40:34

A Constante Necessidade de Agradar aos Outros

by Pra Mim Eu Digo Sim

rating.1a6a70b7
Avaliação
4.8
Group
Atividade
Meditação
Indicado para
Todos
Plays
203

Você é aquela pessoa que vive para agradar aos outros? Sente que, às vezes, abre mão de ser você mesmo com receio dos julgamentos? Nesse episódio batemos um papo sobre isso para te mostrar que você não está sozinho. O que podemos levar dessa conversa é que no fim, temos sempre que evoluir para a nossa melhor versão, tentando ser quem a gente é e se sentindo bem com isso, sem ser um processo tão doloroso e que nos leva a viver a vida de forma menos intensa e libertadora.

Transcrição

Até que ponto abrimos mãos de quem somos,

Do que gostamos,

Do que é importante para nós para agradar aos outros?

Agora me diz,

De que forma você acha que isso fere nosso sentido existencial?

A gente sabe que é clichê,

Mas a vida é curta e sermos nós mesmos é o mínimo que podemos fazer para aproveitá-la com mais intensidade e verdade.

Este é o Pra Minha Diga Sim,

E hoje eu e a Júlia vamos conversar sobre a necessidade que sentimos de agradar constantemente aos outros e de que forma isso nos impede de sermos quem somos.

A gente vai começar esse assunto hoje falando sobre uma questão bem básica,

Que eu acredito que muitas pessoas vão se identificar,

Nossa aparência física.

Por exemplo,

Quantas vezes a gente muda o nosso jeito de se vestir para se encaixar nas expectativas dos outros,

Ou com medo então de sermos julgados?

Jú,

Vou começar perguntando para você,

Você já se sentiu desconfortável em escolher uma roupa totalmente do seu agrado para ir a algum local,

Encontrar alguém,

Com medo de sentir aquela sensação de inadequação do que vão pensar e se vão julgar de alguma forma?

Para evitar correr esses riscos,

Quero saber se você já escolheu por algum visual que você considerasse ser mais facilmente aceito,

Digamos assim.

Nossa,

Muitas vezes,

Mas assim,

Não falando em me adequar para diferentes ocasiões sociais,

Como uma festa,

Um cinema,

Um casamento,

Um restaurante mais fino,

Mas pensando assim em mudar o meu estilo e minha personalidade perante as outras pessoas.

Então,

Aquele grupo de pessoas que vão estar no local,

Deixando de ser quem eu sou,

Muitas vezes por vergonha,

Talvez,

Não sei,

Desconforto,

Em saber que aquela pessoa vai me julgar ou até para pertencer àquele grupo.

Então,

Eu às vezes quero ir um pouco mais arrumada,

Um pouco mais do meu estilo,

E aí eu fico pensando,

Poxa,

Mas aquela pessoa é tão básica,

Ela é tão arrumada,

Acho que eu vou me adequar,

Senão ela vai me julgar,

Vai ficar fazendo alguns comentários,

E aí o que acontece?

Eu acabo mudando de estilo e de personalidade perante aquela determinada pessoa,

Deixando de ser quem eu sou completamente,

E isso em várias situações,

E no fim eu percebo que eu não estou feliz assim com tudo isso,

Que no fim quem só se chateia com tudo isso sou eu mesma,

Parece loucura isso,

Né,

A gente falando assim.

E isso que você falou,

Eu acho que acontece muito com muitas pessoas,

Porque a gente acaba lendo aquele lugar antes da gente chegar,

E aí a gente já cria um cenário na nossa cabeça de como as pessoas vão enxergar a gente na hora que a gente vai entrando,

Na hora que a gente chegar com a nossa roupa,

Do jeito que a gente quer se vestir,

Então eu acho que acontece mesmo esse medo do julgamento muito grande,

E acaba limitando,

Não só na forma de se vestir,

Mas eu acredito que também na forma que a gente se comporta mesmo,

Que a gente se posiciona,

Né,

Claro que eu acho que tem uma questão de personalidade,

Da nossa capacidade de observar,

De se adaptar aos lugares,

Aquilo que as pessoas estão conversando em cada lugar,

Então a gente sempre faz essa leitura,

Mas eu acredito que a gente precisa estabelecer um limite,

Né,

Entre aquilo que a gente quer passar para as pessoas,

Aquela imagem saudável,

De acordo com o que a gente acredita,

E quando isso passa já do que a gente quer,

E a gente está fazendo para agradar os outros,

Né.

