
Mariana Rocha Entrevista Karina Oliani - Parte 1
A Health Coach Mariana Rocha, fundadora do "Quero Harmonia", tem como convidada Karina Oliani, médica especializada em Wilderness Medicine (Medicina e Resgate em Áreas Remotas), atleta e apresentadora de televisão. É a mais jovem brasileira a escalar o Monte Everest, foi também a primeira mulher sulamericana a escalar o Everest por suas duas faces. Ela também é bi campeã brasileira de wakeboard e snowboard. Atualmente apresenta o programa Missão Extrema no canal Discovery Brasil. Também é a fundadora e atual presidente da ABMAR (Associação Brasileira de Medicina de Áreas Remotas).
Transcrição
Hoje eu tenho o prazer de entrevistar a Karina Liane,
Ela veio como convidada nessa sinergia do mundo do planeta,
Eu tô muito,
Muito,
Muito,
Muito feliz,
Super animada que a gente já conquistou bastante coisa no backstage e agora eu quero que ela conte um pouquinho pra gente,
Pra vocês que estão assistindo,
Essa história maravilhosa que ela foi construindo ao longo da vida,
Que eu acho que isso é importante,
A gente quer empoderar,
Inspirar e encorajar cada um a construir seu caminho e seguir o caminho do coração.
Karina,
Bem-vinda!
Obrigada,
Mari,
Que prazer enorme estar conhecendo uma pessoa como você.
Gente,
Não sei o que cada um aqui acredita,
Mas eu tenho certeza que a gente atrai o que a gente busca e o que a gente emana e obrigada,
Universo,
De estar conhecendo uma pessoa assim.
Começou a conversa,
Ela falando que a missão dela é mudar a vida das pessoas,
Aumentar a vibração do planeta e.
.
.
Namastê!
Namastê!
Gratidão demais por estar aqui.
Mas,
Kar,
Posso chamar assim,
Já que a gente começou a bater um papo incrível?
Eu queria que você contasse dessa história,
O que te inspira,
O que te inspirou a seguir essa profissão que você seguiu.
A Karina é médica,
Eu não falei?
A Karina é médica,
Ela é focada em resgate em lugares remotos,
Já pensa nisso.
Ela adora esportes rádicais,
Então também,
Por isso que moveu essa paixão e agora está com novos projetos que ela vai contar pra gente aqui,
Por favor.
Mari,
É como você disse,
A gente nunca sabe exatamente o que a gente quer ser,
Fica aquela.
.
.
Algumas pessoas até falam desde cedo que querem ser direta,
Mas é bem a minoria,
Né?
E eu acho que isso é devido à nossa pluralidade.
Todas as pessoas,
Elas conseguem fazer várias coisas bem feitas,
Apesar delas terem uma missão.
E eu queria,
Eu sabia que eu queria ajudar o mundo.
A medicina pra mim,
Naquela época,
Era a maneira mais clara de ajudar,
Era muito direto.
Ah,
Como que você consegue ajudar o mundo?
Poxa,
Vai lá e cura quem está doente,
Vai lá e resgate quem está morrendo.
Então,
Eu acho que me atraiu muito por conta disso e por ser uma coisa também relacionada à parte de biologia,
Que eu sempre fui apaixonada por essa ciência,
Sempre.
Então,
Eu amava o mar,
Eu queria ser cenografista,
Mas a primeira profissão,
Quando me perguntaram o que eu ia ser,
Que eu era pequena,
Eu falei que eu ia ser astronauta.
Uau!
Aí,
Depois,
Quando eu comecei a crescer um pouco,
Minha mãe me falou assim,
Como é que eles falaram na época pra mim?
Eles falaram,
Não,
Essa profissão,
Astronauta,
Você quer ser uma exploradora espacial?
Eu falei,
Eu quero ser uma exploradora do universo.
Pronto!
Caramba,
Porque eu falei isso,
Né?
Hoje em dia,
Quer queira,
Quer não,
Eu tenho essa coisa de ser uma exploradora,
Exploradora no bom sentido da palavra,
Né?
Eu quero descobrir as belezas da natureza,
O que o mundo tem de melhor pra oferecer,
Mas quando eu me formei,
Eu tive que escolher,
Não dava pra fazer astronomia,
Não dava pra virar astronauta no Brasil,
Porque era uma coisa muito distante e tal,
Eu fui fazer medicina e eu amei,
Foi muito difícil,
Eu demorei dois anos pra entrar,
Não foi nem um pouco fácil e isso foi bom,
Porque quanto mais difícil era,
Mais eu queria ser médica,
Mais eu queria passar no vestibular.
Traços da sua personalidade.
Traços,
Né?
