
Meditação Guiada: Revendo o Drama da Vida
Você tem dificuldades em aceitar o comportamento de outras pessoas? Costuma culpar os outros pelas suas frustrações ou até mesmo a si próprio quando algo dá errado? Nesta meditação ensinada no livro "Orações e Meditações ao Amanhecer" de Swami Dayananda Saraswati e traduzida pelo Vidya Mandir; vamos rever o drama da vida, buscando aceitar os outros assim como a nós mesmos. A aceitação é a chave para seguirmos em frente, deixando os acontecimentos do passado no passado. Que possamos aprender a aceitar e viver na alegria de entender que tudo na vida vem para o nosso próprio bem. Uma linda meditação. Hariḥ Oṁ, Patricia de Abreu ॐ
Transcrição
A gente pode iniciar a nossa meditação encontrando uma posição confortável para sentar,
Acomoda os seus riscos,
Estende bem as suas costas e une as palmas das mãos frente do seu coração.
Sempre iniciamos com o mantra,
Que é como se ele selasse esse momento,
Deixando para trás o que já passou,
Deixando o futuro e trazendo essa conexão com o aqui agora,
Com esse momento onde você vai se dar o direito de parar tudo para ficar consigo mesma,
Tentando o recolhimento e a descoberta de você.
Inspira para o fundo.
Si,
Shan,
Ti,
Hu.
Polegares e indicadores unidos,
No gesto do conhecimento,
Nyanamudra,
Últimos ajustes na postura,
Fazendo o que eu preciso fazer para que depois o corpo encontre a imobilidade,
Firme,
Imóvel,
Relaxado e descontraído.
Nidhi e Vyasanas são meditações de reflexão.
A atenção continua no terceiro olho,
Enquanto eu escuto,
Questiono e contemplo.
Se por ventura eu for levada para um outro local,
Que não seja a da atenção do aqui agora,
Da presença,
Do ouvir e contemplar,
Amorosamente observo a distração,
O tolo ela,
Deixo de lado e volto para esse momento,
Revendo o drama da vida.
Existem diferentes tipos de aceitação.
Quando aceito o passado,
Que tipo de aceitação é essa?
É uma aceitação com relutância?
É uma aceitação com ressentimento?
Ou é somente uma clara e simples aceitação?
Quando aceito com ressentimento ou relutância,
Minha atitude frente ao que é aceito é distinta.
Quando aceito totalmente,
A minha disposição de espírito é diferente.
Um trabalho que me é dado,
Do qual não gosto,
Aceito com relutância ou ressentimento.
Mas quando alguém me oferece uma flor,
Aceito-a totalmente com gratidão e alegria.
A disposição de espírito necessária para aceitação é aquela que se obtém ao receber alguma coisa alegremente.
Quando eu faço,
Quando reconheço certos aspectos da natureza,
Como montanhas,
Árvores ou o céu.
Para entender essa disposição,
Imagine um claro céu azul,
Ou um céu à noite iluminado pela lua.
Muitas estrelas e planetas,
Todos brilhando e resplandecendo.
Eu não quero que o céu seja diferente,
Muito menos as estrelas,
A lua e aquelas grandes estrelas.
A lua e aquelas grandes e pequenas nuvens flutuantes.
Nem quero que eu mesmo seja diferente.
Existe uma total aceitação.
Aqui sou totalmente objetivo.
Meus desejos,
Meus gostos e aversões estão ausentes.
Não culpo o céu,
Não culpo nada.
Sou totalmente objetivo,
Aceito o que é.
Se tenho que aceitar o meu passado,
Todos aqueles personagens,
Pessoas,
Situações que abrangem o meu passado,
Que representam papéis constituindo o meu passado,
Aceito-os como eu aceito o céu.
Posso,
Com a mesma atitude,
Aceitar as pessoas que desempenharam papéis de meu passado?
Cada uma delas contribuiu para o meu passado,
Para a minha mágoa,
Para a minha dor e para a minha tristeza.
Embora eu reconheça suas contribuições,
Não posso me permitir responsabilizar qualquer uma delas.
Cada uma agiu como agiu devido ao seu passado.
Nenhuma delas poderia fazer mais do que fez.
Quando criança,
Eu também não poderia fazer melhor.
Assim,
Aceito a criança em mim e minha interpretação das várias situações.
