
Deixar Ir: Aprendendo a Ser Feliz com Liberação
by Lígia Lana
Como ser feliz nos momentos em que somos convocados a nos desapegar? Neste podcast, conheça o "deixar ir", uma atitude que pode equilibrar as frustrações quando nossas expectativas são contrariadas. Você vai aprender sobre o significado de moksha, um conceito em sânscrito que significa liberação. De acordo com o pensamento védico, deixar ir é um objetivo da vida e traz mais consciência espiritual. Conheça também três atitudes práticas que ajudam o deixar ir.
Transcrição
Vivemos um momento de transformação,
Em que nunca foi tão urgente o chamado para o aprendizado e para uma vida mais consciente.
Eu sou Lígia Lana e neste podcast eu vou falar sobre o conceito de deixar ir,
Uma ideia para aprender a ser mais feliz.
A primeira coisa que a gente pensa quando vê essas palavras,
Deixar ir,
É abandonar,
Deixar pra lá o que a gente tem,
O que a gente gosta,
Nossos projetos,
E é por isso que a gente não gosta muito de pensar sobre isso,
Porque nós queremos ter nossos desejos realizados,
A gente quer estar ligado às pessoas que a gente ama,
Então isso é muito correto,
A gente ver esses termos e falar assim,
Não quero pensar muito sobre isso.
É muito triste quando a gente não consegue realizar nossos projetos ou quando a gente se isola,
Perde o contato com as pessoas que a gente ama,
Isso ficou muito provado nesse momento de isolamento social.
Isso tudo traz letargia quando a gente não consegue realizar as coisas que a gente quer,
E a letargia traz tristeza.
Então,
Querer estar ligado aos nossos sonhos e às pessoas que a gente ama é fundamental para uma vida feliz.
A questão é que muitas vezes nós somos frustrados,
Nossas expectativas não são alcançadas,
Aquilo que a gente espera muito e tem certeza que vai acontecer não acontece,
Ou mesmo quando as pessoas que a gente mais ama vão embora.
É justamente o deixar ir que vai trazer o equilíbrio entre aquilo que gostamos ou buscamos e a felicidade.
Então,
Não quer dizer que essa ideia vai fazer com que a gente pare de buscar objetivos para realizar,
Mas sim que a gente vai fazer isso tudo de uma outra maneira.
Em português,
A gente pode associar o deixar ir ao termo desapego,
E aí começa o problema.
Desapego está associado ao desamor.
Se você digitar no Google,
Por exemplo,
Desapego,
Você vai encontrar uma série de ofertas de objetos usados,
Roupa,
Carro,
Eletrodoméstico.
Então,
Desapego está diretamente associado em português àquelas coisas que a gente descarta ou que a gente vai dar um outro uso,
O que é muito legal hoje em dia,
Mas está muito associado a coisas que não nos servem mais.
E é por isso que eu não quis colocar desapego no título do podcast,
Porque deixar ir não significa diminuir o amor,
Não significa que a gente quer descartar algumas coisas,
Não quer descartar uma ideia,
Um projeto,
Mas sim que a gente consegue lidar melhor com as frustrações de uma outra maneira.
Em sânscrito,
A palavra tem um sentido mais preciso.
O termo é Moksha,
M-O-K-S-H-A.
E Moksha significa liberação.
Então,
Perceba que não tem nada a ver com desamor.
A liberação,
No pensamento védico,
É necessidade de crescimento espiritual.
A gente se libera para se ver além da matéria,
A gente se libera para responder aquelas perguntas que vão além só do aqui e agora,
Que respondem a um sentido mais profundo da existência,
Que fazem com que a gente perceba que nós somos muito mais que o nosso corpo,
Que os nossos projetos,
Até que os nossos pensamentos,
O que a gente gosta,
O que a gente não gosta.
Falando assim é lindo,
Eu sei,
Mas na prática não é bem assim.
A gente está aqui agora,
A gente quer realizar nossos projetos aqui agora.
E,
Como eu disse no começo,
A apatia é muito ruim.
A apatia traz tristeza quando a gente está letárgico e não consegue realizar as coisas que a gente busca.
Então,
Como equilibrar essa vida mais consciente,
Como construir,
Com a realização aqui e agora dos nossos planos?
De acordo com o pensamento oriental,
A gente tem quatro grandes objetivos na vida.
O primeiro é definir propósito e sentido de identidade,
Que está associado ao termo Dharma.
O segundo seria conquistar,
Conquistar coisas,
Objetos,
Dinheiro e alcançar também reconhecimento por causa dessas conquistas.
Então,
Esse segundo objetivo está associado com a nossa carreira e ele tem a ver com o termo Artha.
O terceiro seria realizar nossos desejos nas relações com as outras pessoas e está associado ao termo Kama.
E,
Enfim,
O quarto objetivo seria Moksha,
A liberdade para fazer isso tudo.
