
O (des)conforto do silêncio
by João Alencar
Por que o silêncio incomoda tanta gente? Neste episódio, exploramos como transformar o desconforto do silêncio em uma experiência de calma e conexão com o agora, usando práticas simples de atenção plena no dia a dia.
Transcrição
Olá,
Sejam todos bem-vindos de volta ao Alma Livre,
Seu podcast sobre espiritualidade independente universalista.
Aqui quem vos fala é o João e hoje eu quero falar sobre o assunto do silêncio desconfortável.
O título desse podcast vai ser o desconforto do silêncio,
Desconforto ali entre parênteses.
Como é que a gente pode pegar esse suposto desconforto e transformar em conforto?
Como é que a gente faz para tirar prazer desses momentos de total silêncio?
Mas antes eu queria falar da mania do ruído da era da informação,
De que a gente está constantemente sendo bombardeado por informação ou a gente mesmo está acostumado,
Viciado a ficar buscando incessantemente por algum ruído,
Alguma narrativa,
Alguma história,
Alguma questão,
Alguma notícia,
Alguma palhaçada,
Qualquer coisa que possa preencher esse silêncio que para muita gente é angustiante.
Primeiro eu queria falar um pouco sobre isso.
Primeiro eu queria comentar que isso não é algo tão recente assim quanto a gente imagina.
Desde a invenção da televisão até antes,
Rádio,
Mas eu diria que até antes,
Mesmo com livros,
Com texto que muita gente usou e muita gente usa ainda hoje como preenchimento de um suposto vazio ao ficar no nada,
No silêncio,
Mesmo que aquela leitura não seja das mais agradáveis ou edificantes,
Pelo contrário,
Muitas vezes leitura de notícias.
A nossa mania de buscar uma emoção,
Uma adrenalina,
Um comentário,
Algo para se indignar ou uma história para se empolgar e a gente ficar nessa emocionalidade que supostamente faz com que a gente se sinta vivo,
Mas é que é preciso ter essas intensidades que se tiver no silêncio,
Parece que não está vivo,
Parece que é um cemitério.
Aliás,
Eu queria falar um pouco disso,
Eu ouvi muito disso em casa.
Eu saía com meus pais para qualquer lugar,
Supermercado,
Shopping,
E quando a gente voltava para casa,
A primeira coisa que se fazia era ligar a televisão e eu ficava angustiado com aquilo porque eu saía de um lugar barulhento,
Como o shopping,
Chegava em casa,
Ia descansar a cabeça e de repente vai ter aquele ruído ali,
Um Silvio Santos,
Um Faustão,
Uma besteira dessa para preencher aquele silêncio que dizia-se,
Como assim está esse silêncio aqui,
Que é essa sensação de cemitério?
E muitas vezes meus pais iam,
Sei lá,
Tomar banho,
Iam para qualquer coisa,
Para o quarto,
E eu via que a televisão ficava lá abandonada,
Sozinha,
Ligada,
Com ninguém assistindo,
E às vezes eu ia lá e desligava aquela televisão,
E às vezes,
Sei lá,
Minha mãe voltava do banho ou alguma coisa assim,
E chegava na sala,
Como assim essa sensação de cemitério,
Esse silêncio,
Essa coisa de morte,
E aí ligava para ter aquele ruído de fundo,
Para ficar apoiado nele,
Para tirar a sensação suposta de vazio,
E aí eu queria avaliar um pouco isso.
Por que a gente está o tempo todo se encostando em narrativas,
Mesmo que essa narrativa seja uma besteira,
Uma coisa assim que não vai agregar,
Não vai trazer,
Inclusive,
Muitas vezes é lixo,
Que a gente fica colocando na televisão,
Vou procurar alguma coisa aqui,
E aí geralmente cai em uma besteira e a gente deixa aquela besteira rolando ali.
Por quê?
É melhor que o silêncio?
Como assim?
E aí eu resolvi gravar esse podcast analisando essa situação,
Porque eu vejo que isso ainda acontece hoje,
Aliás,
Hoje isso está potencializado por causa de mídias sociais,
Celular,
Não é uma coisa que surgiu agora,
Mas que está cada vez mais intensa agora,
Está cada vez mais fácil de a gente ter essa distração,
Quase no nível de hipnose,
De ir para uma tela ou cair em uma narrativa,
Simplesmente tirando uma telinha do bolso e entrando ali e mergulhando naquele mundo virtual.
