
Como Falar Sobre a Morte com as Crianças
Neste episódio de podcast, vamos refletir a respeito de como falar sobre a morte com as crianças. Trata-se da leitura do texto publicado em 2014 no livro "Pausa no Cotidiano, Reflexões para Pais, Educadores e Terapeutas".
Transcrição
Olá,
Aqui é Raquel Lulier e o podcast de hoje é o tema Crianças e a Morte.
Este conteúdo foi publicado no livro Pausa do Cotidiano pela editora Sinopsis,
Em 2014.
Como falar sobre a morte com as crianças?
Muitos pais questionam porque deveriam falar sobre esse assunto com seus filhos por acreditarem que eles podem sofrer.
O fato é que a tristeza,
Quando bem conduzida,
Serve como reflexão,
Ainda mais quando envolve perdas,
Para conseguirmos evoluir e seguir em frente.
Subestimamos muito a capacidade das crianças quando o assunto é morte,
Justamente pelas nossas dificuldades em falar sobre o tema,
Pelas nossas experiências prévias,
Que podem não ter sido bem conduzidas ou bem superadas,
E pela nossa condição cultural.
Criamos uma ilusão de que elas não conseguem assimilar os acontecimentos,
Mas o que acontece é justamente o contrário.
A relação delas com a morte geralmente é muito mais saudável do que a do adulto.
Desde cedo as crianças entram em contato com a morte através dos personagens de desenhos,
Contos de fadas,
Imagens reais de catástrofes,
Perdas de um animal de estimação.
Essas experiências já são formas de se prepararem para lidar com as perdas.
Conforme elas vão crescendo,
Vamos vibrando com as suas conquistas e podemos acabar esquecendo que elas também estão vivenciando constantemente uma série de perdas,
Assim como todos nós já tivemos e que fazem parte do nosso crescimento,
Como por exemplo quando perdem um corpo e a situação de bebê que ocupavam antes.
Quando as perdas são maiores e consequentemente aumenta a proporção da tristeza,
Deprimir é uma das fases do luto que faz parte desse processo natural.
O aconselhável é que ao falar sobre a morte de alguém próximo da criança,
Ela receba a possibilidade de se despedir.
Ela irá demonstrar de que forma está pronta para se despedir e se tiver muita dificuldade,
Cabe à família ajudar a orientar sobre a melhor maneira de enfrentar a despedida.
De acordo com as fases do seu desenvolvimento,
As crianças possuem capacidades diferentes de compreensão sobre a morte.
Crianças com menos de 5 anos compreendem a morte como reversível,
Algo semelhante ao sono e à separação.
Nessa fase aparecem os terrores noturnos e medos como o de dormir em quartos totalmente escuros.
Associar a morte de alguém com a sua viagem deve ser evitado,
É importante contar a verdade quando ocorrer uma perda,
Sempre dando exemplos concretos para que a criança possa compreender o ocorrido.
A partir dos 5 anos,
Ela desenvolve uma capacidade de compreensão de causa e efeito,
Assim como de julgamento.
Por isso,
Há necessidade de explicações mais concretas.
Até os 8 anos é comum que as crianças questionem o que irá acontecer com ela ou com os pais se eles morrerem.
A partir dessa idade,
Já percebem a morte como irreversível e podem entendê-la como algo punitivo ou então como algo natural.
É o momento em que já desenvolvem a sensação de culpa e erroneamente podem atribuí-la a si mesmas.
Mais adiante,
Ela já possui a capacidade de generalizar,
Abstrair,
Induzir e deduzir,
Compreendendo que é algo natural que acontece com todos.
Portanto,
Ofereça um espaço de confiança e segurança para a criança ao conversar sobre esse assunto.
Crescer dói sim,
Mas por mais dura que seja a realidade,
A fantasia é sempre mais assustadora.
Com as crianças,
Isso é mais do que real.
Conheça seu professor
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
