
Compreendo Mas Não Sinto - O que Fazer?
by Pedro Kupfer
Respondendo à pergunta que aparece no caminho de muitos buscadores: se é verdade que já somos ilimitados, porque é que não nos sentimos plenos? Esta meditação lhe ajudará a sentir-se pleno com a sua própria presença, a sentir-se em casa, ao adentrar em si.
Transcrição
OM ASATUM MASAT GAMAYA TAMASUM MAJYOTIR GAMAYA MRTYOR MA AMRTAM GAMAYA OM SHANTI SHANTI SHANTI OM Olá,
Você pode ter começado a praticar Yoga faz um bom tempo.
Você pode ter escutado o ensinamento sobre o autoconhecimento em mais de uma ocasião,
Ou lido sobre ele,
Ou refletido sobre ele.
E de algumas coisas você pode ter gostado.
Outros temas dentro do autoconhecimento podem ter despertado dúvidas ou desconcerto.
Até aí tudo bem,
Dúvidas fazem parte do caminho e é bom que as tenhamos.
Bem,
Você pode ter ficado com um espinho,
Uma dúvida cravada na mente,
Em relação a como lidar com seus próprios sentimentos.
Dessa maneira,
Algo bastante recorrente no caminho da espiritualidade é que surja uma pergunta como esta.
Posso compreender o que esta visão me propõe,
Porém não me sinto pleno.
Como é que isso pode acontecer?
Essa é a que nós chamamos a pergunta candente,
A pergunta que não quer calar.
Candente,
Pois talvez seja o mais importante e recorrente dos questionamentos que possam surgir ao longo desta caminhada.
Como essa questão já assomou a cabeça sobre diferentes formas ao longo da sua relação com a espiritualidade,
Eu achei que seria bom responder a questão aqui esperando que a explanação esclareça todas as suas dúvidas a respeito.
Vamos por partes.
Em primeiro lugar,
Traga a atenção para o seu corpo e a sua respiração Para se focar no que temos para dizer,
Eu recomendo que você,
Por um momento,
Observe,
Antes de mais nada,
As sensações do seu corpo físico e que você permita que essas sensações se tornem o foco do seu pensamento agora.
Depois,
Observe a sua respiração natural.
Você não precisa respirar fundo nem controlar a respiração.
Apenas repare que você estava respirando e continua respirando agora conscientemente Para responder adequadamente essa pergunta,
Precisamos compreender a diferença fundamental que existe entre o que somos e o que sentimos.
Esse é um dos aspectos do ensinamento que já foram abordados em outros lugares,
Mas cabe trazê-lo para este momento agora.
Você não é o que você pensa.
Você não é o que você sente.
Você não é o conteúdo da mente,
Mas o ser calmo graças a quem a mente existe.
Você não é a variedade das reações emocionais que surgem quando os pensamentos vão se alinhavando.
É fato que nós não podemos controlar nossos pensamentos.
A mente tem sua própria agenda e ritmos.
Também é fato que não podemos controlar as nossas emoções.
Quando,
Por exemplo,
Um sentimento de raiva aparece,
Ele não pede a nossa permissão para se manifestar.
A raiva não nos diz,
Da licença meu querido,
Eu vou me manifestar daqui a meia hora.
Ela simplesmente acontece.
O mesmo vale para a tristeza ou o medo.
Essas emoções explodem sem aviso.
Assim,
Aquilo que nós pretendemos fazer ao longo deste processo é dar algum tipo de comando à mente.
E repare que usamos a palavra comando e não controle,
Que é bem mais séria.
Quando conseguimos dar uma certa direção à mente,
Os sentimentos autodestrutivos ou indesejáveis ficam atenuados.
Podem ficar até latentes,
O que significa que eventualmente poderão voltar,
Mas não necessariamente com a mesma contundência.
Uma vida psicológica saudável se constrói na forma de um movimento pendular entre pares de opostos.
Alegria e tristeza,
Confiança e receio,
Medo e coragem,
Afeto e raiva,
Paciência e falta dela.
Essa oscilação é saudável e desejável.
Quando ela nos falta,
Perdemos o equilíbrio.
Por exemplo,
Excesso de alegria é um transtorno chamado mania.
Um caso de maníaco é aquele inimigo do Batman,
O Coringa que vive com aquele sorriso medonho congelado no rosto.
Excesso de tristeza,
Por outro lado,
É o que nós chamamos depressão.
Em alguns casos,
Os picos de euforia e tristeza se sucedem e misturam.
Nós não podemos pretender ficar sempre alegres.
Naturalmente,
Como diz aquela bossa nova,
É melhor ser alegre que ser triste.
