não era verdadeira pra ele,
Que não realizava,
Gerou um conflito interno muito doloroso,
No qual ele se cobrava,
Se culpava e vivia em constante descontentamento,
Se achando menos do que os outros.
Mas quando ele passou a olhar pra dentro de si,
Sem julgamento,
Com aceitação e compaixão,
Que é o que a gente faz no programa de Mindfulness,
Ele começou a compreender a causa dos seus problemas e das suas insatisfações.
E aí a vida se encarregou de dar um empurrão pro Luiz encontrar o rumo dele.
Quando ele estava terminando o programa de Mindfulness,
Coincidiu de ser a época da aeronáutica renovar o contrato de engajamento dele,
Só que ela não quis renovar,
Por causa de problemas que ele tinha tido no ano anterior.
De cara ele pensou em brigar pra continuar na aeronáutica,
Porque a esposa estava grávida e,
Em princípio,
Não era um bom momento pra ficar desempregado.
Mas depois,
Sendo muito honesto com ele mesmo,
Não dava pra continuar naquele trabalho,
Ele não gostava de lá,
Ele não queria mais.
E aí,
Numa atitude de muita coerência com o que ele sentia,
E de coragem também,
Ele aceitou a dispensa,
Pegou a rescisão e foi em busca de outra coisa.
Isso faz alguns meses.
Esses dias eu liguei pro Luiz pra saber dele e pedi o seu consentimento pra contar essa história e aí ele me deu ótimas novidades.
Ele tá cadastrado como eletricista num site de serviços profissionais e tá conseguindo trabalhos,
Mesmo com uma certa insegurança que ele ainda sente porque viveu tantos anos com baixa autoestima,
Duvidando do seu valor.
Aqueles pensamentos,
Eu preciso ser alguém,
Eu preciso fazer algo importante,
Ainda surgem na mente dele,
Mas já não paralisam como antes.
O Luiz descreve esses pensamentos como correntes que o prendem,
Mas ele aprendeu a deixar ir os pensamentos,
E mesmo com dificuldades,
Às vezes,
Ele tá seguindo em frente.
O Luiz compartilhou que dá um frio na barriga quando ele recebe um chamado de trabalho,
Mas aí ele respira fundo e vai.
E quando ele termina o job,
Ele se sente muito bem,
Fica satisfeito com ele mesmo.
É a primeira vez na sua vida profissional,
Ele diz,
Está sentindo gosto de realizar algo.
E eu tenho certeza de que se ele seguir o caminho daquilo que realiza,
Realmente ele vai reconhecer seu propósito.
E aí eu me pergunto,
O que é um propósito grandioso?
Grandioso pra quem?
Nada disso importa gente,
O que importa é que a gente siga o que sente que faz sentido pra nós.
Porque o sentimento da empresária que começou do zero e hoje emprega milhares de pessoas,
O sentimento do jardineiro que vê seus canteiros floridos,
Da cozinheira que arranca suspiros com seus pratos e do cirurgião que salva uma vida,
É o mesmo,
Realização.
Uma outra ideia que é preciso flexibilizar é que se a gente não tiver clareza quanto ao nosso propósito,
Se a gente não souber dizer o que veio fazer nesse mundo,
Vamos estar perdidos como um barco à deriva no oceano.
Olha,
Também não é assim.
Você pode até não reconhecer qual é o seu propósito e ainda assim estar sendo guiado por ele.
Olha,
A minha trajetória foi assim.
Até uns poucos anos atrás eu não sabia dizer o que eu vim fazer no mundo,
E sinceramente eu nem ficava pensando nisso.
Mas eu estava realizada com o que fazia e sempre usando os meus talentos.
Nessa trajetória eu tive algumas crises,
Em que o que eu fazia perdeu sentido,
Mas aí eu ia em busca de algo novo e reencontrava o sentimento de realização.
Como eu já contei aqui antes no podcast,
Eu iniciei a carreira profissional como jornalista.
Pra falar a verdade,
A escolha por estudar jornalismo não foi aquela coisa assim super convicta que eu tinha desde criança.
Aliás,
Quando criança eu queria mesmo era ser cientista de laboratório.
Mas as pessoas me diziam que eu escrevia bem,
Que eu era criativa e me daria bem na comunicação,
E eu sentia que tinha a ver sim,
E acabei indo nessa direção.
E me identifiquei com o jornalismo realmente.
Me realizava o exercício de investigar e entender um assunto e transmitir aquilo pras pessoas de uma maneira que fizesse sentido.
Eu fui feliz com o jornalismo por vários anos.
Uma fase muito gostosa dessa jornada foi quando eu participei da criação de uma revista de videogames e depois dirigi essa revista por 5 anos.
Se você curtia videogames no começo dos anos 90,
Deve ter conhecido a revista que eu fazia.
Ela chamava-se Ação Games.
Quem diria né?
A Regina falando de Super Mario e de Tartarugas Ninja.
A minha lua de mel com essa revista durou até 95,
96,
Quando eu comecei a viver um conflito.
Os games estavam ficando cada vez mais violentos,
E isso batia de frente com os meus valores.
Eu não ficava confortável publicando matérias sobre jogos de guerra,
Jogos em que você ganha pontos por atropelar velhinhas ou roubar coisas.
E aqui tem um ponto muito importante,
Viu?
Não basta fazer o que a gente gosta,
É preciso também que o que a gente faz esteja alinhado com os nossos valores.
Se não houver esse alinhamento,
A gente fica em conflito,
E aí eu acho que é preciso mudar.
A gente pode continuar fazendo o que gosta,
Mas em um outro lugar,
Num outro projeto.