Exatamente,

Eu também acho que assim,

Tem uma diferença bem grande ali nessa parte,

Vou me vestir um pouco melhor,

Ou colocar aquela blusa que aquela pessoa me deu para agradar aquela pessoa,

Mas num sentido positivo mesmo,

Num sentido que você também fica feliz com aquilo,

E tem o outro lado de que quando eu começo só fazer o que aquela determinada pessoa quer,

Ou perdendo total minha personalidade para me inserir naquele ambiente,

Então eu já senti muito isso,

E eu acho que eu tenho essa luta interna comigo até hoje,

Né,

Acho que a diferença é que hoje eu consigo perceber meu comportamento,

Então eu vejo que eu estou incomodada,

Ou eu vejo que eu estou mudando quem eu sou,

Mudando meu estilo,

Então acho que já é um ponto positivo.

Agora tem todo aquele exercício de você tentar não se mudar tanto para se adaptar.

Exatamente,

E tentar ser fiel ao que você acredita,

E a como você se sente bem,

Né.

É,

Isso é,

Acho que esse é o grande desafio aí,

Né,

E nessa mesma linha que a gente está falando de mudar de personalidade aqui,

A gente já discutiu muito isso entre nós,

E eu queria ver com você se você já se sentiu na obrigação de estar no mesmo mood assim de uma outra pessoa,

Então,

Por exemplo,

Às vezes a pessoa não está bem,

Você sente que ela está mais para baixo,

E aí você fala,

Poxa,

Eu estou tão feliz hoje,

Não sei,

Você sente assim que você não pode,

Que você não pode estar sentindo o que você está sentindo?

Pode ser vice-versa também,

Às vezes você está muito triste,

Num ambiente onde as pessoas estão mais alegres.

Já,

Muitas vezes,

Um pouco disso eu acredito que vá de novo nessa linha de pensamento de que a gente precisa ler o local onde a gente está,

Eu acredito nisso,

E qual é o clima das pessoas que estão ali naquele local,

O que aquelas pessoas estão afim de conversar,

Né,

Entender o momento de vida dessas pessoas,

Pelo que elas estão passando,

Então eu tento fazer muito isso,

O que eu não sei se é certo ou errado,

Mas de alguma forma é o que me deixa confortável,

Às vezes acaba até sendo um pouco cansativo,

Principalmente eu percebo que quando você está numa vibração muito boa,

Num momento de vida bom,

E você sente por algum motivo,

Aí é que eu não sei explicar,

É uma necessidade de baixar o tom para você poder se encaixar no momento,

Então dói fazer isso,

Às vezes eu percebo que a gente se sente culpado em mostrar que a gente está bem,

Quando a gente percebe que os outros não estão bem,

Então eu ainda não consigo lidar muito bem com isso,

E quem acaba sofrendo no final sou eu,

Mas eu sei que o contrário também acontece,

Como você disse,

Então acho que as pessoas também passam por isso quando eu não estou bem e estou num ambiente em que as outras pessoas estão num outro mood,

Por exemplo.

É,

Eu concordo.

E às vezes eu acredito que a gente tenha dificuldade em expressar tudo que a gente está sentindo de bom,

E o momento bom da vida de compartilhar isso com outras pessoas que não estão passando pelo mesmo momento,

Com medo de ser rejeitado de alguma forma,

E aí a gente acaba tentando se igualar para dizer assim,

Olha,

Não me rejeite,

Eu estou igual a você,

Sabe,

Mesmo que eu tenha que mentir que eu não estou passando por algo bom,

Ou então tentar dizer que eu estou numa realidade parecida com a sua,

Mas pelo menos eu não estou sozinha,

Então talvez isso possa ser uma possibilidade aí também que passa,

Que passe dentro da nossa cabeça.

Não,

E olha,

Desculpa,

Pode falar.

Eu ia falar que nesse período,

Nesse momento que a gente está vivendo agora,

Eu acho que tem acontecido muito isso,

E eu sinto,

Porque quantas vezes a gente não pergunta para alguém,

Ah,

E aí,

Tá tudo bem?

A pessoa responde,

Tá,

Tá tudo bem.

Às vezes essa resposta é tão automática,

E às vezes,

Não,

Não tá tudo bem,

E a pessoa responde isso por diversos motivos.

Por exemplo,

Ela pode achar que a outra pessoa não quer ouvir os problemas dela,

Ou só perguntou para eu perguntar mesmo,

E muitas vezes a gente fala,

Não,

Tá tudo bem,

Porque está acontecendo tanta coisa ruim,

E tem tanta gente pior do que eu,

Que às vezes a gente acaba não querendo expressar nossos sentimentos,

E pode ser que tenha acontecido uma coisa difícil para você naquele dia,

E tá tudo bem,

Entendeu?

Eu acho que sempre vai ter alguém pior do que você,

Então,

Se a gente for pensar assim,

A gente também nunca consegue expor nossos sentimentos,

Expressar o que a gente está sentindo naquela hora,

E eu acho que entra um pouco naquele ponto de ser um positivismo tóxico,

Talvez.

