Meditação da passa de uva.
Nesta prática,
Que tem o nome de meditação da passa de uva,
Antes de começar,
Vamos colocar junto de nós duas passas de uva e depois de o fazermos,
Iniciando a prática verdadeiramente,
Acompanhando durante alguns instantes a respiração.
No lugar onde pareça mais natural fazê-lo,
Acompanhar a respiração neste momento,
Narinas,
Interior da garganta,
Peito ou zona abdominal,
Zona da barriga.
E sem alterar a respiração de maneira alguma e fazendo-o por mais alguns momentos.
E agora vamos então prestar atenção a estas passas de uva,
O grande propósito desta prática.
Estas passas de uva serão chamadas,
A partir de agora,
Para mais profundamente treinarmos a atitude da mente de principiante de objetos.
Então,
Segurem um destes objetos,
Focando-se nele e imaginando que caiu de Marte neste momento e que nunca viram nada assim antes,
Prestando-lhe atenção,
Olhando cuidadosamente para ele,
Como se até nem soubessem que é comestível,
Como se nunca tivessem provado tal coisa antes.
Conseguem sentir o seu peso nas mãos?
Será que este objeto está a criar sombras na mão?
E agora vendo com mais pormenor ainda,
Demorando algum tempo a observar o objeto com cuidado e com muita atenção,
Deixando que os olhos o explorem ao pormenor,
Examinando os pontos ou zonas onde a luz incide,
Os seus pontos ou reentrâncias mais escuras,
As dobras e saliências.
E vejam-se olhando para este objeto de diferentes lados e perspectivas,
Observam aspectos diferentes.
Reparando nas nuances em termos de cor,
Este objeto possui apenas uma cor ou conseguem observar diferentes cores?
E neste momento focando-se no topo,
Dando voltas ao objeto enquanto o seguram os seus dedos,
Explorando a sua textura,
Como é que o sentem?
Mais liso,
Mais rugoso,
Observando os diferentes detalhes,
Mexendo-o conforme a vossa vontade.
Podendo também fechar os olhos para captarem a sensação do toque mais profundamente,
Sentindo-a,
Sua forma e o seu peso,
Apertando o objeto gentilmente,
Verificando se conseguem sentir o seu interior.
E se enquanto estão a fazer este exercício,
Esta prática,
Surgirem pensamentos como Qual o objetivo disto?
Não gosto disto,
Isto é ridículo.
Notando apenas que se tratam de pensamentos,
Que faz parte da natureza da mente comentar.
E procurando focar,
De novo,
A atenção no objeto.
E agora vamos cheirar.
Segurando o objeto por baixo do nariz e em cada inspiração,
Conseguem cheirar alguma coisa?
Levar um objeto ao centro do nariz ou aproximar um objeto mais de uma narina do que da outra?
E,
Se não houver cheiro,
Ou muito pouco,
Reparando apenas nisso?
Será que a intensidade do cheiro que conseguem observar se altera se cheirarem,
Se comem,
Se bebem?
Demorem uns instantes nesta tarefa.
E neste momento vamos ouvir.
Segurando então o objeto perto do vosso ouvido.
Rodando o objeto gentilmente por entre os vossos dedos e ouvindo o som que este produz,
Se produzir algum.
E talvez apertando o objeto entre os dedos.
Talvez este produza um som crocante ou mesmo um som nenhum.
A presença ou ausência de som surpreende?
Surpreende-vos?
Notando-se surgem pensamentos a este ponto de vista.
E agora,
Convido-vos a ouvir o próximo exercício.
O próximo exercício é o exercício de concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
Concentração.
E agora,
Convido-vos a aproximar o objeto da boca.
Reparando na forma como a mão e o braço parecem saber exatamente onde o colocar.
Aproximando o objeto da boca e colocando-o entre os lábios.
Ficando o mesmo seguro pela pressão dos lábios.
Observam algum tipo de impulso?
Notam eventualmente a saliva a crescer no interior da boca?
Sintam o objeto entre o vosso lábio superior e inferior.
Verificando as sensações que conseguem detectar.
E de seguida,
Num gesto suave,
Introduzindo o objeto na boca e reparando na forma como este é recebido pela língua.
