Trazendo algumas respirações conscientes,
Ao aqui e agora,
Inspirando pelo nariz,
Expirando pela boca,
Deixando que a respiração comece com a entrada do ar,
Expirando,
Deixando que o ar saia.
Este ajustar de postura já é parte da prática,
Já é ajustar,
Estamos atentos ao momento presente e fazendo de forma breve um rastreio pelas sensações do corpo,
Começando nos pés,
Subindo para as pernas,
Notando a posição em que está cada parte do corpo,
Joelhos,
Coxas,
Nádegas,
Região lombar,
A partir de onde a coluna se ergue,
Estável,
De forma majestosa,
Sem esforço,
Vértebra a vértebra,
Até chegamos ao meio das costas,
Ombros,
Pescoço,
Face,
Largando qualquer máscara,
Expressão facial,
Os braços podem ficar próximos do corpo,
Com as palmas das mãos no colo ou apoiadas sobre as coxas,
Deixando que a respiração aconteça naturalmente,
Onde já se possa notar,
Ser na barriga,
No peito e por entre o silêncio,
Surgem pensamentos,
Naturalmente a mente entretém-se,
Com elaborações,
Histórias que fazem parte do aqui e agora,
Podemos notar que são apenas pensamentos e fazer essa nota mental,
Pensamento,
E voltar a atenção para o corpo de forma bondosa,
Podemos dizer interiormente,
Está tudo bem,
Estás aqui,
É só um pensamento,
Interessando a mente no que está a acontecer no aqui e agora,
E gostava de te convidar a vir comigo numa viagem pelas estações,
Em que vamos trazer à nossa mente,
A forma mais visual ou não,
Como se nós fôssemos a montanha que apareceu no vosso ecrã,
Pensem muito nisso,
Permitam-se sentir o que pode ser a quietude,
A estabilidade da montanha,
Pode,
Se quiserem,
Ajudar-vos a trazer essa imagem à vossa mente,
Como seria se por instantes fôssemos aquela montanha,
Aquela ou o que está na vossa mente,
Com uma base larga,
Que se expande à volta,
A partir da qual o terreno fértil tem vegetação,
Passa água,
Tem vida,
Insetos,
Animais,
Vivem desta terra,
Mas ao alto nota-se o cúmulo da montanha,
Bem alto,
A partir do qual existe uma visão abrangente de tudo o que está à volta,
Olhando para baixo,
Olhando para cima,
Quase tocando nas nuvens,
Por esta montanha passam todas as estações do ano,
Agora estamos na primeira,
Tudo está florido,
Os solos frescos,
Às vezes chove,
E o sol passa por entre as nuvens,
Enquanto isso a montanha permanece,
A montanha é a quietude no meio da vida,
Animais que vêm e que passam,
Nuvens que chovem e que dão lugar ao céu azul,
Por todas as estações,
A montanha que trazemos a nós permanece,
Do fresco e da vida que a terra trouxe,
Segue-se o verão,
Mais quente,
Menos água,
A montanha recebe a energia da luz do sol,
Desde o seu topo até à sua base,
Secando a neve que ainda restava,
Fazendo-a descer em bonitas cascatas,
A água é essa útil,
Agora que é escassa?
Alguns dos animais já migraram,
Alguma da vegetação secou,
A montanha está mais árida,
E por todas as estações a montanha permanece,
Inabalável,
As nuvens regressam e anunciam o outono,
A temperatura desce,
A montanha recebe a água,
Que faz percorrer desde o seu topo até aos terrenos verdejantes,
Levando consigo as folhas secas,
Com as árvores despidas,
Existe uma certa sombra sobre a montanha,
O céu está mais vezes escuro,
Nublado,
Do que limpo,
E a tudo isto a montanha permanece,
Quieta,
Majestosa,
E cedo aparece outra estação,
Chegam dias mais curtos,
Chuvosos,
Em que a chuva cai durante muitas horas,
Ainda assim por cima do céu,
Repleto de nuvens,
Está o sol,
Podemos vê-lo a partir do cume da montanha,
Existe um teto,
As nuvens são esse teto,
Formaram-se lagos,
A partir da chuva,
Que trouxeram consigo os animais que vão lá beber,
A tudo isto a montanha não tem qualquer expressão,
A montanha permanece quieta,
Inabalável,
A chuva cai,
E a montanha recebe a chuva,
Recebe esse alimento que lava desde o cume até à base,
O vento traz mudanças,
O frio transforma a água em neve,
Esses flocos vão-se amontoando no topo da montanha,
Onde faz mais frio,
Mas alguns flocos de neve chegam até cá abaixo,
Por instantes,
Enquanto a temperatura não aquece,
Depositam-se no solo,
Cada instante se transformam em água,
Com tudo isto,
A montanha permanece,
Pela montanha tudo passa,
Ela permanece,
Com o passar do tempo,
Regressa o sol,
Vai espreitando por entre as nuvens,
Gradualmente aquecendo a montanha,
Dando luz às plantas,
Aos solos,
Fazendo com que a água dos lagos vá se evaporando,
E gradualmente as flores vão florindo,
As folhas vão crescendo,
Parece ser o pronúncio da primavera,
Com tudo isto,
A montanha permanece,
Com uma noção global,
O que pode ser esta quietude,
Talvez possamos ser a montanha,
Por momentos,
Podemos ser a quietude no meio da tempestade,
Podemos trazer atenção,
Uma observação da luz,
Quando ela aparece,
Conseguindo também estar com a escuridão e com a chuva,
Por entre as sensações,
Os sons,
Tornam-se mais aparentes,
Os passarinhos,
O que quer que seja que nos rodeia,
Gradualmente a atenção aos sons,
Revela-nos onde a taça,
Trazendo de novo a atenção para o momento presente,
Para o que nos rodeia,
Fazendo algum movimento,
Se for confortável,
De forma gradual,
Podendo começar a sair da postura,
Cada um a seu tempo,
Abrindo os olhos,