Sim,

Eu concordo com você,

E eu acho que isso tem a ver também com,

Ou você é honesto demais,

Então como é que você vai responder,

Não,

Eu não tô bem,

Quando alguém pergunta para você,

Oi,

Tudo bem,

Você vai falar,

Não,

Eu não tô bem,

Eu tô passando por isso,

Isso e aquilo,

Então isso vai dar honestidade extrema de você falar isso,

E do outro lado,

De você pensar,

Poxa,

Mas essa pessoa pode não estar tão bem,

Pode estar pior do que eu,

Eu não vou me posicionar dessa forma para não deixar o clima pesado,

E é difícil,

Então são questões que são comuns para muitas pessoas,

Eu acho,

Inclusive para as pessoas que estão escutando a gente,

E ainda nesse ponto,

Tem a questão também dos elogios,

Que é algo que eu sempre procuro entender como lidar com receber elogios,

E eu queria entender de você,

O que você pensa sobre isso,

Eu acredito que as pessoas que estão nos ouvindo também vão se identificar,

Por que a gente tem tanta dificuldade em receber elogios,

Quando alguém te elogia,

Ju,

Como você se sente?

Ah,

Essa pergunta,

Ela é bem,

Acho que encaixa super para mim,

Na verdade,

Porque eu,

Falando de mim,

Eu percebo que eu tenho muita dificuldade em aceitar elogios,

Mas não assim porque eu sou orgulhosa ou algo do tipo,

Mas pensando,

Eu poderia falar assim por dois motivos em específico que eu penso,

O primeiro porque eu fico super desconfortável em responder às pessoas,

Principalmente se é uma pessoa que eu já não tenho tanta proximidade,

Então por exemplo,

Eu fico receosa em parecer arrogante,

Quando eu reconheço o elogio,

E muitas vezes eu tenho medo também de parecer até metida,

Sabe,

Sei lá,

Então não sei se isso é só algo que eu tenho impressão,

Mas eu tenho muita essa sensação de,

Ah,

Se a pessoa fala alguma coisa,

Nossa,

Como você está bonita hoje,

Eu falo,

Ah,

Obrigada,

Não sei,

Falando alto,

Parece que eu vou ficar desconfortável em concordar com aquilo,

Então eu acho estranho,

E por outro lado,

Eu acho que tem uma outra situação nessa questão do elogio,

Porque eu fico muito com aquele sentimento de não merecedora daquele elogio às vezes,

Então o que eu quero dizer com isso,

Normalmente quando a pessoa te elogia,

Ela está ressaltando as suas qualidades,

As suas habilidades,

Das quais muitas vezes nós mesmos não reconhecemos e não enxergamos aquilo na gente,

E aí eu penso que ficar desconfortável em receber um elogio,

Ou reconhecer um elogio,

Pode ser até um mecanismo de defesa de nós mesmos,

Sabe,

Ah,

A pessoa está falando que eu sou muito boa nisso,

Que eu fiz muito bem aquilo,

E às vezes no fundo eu acho que eu não fui,

Entendeu,

Então eu fico desconfortável em responder aquele elogio,

Em aceitar aquela característica boa que ela me elogiou,

E aí também,

Outra situação que eu me pego muito fazendo quando me elogiam,

É minimizar aquele elogio,

Ou seja,

As pessoas vem e elogiam alguma blusinha que eu comprei,

Que eu estou vestindo naquela hora,

Um objeto na minha casa,

Isso até aconteceu esses dias,

Que eu até percebi,

Eu tendo sempre a falar que assim,

Ai,

Obrigada,

Comprei na promoção,

Paguei super baratinho,

Ou então,

Ai,

Eu ganhei,

Sabe assim,

Não sei se você se reconhece,

Porque eu acho que talvez é uma forma de eu justificar aquela compra,

Sabe,

Aquela aquisição,

Eu não sei.

Sim,

Você se sente culpado de alguma forma e automaticamente já quer se diminuir para não ficar se sentindo que está acima de alguém,

Né,

Por algum motivo.

É,

Exato,

E assim,

Eu também acho,

Né,

Que às vezes a gente não quer,

Assim,

Também tem medo do julgamento das pessoas,

Então às vezes,

Do tipo assim,

A pessoa está elogiando,

Nossa,

Adorei esse quadro meu,

Muito lindo,

E aí você quer falar do tipo,

Ai,

Será que ela vai achar que foi super caro,

Ou,

Ai,

Não sei,

Que eu estou gastando muito dinheiro,

Ou sei lá,

Aí você fica,

Nossa,

Mas eu ganhei,

Nossa,

Foi muito barato,

Ou então,

Uma que eu sempre falo,

Que eu já percebi,

É do tipo,

Ai,

É super velho,

Mas assim,

A pessoa não perguntou se é velho,

Se é novo,

Se você ganhou,

Se foi barato,

Ela só elogiou,

Que ela gostou,

Né,

Então,

Por que que a gente tem tanta dificuldade em falar,

Nossa,

É verdade,

Você gostou,

Eu também adoro esse quadro,

Então,

Nossa,

Essa blusinha,

Ela já está saindo andando,

De tanto que eu uso,

Eu amo,

Então,

Eu me identifico muito,

Assim,

Eu consigo me enxergar e identificar as situações que eu faço muito isso.