Sem o trincarem,
Explorem apenas,
Com a língua,
As sensações de o ter na boca.
Observando,
Apreciando o peso do objeto na língua.
Movendo-o no interior da boca,
Reparando o quão ágil é a língua a fazer isto mesmo.
E quando estiverem prontos,
Prontas e muito conscientes de morder o objeto,
Coloquem o objeto entre dois dentes e lentamente vão trincando,
Mastigando.
Reparando no sabor ou sabores que o objeto liberta.
Notando os efeitos que o trincar tem no objeto e na própria boca.
Sentindo a textura do objeto enquanto os dentes o vão trincando.
Notando o fenómeno de provar e de comer.
Identificando as experiências que se desenrolam,
Incluindo a mudança de sabor,
A explosão de sabor.
A mudança na consistência do objeto à medida que este lentamente se vai desintegrando e se vai dissolvendo.
Lentamente mastigando o objeto.
Notando a saliva na boca.
Observando a transformação do objeto em pequenos pedaços.
E depois,
Quando se sentirem prontos,
Prontas para engolir,
Foquem-se na intenção de engolir quando ela surgir na mente.
Sintam esta intenção com total consciência,
Antes de realmente engolirem o objeto,
Para a experienciarem conscientemente essa ação.
Ou então,
Reparando que já o fizeram,
Que já começaram automaticamente a engolir.
E então reparando no que a língua faz para preparar o objeto para a deglutição.
E vendo se conseguem acompanhar as sensações de engolir,
Sentindo o objeto a seguir para o estômago.
E se não engolirem o objeto de uma vez,
Reparando conscientemente no segundo ou até no terceiro pedacinho que engolirem.
Até o engolirem por completo.
E prestando com curiosidade,
Atenção ao que a língua faz depois de ter engolido.
E agora observando os efeitos posteriores,
Passando algum tempo a notar as consequências de comer desta forma,
Desta maneira.
Ficou algum sabor na boca após terem comido este objeto?
Como é que é sentir a sua ausência na boca neste momento?
Sentem a tendência automática,
O impulso para irem buscar outro objeto?
Ou totalmente o contrário?
Será que algo vos surpreendeu com este exercício,
Com esta prática?
Surgem pensamentos associados à prática?
E neste momento,
Pegando no segundo objeto,
Notando eventualmente como este é diferente do primeiro objeto.
E já agora,
Reparando como é que é diferente.
E observando isso mesmo.
E no fim desta prática,
Talvez depois de várias descobertas feitas,
E sabendo claramente que estivemos a realizá-la,
Esta prática com passas de uva,
Refletindo um pouco sobre as passas de uva.
Sobre esta última passa em particular.
E então,
Notando de onde veio esta passa.
A verdade é que ela já foi um bago de uva.
E a verdade é que ela já foi um bago de uva.
E a verdade é que ela já foi um bago de uva.
A verdade é que ela já foi um bago de uva.
E veio de uma vinha.
E precisou de certas condições para se desenvolver.
Sol,
Terra,
Água.
E contém um pequeno ponto em que esteve ligado ao tronco.
E este ponto é como que o cordão umbilical.
O lugar por onde os diferentes nutrientes passaram.
Esta passa não podia ter existido sem o solo ou a terra.
O solo,
A água.
De certa forma,
A passa é todos estes elementos.
E podemos admirar,
Podemos reparar e apreciar a interconexão de todos estes elementos.
Assim como podemos também observar como esta passa foi apanhada um dia por alguém.
Enquanto ainda era um bago de uva.
E transportada por essa ou por outra pessoa até chegar ao local onde foi transformada em passa e foi embalada.
E depois levada até o sítio onde a compramos.
Tanto que se passou para termos a passa aqui.
E está tudo nesta passa.
Todos estes elementos.
Nada está separado.
Está tudo conectado.
E agora se quiserem.
Conscientes da interconexão de todos estes elementos.
Comendo esta segunda passa.
Tão lentamente como fizemos com a primeira passa.
Olhando.
Sentindo.
Cheirando.
Sentindo.
Ouvindo.
E saboreando.
Vendo se é possível.
Agora de uma forma autónoma.
Por vocês próprios.
Manter o mesmo grau de curiosidade que ofereceram à primeira passa.