
No. 15 - A Lagarta na Janela - Sobre Confiança na Vida | Podcast Autoconsciente
Será que precisamos ter garantias, certezas e condições que consideramos favoráveis para que nossos projetos se realizem? Para a mente, pode parecer que sim, mas isso gera dúvidas e expectativas e faz as coisas parecerem mais complicadas. No desfecho desta história, ficou pra mim como é mais simples viver quando confiamos na vida.
Transcrição
Eu lhe dou as boas-vindas ao podcast Autoconsciente,
Um podcast que entende você para ajudar você a se entender melhor.
Sou Regina Gianetti,
Coach e trainer de autogerenciamento com base em mindfulness,
E eu faço este programa para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.
A gente se olhar para se reconhecer,
Reconhecer as nossas fortalezas,
Aquilo que verdadeiramente nos apoia a realizar o que desejamos,
E reconhecer também os obstáculos que a nossa mente cria e que complicam as coisas na nossa vida.
Então vamos olhar para dentro,
Mas sem julgamento.
Vamos olhar com compreensão e autocompaixão.
Este é o convite que eu faço para você.
Se você escuta o Autoconsciente pela primeira vez,
Eu te convido também a escutar os episódios anteriores desde o início e em sequência,
Porque existe uma ligação entre eles.
Estão todos no meu site,
Www.
Vocemaiscentrado.
Com.
Br.
Faça uma visita,
Conheça o meu trabalho,
E se você tiver um comentário,
Escreve para mim.
Eu vou gostar de saber o que você está achando do podcast.
Convite número 15,
A lagarta na janela.
Eu vou contar aqui um caos.
É um caos verdadeiro que se passou recentemente comigo e que,
Ao mesmo tempo,
É uma metáfora que mostra como a mente cria expectativas e dúvidas sobre as coisas.
No desfecho dessa história,
O que ficou para mim é como é mais simples viver quando a gente confia na vida.
É noite e eu falo no celular,
Sentada na minha cadeira no escritório de casa.
E olhando pela janela enquanto eu falo,
Eu vejo uma lagarta agarrada na esquadria de madeira,
Bem rente ao vidro.
Na hora está escuro e eu não dou muita atenção para aquilo.
Mas no dia seguinte,
Na claridade da manhã,
Logo que eu sento na cadeira,
Eu vejo que a lagarta ainda está lá,
E aí eu vou olhar mais de perto.
Ela está de cabeça para baixo e presa na esquadria pelo rabo,
Que é como as lagartas ficam quando começam a formar um casulo.
É uma lagartinha verde do tamanho do meu dedo mínimo,
Com um corpo cheio de gomos e umas listras marrons.
E até que ela é bonitinha.
Fico achando o máximo uma lagarta escolher a janela bem na frente da minha mesa para metamorfose dela.
Se tem uma janela para que eu olhe em casa,
É aquela.
É aquela janela que o meu olhar atravessa nas divagações.
E falando em divagação,
A mente viaja um pouco no fato.
Uma metamorfose na minha janela?
O que será que isso significa?
Será que é porque eu estou no ano de mudanças?
Aí eu tiro foto,
Compartilho no Facebook,
Faço lá uma graça.
Ganhar likes é bom,
Né?
Faz o cérebro liberar serotonina,
Que provoca bem-estar.
No resto do dia,
O meu olhar divagante não atravessa mais a janela.
Vai direto para a lagarta.
E eu começo a pensar se aquele não é um lugar meio desprotegido para formar um casulo.
Onde eu moro tem muito verde,
É uma cidade do interior de São Paulo,
E é comum aparecer casulo em torno da casa,
Mas geralmente em lugares mais protegidos,
Até escondidos.
No teto da garagem,
Em beiral de telhado,
No abrigo do botijão de gás,
No canil,
Até embaixo da soleira da porta eu já vi.
