
Fluxo da Vida - Terapia focada na Compaixão
A meditação “Fluxo da Vida” (Flow of Life), apresentada no livro Essentials of Compassion Focused Therapy, é uma prática experiencial que convida a pessoa a contemplar sua vida como um processo contínuo, em constante movimento e transformação. Ela faz parte do conjunto de exercícios utilizados para aprofundar a compreensão compassiva de si mesmo e fortalecer a capacidade de lidar com as inevitáveis mudanças, perdas, desafios e oportunidades da existência. Na Terapia Focada na Compaixão (TFC), frequentemente sofremos porque tentamos resistir ao que é inerente à condição humana: a impermanência, a vulnerabilidade e a incerteza. A meditação Fluxo da Vida busca ampliar a perspectiva sobre a própria história, ajudando-nos a reconhecer que somos parte de um processo maior, que começou antes de nós e continuará depois de nós. Vamos praticar?
Transcrição
Então,
Nessa meditação guiada,
Utilizaremos uma visualização para entrar em contato com o fluxo da vida.
Então,
Permita que as imagens surjam espontaneamente,
Sem forçá-las de nenhuma maneira.
Então,
Para começar,
Encontre uma posição confortável.
Sentada no chão ou em uma cadeira.
O bumbum bem apoiado.
Coluna alongada.
Ombros relaxados.
Queixo levemente inclinado para baixo.
E dê a si mesmo alguns momentos para encontrar a posição mais confortável para essa prática.
Fazendo qualquer ajuste que você precise fazer agora.
E a gente vai tomar alguns instantes para focar a nossa atenção na respiração.
Sentindo o ar que entra.
E o aqui sai acompanhando esse fluxo.
E se deixando,
Por alguns instantes,
Se embalar por ele.
E agora?
Da melhor maneira que for possível pra você.
Eu vou te convidar a começar a imaginar.
Usar o olhar da sua mente para criar uma imagem do universo no momento antes do nascimento da Terra.
Nós ainda não estávamos aqui.
E o planeta ainda não havia tomado forma.
Então vamos tentar imaginar a sensação de silêncio.
Talvez de escuridão.
Ou talvez de uma luz intensa.
E agora a gente vai dar um pequeno passo adiante nessa história.
E imaginar a Terra recém-nascida.
Ainda na sua infância.
E a gente pode imaginar o som dos primeiros mares.
Das tempestades.
Os primeiros oceanos.
Um globo azul em contínuo movimento e evolução.
E lentamente.
Os primeiros verdes começam a aparecer.
Musgos,
Plantas.
Em cima e embaixo da água.
Talvez as plantas tomando conta da terra.
Samambayos.
Os primeiros arbustos,
Árvores.
Folhagens cada vez mais densas e exuberantes.
Poderoso florescimento de milhares de formas de vida verde.
E agora vamos imaginar os primeiros animais.
Começando a nascer e a habitar essa terra.
E esse nosso planeta vai ganhando complexidade.
Tente entrar em contato com o que essa visão desperta em você.
Talvez um leve senso de admiração pela vida.
Em sua existência,
Cada um desses animais experimentou uma sensação de ameaça diante do perigo.
Buscou recursos em seu ambiente para sobreviver da melhor forma possível.
E experimentou momentos de paz enquanto descansava sob o calor dos raios solares.
E entre esses animais,
Os primeiros seres humanos também apareceram.
Milhões e milhões de anos atrás.
Vamos tentar entrar em contato com quais eram suas necessidades primárias.
Do que eles precisavam.
Pelo que lutavam.
Do que tinham medo.
E o que fazia eles se sentirem seguros.
Começamos a perceber algo em comum com esses primeiros humanos.
Sua necessidade de amizade e conexão.
Sua necessidade de se proteger e de proteger uns aos outros.
E vamos continuar nessa jornada imaginando seres humanos nas diferentes eras.
Como se a gente pudesse observar esses comportamentos,
Esses seres humanos de fora.
Vendo o movimento dele se deslocando para terras distantes.
Momentos de guerra.
O que leva eles a agir dessa forma.
E vamos tentar novamente entrar em contato com as suas necessidades e motivações mais profundas.
Talvez também possamos perceber a necessidade de amizade,
De conexão.
