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No. 20 - Discutindo Nossa Relação com a Comida | Podcast Autoconsciente

by Regina Giannetti

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Comer é uma das atividades que mais fazemos distraidamente, sem atenção, no piloto automático. E, muitas vezes, o impulso e a escolha do que a gente come não vêm da fome, mas da vontade de comer para aliviar algum desconforto emocional. Neste episódio, compartilho com você um exercício para ter mais autoconsciência na relação com a comida.

Transcrição

Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,

Um podcast que entende você,

Para você se entender melhor.

Sou Regina Gianetti,

Criadora do programa de autogerenciamento Você Mais Centrado,

Para a gente ter mais foco,

Bem-estar e paz com a gente mesma.

Eu faço este programa para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.

A minha intenção é que,

Ao terminar um episódio,

Você se sinta melhor do que quando começou.

Para você entender a importância de ser autoconsciente no mundo de hoje,

Com essa vida louca que a gente leva,

Eu te convido a escutar o episódio 0,

Em que eu apresento o propósito do podcast.

E se você gostar do que vai ouvir aqui,

Compartilhe com os amigos nas redes sociais.

Vamos espalhar o Autoconsciente por aí.

Episódio 20 – Discutindo nossa relação com a comida Neste episódio,

Vamos levar a autoconsciência para a nossa relação com a comida.

Para isso,

Eu vou propor um exercício para você praticar no dia-a-dia.

Mas antes,

Vamos discutir um pouco essa relação?

A gente sabe que o alimento é fonte de energia e nutrientes para o corpo.

Mas de verdade,

Dificilmente a gente lembra disso na hora de comer,

Não é?

O que a maioria de nós faz é comer para matar fome,

Para ter prazer,

Às vezes para aliviar algum desconforto emocional.

Tem muito disso também.

Se a gente está abaixo astral,

Come porque está abaixo astral.

Se bem que quando está feliz,

Também come,

Que é para comemorar.

A nossa relação com a comida,

Na verdade,

Ela nem sempre é consciente.

Um dos indícios disso é que comer é uma das atividades que mais fazemos distraidamente,

Sem atenção,

No piloto automático.

É ou não é?

A gente come vendo TV,

Lendo alguma coisa no celular,

Come enquanto dirige,

Enquanto caminha,

Trabalha comendo e come trabalhando,

Faz reunião de negócios no restaurante,

Traça um sanduíche na mesa do escritório.

É a refeição multitarefa.

Há inconvenientes em entregar para o piloto automático a direção do quando a gente come,

Do que a gente come e do como a gente come.

Por exemplo,

Colocar comida demais no prato,

Comer depressa,

Sem mastigar o suficiente,

Sem quase nem sentir o sabor da refeição,

Nem perceber os sinais que o corpo dá quando já comemos o bastante,

Que é a sensação de saciedade.

Saciedade não é aquela sensação de estômago cheio,

Onde não cabe mais nada.

É um bem-estar que surge mais ou menos 20 minutos depois que começamos a comer.

Nesse tempo acontece uma troca de mensagens químicas entre o estômago e o cérebro para sinalizar que já estamos alimentados,

Que o que comemos é o suficiente.

Mas se comemos com pressa,

Nem dá tempo de sentir esse bem-estar.

Só vamos parar de comer quando o estômago está cheio mesmo.

E a isso se junta o fato de que,

Num dia corrido,

A hora da refeição fica espremida entre os compromissos.

Quando finalmente a gente dá aquela parada para comer alguma coisa,

Come rapidinho.

E se a fome está grande,

Come a primeira coisa apetitosa que vem na frente.

E tem mais essa,

Viu?

Pro piloto automático nem é preciso estar com fome.

Esvaziamos um balde de pipoca no cinema,

Mesmo depois de jantar,

Porque é um hábito comer pipoca no cinema.

Começamos a beliscar distraidamente um pacote de bolacha que alguém levou para o escritório.

Afinal o pacote foi deixado lá para a gente comer mesmo.

E quando damos conta,

A bolacha acabou e o teclado do notebook está cheio de migalhas.

