Meditação da entrega,
Da rendição.
Convido-vos a sentarem-se numa posição confortável e estável,
Direita,
Alerta,
Mas relaxada,
Fechando os olhos,
Ou mantendo-os focados num ponto à vossa frente ou no chão.
Nesta meditação,
Nesta prática,
Vamos transformar o medo e o desapontamento em confiança e esperança,
Procurando deixar ir a nossa necessidade de controle.
Quando o inesperado acontece,
Quando os planos não seguem o definido,
Surge stress,
Ansiedade e até depressão.
O chão parece fugir-nos.
Na vida,
Por vezes,
Parece que um terramoto,
Uma tempestade,
Vem e varre tudo.
Reconhecendo isso mesmo,
E eventualmente a presença desse terramoto ou de uma qualquer tempestade na nossa vida neste momento,
Vamos procurar trazer a atenção para a respiração,
Abrindo-nos,
Suavizando,
Libertando qualquer tensão.
Podemos querer ou não dar um nome ao que mudou nas nossas vidas,
Reconhecendo o que está a ser agradável e o que está a ser desagradável nesta mudança.
O início de algum projeto,
O fim de algo.
A verdade é que o que tiver sido,
Ao fugir-nos do controle,
Se fugiu do controle,
Assusta-nos ou pode assustar-nos.
Habituamos-nos,
Muitas vezes,
A achar que temos um plano e a procurar controle.
Sentimos que é o que temos de fazer.
Mas,
Na verdade,
Na vida,
Em tantos momentos,
Se não a maioria,
Não podemos controlar tudo.
Mesmo quando somos seres centrados,
Compassivos,
Isto de não controlar tudo ou de perceber que não controlamos tudo,
É mesmo exigente,
Esta consciência.
Porém,
Também pode gerar paz e serenidade.
E,
Realizando agora várias respirações profundas,
Repetindo,
Estou seguro,
Estou segura,
Inspirando,
Abrindo-nos,
Expirando,
Suavizando,
Entregando-nos,
Sentindo lentamente,
Cada vez mais,
Enquanto acompanhamos a respiração,
A base do corpo a entregar-se,
A enraizar,
E suavizando os ombros,
Braços,
Mãos,
Libertando qualquer tensão.
E agora o rosto,
Olhos,
Boca,
Entregando-nos,
Estamos seguros,
Seguras,
Deixamos ir.
Achamos que conseguimos,
Mas,
Na verdade,
Não podemos controlar quase nada,
Verdadeiramente.
O tempo,
O comportamento dos outros,
Perante os outros,
Podemos apenas oferecer amor e respeito pela sua liberdade.
Se existe algo que podemos controlar é o nosso eu,
Apesar da nossa complexidade,
E nunca na sua totalidade.
Se o que nos aconteceu está a acontecer,
Dói,
Procuramos abraçar isso mesmo.
Se o que aconteceu,
O que está a acontecer é libertador,
Recebemos isso mesmo.
Deixando que a vida,
Com a sua inteligência,
Sabedoria,
Possa ser vivida.
Deixando que o terramoto,
A tempestade,
Aconteça,
Porque,
Eventualmente,
Terá o seu motivo para estar a acontecer.
Confiando,
Então,
No sentido do que estamos a viver agora.
Será que confiamos que vamos aprender algo com esta mudança?
Confiamos que,
Mesmo nos momentos mais duros,
Estamos a transformar-nos no nosso melhor?
Nestes momentos da vida,
Os momentos exigentes,
Temos a tendência para controlar.
Agarramos-nos a crenças,
Hábitos e pessoas que nos fazem sentir seguros,
Seguras,
Em vez de deixar que a vida nos leve para onde tiver que ir.
Trata-se de um instinto de sobrevivência.
Ficar como estamos significa,
Pelo menos,
Saber onde estamos.
Deixar ir significa abrir-nos às possibilidades e oportunidades.
E deixar ir a necessidade de controlar tudo.
Como vimos,
Isto é assustador,
Mas também libertador.
Conseguimos deixar ir o corpo?
Conseguimos deixar ir o controlo?
Inspirando paz?
Inspirando controle?
Inspirando novas possibilidades?
Inspirando a estagnação?
Se soubéssemos sempre o que vai acontecer,
Se acontecesse sempre o que queremos,
Não cresceríamos como pessoa.
O que se revela hoje poderá ser fonte de risos e felicidade mais tarde.
Se definirmos a nossa vida ao pormenor,
Não temos espaço para surpresas e para a sabedoria que resulta ou pode resultar do fracasso.
Confiando,
Simplesmente,
Neste momento,
Estamos a aprender a mudar.
E pode apoiar,
Neste processo,
Oferecer-nos amor,
Compaixão e confiança.
Quando corremos na direção daquilo que achamos que queremos,
Os dias são um conjunto,
Ou podem ser um conjunto,
De sofrimento e de ansiedade.
Se nos sentarmos num lugar de paciência,
Aquilo de que necessitamos é o que nos tornamos,
Sem qualquer dor.
Partindo daqui,
Percebemos que aquilo que queremos também nos quer a nós,
Está a olhar por nós e a atrair-nos.
Existe um grande segredo nisto mesmo,
Para as pessoas que o consigam compreender.
Então,
Que possamos tentar algo novo.
Que nos possamos render.
Que nos possamos entregar.