Novamente a necessidade de proteger uns aos outros,
Seus desejos,
Seus impulsos.
E a gente vai dar um salto grande nessa história.
Se você se sentir confortável e segura para fazer isso.
Vamos imaginar os nossos avós.
Mesmo que você nunca os tenha conhecido.
Vamos também observá-los e observar como agem.
Enquanto precisam tomar decisões difíceis.
Enquanto tentam navegar por suas emoções.
Vamos reconhecer neles provavelmente as mesmas motivações.
A tentativa de se protegerem.
Suas inseguranças,
Seus sonhos.
Sua necessidade de amizade e conexão.
Talvez apenas a intenção de serem felizes,
De não sofrerem.
E se for confortável e seguro pra você,
Eu vou te convidar pra olhar pros seus pais.
E se você não os conheceu?
Tente,
Se quiser,
Criar uma imagem deles,
Mesmo que não seja claro.
Eles,
Assim como você,
Passaram por momentos felizes,
Momentos difíceis.
Superaram algumas coisas e perderam outras.
Talvez você também consiga perceber neles as mesmas motivações.
A tentativa de se protegerem das ameaças,
De buscar sua própria segurança e estabilidade.
E de experimentar uma sensação de bem-estar e poder compartilhá-la com os outros.
Vamos agora da melhor maneira que for possível.
Tentar trazer à nossa mente o momento do nosso nascimento.
Nós não o escolhemos.
Esse ser não escolheu quando nascer,
Não escolheu seus pais.
Não escolher os seus sentimentos,
Suas características físicas.
Não escolha estar tão exposto ao que acontece ao seu redor.
E ele ainda não sabe o quanto seu ambiente será influente na sua vida.
Mesmo assim.
Essa criança.
Como tantas outras,
É movida pelas mesmas emoções.
Sente medo diante do perigo.
Chora por cuidado e ajuda.
Explora o espaço para reunir informações sobre o ambiente ao redor e busca acolhimento e segurança.
Imagine que essa criança está começando a crescer,
Agora ela tem uns cinco,
Seis anos.
E você pode observar essa criança enquanto ela brinca.
Enquanto interage com os outros.
Quais emoções ela tem?
Quais medos?
Quais desejos?
Talvez você consiga perceber o quanto seus medos,
Seus desejos e aquilo que você acredita sobre si mesma são moldados e influenciados por seu passado.
Por tudo que acontece ao seu redor.
Ela não escolheu isso,
Não é culpa dela.
Vamos dar agora mais um passinho à frente e imaginar nós mesmos agora na escola.
Essa criança que cresceu e se tornou um adolescente.
Talvez quando se apaixonou pela primeira vez.
E amadurecendo até se tornar um jovem adulto.
As decisões difíceis que precisou tomar,
As inseguranças.
E ainda assim.
Vamos reconhecer aqui as mesmas motivações.
A mesma tentativa de se proteger.
As inseguranças,
Sonhos.
A necessidade de amizade e conexão.
Talvez apenas a intenção de ser feliz e de não sofrer que acompanhou toda essa jornada.
E finalmente,
Chegamos aqui.
Exatamente aqui.
Exatamente agora.
Nessa sala.
Nesse lugar onde a gente está agora.
Vamos tentar nos ver de fora.
Com curiosidade amorosa.
A mesma que a gente teria.
.
.
Por alguém que atravessou uma grande jornada.
Como essa pessoa está se sentindo.
Quais são suas emoções agora?
O que move ela.
Talvez também nesse ser possamos reconhecer as mesmas motivações,
A mesma tentativa de se proteger.
Suas inseguranças,
Sonhos.
Sua necessidade de amizade,
Conexão.
Talvez a intenção de ser feliz e de não sofrer.
E a gente vai caminhando agora para o encerramento dessa prática.
Ainda de olhos fechados.
Deixando essas imagens se dissiparem.
Percebendo o impacto dessa prática no nosso corpo.
Talvez guardando algum insight que a gente teve durante a prática,
Algo que a gente aprendeu e quer guardar no coração.
E aos pouquinhos,
A gente pode começar a movimentar os pés.
Sentir novamente o nosso corpo na cadeira.
Quando a gente estiver pronta.
Pode abrir os olhos.
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