Bom,

Se você está em paz com a balança,

Com o piloto automático e tudo,

Não está mais aqui quem falou.

Mas se o que a balança mostra não está do seu agrado,

Abre o olho pro seu piloto automático.

Outro indício de que a nossa relação com a comida nem sempre é consciente,

É que muitas vezes o impulso de comer e a escolha do que a gente come vem do subconsciente.

Não se trata de fome,

Mas de uma vontade de comer para descontar a ansiedade,

O estresse,

A TPM,

A frustração,

O aborrecimento,

O coração partido,

O orgulho ferido,

A dor de cotovelo,

A saudade,

A tristeza,

A mágoa e outros estados emocionais.

Quem nunca descontou as amarguras da vida num bom pedaço de bolo,

Né?

Que atire a primeira pedra.

Não é à toa que nós associamos o alimento à alívio da dor,

E não só a física,

Mas também a emocional.

Quando bebês,

A gente começava a sentir um incômodo e muitas vezes isso evoluía para uma dor muito forte no estômago,

E então éramos acolhidos e alimentados.

E pronto,

Toda aquela agonia passava,

E ficávamos num estado de plenitude e paz,

Aconchegados num colo quentinho.

Ao longo da vida,

Muitas vezes nos deram guloseimas quando estávamos tristes,

Doentes ou aborrecidos.

Porque alimentar é muito mais do que um cuidado para a sobrevivência de outro ser humano,

É também um gesto de amor,

De confortamento.

O alimento nos remete a essa memória afetiva de termos sido acolhidos,

Supridos e protegidos.

E além disso,

Comer algo gostoso faz o cérebro liberar serotonina,

Que é uma das substâncias cerebrais que produzem a sensação de bem-estar.

A serotonina ameniza os efeitos dos estados emocionais negativos.

É por isso que quando bate um estresse,

Uma ansiedade,

Uma tristeza,

A gente vai atrás de chocolate,

Doce,

Massa,

Gordices em geral.

Tá vendo?

Você sabia que tinha um bom motivo para tacar a geladeira,

Né?

Que bom que nós temos esse recurso para aliviar as tensões emocionais.

E em nome do nosso equilíbrio e bem-estar,

É legítimo usar esse recurso.

O problema é que ele não é sustentável ao longo do tempo,

Porque gera efeitos colaterais.

Engorda,

Altera negativamente as nossas taxas metabólicas,

Colesterol,

Glicemia,

Triglicérides,

Aquela coisa toda.

Chega um momento em que descontar na comida começa a gerar efeitos psicológicos contrários aos que nós estamos buscando.

A gente se olha no espelho e não gosta do que vê.

O descontentamento conosco mesmos passa a ser mais um motivo para descontar na comida.

E quando fazemos isso,

Vem o auto julgamento e a culpa que nos leva a descontar de novo.

Enfim,

Entramos num círculo vicioso do qual dá trabalho para sair.

Agora eu venho com aquela minha pergunta de sempre,

E isso é familiar para você?

Você está nessa situação ou não quer estar?

Se sim,

Vamos começar a levar mais autoconsciência para a relação com a comida.

Tudo começa com um exercício bem simples,

Um exercício de comer consciente.

Escolha uma das ocasiões do dia em que você se alimenta.

Pode ser uma das refeições principais,

Café da manhã,

Almoço ou jantar,

Ou um lanche que você faz entre as refeições,

Aquela fruta no meio da manhã,

Um snack à tarde ou uma boquinha antes de dormir.

Minha sugestão,

Para começar,

Escolha uma dessas refeições intermediárias.

Comece com algo simples.

Primeiramente,

Se dê um tempo só para comer,

Sem correria.

Dez,

Quinze minutos talvez.

Nada de comer de pé ou andando.

Você vai se sentar,

E se der para sentar num lugar agradável,

Melhor ainda.

Deixe de lado celular,

Notebook,

Livro,

TV ou conversas,

Porque a intenção é comer com atenção,

Portanto,

Sem distrações,

Sem multitarefa.

Para começar,

Observe qual é a sensação no corpo antes de comer.

Você está com fome?