Será que a gente não tem medo da rejeição,

Mais uma vez,

Fazendo isso,

Porque aí você evita de estar em um lugar sozinho,

Né,

Você já demonstra uma vulnerabilidade,

Digamos assim.

Sim,

Com certeza,

Eu acho que a gente tem muita dificuldade em demonstrar a vulnerabilidade,

Eu acho que as pessoas,

Né,

Isso eu me incluo também,

Eu estou tentando trabalhar isso,

Na verdade,

É que a gente tem que enxergar que nossa vulnerabilidade,

Ela é a nossa força,

Né,

E são nessas pequenas ações diárias,

Nessas pequenas situações que elas se mostram,

Mas ainda assim,

A gente não consegue,

A gente tem dificuldade ainda de expor isso,

E assim,

Olhando de fora,

Pensando aqui racionalmente,

Falando com você,

É tão mais fácil a gente acolher,

Agradecer esse elogio que as pessoas fazem,

E a gente tomar aquilo como verdade,

Do que a gente ficar se justificando,

E minimizando aquela qualidade,

Aquela coisa boa que a pessoa falou,

Tanto porque é um elogio,

Ele pode mudar E muito,

Né,

Nosso dia,

É tão gostoso quando alguém tá na fila da padaria,

Sei lá,

Acho que a gente brasileiro tem muito esse hábito de falar,

Nossa,

Adorei,

Adorei sua blusa,

Sua bolsa,

Na situação que a gente tá vivendo,

Então,

Todo mundo fala,

Adorei sua máscara,

E isso aumenta nossa autoconfiança,

Nossa autoestima,

Então eu acho que tão bom quanto receber elogios também,

É a gente dar,

Né,

Pras pessoas.

Também acho,

Faz bem mesmo.

É,

Agora a gente só tem que saber aceitar isso,

Né,

E não fazer que um elogio se torne algo monstruoso dentro de nós.

Com certeza.

Mas enfim,

Acho que esse tema,

Ele entra muito nessa questão que a gente tá conversando,

De tentar mudar quem a gente é,

Ou sempre tentar nos minimizarmos para agradar as pessoas,

Né,

Ou então não gerar situações desconfortáveis,

E bah,

Não sei se você pode comentar um pouquinho sobre isso,

Que pensando nessa mesma lógica,

Nessa mesma dinâmica que a gente tá fazendo,

Eu queria entender de você,

Se você sente isso na hora de se posicionar perante as outras pessoas,

Ou seja,

Quando você precisa se expressar de alguma forma,

Você sente assim,

Uma necessidade de parecer mais simpática,

Mais legal,

Mais agradável o tempo todo?

E o que eu quero dizer com isso é assim,

No sentido de sempre querer que a outra pessoa goste de você,

Independente da situação,

É,

Acho que no geral,

Né,

Pra ficar mais fácil aqui as pessoas entenderem,

É,

Você sente que você sempre fala com excesso de cautela,

Do tipo,

Muitas vezes você não sente que você tá natural,

Por que que eu pergunto isso,

Né,

Por que que eu tô esclarecendo isso,

Porque óbvio que a gente vai ser sempre simpática com as pessoas,

Né,

Ninguém vai tratar ninguém mal,

Não é isso que eu quero dizer,

Pelo menos pessoas mais normais,

Né,

Mas você sente esse excesso que você,

Essa pressão em você mesma,

Ah,

Eu preciso ser cautelosa na hora de falar?

Sim,

No geral,

Geralmente eu busco sempre agradar as pessoas,

Independente do que eu tô sentindo,

Isso é uma característica que eu inclusive até descobri como um padrão mesmo em uma análise corporal que eu fiz recentemente,

Que eu adorei,

Que eu comecei a fazer essa terapia de análise corporal.

Ah é?

Como é que funciona?