Minha personalidade é aquela coisa determinada,
Até um pouco às vezes obstinada,
Mas enfim,
Sempre foi assim.
Aí,
Entrei,
Comecei a fazer e eu falei,
Gente,
Eu tô fazendo uma profissão maravilhosa,
Mas se eu me formar médica e for ter os caminhos convencionais,
Eu não vou ser feliz,
Porque eu não queria ficar dentro de clínica,
Dentro de hospital,
O dia inteiro sem ver o sol nascer,
O sol se pôr,
Sem ter um contato com a natureza,
Que sempre foi uma parte muito importante da minha vida.
Então,
Quando eu tava pra me formar,
Eu comecei a entrar nesse conflito,
Comecei a procurar como que eu vou conseguir ser médica e ficar em contato direto com a natureza e eu achei uma especialização médica recém-inaugurada.
Em 1982,
Três médicos californianos montaram a WMS,
Que é o Wilderness Medical Society,
E eu falei,
Caramba,
Tem medicina de emergência e resgate em áreas remotas que unem a medicina de emergência,
Que eu sou apaixonada,
Com a natureza,
Que é outra coisa que é essencial pra minha vida.
Tudo que você pediu.
Tudo que eu pedi,
Só que não tinha nenhum médico do Brasil que tinha feito,
Nenhum da América Latina,
E na época tinha menos de 100 médicos no mundo inteiro com aquela especialização.
Como você descobriu esses três médicos californianos?
Wilderness,
Medicine,
Remote,
Nature.
Cheguei.
Google,
Né?
Eu nem sei qual era a vida antes do Google,
Mas agora eu sei.
Obrigada,
Google!
Bom,
Fui em 2007,
Terminei a faculdade de Medicina em São Paulo,
Fui para os Estados Unidos fazer,
Começar meu fellowship,
Que ia durar três anos,
E não sabia se ia ter lugar pra trabalhar quando eu voltasse,
Se ia ter aceitação,
Eu só sabia que era o que eu amava e que era a melhor opção.
Todo mundo falava,
Não,
Você é louca,
Mas você vai trabalhar com o quê?
Isso não é nenhuma especialização no Brasil reconhecida.
Eu,
Claro,
Senti um certo receio,
Mas eu sempre fui,
Despeguei muito meu coração,
E aí eu fui pra lá,
E eu estudei Medicina Aeroespacial,
Medicina de Guerra,
Medicina de Selva,
Medicina Hiperbárica,
Medicina de Altitude,
Medicina Polar,
Medicina.
.
.
Meu Deus!
Todas as medicinas de áreas remotas maravilhosas,
Eu tive que fazer aquela carga,
A gente ia no currículo,
E cumprir X horas em cada uma dessas especialidades,
E depois fazer um estágio prático em pelo menos cinco dessas especialidades.
E aí eu escolhi um,
Claro,
Um dos estágios práticos que eu escolhi foi Medicina de Montanha,
Fui parar no Everest em 2010,
No campo base do Everest,
Contratada por uma equipe de escaladores americanos que estavam indo subir a montanha,
E eu tava lá com o meu kit médico,
Adivintei,
Escorretei informado com toda a teoria de Medicina de Montanha pra aprender.
Felizona!
Felizona,
Olhando pra aquela montanha que sempre me atraiu muito,
Assim,
Tem um imã,
Meu coração é aquela montanha,
Acho que é um imã,
Assim,
E aí foi muito legal,
Porque foi meu primeiro contato intenso com o Everest,
Eu fiquei quatro meses lá,
Fui pra face sul no Nepal,
Fui pra face norte no Tibete,
Lá mesmo pintaram diversas oportunidades de eu participar de resgate,
De remoção,
Das coisas que eu amava,
Eu consegui escalar por conta disso,
A gente foi buscar paciente nos campos altos,
E tratei de muita gente no campo base,
Durante a trilha também,
Foi muito legal.
E aí quando eu voltei,
Eu falei,
Tá bom,
Amei ser médica de montanha,
Mas eu não escalei a montanha que eu vi todo mundo escalar durante quatro meses,
E que eu tenho um sentimento especial por essa montanha,
E aí foi quando deu aquele clique assim,
Ah,
Então tá bom,
Agora eu quero escalar o Everest.
