
O Salto Sobre o Infinito (Ramayana - Noite Quatro)
Essa é a quarta noite, de um total de seis, aonde vamos navegar pelo Épico Ramayana. Escute esta linda história, com foco em paz, amor e proteção, para desacelerar e permitir que sua mente desperte para uma outra realidade.
Transcrição
Olá,
Eu sou Priscila Alves,
Seja muito bem-vinda,
Seja muito bem-vindo.
Este é um espaço de repouso,
Um espaço onde o tempo desacelera,
Onde o corpo pode soltar e a mente pode pousar.
Antes de começarmos a história desta noite,
Permita-se chegar.
Não há nada para resolver agora,
Nada para responder,
Nada para decidir,
Apenas estar.
As histórias do Ramayana não são apenas narrativas antigas,
Elas são espelhos da jornada interior,
Transmitidas há milhares de anos.
Essas histórias atravessaram o tempo porque falam ao coração humano.
Esta noite,
Não estamos aqui para analisar,
Estamos aqui para sentir.
Permita que as imagens surjam de forma suave na sua mente,
Como se você estivesse observando um céu noturno.
Então deixe que a história desta noite se revele lentamente,
Como a lua surgindo no horizonte.
Iniciamos agora a noite quatro,
O salto sobre o infinito e o encontro.
Na margem do oceano,
O vento soprava forte.
O exército dos Vanaras havia encontrado o limite do mundo conhecido.
Diante deles,
O mar imenso.
Do outro lado,
Lanka,
E em Lanka,
Sita.
Mas quem poderia atravessar tamanha distância?
Um a um,
Os guerreiros mediam suas forças.
Alguns diziam,
Consigo saltar cem léguas,
Outros talvez duzentas,
Mas não era o suficiente.
Então todos olharam para ele,
Hanuman.
Até aquele momento,
Ele estava em silêncio,
Porque ele havia esquecido quem era.
Então,
O mais velho entre eles aproximou-se,
E ele lembrou Hanuman de sua verdadeira natureza,
Dizendo assim.
Tu és filho do vento.
Tu já tocaste o sol quando criança.
Tu carregas dentro de ti uma força sem medida.
Essas palavras não inflaram o ego de Hanuman,
Elas despertaram a memória.
Hanuman,
Então,
Fechou os olhos.
Ele sentiu Prana mover-se dentro dele.
O seu peito expandiu.
Os seus ombros cresceram.
Seus músculos tornaram-se como montanhas vivas.
Sua forma começou a aumentar,
Não apenas fisicamente,
Mas energeticamente.
A terra sob seus pés vibrou.
As árvores se curvaram ao redor.
Os animais silenciaram.
Ele não estava se tornando algo novo,
Ele estava revelando o que sempre foi.
Agora,
Ele era colossal,
Dourado,
Luminoso,
Imenso como uma colina viva.
Os seus olhos brilhavam como fogo sereno.
Então,
Ele apoiou um pé sobre a montanha.
A rocha rachou sob sua força.
O vento rodopiava ao redor dele,
Como se saudasse o seu próprio filho.
Então,
Começou a aproximar-se o momento do salto.
Mas há um instante antes da ação que é mais poderoso que a própria ação.
O momento em que Hanuman juntou as mãos e fez uma reverência à Rama.
Ele fixou a mente no nome do Senhor,
Rama.
Não era um grito,
Era um alinhamento.
Porque quando o propósito é puro,
O corpo obedece.
Então,
Ele flexionou as pernas.
O chão afundou.
As montanhas estremeceram.
Então,
Ele lançou-se.
O impacto foi como um trovão.
A montanha vibrou.
As rochas voaram.
O oceano abaixo formou ondas gigantes.
Mas Hanuman já estava no ar.
Ele não saltava apenas com músculos.
Ele saltava com fé.
Seu corpo cortava o céu.
O vento sustentava a sua trajetória.
Abaixo,
O mar profundo rugia.
Serpentes marinhas emergiam.
Criaturas míticas observavam.
O oceano,
Dizem os sábios,
Abriu-se em respeito.
Durante o voo,
Surgiram provações.
Uma deusa serpente tentou testar sua força.
Um demônio tentou engolí-lo pelas sombras.
Uma entidade marinha tentou puxá-lo para baixo.
