
Terra Ancestral - Sabedoria Indígena Norte-Americana
by Prem Ramam
Nesta produção musical, utilizo os ensinamentos dos povos originários do Norte buscando a sensibilização da escuta e da conexão com nossa terra, bem como o resgate do respeito às tradições indígenas de nosso país, também dotados de grande sabedoria e conhecimentos necessários da Floresta. Pela preservação da Amazônia e de todos os biomas e reservas naturais de nosso país.
Transcrição
Houve um tempo em que a natureza fortalecia o homem,
Instruía-o,
Curava-lhe as feridas e lhe proporcionava a força de viver.
O homem estava repleto de compaixão e de amor maternal pela terra e sabia que seu coração afastado da natureza torna-se seco e duro.
Esse tempo não desapareceu,
Ele se encontra dentro de ti,
Indestrutível.
Basta apenas modificar o teu modo de olhar as coisas,
Não dar ouvidos a algazarra do mundo e encontrar novamente a voz do coração.
A terra é tua ancestral,
Ela é sagrada.
Deves honrá-la,
Agradecer-lhe pelo alimento e pela felicidade de viver.
Se não vês razão para tal agradecimento,
A falta reside em ti mesmo.
Desperta cedo pela manhã,
Molhe-te com água fria e oferece uma prece muda ao sol.
Com um sentimento de aurora no coração,
A criação recomeça contigo.
Tu não estás separado dos outros,
Encerrado numa solidão mortal,
Com aflições e doenças que só diriam respeito a ti.
Volta-te para os outros,
Aprende a olhar de outra maneira o mundo que te cerca.
Concebe pensamentos de harmonia por todas as formas de vida,
Se desejas encontrar a felicidade,
Pois tu és o irmão e a irmã de todas as criaturas.
A simplicidade nunca é banal e tediosa,
Sua riqueza é infinita,
Constantemente nova para aquele que olha o mundo com novos olhos.
Prece ao Grande Espírito.
Oh,
Grande Espírito,
Cuja voz eu escuto nos ventos e cujo sopro dá vida a todas as coisas,
Escuta-me,
Torna-me sábio,
De modo que eu possa compreender o que tu ensinaste a meu povo e as lições que escondeste em cada folha e em cada pedra.
Peço-te força e sabedoria,
Não para ser superior a meus irmãos,
Mas a fim de ser capaz de combater o meu maior inimigo,
Eu mesmo.
Os índios que vivem perto da natureza e do Senhor da natureza não vivem na obscuridade.
Sabias que as árvores falam?
Elas falam entre si e falarão contigo,
Se souberes escutá-las.
As estações da terra são também as estações da alma e as do corpo.
O homem desperta na primavera,
Afirma sua força e sua paixão de viver no verão,
Torna-se meditativo no outono,
Volta-se para dentro de si mesmo e contempla os outros mundos no inverno.
É assim que a roda gira,
Levando os vivos e os mortos,
O sol e a chuva,
A noite e o dia,
Na dança do eterno retorno.
Olhai,
Meus irmãos,
A primavera voltou,
Cada grão desperta e assim também todo animal revive.
É ao seu poder misterioso que nós igualmente devemos nossa existência,
E eis porque concedemos aos nossos vizinhos,
Mesmo aos nossos vizinhos animais,
Os mesmos direitos que temos de habitar esta terra.
Aprende a gozar o instante de beleza das coisas,
O voo de um pássaro,
Os rumores do vento,
O canto das fontes,
A misteriosa penumbra de um bosque.
Torna-te como a criança que se surpreende com tudo,
E o tempo se deterá,
E tu farás a experiência do mundo através de teu próprio corpo.
Tudo passa,
As horas,
As nuvens no céu,
A vida dos homens,
Levados desde o nascimento em direção à morte.
Não te apegues à cronologia afetiva dos acontecimentos,
Não é uma boa maneira de ver o mundo.
Faze de cada minuto uma experiência enriquecedora,
Sem te inquietares com o tempo que foge nem com as manhãs que não voltam mais.
O presente é a única coisa que não tem fim.
Cada árvore é um objeto de respeito.
Quando mergulhamos bem fundo no interior de nós mesmos,
Desembocamos inevitavelmente na imensidão do mundo.
Podemos,
De maneira fácil,
Tomar o lugar de uma árvore,
De uma montanha,
De uma folhagem que respira.
Podemos nos tornar o voo do pássaro e até o perfume de uma flor.
Tu tens em ti mesmo o poder de experimentar as possibilidades inauditas da natureza pela experiência interior que nos conduz ao centro de todas as coisas.
Agradece cantando e dançando como fazem os sóis e as estrelas no céu.
Queres vencer o medo da morte?
Então olha a tua volta.
A natureza não conhece o frio da morte,
A imobilidade,
A interrupção da vida.
Na primavera,
Ela exprime a juventude,
A paixão de viver,
A generosidade.
No inverno,
Ela sonha,
Encolhida em si mesma,
Renova suas forças e prepara o retorno da primavera.
Considera a morte um sono reparador.
Tu és semelhante à árvore plantada na terra cuja folhagem toca o céu.
Esta imagem é a do equilíbrio perfeito que reúne céu e terra num mesmo corpo.
Esta auto-percepção atrai uma multidão de pensamentos felizes que pousarão sobre os teus galhos como os pássaros.
Protege a vida,
Todas as formas de vida,
Como se cuida de uma árvore que acaba de ser plantada,
Abrigando-a do sol e das tempestades.
Cuidar da vida é amá-la.
Não te limites a considerar a natureza um quadro no qual tu podes encontrar socorro,
Curar as doenças da alma e do corpo.
A natureza não é exterior a teu espírito.
Ela não é um mundo diferente,
Afastado,
Difícil de compreender.
Malgrado o jogo das aparências,
Tu e a natureza não tendes senão um só espírito.
As árvores das cidades são seres separados,
Podadas e distribuídas aqui e lá.
As árvores das cidades são seres separados,
Podadas e distribuídas aqui ou ali de acordo com a nossa conveniência,
Como se fossem nossos súditos,
Nossos objetos,
Nossos animais domésticos.
Quando tu olhas uma árvore perdida,
Esquecida numa praça ou à beira de uma avenida,
Pede perdão pelo mal que lhe fizeste.
Quando acaricias um animal,
Recebes seu espírito e lhes comunica o teu.
O amor permite esse misterioso contato das almas.
Os dramas humanos e as catástrofes ecológicas têm a mesma causa.
O homem afastou-se do coração da natureza,
Que é também o seu coração.
Esquecendo a vida sensível do mundo,
Ele acabou por esquecer a si mesmo.
Os Cheyennes das planícies sabiam que a perda do respeito devido a todas as formas vivas,
Humanas,
Animais e vegetais,
Conduz igualmente a perda do respeito devido ao próprio homem.
Assim,
Conservavam os mais jovens sob a doce influência da natureza.
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4.9 (42)