Sim,

É uma leitura que a terapeuta faz dos seus traços físicos e relaciona com padrões emocionais e questões psicológicas que você tá vivenciando naquele momento,

Que já passou em outros momentos da vida,

É isso eu tô falando assim de forma leiga,

Porque não sei explicar,

Mas eu descobri esse traço,

E quando eu descobri isso em mim,

Eu falei nossa,

Essa pessoa sou eu,

Então sempre tentar agradar aos outros é uma característica minha,

Seja na forma de falar,

Seja na forma de me expressar,

Os trejeitos e tudo mais,

E no fundo,

Eu acredito que isso seja em parte por eu tentar ser mais positiva,

Porque isso me ajuda como um todo,

E tentar deixar as pessoas confortáveis quando estão comigo,

Enfim,

Mas também tem aquela questão que eu achei interessantíssima,

Que é de não querer ser rejeitada,

O medo de ser rejeitada,

Então existe um excesso de cautela,

Então mesmo que eu não esteja bem,

Eu me forço a estar bem,

A me mostrar bem,

O que acaba tirando energia de mim mesma,

Então quando eu não tenho pra oferecer,

Eu continuo ali,

Com um sorriso e forçando a barra pra mim,

Então acho que no fundo,

Não sei se tem outras pessoas que possam se identificar com isso também,

Mas no meu caso,

Eu não quero mesmo que as pessoas se afastem,

E isso é uma questão de sabotagem de cada um,

Tem o lado positivo,

Que é o que eu disse,

Que eu acho que é óbvio,

É normal,

A gente vai tentar ser simpático,

A gente vai tentar ser agradável,

Mas isso não pode nos ferir,

No geral eu sinto que temos medo de espantar os outros,

Por isso a gente nega às vezes a nossa própria situação de vida naquele momento,

E o contrário também acontece,

Quando você se sente forte,

Se sente muito bem,

E você não quer se demonstrar tudo isso com medo de espantar as pessoas,

Você acaba tentando se mostrar mais frágil,

Foi um pouco do que a gente já disse,

Principalmente nos momentos de exposição,

Pra acabar agradando de alguma forma aquelas pessoas que não estão preparadas pra tudo aquilo que você quer expor e quer se mostrar,

Pra toda aquela força que você quer demonstrar naquele momento,

Então eu percebo que muitas vezes o medo de se expor ele ocorre pelo fato também de que é mais fácil a gente ficar em um lugar onde as pessoas não te notem,

Então você acaba escondendo suas potencialidades,

Suas forças,

Pra não ser notado e pra não incomodar de alguma forma.

Nossa,

Eu me identifico muito com isso,

Eu acho que eu até tô precisando fazer essa análise,

Eu acho que é uma ótima forma pra autoconhecimento,

Na verdade,

Eu percebo muito alguns comportamentos que eu tenho,

Inclusive posturais,

Se é que eu posso falar assim,

Quando eu tô nervosa ou tímida,

Ou eu não quero que as pessoas percebam que eu tô ali,

Ou eu não quero falar,

Ou então,

Quando eu me sinto enfraquecida,

Entende?

Sim,

A gente acaba se curvando,

Fechando os ombros pra baixo e ficando.

.

.

Até os olhos pra baixo,

Exato,

Isso é tão curioso,

Porque muitas vezes a gente acaba não percebendo que a gente faz isso,

Até nossos gestos,

Então achei super legal,

Mas acho que isso daria tema até pra um próximo podcast,

E mais que eu queria te falar dessa questão da comunicação,

De mostrar a nossa força,

Eu me identifiquei muito com vários pontos que você falou no meu dia a dia,

E tem uma história que é muito verdadeira,

E a gente escuta isso muitas vezes,

E a gente não aplica no nosso dia a dia,

Que é aquela questão de você,

Pra dar o seu melhor pros outros,

Pra ajudar os outros,

Você tem que colocar a máscara de oxigênio em você primeiro,

Então você tem que cuidar de você primeiro,

Pra depois você conseguir ajudar os outros,

Então foi isso que você falou,

Às vezes eu tô tão esgotada,

Tão cansada,

E eu só quero ser eu mesma,

Do tipo,

Ai,

Não quero falar agora,

Ou dar uma opinião rápida,

Ou talvez com o tom de voz um pouquinho mais baixo,

E a gente com medo tão grande,

Tão intenso,

De achar que aquela pessoa vai nos ignorar,

Vai nos julgar,

Vai achar que a gente não foi simpático o suficiente,

Sei lá,

A gente acaba dedicando aquele resto de força,

De energia que a gente tem naquele momento pros outros,

Então,

No final das contas,

A gente tá esgotado.

Com certeza,

Isso também tem a ver,

Tá relacionado com o fato de que a gente não consegue falar quando a gente não está bem,

Eu pelo menos tenho essa dificuldade,

E recentemente,

Essa foi uma questão que me veio à mente,

Então será que se eu conseguisse expor melhor o que eu penso e o que eu sinto,

Quanto mais fácil seria pra eu resolver os meus próprios desafios?

Sobre essa capacidade de expressar e ter a coragem de dizer não estou bem,

E de se resguardar,

Tem pessoas que fazem isso talvez em excesso,

E acabam se sentindo solitárias,

E com medo disso acontecer,

Eu evito totalmente de expressar os meus sentimentos pras pessoas,

Bancando aquela pessoa que tá sempre bem,

Que tá sempre aguentando tudo,

E que no final das contas,

Não está bem por dentro,

Está carregando um peso que não é seu,

Que você não precisa carregar,

E tripulando vários desafios que não se desenrolam ao longo da vida.