E aí você começou,
Por exemplo,
As pessoas normalmente falam de,
Ah,
Como é que eu sigo,
Como é que eu quero seguir meu caminho,
Como é que eu faço,
Como é que eu tenho essa vontade de fazer acontecer,
Você acreditou,
O que te moveu a realmente acreditar que não vai dar certo,
Eu tenho que fazer isso,
E aí a partir do momento que você tava lá,
Olhou pra montanha,
Que aí é mais um até desafio,
Que é uma das maiores montanhas mundial,
Né,
Do mundo,
Você olhar e falar,
Vou escalar o Everest também,
Entra esse outro momento de novo empoderamento,
De coragem,
Que você foi concluindo que você se colocou como foco,
Né,
Se colocou como foco pra fazer,
Conta um pouco desse seu caminho até de,
O que te inspira de manhã pra acordar e acreditar que,
Meu,
É isso que realmente tá fazendo sentido pra mim,
Tanto na sua carreira e toda essa nova empreitada que você abriu portas,
Né,
Só porque você acreditou,
Você abriu portas pra coisas novas,
Pra você inspirando pessoas,
Conta um pouco.
Olha Mari,
Quando eu voltei pro Brasil,
Realmente,
Eu cheguei com aquele,
De forma lindo,
Né,
Tipo,
Três anos depois,
Primeira sul-americana a ter o título da WMS e tal,
Mas o que eu ia fazer com aquilo?
Eu falei,
Não sei,
Eu só sei que eu vou continuar apindo em todas as expedições que me chamarem,
Fazendo a medicina que eu estudei,
Que eu me preparei,
Que é o que eu gosto,
Fui convidada pra Rússia,
Trabalhei numa montanha lá,
Participei de diversas corridas de aventura como médica aqui no Brasil,
Prova de ralinho,
Mountain bike,
Expedição científica,
Enfim,
O negócio foi acontecendo e eu falei,
Quer saber,
Não tem uma WMS no Brasil,
Vamos montar.
Juntamente com um amigo meu,
A gente fundou a Bimar,
Que é a Associação Brasileira de Medicina,
Diárias Remotas e Esportes de Aventura,
Eu fui a primeira presidente e a gente começou a crescer e de 10 colegas médicos ali,
Um grupinho pequeno,
Hoje a gente tá em mais de 60 médicos de todas as especialidades.
Parabéns!
Muito legal,
A gente conseguiu colocar o primeiro curso dentro das duas maiores residências médicas do Brasil,
De medicina,
De aventura,
Então dentro do HC,
Da USP e da Unifesp da Escola Paulista,
A gente tem o módulo de Medicina,
Esportes de Aventura e Diárias Remotas.
Que demais!
A gente,
A Bimar,
A gente,
Né,
A Bimar faz congressos médicos de medicina de extremos,
De medicina de aventura direto,
O grupo tá maravilhoso,
Tá crescendo,
Hoje em dia o Adriano Leonardo,
Que foi quem fundou lá atrás comigo,
Ele é o presidente,
Tá fazendo um trabalho muito legal,
Eu tô acompanhando agora,
Mas de longe,
Porque eu fui pra uma próxima etapa e sempre foi seguindo o meu coração.
E essa de vou seguindo o meu coração,
O Belo dia eu recebi um convite pra participar de um programa de TV e eu sempre fui muito envergonhada,
Eu nunca gostei de câmera,
De falar em público assim,
Que não é um medo meu não,
Tá,
Falar em público,
Saiu uma pesquisa que na nossa faixa etária,
Tipo adulto,
Jovem,
O maior medo das pessoas não é morrer,
Pasme,
Não é ficar doente,
É falar em público.
E eu tinha realmente essa coisa,
Não gostava mesmo nem de máquina fotográfica e o Belo dia eu recebi um convite assim,
Ah,
Vem aqui pro Rio de Janeiro fazer um teste pra televisão.
E nesse meio do caminho eu,
Gente,
Mas eu escolhi ser médica,
O que tem a ver televisão?
Mas era uma coisa que me dava muito medo falar na câmera,
Me desafiava muito.
E era sobre o que o tema?
O tema era sobre esportes radicais que eu nunca amava.
Você amava e começou a casar,
Peraí.
É,
No começo eu atendi o telefonema assim,
Você é Karina?
Falei,
Eu sou a Karina.
Ah,
Vem fazer um teste de televisão.
Falei,
Não,
Você ligou pra Karina errada.
Mas você não é a Karina que faz todos aqueles esportes,
Que foi b-cup,
Veloura de ukebord,
Competição de não sei o que,
Eu sou,
Mas por que você tá me convidando pra um teste de televisão,
Né?
Eu faço medicina,
Eu não sei apresentar.
Aí eles falaram,
Não,
Mas vem e faz o teste porque vai ser pra fazer um programa desses esportes aí que você faz muito bem.
E aí como era os esportes que eu queria?
O desafio de superar o medo,
Que era uma das coisas que mais me incomodava,
Que era a câmera,
Falar em público.
Eu fui.
E eu fui e tinha assim,
Sem brincadeira,
Mais de 200 meninas incríveis fazendo esse teste.
Uau!