Como é a sensação de fome?

Vazio no estômago,

Sensação de baixa energia,

A cabeça meio zonza,

Algo assim?

É importante aprender a identificar esses sinais para você sempre distinguir a fome física,

Que é a necessidade de comer,

Da fome emocional,

Que é a vontade de comer.

Bom,

Aí você começa a comer,

E a ideia é se envolver com o alimento.

Se envolver com todos os sentidos.

Curta a aparência,

Sinta o aroma,

Perceba a textura,

Saboreie com atenção cada bocado,

Como se fosse o primeiro.

Faça isso sem pressa,

E mastigue bem.

Mastigue até que o alimento esteja completamente triturado e umidificado.

Não dê corda para pensamentos de preocupação,

Aborrecimentos ou antecipação de coisas que você precisa fazer.

Sempre que a mente viajar para longe,

Traga atenção de volta para a experiência com o alimento.

Agora,

Procure observar o que você pensa e sente a respeito do que está comendo.

Isso vai lhe trazer tomadas de consciência sobre a sua relação com a comida.

De repente você se dá conta de uma certa ansiedade para comer,

De um pensamento do tipo,

Hum,

Isso aqui tá bom,

Acho que eu vou querer mais.

Coisas assim.

Observe sem julgamentos,

Tá?

A ideia não é brigar com você mesmo,

Mas apenas se perceber.

E seja o que for que você perceber,

Está tudo bem,

Pegue leve com você.

Terminou de comer,

Observe como você se sente.

Você está satisfeito?

Como é a sensação de estar satisfeito?

Que efeito o alimento produz no seu humor,

Na sua disposição?

Olha,

Fazendo esse exercício pelo menos uma vez ao dia,

A gente vai aos poucos expandindo a autoconsciência na relação com a comida,

E começa a ter mais atenção a quando a gente come,

O que a gente come,

Como come e por que come.

E isso conta muito quando a intenção é emagrecer,

Por vários motivos.

A gente percebe quando a fome chega de mansinho e pode ser saciada com tranquilidade,

Antes que ela vire um desespero para comer,

E aí a gente come muito.

Percebemos quando o que temos é fome ou vontade de comer,

Os nossos impulsos e pensamentos em relação à comida.

Ficamos mais atentos à qualidade e �� quantidade do que colocamos na boca,

Mastigamos melhor e isso facilita a digestão,

Damos mais tempo para o cérebro detectar a presença de comida no estômago e produzir a sensação de saciedade,

E desfrutamos mais do alimento,

Temos mais prazer com a comida,

Podemos ficar satisfeitos sem ter que comer muito.

Olha,

Tem vários estudos que mostram que o comer consciente ajuda a emagrecer.

Tem este aqui,

Realizado pela Universidade do Texas,

Nos Estados Unidos,

Com 50 mulheres saudáveis entre 40 e 59 anos.

Essa é uma faixa etária em que não é tão fácil emagrecer,

Eu que o diga.

Então,

No estudo,

Elas foram orientadas a comer com atenção plena as suas refeições em um restaurante,

Por 100 semanas,

E todos os dias elas acabavam ingerindo 300 calorias a menos,

Sem mudar nada nos hábitos alimentares.

Resultado,

Todas emagreceram no final da experiência.

Tem um outro estudo que mostra que a intenção que se tem ao comer também contribui para o controle do peso,

E este foi feito na Universidade de Tübingen,

Na Alemanha.

Os voluntários eram obesos e não obesos,

E foram orientados a ter pensamentos específicos antes de se servir num restaurante por quilo.

O que a pesquisa constatou?

Quando o pensamento era sobre o prazer que teriam na refeição,

Os obesos pegaram porções maiores e os não obesos pegaram porções habituais.

Quando o pensamento era sobre os efeitos da refeição na saúde,

Todos pegaram porções menores.

E quando o pensamento era ficar satisfeito até a noite,

A maioria dos voluntários encheu o prato.

Então veja como a intenção que a gente tem ao se alimentar faz a diferença.

E se a gente junta a intenção com a atenção ao comer,

São dois recursos poderosos para ter uma relação mais saudável com a comida.