Sobre essa questão de falar,

Ju,

De se expressar,

Sobre a nossa oralidade,

Quero saber o que que você sente sobre isso.

Nossa,

Acho que muito do que falamos hoje,

Se tivéssemos exposto essas situações com alguém,

Se a gente tivesse conversado isso com alguma pessoa,

Essas situações não estariam tão intensificadas dentro de nós,

Que foi exatamente isso que você falou,

Da comunicação,

Né.

Por quê?

Porque na maioria das vezes que eu me pego pensando nessas ocasiões,

Que eu sempre acho que só eu passo por isso,

E não só nessas situações que a gente comentou agora,

Né,

Mas em várias outras que ficam aqui na minha cabeça,

No meu universo paralelo aqui,

Eu fico nas minhas nóias aqui,

Então às vezes eu fico pensando,

E às vezes eu tô numa roda de conversa assim com os amigos,

Sei lá,

Aí a pessoa fala alguma coisa e eu sempre falo ou penso,

Né,

Nossa,

Eu achei que isso acontecia comigo,

Porque a gente não fala para as pessoas nossas dores,

Nossas dificuldades,

E muitas vezes nem nossas alegrias mesmo,

Né,

Então eu acho que as pessoas,

Sei lá,

Têm medo de se mostarem vulneráveis mesmo,

De se exporem,

Que foi o que a gente falou anteriormente.

E acho que também eu penso que na pandemia,

Estando isolada assim do pessoal,

Dos colegas de trabalho,

Eu tenho interagido muito menos com as pessoas,

Né,

Eu tenho receio de falar o que eu tô sentindo,

Ou o que eu tô pensando,

Muitas vezes com medo de estar errada,

E das pessoas me julgarem,

Eu acho que essa questão da gente ficar pensando muito no que os outros vão achar o tempo todo,

Paralisa o ser humano de uma forma muito negativa,

E eu sinto que isso me afeta demais,

É tanto que a gente já falou várias vezes,

Né,

De julgamento.

E a gente tem medo também de se abrir para as pessoas,

A gente meio que perdeu essa cultura da troca,

De confiar,

De conversar,

As relações parece que têm se tornado um pouco superficiais nesse sentido,

Então a gente parece que a gente se tornou mais arisco,

Né,

Nesse sentido,

Não vou me abrir para qualquer um,

Não vou contar,

E sinto que a gente pode estar perdendo oportunidades de trocas mesmo relevantes.

Exatamente,

E assim,

O receio de falar o que eu estou sentindo,

Ou o que eu tô pensando,

Com medo de estar errada,

Né,

Na maioria das vezes,

Isso eu falo por experiência própria,

Na maioria das vezes que eu exponho o que eu tô sentindo,

Que eu compartilho um sentimento com alguém próximo,

Seja do trabalho,

Minha família,

Um amigo,

A chance das pessoas se identificarem com você,

Ou conhecerem alguém que tá passando por aquela mesma situação que você,

É muito grande,

Né,

E assim,

Um exemplo disso,

Não sei,

É mais ou menos ligado com a síndrome da impostura,

Por exemplo,

Né,

Vê se faz sentido.

Às vezes eu acho que eu não sou capaz em fazer uma atividade,

Acho que tô fazendo tudo errado,

Ou acho que ficou horrível,

E aí eu fico pensando,

Gente,

Só eu tô achando isso,

Só eu não tô conseguindo fazer esse exercício,

Só eu não tô conseguindo,

Sei lá,

Melhorar aqui,

E aí o simples ato de você comentar isso com alguém,

A pessoa fala,

Nossa,

Eu também,

Ou já passei por isso,

Mas eu percebi que eu tava me sabotando,

Ou então eu conversei com uma outra pessoa,

Ou eu fiz um treinamento sobre isso,

Me ajudou muito,

Já vai clareando e te dando uma luz no fim do túnel,

E também o fato de você falar com as pessoas,

De você conversar,

De ter essa troca,

Traz um conforto,

Aquele quentinho no coração,

Tão gostoso,

Quando a pessoa te acolhe,

Que toda aquela angústia,

Aquele sofrimento que você ficou sofrendo sozinha,

Né,

Passando por aquela situação com você mesmo e seu universo paralelo,

Poderia ter sido resolvido de uma forma muito similar.

Com certeza,

Concordo,

Traz muito esse sentimento,

A gente evita de se abrir,

De conversar,

Mas quando a gente faz isso,

Acaba sendo muito melhor.