E aí eu já comentei isso aqui algumas vezes,
Que parece que a gente cresce nesse ambiente e é ensinado,
A gente aprende automaticamente a seguir esses padrões de estar sempre num mundo de informação,
De símbolos,
No sentido de linguagem narrativa,
História,
Contação de história,
Comentário constante sobre a realidade,
Como se a gente só soubesse se relacionar com a realidade através dessa mente simbólica,
E eu estou falando de símbolos porque a linguagem em si é um conjunto de símbolos para dar uma interpretação ou uma linearidade,
Uma narrativa para as coisas que estão acontecendo,
Mas essa linguagem,
As palavras,
Elas não são a realidade,
É sempre uma virtualidade,
É sempre uma interpretação que na comunicação a gente vai pegando aqueles símbolos e decodificando e imaginando aquelas situações,
Então a gente constantemente fica,
Por causa dessas situações,
Na fantasia,
No pensar,
No imaginar,
No calcular,
Na cabeça,
No mental,
A gente está viciado a viver no cabeção,
Como eu já falei várias vezes nesse podcast aqui.
E aí,
Como a gente está viciado,
O que acontece?
A primeira coisa que acontece quando a gente vai para o silêncio,
Síndrome de abstinência,
Cadê aquela coisa?
Cadê aquele barulho?
Cadê aquele suposto prazer?
Porque todo vício se torna um prazer,
Apesar de não ser necessariamente positivo,
Se torna um hábito,
O costume que o corpo pede,
Inclusive seus neurônios lá,
Sinapses que já estão conectadas na sua cabeça,
Estão sentindo falta de serem ativadas ali,
E aí começa a pedir que você alimente esse padrão que está lá.
Esse é o primeiro momento de angústia frente à suposta negatividade do silêncio,
Porque o silêncio em si é negativo,
Mas é como a gente está acostumado a se relacionar com a vida em si.
E aí a gente vai para o trabalho,
Tem um monte de informação para resolver,
A gente chega em casa,
A gente quer descansar,
Porém com a cabeça ainda se apoiando em outras narrativas,
Em outras situações,
Em outras imaginações e cálculos ali,
Não é bem um descanso,
É uma distração,
É um parar de pensar no trabalho para pensar em outras coisas,
Porque a gente não consegue parar de pensar por si.
E é como se a gente levasse a mente tagarela para tagarelar sobre outras situações menos importantes,
Digamos,
Menos sérias,
Ou com um menor teor de importância que a gente atribui às situações da vida.
E aí é muito comum da pessoa não descansar,
Porque o que ela faz que ela acha que ela está descansando,
Ela está se cansando mais ainda através de um excesso de informação,
Um excesso de narrativas para mantê-la,
Digamos,
Hipnotizada para longe dos problemas da vida dela,
Para longe das questões que ela teve que enfrentar durante o dia no trabalho,
Nesse exemplo que eu estou dando aqui.
E aí a gente vai entrando em um piloto automático de repetir essa situação,
Ficar o ratinho naquela rodinha ali,
E aquela roda é a roda de narrativas,
É a roda de informação que eu não paro de correr nunca.
O sono parece que não descansa tanto assim.
E aí a gente vai emendando um dia atrás do outro,
E muitas vezes sem conseguir solucionar várias questões da vida por estar nesse ruído constante,
Nessa aceleração de informações,
Que no fundo é uma fuga para a gente não sentir,
Não encarar aquilo que é desconfortável.
E aqui eu vou entrar nesse segundo ponto.
Que desconforto é esse de ficar no silêncio,
Sozinho,
Sem fazer nada?
Que dificuldade é essa de meditar por causa dessa insatisfação de ficar no silêncio?
Uma das primeiras coisas que acontece para a pessoa que tenta entrar nesse silêncio e ficar com ele e não fugir,
É que começa a surgir um tribunal mental contra si mesmo.