Você talvez esteja aí pensando,

Então tá,

É muito legal comer com intenção e atenção e coisa e tal,

Mas como praticar isso quando bate aquela ansiedade?

Como é que eu vou saborear calmamente um bumbum de chocolate quando a vontade é comer uma caixa inteira?

Faz sentido essa pergunta?

E a resposta é que o comer consciente,

Para ser efetivo nesses casos,

Ele precisa fazer parte de um trabalho mais abrangente,

Que envolva as emoções,

O estresse,

A ansiedade.

No meu programa de auto-gerenciamento,

Você Mais Centrado,

A gente trabalha isso.

O programa começa com o gerenciamento da atenção,

Evolui para a consciência corporal e emocional e daí para criar mais bem-estar e paz interior.

E a alimentação consciente tá envolvida nisso.

Aqui mesmo no podcast você pode ter contato com alguns desses assuntos,

Com dicas para colocar em prática.

Tem o episódio 9,

O que o seu corpo tem pra lhe dizer,

Que fala de consciência corporal,

E os episódios 11,

12 e 13 que tratam especificamente de ansiedade.

Existem também programas específicos de alimentação consciente para quem tem compulsão ou distúrbios alimentares.

Normalmente esses programas são oferecidos com o nome de Mindful Eating,

Que é o nome do protocolo em inglês,

Por psicólogos,

Médicos,

Nutricionistas,

Profissionais que se especializam nisso.

Pra encerrar esse episódio,

Eu vou contar o meu caos com alimentação consciente,

Que me ajudou a derreter 5 quilos de gordura.

Bom,

Depois que eu fiz 50 anos,

Ficaram mais intensas as transformações hormonais da minha idade,

Né?

Eu tinha uma alimentação saudável e fazia atividade física,

E mesmo assim comecei a engordar.

Uma noite,

Me arrumando pra uma festa,

Eu me olhei no espelho e disse pra mim mesma – tá na hora de emagrecer – e procurei um nutricionista.

A minha nova dieta ficou com quantidades bem menores de alimento.

A de arroz integral e feijão,

Que eu adoro,

Caiu pela metade,

60 gramas cada um.

Quando eu pesei essas quantidades no meu prato,

Sem brincadeira,

Eu achei que eu poderia contar os grãos do feijão.

A tapioca que eu comia depois da academia,

Que tinha aquele tamanho convencional de tapioca,

Encolheu pro tamanho de um pastelzinho.

Eu tive até que diminuir o tamanho da frigideira.

Comprei aquela menorzinha que existe pra fazer ovo frito,

Sabe?

Pois é.

No começo da dieta,

Eu olhava pro tamanho dos meus pratos e pensava – meu Deus,

Isso aqui vai ter que render.

Então eu pegava os bocados de comida com a ponta do garfo e mastigava por mais tempo.

Comia mais devagar.

Aos poucos,

Eu fui me acostumando com aquelas quantidades.

E olha,

Sinceramente,

Eu não saía da mesa com fome não.

Foi então que eu entendi o que é a tal da sensação de saciedade.

Você sente que se alimentou,

Mas não está com o estômago pesado.

Eu já não coloco mais comida na pontinha do garfo,

Porque me habituei ao tamanho do meu prato,

Mas mantenho o hábito de comer mais devagar e com o máximo de atenção.

Mesmo quando a família tá conversando na mesa e a TV tá ligada,

O que é um hábito da casa.

Agora,

No café da manhã,

Eu tô sozinha e em silêncio,

E aí eu faço meu comer consciente como mando figurina.

Eu sinceramente torço pra que esse episódio tenha inspirado você a rever a sua relação com a comida.

Comer é um dos grandes prazeres da vida,

E pode,

Deve continuar sendo,

Mas a satisfação que você pode ter com você mesmo,

Por se cuidar bem,

Por se querer bem,

É o mais gratificante de tudo.

Que você esteja bem.

Um abraço.

4.9 (43)

Avaliações Recentes

Bernadete

April 9, 2024

🙏

Eliana

January 23, 2022

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