Exatamente,

E acho que um exemplo disso foi quando a gente tentou desenhar o episódio,

A gente conversou sobre a ideia de fazer um episódio,

Só nós duas,

E a gente não sabia o tema,

E quando a gente foi compartilhando nossas ideias,

Nossos momentos,

Nossa experiência,

A gente foi se identificando com aquilo,

Com várias situações,

Nossa,

Eu também passo por isso,

E é curioso,

Porque quando eu converso com a minha psicóloga,

Ah,

Por que tá acontecendo isso,

Não sei o que,

E eu tô sozinha,

Enxergo que só eu tô passando por isso,

Ela sempre me fala,

Se você soubesse o tanto de coisa que eu escuto,

O tanto de gente que você nem imagina,

Sabe,

De diferentes classes sociais,

Posições,

Você ia ficar surpresa,

Mas é porque as pessoas não falam mesmo entre elas,

Então a gente acha que só tá acontecendo aquilo com a gente,

E eu acho também,

Né,

Acho que eu até tô falando muito,

Mas eu não sei,

Eu tenho a sensação de que a gente tem que estar sempre bem o tempo inteiro,

Sempre se mostrando forte o tempo todo,

A gente nunca pode ter uma recaída,

Não sei,

Então acho que isso atrapalha muito também.

Sim,

A gente precisa,

Eu acho que as redes sociais acabam contribuindo muito pra isso,

Porque elas têm mudado a forma como a gente olha pra nós mesmos e como a gente olha pros outros,

Pelo fato de que agora,

Na era da influência,

As pessoas trabalharem com as suas vidas particulares,

Juntamente com marketing,

Com anúncios,

Isso acabou misturando muita coisa na nossa cabeça,

Então você assiste uma pessoa no dia a dia dela,

Ela se mostrando ali toda hora perfeita pra ela poder fazer um anúncio,

O que é óbvio,

Uma pessoa não vai fazer um anúncio de uma marca,

De um produto,

Com uma cara de desanimada,

Mostrando que ela tá sofrendo,

Então todo aquele momento em que ela se mostra,

Mostrando aqueles anúncios,

Mostrando aquelas marcas,

Mostrando aquela vida construída,

Editada,

Perfeita por trás daquilo,

E nós consumidores acabamos assistindo tudo aquilo,

A visão que a gente recebe é de que todas aquelas pessoas estão bem a todo momento,

E isso é uma grande ilusão,

É um grande desafio que a gente passa hoje,

Principalmente as pessoas que consomem,

Que estão nas redes sociais,

De ler aquilo como algo editado,

Então existem vários perfis hoje que tem trazido essa realidade,

De falar gente,

O online não é real,

Vamos voltar pra nossa essência,

Vamos se tornar mais humanos,

Porque é disso que a gente tá precisando,

De trocas reais,

E de nos mostrarmos vulneráveis diante dessas situações de vida que todos os seres humanos passam,

Que são situações de sofrimento,

Que são situações de dor,

Qual ser humano não sofre,

Então fazer essa leitura,

Eu acho que tá sendo mais do que necessário no momento que a gente tá vivendo,

Né.

Exato,

E tanto porque essa dor,

Esse sofrimento,

Ele só vai crescendo dentro de nós,

E aí vai dando aquele vazio tão grande,

Que acabam.

.

.

Você vai se reprimindo,

Você vai se reprimindo cada vez mais,

E ficando cada vez mais distante dessa vitalidade que a gente deveria estar vivendo agora.

Exatamente,

E acho que é um trabalho,

Né,

É todo um trabalho que tem que ser feito,

Acho que começar com passos de formiguinha,

Que seria ir falando,

Ir buscando ajuda,

Nem que seja um amigo,

Uma ajuda profissional,

Acho que envolve muita coisa por trás de tudo isso,

Desses sentimentos,

Dessas angústias que a gente sente nos dias de hoje.

Sim,

E Ju,

Eu queria até adicionar um ponto aqui,

Que a gente até conversou um pouco antes de gravar o nosso episódio,

Que foi uma experiência que eu tive,

Uma vez que eu morei com uma pessoa muito especial pra mim,

E ela era uma pessoa,

Uma das pessoas mais autênticas que eu já conheci na minha vida,

Ela se vestia da forma que ela gostava,

E ela fazia as coisas que ela tinha vontade de fazer,

E ela era bastante desapegada ao que as pessoas estavam pensando dela,

Ela tinha essa força mesmo,

Essa capacidade muito grande,

E foram nesses meses que eu vivi com essa pessoa,

Que eu tive experiências que eu me lembro até hoje,

Sabe,

Do sentimento de liberdade,

De vitalidade,

De viver experiências autênticas,

De forma intensa,

Então são coisas que a gente não para pra pensar o que a gente pode estar perdendo em não sermos nós mesmos,

Em ficar pensando de que forma eu vou me vestir pra agradar alguém,

O que eu vou fazer,

O que eu vou falar,

Que música eu vou ouvir,

De que forma eu vou me comportar,

Quais são as coisas que eu escolho fazer,

Viagens,

Etc,

Sempre sendo meio que manipuladas por esses sentimentos de julgamento,

De medo,

Né,

De julgamento,

Então eu fiquei com esse aprendizado desde então,

E me lembrei por conta desse episódio,

Então isso é realmente importante,

É uma busca diária que a gente tem que fazer,

Porque realmente me fez muito bem naquela época,

Poder estar com alguém vivendo dessa forma.