Agora,
Na esquadria de uma janela junto ao vidro,
A lagarta fica ao relento,
Exposta à chuva,
Ao vento,
Ao frio da madrugada e a outros bichos também.
Imagino que ela poderia ser devorada por um pássaro.
Uma lagarta parada ali,
Dando mole,
É presa fácil.
E além disso,
Tem a faxineira,
Que limpa a janela toda semana,
Tem o movimento diário de abre e fecha da janela,
Que no mínimo vai chacoalhar a lagarta.
Definitivamente,
Este não é o melhor lugar para um casulo.
Mas como a lagarta pode imaginar tudo isso,
Né?
Ela só é guiada pelo seu instinto.
Um dia ela sai do meio das plantas e busca uma superfície para se fixar.
Se no meio do caminho tem uma janela,
E bem ali o seu relógio biológico faz ela parar,
Ela para.
Se vão abrir a janela,
Se vai vir uma faxineira limpar na segunda-feira,
Se vai chover ou aparecer um predador,
Isso é coisa que só a mente humana pode imaginar.
Bom,
Que se cumpra,
Então,
O destino da lagarta.
Em todo caso,
Eu declaro a janela uma área de proteção ambiental.
Aviso a família,
Aviso a faxineira para ninguém mexer ali e até colo um papelzinho no vidro.
Cuidado com a lagarta.
De manhã,
A primeira coisa que eu faço ao entrar no escritório é ver como ela está.
Passam dois,
Três,
Quatro dias e ela continua igual,
Inerte.
Bom,
Pelo menos ela não foi devorada.
Mas não tem nada de novo,
Um princípio de casulo,
Nada.
Boto os meus óculos de leitura para enxergar melhor a elba.
Pois é,
Eu já dei um nome para ela.
Acho que eu estou me afeiçoando.
E flagro a minha mente criando expectativas.
Como será que ela vai ficar?
Imagina uma borboleta verde,
Quem sabe azul,
Voando entre as árvores no fundo da casa.
Olha que imagem poética,
A insustentável leveza do ser.
Quanto tempo leva para uma lagarta virar borboleta?
Até pesquiso na internet e descobro que,
Dependendo da espécie,
Pode levar meses.
Às vezes a elba me dá a impressão de que está morta e surge uma dúvida na mente.
E se essa metamorfose não acontecer?
Dúvida que só surge porque existe,
Claro,
A expectativa de um determinado resultado.
E aí percebo o quanto estou apegada à ideia de ter uma lagarta se transformando na minha janela.
Mas a revelia de todas essas minhas elucubrações,
O processo da elba prossegue.
No quinto dia,
Ela amanhece murcha e encurvada.
E no sétimo,
Amanhece encasulada.
Da noite para o dia,
O corpo da lagarta é envolvido por uma membrana verde,
Com a aparência de uma folha.
E assim fica por três semanas.
Venta,
Esfria,
Esquenta.
Ah,
E chove também,
E forte.
E a elba continua lá,
Firme,
Agarrada à janela.
Às vezes,
Eu examino ela de perto para ver se não apareceu nada de novo.
Mas não,
Ela continua igual.
Um dia,
Percebo que o casulo ficou meio esbranquiçado.
E logo na manhã seguinte,
Ao sentar na minha cadeira,
Eu levo um susto com a baita borboleta que eu vejo,
Já completamente fora do casulo.
A elba havia nascido.
Aquela borboleta verde,
Quem sabe azul,
Dos meus devaneios?
Esquece.
As asas da elba são marrom e cinza prateado,
Com manchas amarelas,
Pretas e laranja.
Eu dou risada das cenas que eu imaginei,
E chego bem perto para conhecer e fotografar a linda borboleta pousada na minha janela,
Antes que ela voe para sua nova vida.
Posto uma foto da elba no Facebook,
Claro,
E uma amiga comenta que eu assisti de camarote a uma das mais belas manifestações da vida.
Verdade,
Sissa,
A metamorfose é algo muito bonito de se ver.