Começa a entrar ali uma narrativa negativa,
Porque a gente está acostumado,
Já com a negatividade de notícia,
De julgamento de pessoas na internet,
No Instagram,
Nas mídias sociais,
De comentários sobre o que está errado,
O que deveria estar certo e o que não está,
O que era para estar sendo feito e não está sendo feito,
Etc.
De novo,
Na nossa tagarelice mental.
E aí,
Quando a gente vai,
Finalmente,
Para o silêncio,
Isso começa a se virar contra a gente.
A gente começa a perceber a nossa realidade ali.
E aí,
Vira um tribunal.
A primeira coisa que provavelmente acontece é a pessoa parar e pensar por que eu estou sozinho?
Eu não deveria estar sozinho.
E aí,
Como se o sozinho fosse uma deficiência.
E aí,
Esse sozinho começa a virar solidão,
Porque ela começa a imaginar sobre pessoas que não estão sozinhas,
Ou estão fazendo alguma outra coisa em algum outro lugar,
Ou com alguém,
E eu não estou fazendo isso.
É o famoso,
A grama verde do vizinho começa a gritar na cabeça da pessoa ali,
Que hoje em dia o pessoal tem chamado sobre o FOMO,
O Fear of Missing Out,
Que é,
Basicamente,
O medo de estar perdendo,
De não estar fazendo algo que deveria estar fazendo.
E aí,
A gente começa a se chicotear,
A se colocar para baixo,
Em uma interpretação negativa da realidade,
Em vestir umas lentes escuras sobre a presença silenciosa no aqui e agora.
E aí,
Se a gente está querendo,
Realmente,
Desacelerar a cabeça,
Sair desse barulho,
Desse ruído,
A primeira coisa é encarar esse suposto desconforto inicial,
Que tem mais tendência de ser uma crise de abstinência,
De você estar querendo correr para voltar a realizar os hábitos que você já está acostumado a fazer,
E ficar com aquilo por um tempo maior,
E também aprender a degustar,
Apreciar essa sua própria companhia no silêncio.
Mas antes de entrar nessa parte,
Eu quero comentar um pouco essa questão do sozinho.
Por um lado,
O ser humano evoluiu como animal social mesmo.
A gente realmente busca conexões,
Busca se sentir parte de algo,
Parte de um grupo,
De estar em um relacionamento.
Isso é natural da humanidade.
Nós,
Como bichos que somos,
Nós somos seres sociais,
Isso fez parte da nossa sobrevivência,
Da nossa evolução,
E isso faz parte até da nossa genética,
Do nosso DNA,
Essa tendência de convivência em sociedade.
É muito difícil para um ser humano sobreviver 100% sozinho,
Nós somos seres sociais mesmo.
Porém,
O problema é quando isso se torna uma dependência,
No nível de eu só existo em função dos outros,
No nível de se não tem uma conexão,
Uma comunicação acontecendo aqui e agora significa que a minha existência está em xeque,
Significa que eu estou errado,
Que eu sou errado de alguma forma por não estar,
Neste momento,
Em contato com alguém,
Morando com alguém ou conversando com alguém ou ouvindo alguém falar alguma coisa comigo.
E realmente tem modos de viver,
Tem,
Eu diria,
Culturas ou sociedades ou famílias em que esse é o modus operandi,
De que aquele grupo ali só existe um em função do outro,
Só existe um para resolver o problema do outro ou para curtir as coisas com o outro,
Que se o outro curte,
Se o outro gosta,
Eu vou gostar junto,
E que se não tiver ninguém para mostrar alguma coisa que eu gostei,
De repente,
Eu não existo.
Aquele meu gostar já não faz sentido porque não tem outra pessoa gostando comigo daquela situação de que eu gosto.
E isso,
Em psicologia,
Pode cair para a questão da codependência,
Ou seja,
Um dependente do outro constantemente,
No sentido de que ninguém consegue andar sozinho,
Ninguém consegue se apoiar por si só em momento nenhum,
E que se alguém sai dessa relação,
Se alguém sai desse grupo,
Ele não se sustenta,
Ele fica manco,
Ele cai.