Então,
Isso quer dizer,
A gente deve fazer,
Ter objetivos,
Ter propósitos,
Ganhar a vida,
Ter a nossa carreira,
Se relacionar amorosamente com os outros.
Quer dizer,
Deixar ir não é descumprir esses objetivos,
Deixar ir é,
Na verdade,
O principal objetivo,
Porque é realizar todos esses outros três objetivos com consciência de que eles não são fins em si mesmos,
Eles são meios para se alcançar uma percepção mais consciente de quem se é.
Então,
Esse é o segredo de deixar ir.
David Froley,
Um autor americano,
Afirma que esses objetivos,
Os quatro objetivos definidos pelo pensamento védico,
Poderiam ser representados por uma pirâmide.
Então,
A felicidade,
A saúde,
A riqueza,
As pessoas que a gente ama,
A carreira,
Vão se acomodando na base.
E no topo dessa pirâmide está justamente o deixar ir.
Quando a gente chega no topo,
Segundo ele,
A gente tem consciência de que tudo que a gente faz antes serve a um propósito muito maior que nós mesmos.
Então,
O nosso corpo,
Nossa saúde,
Nossa carreira,
Nossos amores,
Que parecem tão nossos,
Quando a gente percebe que existe algo além e que nada disso é nosso,
Aí a gente se torna mais feliz.
Não adianta fazer isso tudo sem essa percepção de que a gente alcança esses objetivos como meios para nos conectar com algo maior.
Paramahansa Yogananda fala deste algo a mais.
Este algo a mais é exatamente essa percepção mais espiritual da consciência,
A percepção da centelha divina em nós.
E isso é moksha,
É liberação.
Como então essa teoria poderia se traduzir na prática?
Nesses momentos em que a gente está precisando deixar ir,
Como agir?
Então,
A gente poderia pensar em três atitudes para poder alcançar o topo dessa pirâmide.
Em primeiro lugar,
Ter consciência que a nossa busca por paz e felicidade é legítima,
Mas que não necessariamente segue os planos que a gente imaginou.
Então,
É preciso buscar paz e felicidade com o que se tem aqui e agora.
Em segundo lugar,
A gente deve lutar.
Então,
A gente deve perceber que a vida é um campo de batalhas e,
Como qualquer outra batalha,
Nem sempre a gente vence.
Nós temos altos e baixos.
Então,
Perceber as perdas e os ganhos com ecoanimidade.
Quer dizer,
Perceber os momentos em que você perde e ganha da mesma maneira.
Não se emocionar muito na vitória,
Não ficar muito feliz na vitória e também não se despedaçar demais no fracasso.
Isso é ecoanimidade na batalha da vida.
E,
Em terceiro lugar,
A humildade.
Algo que une,
Na verdade,
Os dois primeiros passos.
Porque,
Muitas vezes,
A gente precisa negar o que a gente planejou de forma consciente e aprender a perder para estar feliz.
Se desprender de expectativas e deixar ir.
Então,
Antes de terminar,
Eu faço um pequeno resumo de tudo que eu falei aqui.
Deixar ir não significa deixar de amar.
Deixar ir significa aprender a lidar melhor com as frustrações e ser feliz mesmo nos momentos em que as nossas expectativas não são alcançadas ou as pessoas que a gente ama vão embora.
Deixar ir também é um objetivo da vida.
Existem outros objetivos,
Que são também muito importantes,
Mas deixar ir é o principal objetivo da vida.
Então,
A gente precisa desenvolver um senso de identidade,
A gente precisa ter uma carreira,
A gente precisa amar as pessoas.
Mas esses três objetivos,
Eles não são fins em si mesmo.
Eles precisam ter sempre em vista essa ideia de deixar ir,
Que é a própria liberdade para ter a carreira,
Para ter os amores e para saber quem se é.
E existem três atitudes que podem fazer com que essa consciência,
Esse aprendizado do deixar ir,
Seja mais fácil.
A primeira atitude é entender que a busca por felicidade e paz é muito legítima,
Mas não necessariamente segue aquela fórmula que a gente planejou.
Em segundo lugar,
A consciência que a vida é um campo de batalhas e que haverá luta.
Nem sempre uma luta é ganha.
E,
Em terceiro lugar,
Uma atitude de humildade.
E essa atitude de humildade,
Ela faz a ligação entre a primeira e a segunda atitudes.
Por quê?
Porque ela faz com que a gente compreenda que não necessariamente aquilo que a gente almeja é o que deve ser vivido.
Então,
É essa atitude de humildade que faz com que a gente se desprenda de quem a gente é,
Daquilo que a gente projetou e deixe ir.
Ser feliz deixando ir significa agir com mais consciência,
Transcendendo as realizações mundanas para encontrar esse algo a mais,
Esse primeiro que a gente coloca na vida para ser feliz.
Se você tiver alguma pergunta ou algum comentário,
Envie para mim.
Vamos continuar nos falando?
Conheça seu professor
4.8 (95)
Avaliações Recentes
More from Lígia Lana
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