E que dá o que pensar.
Acompanhar um fenômeno da natureza nos restitui uma noção de tempo que a gente está perdendo nesse mundo acelerado em que a gente vive.
Eu lembro de como,
Nos primeiros dias,
Eu fiquei na expectativa de alguma mudança no estado da lagarta,
E tudo o que eu via era o corpinho inerte dela balançar de leve com o vento.
Ser humano gosta de rapidez,
Tem senso de urgência,
Acelera projetos,
Processos,
Viagens,
Construções.
Mas a natureza não tem pressa,
Não tem impaciência.
Faz bem a gente contemplar o desenvolvimento de um ser vivo,
A floração de uma planta ou uma fruta crescendo na árvore.
Nos lembra de como certas coisas na vida têm um tempo de acontecer,
Têm um processo que não pode ser acelerado.
Você olha para o casulo de uma borboleta por três semanas e,
Externamente,
Não tem nada acontecendo.
Mas,
Lá dentro,
Está tudo acontecendo.
Quando a borboleta sai do casulo,
É inevitável se perguntar como é que pode brotarem asas coloridas e pernas compridas e uns olhos enormes do corpo tubular de uma lagarta.
E isso me faz lembrar daquelas vezes em que a gente acha que alguma situação da nossa vida está parada,
Que o que a gente quer não está acontecendo ou que está tudo amarrado.
Será?
Tem algo acontecendo,
Sim,
Apesar de a gente não conseguir ver.
Fatos estão se desenrolando,
Circunstâncias estão se combinando e,
De repente,
Uma novidade surge.
Você olha para algo tão delicado quanto um casulo e fica em dúvida se ele vai resistir às intempéries.
Mas,
Assim,
Pensamos nós,
Humanos.
Com a nossa mente poderosa,
Imaginamos possibilidades,
Antecipamos riscos.
Usamos a nossa inteligência para nos proteger.
Calculamos os passos para que os nossos projetos dêem certo e mantemos situações sob controle para garantir que dêem certo.
Preferimos ter segurança a confiar no acaso.
Mas será que a natureza deixa suas criaturas ao acaso?
O casulo,
Afinal,
Resistiu muito bem às madrugadas de inverno,
Ao vento e à chuva forte.
E a elba nasceu numa manhã de sol em meio a vários dias chuvosos.
Com o tempo mais quente,
Suas asas secaram e se alisaram em poucas horas.
E ela logo partiu voando.
Se a sua metamorfose foi concluída com sucesso,
Certamente foi porque uma ordem invisível,
Complexa e perfeita cuidou para que assim fosse.
E não será assim também com a nossa vida?
Será que precisamos ter garantias,
Certezas e condições que consideramos favoráveis para que os nossos projetos se realizem?
Para a nossa mente,
Pode parecer que sim.
Mas isso é porque temos expectativas de um determinado resultado e o receio de que ele não seja alcançado.
Estamos sujeitos,
Realmente,
A que um projeto nosso não se realize.
Isso acontece,
E aí temos que buscar um outro caminho,
Começar de novo.
Por outro lado,
A vida também nos traz boas surpresas,
Acontecimentos totalmente inesperados que impulsionam os nossos projetos.
Recebemos uma ajuda,
Ou um problema se resolve por si só,
Ou do nada surge algo que muda completamente o rumo das coisas e nos favorece.
E não é?
Surpresas boas já não aconteceram para você?
Pois é.
A lagartinha verde que se prendeu à minha janela me convidou a refletir sobre tudo isso.
Processos têm um tempo para se realizar.
Seja paciente.
Aparentemente pode não ter nada acontecendo,
Mas longe dos nossos olhos tem muita coisa acontecendo.
Acredite.
Uma ordem invisível,
Complexa e perfeita está agindo.
Lembre-se disso.
Essa ordem agiu na vidinha da elba e age na nossa também.
Confie.
Que você esteja bem.
Um abraço.
Conheça seu professor
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