É claro que,
Por exemplo,
No primeiro momento de um término de uma relação,
Principalmente se a relação tinha esse nível de apego mais intenso,
De codependência ou de fazer tudo junto,
Quando você for fazer suas primeiras coisas sozinho ou sozinha,
Vai dar essa sensação de estranhamento,
De como assim eu estou sozinho fazendo isso,
Como assim eu estou nessa situação sem essa companhia.
Mas,
Como eu falei,
Foi um hábito desenvolvido,
Até no nível cerebral,
Neuronal,
Que a gente se acostumou e o organismo pede aquilo como o caminho mais fácil que o seu cérebro já está acostumado a fazer.
E o diferente geralmente é mais difícil,
Mais estranho,
Desconfortável de começar uma nova atividade numa situação que não é mais aquela que você vivia antes.
E o negócio é a gente conseguir sentar com isso,
Não sair correndo para tentar arranjar outra relação desesperadamente,
Porque eu tenho uma falta,
Eu estou nessa sensação de vazio existencial e eu estou tentando preencher esse vazio com o outro e delegando o outro a função de me preencher como pessoa e simplesmente compreender que você está se restabelecendo nas suas coisas,
Nas suas situações,
Para você ter a sua própria base,
Sem depender daquele pilar que era aquela outra pessoa,
Que você colocou aquela pessoa naquela função de sustentar esse pilar na sua vida.
Agora,
É possível ter relações menos dependentes nesse sentido,
Em que existe o compartilhamento,
Existe o convívio,
Mas a individualidade de cada um no relacionamento não desaparece.
As atividades que cada um gosta de fazer,
Às vezes,
Sozinho ou sozinha,
Não é uma ameaça para a intimidade daquelas pessoas,
Não é algo negativo alguém naquele relacionamento,
De repente,
Fazer um hobby,
Fazer alguma atividade,
Que não vai necessariamente sempre envolver o casal,
Não vai necessariamente sempre ter os dois juntos fazendo tudo,
O tempo todo,
Como se fosse uma obrigação estarem sempre dividindo todas as situações da vida.
É,
Inclusive,
Enriquecedor para um relacionamento quando alguém tem algum interesse fora daquele relacionamento,
Interesse no sentido de hobby,
Ou de estudo,
Ou de realmente buscar informação,
Ou buscar um curso,
Ou buscar uma espiritualidade,
Ou buscar qualquer coisa que vai enriquecer aquela pessoa,
E depois aquela pessoa pode trazer e compartilhar aquilo com o parceiro ou parceira,
E essa pessoa ver que realmente tem um conteúdo ali que a pessoa está trazendo e compartilhando nesse relacionamento.
E você se interessando por aquela pessoa,
Apreciando aquela pessoa,
Vai reconhecer aquilo como positivo,
Agradável e até desejável no relacionamento que a pessoa tenha o crescimento pessoal dela independente de você.
E você conseguir enxergar a pessoa nesse processo dela,
Inclusive,
Vai aumentar ou,
Digamos,
Até prolongar a sua admiração daquela pessoa ao longo dos anos nesse relacionamento.
Agora,
Voltando para essa prática quando você está realmente sozinho,
E eu vou precisar desenvolver essa consciência do aqui e agora,
Silencioso,
Eu comigo mesmo,
Não desagradável.
O que acontece é que a gente,
Como eu falei inicialmente na nossa cultura,
Nessa cultura da informação,
Do bombardeamento constante de mídias,
Nós somos incentivados a não estarmos em silêncio para que a gente possa estar sempre satisfazendo a cota de venda ou a mostra de propagandas que aquela empresa tem que mostrar para a gente,
E a gente quer que a gente volte a ler constantemente,
Porque nós somos o produto que está sendo vendido para as empresas que estão pagando essas mídias para mostrar propaganda para a gente.
Então,
Quem está sendo consumido nessa história,
Muitas vezes,
Somos nós para dar dinheiro para essa galera.
Se a gente quer desenvolver isso,
A gente precisa ter essa intenção,
E essa vontade,
Esse direcionamento de querer realmente exercitar,
Fazer exercícios de degustação da realidade do aqui e agora,
Aprender a retirar prazer do momento presente.
Eu já comentei aqui algumas vezes sobre isso nesse podcast,
Sobre práticas de atenção plena,
E hoje eu quero falar sobre uma prática um pouco diferente,
Fica comigo aí.