Aceito totalmente cada uma das pessoas envolvidas.
Consigo me relacionar com qualquer pessoa com o mesmo estado de espírito que tenho quando vejo o céu claro e azul.
Aceito a minha mãe sem problemas,
Suas atitudes,
Sua falta de sensibilidade,
Com a mesma atitude.
Aceito meu pai,
Seus problemas,
Seus hábitos,
Sua raiva,
Sua falta de zelo.
Não tenho dificuldade em aceitar as virtudes deles.
O problema existe somente em relação à falta de consideração e à sensibilidade da pessoa.
Cada pessoa é o que pode ser.
Ninguém pode ser mais do que é.
Aceito o fogo como é,
Quente,
Aceito e lido com ele.
Assim também,
Objetivamente,
Aceito meu pai,
Minha mãe,
Minhas irmãos e irmãs.
Todas essas pessoas que entraram em minha vida,
Contribuindo de uma forma ou outra,
Com algum grau de dor,
Todas eu aceito.
Faço isso sabendo muito bem que cada uma causou-me um tanto de dor.
Não digo que eram anjos,
Não digo que foram boas para mim.
Reconheço seus papéis causando sofrimento em mim,
Mas ao mesmo tempo aceito-os objetivamente como elas são,
Como eram.
Meus professores,
Meus colegas,
Amigos,
Namorados,
Namoradas,
Todos que contribuíram com seu bocado para minha mágoa.
Relaciono-me com cada um,
Com o mesmo estado de espírito que tenho quando olho para o céu.
Posso não ter a mente que apresento quando uma flor me é oferecida.
Posso vir a ter esse tipo de mente mais tarde.
Mas,
Por enquanto,
Tudo o que eu almejo é a mente que se apresenta quando olho o céu.
As montanhas,
As árvores,
Os passarinhos,
Os animais em seus próprios habitados.
Assim como olho para eles objetivamente,
Assim também aceito cada indivíduo como eu os recordo.
É um processo,
Não deixo ninguém de fora,
Não culpo ninguém.
Às vezes culpamos,
Às vezes não.
Não deixo ninguém de fora,
Não culpo ninguém.
Às vezes culpamos a nós mesmos,
Isso é outro erro,
Eu não me culpo.
Eu era totalmente impotente em minha infância e também muitas vezes anos mais tarde.
A personalidade que se formou em minha infância,
Quando eu era impotente,
Continuou a interpretar situações mantendo-me naquela condição.
Por essa razão,
Não há o que culpar.
Nem quero culpar os outros,
Não posso me permitir culpar os outros.
Oh Ishwara,
Que me seja dado aquele estado de espírito que aceitará totalmente todo indivíduo com quem eu tenha me ligado ou que tenha me abalado.
Cada um é somente o que pode ser,
Não culpo nenhum deles.
Dê-me disposição para aceitar essas pessoas como são,
Como eram.
Não quero mudar o meu passado,
Porque não posso mudá-lo.
Não posso mudar os acontecimentos passados.
Também não posso mudar as minhas reações.
Tudo o que busco,
Ishwara,
É um estado de espírito objetivo.
Na falta de uma alegre disposição,
Dá-me,
Por favor,
Objetividade,
De modo que eu possa aceitar todos esses personagens que representaram seus papéis no drama da minha vida.
Que drama,
Não quero mudá-lo,
Já foi encenado.
Permite que eu tenha disposição de ânimo que me ajude a rever todo o drama e cada um dos seus personagens de maneira objetiva e com divertimento.
Não quero mudar nenhum deles,
Não quero mudá-los.
Quando acuso,
Não quero mudar.
Quando fico ressentida,
Quero mudar.
Porque eu tenho o estado de espírito que vai aceitar todos esses personagens e minhas reações frente deles.
Eu tenho o estado de espírito à alegre para aceitar quem eu sou.
Ou alegre,
Tranquila.
Nesse estado de espírito igual a quando eu olho para a lua ou para o céu.
Estou preparada para tentar integrar tudo isso lá fora.
Eu faço qualquer tipo de visualização.
Eu torno a atenção para a respiração.
Nossa meditação termina aqui.
Tomando consciência do corpo,
Externalizando a atenção e unindo as palmas das mãos à frente do coração.
Paz,
Paz,
Paz.
Namastê.
Conheça seu professor
4.9 (7)
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