Porém,
A alegria não é a melhor coisa que existe,
Como diz a letra.
A melhor coisa que existe é a paz,
É você ter calma.
A melhor coisa que existe é conhecer a si mesmo como plenitude,
Desfrutando tanto da alegria como dos inevitáveis momentos de melancolia que possam vir depois dela.
Dizemos isso pois,
Quando falamos em plenitude,
Felicidade ou realização pessoal,
Pode surgir a ideia de que a liberdade ou a iluminação que o Yoga nos propõe é ficar em algum estado de êxtase constante,
A partir do qual não teríamos nunca mais nenhum sentimento frustrante ou indesejável.
O tema não é esse.
O tema aqui é perceber,
Apreciar e desfrutar esse movimento pendular desejável das nossas próprias emoções,
Abraciando dessa maneira a ordem psicológica tal como ela é.
Pensar,
Por exemplo,
Que a tristeza seja indesejável nos impede de aprender aquilo que ela tem para nos ensinar.
Se considerarmos a tristeza como um problema,
Poderemos desenvolver um sentimento de culpa quando ela se manifesta ou achar que estamos praticando da forma errada.
A boa notícia é que podemos deixar de lado essa ideia.
A vantagem de abandonar a crença de que deveríamos controlar as emoções ou ter apenas alguns tipos de sentimentos,
Nos liberta da culpa que isso possa nos trazer.
Assim,
Ficamos mais leves,
Aliviamos o coração,
O que não significa,
Por outro lado,
Que nos tornemos frios ou indiferentes àquilo que sentimos.
Pelo contrário,
Elaboramos uma relação mais equânime e próxima com nossos próprios sentimentos,
Integrando uma emocionalidade mais profunda e próxima com os demais.
Uma maneira bem prática de lidar com a tristeza,
Por exemplo,
É darmos a ela um veículo até que sem fraqueza,
Como escutar músicas que a sublimem e nos ajudem a compreender que é humanamente normal ficarmos tristes de vez em quando.
Em outras palavras,
Não precisamos lutar contra essas emoções.
Nunca estivemos separados do ser.
Nunca houve alienação.
Você não pode se separar daquilo que você é.
O ser não pode ser tirado de si.
O ser está presente em todas as emoções,
Até mesmo no sentimento de alienação.
Precisamos nos lembrar disso no momento em que esse tipo de conteúdo comece a se manifestar para poder neutralizá-lo.
Nenhuma emoção deveria nos custar a plenitude,
A consciência que somos.
Assim,
É uma questão de lembrar que toda e qualquer emoção é manifestação do ser ilimitado na forma da ordem emocional.
Medo,
Raiva e tristeza fazem parte dessa ordem.
Portanto,
Não precisamos negar essas emoções,
Mas abraçá-las,
Dar a elas as boas-vindas,
Reconhecê-las como as experiências finitas que são e permitir que elas se evaporem,
Como sempre acaba por acontecer,
Lembrando que somos plenitude.
Toda experiência é experiência do ser.
Se antes disso,
Deixamos de buscar a plenitude em alguma experiência especial,
Paramos de correr atrás daquilo que atrai o nosso ego ou de rejeitar aquilo que lhe julga como indesejável.
Paramos também de buscar uma solução mágica para nossos problemas.
A confiança total é possível e vem com a compreensão da não separação e da infalibilidade da ordem.
Deriva da lembrança de que nunca estivemos longe do amor que somos.
Então volte por favor a observar o corpo,
Percebendo como ele está estabilizado na postura que você escolheu para começar.
Relaxe as pálpebras sobre os globos oculares e observe como você se sente agora.
Lembre que você é a pessoa simples,
Invariável,
Presente em toda e qualquer emoção,
Em todo e qualquer pensamento.
Pense no significado da palavra entrega e entregue-se,
Permita-se ser quem você é,
Sem interferências da mente ou do ego.
Deixe de lado por um momento pensamentos ou desejos.
Deixe de lado suas preocupações,
Só por agora.
Deixe de se centrar tanto nas suas coisas pessoais e tire agora o ego do centro das suas atenções.
Abra mão da ânsia de controle.
Repare na presença do ser na forma da ordem,
Na forma das leis universais.
O ser que você é não é influenciado pelos pensamentos.
O ser que você é não sofre,
Nunca sofreu.
É como as pétalas da flor de lótus que não são manchadas pela lama na qual ela cresce.
Ver algo diferente disso é um erro existencial.
Dê essa chance para si mesmo.
Entregue-se à ordem maior.
Confie!
Bem,
Vamos agora concluir esta reflexão.
Muito obrigado por nos escutar.
Tudo de bom para você.
Namastê.
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