Mas é como aprender degustação de qualquer outra coisa,
Degustação de vinho,
Por exemplo.
Se você não pegar as instruções,
Você não ouvir falando,
Indicando,
Apontando o que você pode sentir naquele vinho,
Quais são as nuances de cor,
De sabor,
De cheiro.
Se alguém não te falar que existe isso,
É muito difícil você desenvolver isso por conta própria.
Degustação de vinho,
Degustação de café,
Degustação seja do que for.
É preciso a gente ter essa busca de tentar ver o que mais existe ali,
O que mais existe neste aqui e agora.
É preciso intenção e atenção para aprender a sentir e perceber os detalhes.
E aí,
Quanto mais você pratica,
Mais você tira prazer deste momento presente,
Mais você tira prazer da prática que você decidiu fazer,
Mais você tira prazer do sentido aqui e agora,
Além das narrativas mentais,
Além desse apoio constante da fantasia,
Do comentário,
Do julgamento.
Então,
A prática de atenção plena diferente que eu queria trazer para vocês aqui se assemelha um pouco com a questão da gratidão,
Mas é um pouco diferente porque eu acho que exercícios de gratidão que recomendo por aí não fazem exatamente desse jeito que eu vou falar para vocês.
Vocês podem pegar qualquer objeto da sua casa e trazer a sua consciência para aquele objeto e perceber que ele,
Qualquer objeto que seja,
Esse objeto teve um longo caminho para chegar até você aqui e agora.
Você pode pegar o sofá da sua casa,
Que você está sentado,
O poltrono,
A cadeira,
Seja o que for,
E tentar perceber aquele material e tentar trazer lucidez de como aquilo foi feito,
Tentar sentir de onde veio isso.
Esse material,
Vamos pegar algo bem simples,
A cadeira de plástico que você está sentada.
E aí,
Aquela cadeira,
De onde veio esse plástico?
Essa matéria-prima veio da natureza.
Alguém pegou essa matéria-prima,
Alguém moldou,
Deu um molde,
Deu formato para essa matéria-prima.
Alguém parafusou,
Pegou o metal,
Pegou o plástico,
Colocou tudo junto,
Teve o transporte,
Transporte da matéria-prima,
Transporte da cadeira finalizada,
Da loja para chegar até você.
Aquele objeto passou por várias pessoas,
Por várias mãos,
Tem várias energias,
Se você quiser colocar assim,
Diferentes,
Em tudo o que te rodeia no aqui e agora.
Se você expande a sua consciência em relação a isso,
Mesmo que você more em uma kitnet,
Se você pratica isso,
Você vai começar a se sentir uma pessoa rica,
Você vai começar a compreender que várias coisas aconteceram,
Várias coisas ao seu redor sustentam você estar aqui agora.
Se você está em uma kitnet e tem os azulejos,
Tem a parede pintada,
Tem o concreto,
O tijolo que foi colocado em cima do outro,
Tem os móveis de madeira,
Essa madeira que chegou e foi moldada,
Como eu falei,
Por algum carpinteiro e colocou isso ali,
Tem um espelho e tem,
Sei lá,
Qualquer móvel da sua casa de madeira,
Você pode estabelecer esse contato de sentir de onde aquilo veio,
Perceber que teve todo um processo de modificação desse objeto para chegar até você e,
Finalmente,
Ele está ali te servindo.
E essa é a minha sugestão de degustação dos objetos,
Do momento presente,
Da situação atual.
E quando você consegue expandir isso cada vez mais,
Em vez de você focar em um objeto só,
Você começa a trazer essa intenção de sentir o aqui e agora todo em si,
O ambiente por completo,
Você percebe que tem todo um fluxo do universo sustentando a vida presente do seu aqui e agora,
De você sentadinho aí na sua kitnet,
Na sua cadeira de plástico.
Tem toda essa riqueza,
Todo esse movimento de vida trazendo tudo isso para você e sustentando a sua existência no aqui e agora.
E esse exercício é interessante porque é muito fácil a gente perder de vista,
Se acostumar com o que a gente tem e não dar mais valor para aquilo,
Porque já está ali mesmo,
A gente já ignora,
Depois de já ter curtido,
Digamos,
A gente comprou a coisa,
A gente está curtindo,
Passam-se alguns dias,
De repente,
Entra no piloto automático,
A gente já nem percebe mais aquele objeto,
Aquela coisa na vida da gente.
