
Série Textos Inspiradores - Ep3 Pablo D'Ors
É sempre interessante refletir sobre Meditação como um caminho de autoconhecimento acessível e prático. Sem complicações, Pablo D’Ors descreve a sua trajetória com a meditação no livro “Biografia do Silêncio - Breve Ensaio onde ele conta como viveu a Meditação em sua vida, aplicando dia a dia aquilo que fazia sentido e não só e também como se transformou numa grande aliada no seu caminho espiritual.
Transcrição
Olá,
Eu sou a Cristina e eu quero te dar as boas-vindas à série Textos Inspiradores.
Textos a partir dos quais a gente pode ter um entendimento mais profundo da nossa felicidade e que nos colocam num lugar de paz.
E o texto de hoje foi escrito por Pablo Dors,
No livro Biografia do Silêncio.
Pablo Dors nasceu em Madrid,
Em 1963.
É padre,
Filósofo,
Teólogo,
Escritor e crítico literário.
É habitual prolongarmos e aumentarmos os nossos sentimentos para sentir que estamos vivos,
Que acontecem coisas conosco e que a vida é digna de ser contada.
É claro que a vida é sempre uma interpelação e que todos somos tocados por ela.
Mas quantas das nossas reações serão respostas autênticas à interpelação da vida e quantas,
Pelo contrário,
Serão simples decisões mentais que usaram a interpelação como desculpa,
Mas que a deixaram definitivamente muito para trás?
Na minha opinião,
Inventamos em grande medida os nossos estados de espírito.
Somos responsáveis pelo nosso estar bem ou mal.
Esses prolongamentos artificiais das emoções podem ser controlados e até interrompidos graças à meditação,
Cujo objetivo real,
Tal como eu o entendo,
É ensinar a viver a vida real e não a fictícia.
As emoções não são mais do que a combinação de determinadas sensações corporais com determinados pensamentos.
O estado de espírito é uma emoção mais ou menos prolongada.
As emoções e os estados de espírito têm o seu próprio funcionamento,
Mas,
Se nos propusermos a isso,
Somos infinitamente mais poderosos do que eles.
Podemos não secundar uma emoção.
Podemos fazer frente a um estado de espírito.
Podemos criar o estado de espírito que desejarmos.
Podemos escolher que papel representar no espetáculo,
Ou até não representar nenhum e assistir a ele como espectadores.
O espetáculo pode continuar e nós irmos embora,
Ou o espetáculo acabar e nós ficarmos.
O potencial da nossa soberania é surpreendente.
Neste sentido,
Posso definir a meditação como sendo um método espiritual e,
Quando digo espiritual,
Refiro-me à procura interior,
Para desmascarar as falsas ilusões.
Esbanjamos boa parte da nossa energia em expectativas ilusórias,
Fantasmas que se devanescem assim que lhes tocamos.
O que é ilusório é sempre produto da mente,
Que gosta de extrair o homem com enganos,
Levá-lo a um campo de batalha onde não há guerreiros,
Apenas fumo,
E atordoá-lo até o deixar sem capacidade de reação.
Os que nos dedicamos à literatura sabemos muito bem que o que brota da mente está morto e que,
Pelo contrário,
Está vivo o que brota de um fundo misterioso a que,
Na falta de um nome melhor,
Chamarei eu autêntico.
Este fundo misterioso,
O eu autêntico,
Não o pequeno eu,
É o espaço que se tenta frequentar durante a meditação.
Esse fundo misterioso é como um palco vazio.
Precisamente porque está vazio é que as coisas que entram nele se podem distinguir.
Meditar é afastar desse palco as marionetes que descobrimos serem ilusórias para podermos distinguir o que aí vier a irromper.
Habitualmente,
Não distinguimos o que é real entre tantas marionetes ilusórias.
Por isso,
A tarefa de quem se senta a meditar é fundamentalmente de limpeza interior.
O palco vazio assusta-nos,
Dá-nos a sensação de que nos vamos aborrecer nessa desolação.
Mas esse vazio é a nossa identidade mais radical,
Pois não é senão a pura capacidade de acolhimento.
Conheça seu professor
4.8 (25)
Avaliações Recentes
More from Cristina Dantas
Meditações Relacionadas
Professores Relacionados
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