Nossa,

Eu posso imaginar,

Saber que,

Eu acho que nessa mesma linha que você tá falando,

Além de você ter pessoas que te inspiram a ser você mesma,

E tá sempre voltando pra sua essência,

Né,

E se importando cada vez menos com o que as outras pessoas vão pensar,

Eu acho que uma forma da gente começar a fazer isso,

Né,

Pra finalizar aqui nosso episódio,

É a gente começar a perceber quando a gente tem esses comportamentos,

Então eu acho que já é um grande passo.

Você tá ali numa situação,

Você percebe que você tá pondo um grande esforço pra ser alguém que você não é,

Ou pra se adequar a um grupo que não é o seu,

E não precisa disso,

Né,

Então quando você sentir isso,

Você perceber,

Você fala,

Opa,

Já percebi aqui que eu não preciso fazer isso que eu tô fazendo,

Eu posso ser eu mesma e vai tá tudo bem,

As pessoas vão até gostar mais de mim mesma,

Mais de mim,

Né,

Então acho que esse é um exercício aí que eu,

Uma dica,

Um exercício que eu deixo pras pessoas,

É começar a perceber,

Observar os seus comportamentos nas situações,

E aí também como você fica,

Suas posições,

Seu corpo,

Seus sentimentos,

Que hora que você começa a ficar ansiosa,

Quando você tá muito cansada,

Que situações que te deixaram mais cansadas,

Por quê,

Então acho que essa é a dica aí que eu deixo pro pessoal.

Tem também uma dica muito boa que eu recebi de uma terapeuta de Ayurveda,

Que ela me falou pra fazer o seguinte,

De acordo com,

Aí as pessoas podem fazer os testes,

Né,

Pra descobrir quais são os doshas,

Ou qual é o dosha dominante,

A gente até pode fazer um outro episódio sobre a Ayurveda também,

Pra explicar,

Eu adoro,

Pra conversar,

E aí ela me disse pra eu utilizar os olhos essenciais que ela tinha me passado,

Pro meu,

Pra equilibrar o meu dosha,

E no banho,

Passar uma toalha quente com esses olhos,

Nessa região onde a gente acaba se curvando muito durante o dia,

Então ela falou pra eu abrir essa região dos ombros,

Colocar os ombros pra trás,

Ficar com a postura correta,

E massagear toda essa região com essa toalha quente,

Com esses olhos,

Libertando todos esses sentimentos de repressão que a gente faz com a gente mesmo,

E isso me fez muito bem,

Libertando toda a angústia,

Toda a tristeza,

Deixando isso passar,

E no final ela disse,

A gente não tem noção,

Mas a gente acaba acumulando muitos sentimentos de angústia e de tristeza nessa região,

Então isso tem me ajudado bastante,

Espero que possa ajudar,

De repente,

Quem quiser tentar também,

É muito gostoso fazer isso.

Ai,

Que legal,

Adorei.

Bom gente,

Estamos chegando ao fim,

Então,

De mais um episódio de nosso podcast,

E a gente espera que esse papo tenha sido útil pra você de alguma forma,

Eu acho que não existe certo ou errado,

E diante de tudo isso que a gente conversou,

Mas sim o que faz sentido pra cada um de nós.

Sim,

A ideia é entendermos que muitas vezes temos as mesmas preocupações,

Mas nem sempre falamos sobre elas,

O que podemos levar dessa conversa é que,

No fim,

Temos sempre que evoluir para a nossa melhor versão,

Sempre tentando ser quem a gente é,

E se sentindo bem com isso,

Sem ser um processo tão doloroso e que nos leva a viver a vida de forma menos intensa e libertadora.

Claro que é um processo longo,

Mas a gente convida vocês a tentarem junto com a gente.

Por hoje a gente fica por aqui,

Até a próxima e um beijo grande.

4.8 (10)

Avaliações Recentes

Bernadete

December 12, 2023

🙏

Valquíria

May 11, 2021

Muito bom! 🌷

© 2026 Pra Mim Eu Digo Sim. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

Trusted by 35 million people. It's free.

Insight Timer

Get the app

How can we help?

Sleep better
Reduce stress or anxiety
Meditation
Spirituality
Something else