Tipo,
Que estudaram rádio e TV,
Fizeram a coisa ali certinho,
Que já estavam formadas pra isso.
E eu.
E a hora que ligaram a câmera,
Eu perdi a voz de nervoso.
Eu tremia muito e eu travei.
E foi muito ruim.
Muito,
Muito,
Muito ruim.
Foi uma vergonha absurda.
Você não quis ver o que tinha em todo esse momento.
É,
Só que aí eu fui subir no carro pra ir embora e esse cara que me convidou veio atrás de mim e falou assim,
Por que você tá indo embora?
Eu falei,
Ué,
Porque eu não consegui nem fazer a primeira cabeça.
Aí ele falou assim,
Não,
Mas é que agora vai começar a parte que você ama.
A gente tá indo pra Barra e todo mundo vai viajar de kite.
Depois a gente vai pra Lagoa Rodrigo de Feitas e vai todo mundo fazer oi.
Que demais!
Depois a gente vai pra Praia da Macumba e vocês vão surfar.
Fica!
Eu falei,
Bom,
Tô aqui.
Eu fiquei.
A gente fez três dias de teste no Rio de Janeiro e passou um tempo e me ligaram.
Passou três meses e eu já tinha até esquecido disso porque a nossa mente é muito sábia.
Ela apaga tudo que traumatiza muito,
Que dá muita vergonha pra gente.
Ela deleta.
E eu tinha esquecido completamente disso e me ligaram e falaram,
Você foi escolhida.
Eu realmente não acreditava porque eu falava,
Gente,
É óbvio que não vão me escolher.
Tinha muitas meninas incríveis,
Boas,
Muito melhor que eu,
Apresentando.
Eu travei.
Logo no meu primeiro teste eu travei.
Não vai ser.
Eu já tinha esquecido disso,
Mas aí o universo tinha um bom plano e eu aceitei.
Porque eu falei,
Se eu fui escolhida é porque tem coisa aí,
Né?
Quem sou eu pra dizer não pra um convite tão.
.
.
Confiou,
Né?
Improvável.
Confiei.
Comecei a apresentar,
Na época,
O rolê da Sport TV,
Onde eu fazia todos os esportes que eu amava.
E eu tinha uma dupla muito querida,
Que é a Fiorella Matheis,
Que agora tá na Globo,
É atriz.
E a Fih sempre gostou mais dessa coisa de atriz e eu gostava de me jogar dessas coisas.
Então a gente era a dupla perfeita,
Porque ela apresentava e falava pra câmera e fazia as caras de bonita que ela tem de sobre.
E eu tava lá na onda,
Tipo,
Secando,
Pulando na pedra,
Voando.
E a gente se deu muito bem,
Mas o programa acabou.
E quando o programa acabou foi quando eu também ia já pros Estados Unidos,
Porque eu queria fazer especialização lá.
Só que quando eu voltei de lá,
Dos estágios que eu fiz e tal,
Eu comecei a sentir falta da TV.
Olha isso.
Fazendo a medicina,
Mesmo fazendo a medicina que eu amava,
Eu senti falta.
Mais de contar,
De expor,
De comunicar?
Não tanto de comunicar como de fazer os esportes e receber o currículo.
Era mais assim,
O lazer combinado.
Porque durante o rolé eu fui pra pelo menos 10 países fazendo os esportes mais legais e companhias super legais,
Né?
Junto com a produtora,
Que era uma pessoa muito querida,
O câmera,
Que é o Magu e o Márcio,
Que são meus amigos até hoje.
A Fiorella,
Que também virou uma grande amiga.
E aí eu comecei,
Pô,
Cadê aquelas viagens muito legais da TV que tinha?
E eu peguei e levei um projeto de TV.
Enquanto eu fiquei lá nos Estados Unidos,
Eu peguei uma câmera,
Eu filmei tudo de esporte que eu fiz,
Desde escalada de uma cachoeira.
Você sozinha,
Fazendo?
Eu fazendo e meio que os meus amigos me filmavam e eu filmava os meus amigos.
Editei um pilotinho e deixei em três canais de televisão.
Aí a Record me chamou,
Falou assim,
A gente quer que você venha fazer esse programa aqui dentro do esporte.
Nossa!
Aí eu falei,
Tá bom,
Eu faço.
Então,
Tô aqui.
Eles falaram,
Não,
A gente quer que você produza,
Que você entregue do jeito que você entregou esse aqui pra gente.
Aí eu montei minha produtora.
Foi aí que nasceu a Pitaya?
Foi aí que nasceu a Pitaya Filmes.
A história que ela vai contando,
De uma coisa vai levando a outra,
Aí você vê a explosão de coisa que é a Karina.
Conheça seu professor
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