E bem-vindos a esta prática de atenção plena do corpo.
O convite é o de encontrar uma postura confortável,
Na qual consiga estar algum tempo.
Sugiro que faça esta prática deitado.
Se estiver deitado,
Assegurando que os olhos podem ficar semifletidos e que a cervical e lombar estão confortáveis sem esforço.
Nestes instantes iniciais,
Tomando uma noção global do corpo,
Começando pelos pés,
Pernas,
Coxas,
Todo este corpo que está sustentado,
Apoiado,
Quer seja pelo solo,
Tapete,
Cama,
Não existe nenhum esforço,
O corpo está totalmente sustentado,
Apoiado pela terra.
Talvez agora notando que,
Apesar do corpo estar parado,
Existe algum movimento,
A respiração que nos acompanha.
Com este ritmo de expansão na inspiração e a expiração ao largar,
Confido a cada expiração prolongar um pouco a mesma e deixar que alguma zona do corpo que esteja mais tensa possa afrouxar essa tensão.
Inevitavelmente a mente vai se perder.
O convite é o de mudar o registro habitual de conflito e acolher essa distração por aquilo que ela é,
Um momento de atenção no qual há a escolha de acolher essa dita distração com uma atitude diferente,
De bem-crença,
De quem está a tentar.
Não precisa de conseguir.
Deixando a respiração um pouco para trás,
Imaginando um foco de luz que se vai fixar no nosso pé esquerdo,
Em que todo o resto do corpo está menos claro para nós e que toda a atenção vai passar a estar dedicada a notar as sensações físicas no corpo,
Nos dedos dos pés.
E como estarão os dedos do pé esquerdo?
Será que podemos notar frio ou calor,
Algum tipo de tensão ou,
Por outro lado,
Relaxamento,
O toque da meia ou o que for,
Subindo para o peito do pé,
Toda a volta,
Calcanhar,
Subindo para a barriga da perna?
Será que há alguns pontos de contacto nesta zona do corpo com o solo?
E se sim,
Como é que isso pode notar?
Subindo para o peito esquerdo e para a coxa esquerda,
Zona do fémur,
Esta região tão abrangente do corpo,
Toda a sua volta,
Subindo agora para as nádegas e cruzando para a nádega direita e recomeçando no pé direito,
Dedos no pé direito.
Se surgir algum desconforto noutra parte do corpo que puxa a nossa atenção desta prática,
Desta zona do corpo,
Convido-vos a tentar deixar que a respiração possa de alguma forma suavizar essa tensão ou dor,
Resistindo à tendência de agir,
De modificar,
De alterar,
De afastar essa experiência.
Então acolhemo-a pelo que é um desconforto que estamos a sentir e podemos tentar,
Com gentileza connosco próprios,
Conviver alguns instantes,
Notar.
E se ajudar,
A expiração pode ser uma forma de suavizar toda essa tensão que ocorre.
Notando o peito do pé,
Subindo para o calcanhar direito,
A barriga das pernas,
O joelho,
A concha,
Corajo a tentar manter a curiosidade perante aquilo que pode ser notado,
De forma que a cada sugestão haja como uma imersão na experiência,
Tão profundamente que nada mais acontece,
Como se da primeira vez se tratasse,
Como se estivesse a notar pela primeira vez a região lombar,
A zona onde costumamos guardar muita tensão,
Talvez até alguma história de desconforto,
Passando para o meio das costas,
Região entre as homoplatas,
Notando se existem aqui diferenças entre cada parte do corpo,
Não como um certo ou errado,
Mas de curiosidade,
De investigação,
Região cervical,
Pescoço,
Subindo para o topo do crânio e descendo para a face,
Suavizando a tensão que pode existir no maxilar,
Espálpulas,
Bochechas,
Garganta,
Peito aberto,
Todo o corpo sustentado,
Sem esforço.
Por uns instantes,
Acolhendo esta experiência total de conexão com o corpo e com a respiração,
Pode ser como uma onda de energia que passa,
Que chega e que vai,
E cada um a seu tempo poderá,
Aos poucos,
Alterar a sua,
Abrindo os olhos suavemente,
Com a intenção de trazer alguma desta presença para o resto do dia.
Obrigado e até uma próxima oportunidade.