Mas Hanuman não se deixou distrair.
Quando precisava ser grande,
Tornava-se imenso.
Quando precisava ser sutil,
Diminuía.
Essa é a verdadeira força.
Não rigidez,
Mas adaptação.
Seu corpo brilhava sob o sol.
A sua cauda desenhava um arco no céu.
Era como se um cometa vivo atravessasse o firmamento.
E após essa longa travessia,
Ele viu Lanka.
A ilha dourada emergia do mar.
Palácios reluzentes,
Torres altas,
Guardas vigilantes.
Hanuman pousou suavemente sobre uma montanha próxima.
E ali,
O gigante tornou-se pequeno novamente.
Ele havia atravessado o impossível,
Mas sua missão agora exigia delicadeza.
Hanuman tornou-se pequeno como um gato selvagem.
Saltava silenciosamente pelos muros dourados de Lanka.
Ele percorreu palácios,
Jardins,
Corredores iluminados por tochas,
Até que encontrou o Bosque de Ashoka.
Um jardim isolado.
Ali,
Sob uma árvore de folhas delicadas,
Sentava Sisita.
Ela estava visualmente mais magra.
Suas roupas eram simples.
Seus olhos estavam profundos.
Ela estava cercada por guardas.
Mas a sua postura era reta,
Seu coração inviolável.
Hanuman observou do alto da árvore e sentiu compaixão.
Sentiu reverência.
Ele esperou o momento certo.
Quando os guardas adormeceram,
Ele desceu lentamente e começou a recitar em voz suave o nome de Rama.
Sita ergueu os olhos como alguém que reconhece um nome querido no meio da noite.
Hanuman então revelou-se,
Ainda pequeno,
Humilde.
Ele ofereceu o anel de Rama.
Sita segurou o anel nas mãos.
E ali,
Pela primeira vez em muito tempo,
Um fio de esperança atravessou a sua dor.
Então Hanuman disse,
Posso carregá-la agora.
Posso levá-la de volta nos meus ombros.
E ele podia mesmo.
Ele já havia cruzado o oceano.
Mas Sita respondeu com serenidade.
Não.
Ela escolheu esperar.
Ela escolheu que Rama viesse.
Não por orgulho,
Mas por honra,
Por Dharma.
Ela confiava na justiça do universo.
Essa é uma das escolhas mais profundas desse épico.
Nem sempre o poder deve ser usado imediatamente.
Às vezes o tempo certo faz parte da cura.
Então ela entregou a Hanuman uma joia de seu cabelo.
Prova viva de que ela estava ali.
E disse,
Hanuman,
Diga a Rama que eu o espero.
Antes de partir,
Hanuman permitiu-se ser capturado pelos guardas.
Então Ravana ordenou que sua cauda fosse incendiada.
Mas o que os guardas não sabiam era que o fogo não queima aquele que serve com pureza.
Hanuman cresceu novamente.
E com a cauda em chamas,
Saltou pelos telhados dourados de Lanka.
O fogo espalhou-se.
Não como uma vingança,
Mas como um anúncio.
A verdade estava chegando.
O ego,
Representado por Ravana,
Não poderia permanecer para sempre.
E quando o fogo cessou,
Hanuman retornou ao bosque.
Curvou-se diante de Sita e depois partiu de volta pelo céu.
Ele voltou à beira do oceano,
Respirou o fundo e mais uma vez saltou.
Agora não era apenas força,
Era alegria.
Quando pousou entre os Vanaras,
Todos o cercaram.
Seus olhos brilhavam,
Ele contou cada detalhe.
Sita estava viva,
Firme,
Esperando.
E quando ele entregou a joia à Rama,
Rama levou-a ao coração.
Os olhos do príncipe marejaram.
A esperança havia sido restaurada.
Assim termina a noite do grande salto,
Do despertar da coragem da chama.
Hanuman atravessou o oceano exterior e incendiou o oceano interior da dúvida.
Sita escolheu confiar.
E a esperança voltou a respirar.
Durma agora com essa imagem.
Um bosque silencioso,
Uma chama que não destrói,
Mas purifica.
Um coração que escolhe esperar com dignidade.
A jornada ainda não terminou.
A guerra se aproxima.
Mas essa noite,
Há esperança no ar.
Conheça seu professor
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