Por isso eu pedi para o meu diretor uma recolocação,
E aí fui fazer outras coisas na editora.
Até que em 2000,
2001,
Eu já não me sentia empolgada pelo jornalismo mesmo,
E eu entrei em crise porque não me via dando continuidade aos projetos em que eu estava envolvida.
Eu comecei a sentir um vazio,
Uma falta de interesse,
E assim como aconteceu com o Luiz,
A minha vida também se encarregou de me colocar numa nova trajetória.
Foi quando a editora Abril me demitiu,
Eu já contei um pouco dessa história aqui no podcast.
Bom,
Pra não me alongar muito,
Depois de sair da Abril,
Eu fiz um período sabático.
Tirei um tempo pra pensar no que eu queria da vida,
E um ano depois,
Mais ou menos,
Eu voltei ao trabalho como consultora editorial autônoma.
Então por algum tempo eu ajudei profissionais liberais e palestrantes a escrever livros.
Aí aos poucos eu também comecei a dar palestras e cursos sobre comunicação.
Depois eu fiz formação em coaching,
E passei a dar treinamentos em liderança e inteligência emocional.
Cada uma dessas mudanças foi impulsionada por uma pequena crise,
Em que eu ficava inquieta pra fazer algo novo,
Algo que me realizasse mais.
Até que em 2013,
Como eu já contei também,
Veio a minha grande crise,
E eu descobri o mindfulness e mudei novamente a minha trajetória profissional,
Mas essa mudança foi demorada.
Ela levou 3 anos pra se consolidar.
Eu realmente fiz várias coisas nesses 35 anos de carreira,
Mas é muito claro pra mim que eu nunca me desviei daquilo que sempre me realizou,
Entender as coisas e transmitir pras pessoas de uma maneira que faça sentido.
O que mudou foram os assuntos que eu abordei ao longo do tempo.
Eu comecei a vida profissional como uma repórter das coisas do mundo exterior,
Tecnologia,
Entretenimento,
Comunicação,
Etc.
E hoje me vejo como uma repórter das coisas do mundo interior,
Uma repórter da alma.
E olha,
Eu só tive essa compreensão uns poucos anos atrás,
E aí eu percebi que o meu propósito,
Ele agiu na minha vida o tempo todo,
Me proporcionou experiências pra me conhecer melhor,
Refinar meus talentos e amadurecer.
E aqui entra uma última ideia pra gente flexibilizar.
Tem pessoas que passam a vida servindo uma causa,
Ou exercendo a mesma profissão,
Se dedicando à mesma paixão,
E isso é muito bonito de se ver.
Alguém que atravessa décadas atuando numa área e se torna um mestre naquilo.
Mas pra outras pessoas,
Não é assim.
Elas fazem coisas diferentes ao longo da vida,
E podem até fazer coisas que aparentemente não dão certo,
Uma experiência mal sucedida,
Uma falência,
E podem também se sentir perdidas em momentos desse caminho,
Como eu me senti.
Mas não se engane,
Viu?
O propósito tá sempre presente,
Sinalizando como uma bússola interior o que tem e o que não tem a ver com elas.
Antes de concluir,
Eu queria dar uma sugestão de leitura pra você ir mais fundo.
É um livro do autor Ken Moji,
Sobre Ikigai,
Um conceito da língua japonesa pra propósito de vida.
O autor sugere cinco passos pra você reconhecer o que te realiza,
E o que eu acho bacana é que ele explora as ligações do propósito com a criatividade,
A harmonia,
A sustentabilidade e a autoaceitação.
É uma abordagem com a serenidade e a suavidade da filosofia oriental,
Pra quem quer algo diferente daquela pegada,
Descubra o seu propósito e seja um vencedor.
E eu sugiro ainda um episódio do próprio podcast que casa bem com o que estamos discutindo aqui.
É o 15,
A lagarta na janela,
Sobre confiança na vida.
Por fim,
Pra você que me acompanhou nessa reflexão e deseja reconhecer o que te realiza,
Eu gostaria de frisar algumas coisas,
Tá?
Primeiramente,
Se você está insatisfeito com o que faz com a sua vida,
Abençoe esse momento,
Porque é esse desconforto que vai impulsionar você na busca por mais autoconhecimento,
Por algo mais verdadeiro e significativo pra sua vida.
E isso pode ser incômodo,
Pode ser doloroso,
Mas é necessário e é perfeito.
Na busca pelo seu propósito,
Reconheça os seus talentos.
É claro que você tem talentos,
Todo ser humano tem.
Agora algo fundamental,
Dê atenção ao que você sente,
Porque é pelo sentir que você identifica o que te realiza.
Pra identificar o que te realiza,
Você talvez precise experimentar coisas novas,
Então se permita experimentar,
Arrisque um pouco.
Experimentar é fazer sem criar expectativas,
Pra ver o que acontece.
Se a experiência agradou,
Ótimo,
Se não agradou,
Seja grato pelo aprendizado e faça outra.
E procure ser paciente no seu processo,
A gente não pode marcar dia nem hora pra reconhecer o nosso propósito,
Isso vai acontecer quando você tiver vivenciado aquilo que precisa vivenciar pra se conhecer o bastante.
E esteja certo de uma coisa,
Independentemente de reconhecer ou não,
O seu propósito já guia a sua vida,
Sempre guiou.
Mesmo que você se sinta perdido agora,
Porque se você se sente perdido,
É porque o seu propósito está em você e te dizendo,
Não é por aqui,
É por ali.
Confie!
Que você esteja bem!
Um abraço!
Conheça seu professor
5.0 (57)