Então,
É interessante fazer esse tipo de degustação,
Esse tipo de apreciação do momento presente,
Para a gente cada vez mais lembrar que existe todo um conteúdo ao nosso redor que a gente pode estar ignorando,
Buscando picos de prazer sobre situações inusitadas,
Notícias incríveis ou notícias escabrosas que possam nos dar alguma sensação de emoção ou de vitalidade,
Só que uma vitalidade que precisa sempre de fogos de artifício para se sentir vida,
Que no fundo não é necessário para a gente trazer essa sensação de bem-estar,
De felicidade do aqui e agora.
E esse exercício a gente pode extrapolar ele até para pessoas,
Como eu falei,
Relacionamentos,
Só que no sentido de quando a gente já está muito acostumado,
Ali está,
Sei lá,
10 anos,
15 anos,
20 anos com aquela pessoa,
E não é que está mal o relacionamento,
Mas você pode estar enjoado,
Digamos.
Será que você não está colocando de novo nesse lado do garantido,
De já está acostumado mesmo,
Já está ali mesmo,
E é mais uma coisa que está no automático,
E eu não estou olhando porque está sempre ali,
E eu não percebo mais,
Não valorizo mais,
Não sinto mais essa origem desse relacionamento,
De onde é que viemos para chegar aqui,
Onde a gente chegou,
O que significa a gente estar aqui,
Nesse aqui agora,
Depois de tantos anos juntos,
Não é?
O que é esse movimento?
Claro que pode acontecer de realmente as pessoas terem mudado ao longo dos anos,
O relacionamento ter se desgastado e,
Se necessário mesmo,
Terminar.
Essa seria uma outra questão,
Não é?
Mas pode até acontecer,
Como eu estou falando,
Que realmente não tem um problema,
Não tem um desgaste,
E o desgaste que tem é uma possível indiferença.
E como que a gente trabalha contra essa indiferença?
Com essa proposta que eu estou fazendo de atenção plena,
De valorização dos momentos,
Dos pequenos,
Entre aspas,
Pequenos momentos da vida,
Que têm muito mais conteúdo do que a gente imagina,
Que a gente pode tirar dali muito mais prazer do que a gente está aproveitando tirar.
Então,
Essa é a sugestão que eu deixo para vocês.
Vamos tentar cada vez mais sentir esse momento presente,
Trazendo essa consciência de como as coisas chegam para a gente.
Dizem,
Inclusive,
Que esse é um exercício para trazer riqueza,
Que é um exercício de prosperidade,
De você começar já a reconhecer esse valor das coisas,
De você já se sentir rico,
De certa forma,
E aí você pode ir destravando outras riquezas,
Porque você está nesse fluxo,
Nessa energia da riqueza na sua vida.
Mas,
No fundo,
É que você já começa a se sentir rico antes da riqueza aparecer,
De certa forma.
É como se você tirasse a negatividade ao redor dessa coisa e trouxesse algo que alimenta isso e coloca essa energia,
E,
Às vezes,
O fluxo fluir para a gente se positivar nesse sentido,
Não que a gente vá ficar rico,
Vou fazer isso para ficar rico,
Mas a gente fica com a mente um pouco mais saudável,
Enxerga as coisas melhor,
Soluções melhores começam a aparecer,
A mente fica mais desanuviada,
A gente começa a brigar menos com a realidade das coisas,
E isso tudo vai convergir.
Às vezes,
Pode convergir de realmente,
Ok,
Encontrei um emprego melhor,
Encontrei um meio mais interessante de seguir a minha vida,
E isso melhorou minha vida,
De certa forma.
Mas não é uma fórmula mágica,
Porque são vários elementos que vão se modificando quando a gente faz essa prática,
Que podem fazer com que a nossa vida vá melhorando ao longo do tempo,
Enquanto a gente continua a dar uma consistência para essa prática com frequência diária.
Então,
Eu deixo essa sugestão aí para vocês,
E por hoje é só.
Um abraço,
Até a próxima!
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