
Reflexões: Importância de aceitar e lidar com as emoções
Uma fala sobre o nosso papel de como reconhecer, acolher, lidar e gerenciar a nossa experiência presente, independentemente da emoção que estamos sentindo, nas práticas meditativas e também na nossa vida! Mindfulness e a aceitação são uma das ferramentas para o aprendidado da regulação emocional.
Transcrição
Vamos falar um pouquinho a respeito das emoções e como manejar as emoções nas nossas práticas de Mindfulness.
Você já deve ter reparado que além dos pensamentos que surgem na nossa mente e que às vezes nos distraem e que além também das sensações físicas,
Estou lá na minha prática e dói as costas ou costa o rosto,
Também emerge na nossa experiência as emoções.
E o que nós fazemos com as emoções quando elas se tornam intensas ou na nossa prática meditativa ou também no dia a dia?
Esse é o nosso papo agora.
Provavelmente você já percebeu em sua vida o quanto as emoções tocam,
Afetam as sensações do nosso corpo.
Por isso é uma pergunta que constantemente eu também faço nas práticas.
Percebe alguma emoção?
Aonde ela se manifesta no corpo?
Porque dependendo da intensidade das emoções,
Isso está inclusive na linguagem,
Na maneira que a gente manifesta como está se sentindo,
Por exemplo,
Tremendo de medo,
Fritando na cadeira,
Ou seja,
Ansioso ou muito agitado.
É comum também as pessoas falarem que está com o peito esmagado,
Que está fervendo de raiva,
Ou seja,
Dependendo da intensidade das emoções,
Elas vão se revelar no nosso corpo e por isso que o corpo passa a ser esse barômetro,
Esse termômetro emocional,
Que é também a morada das nossas emoções.
É natural que quando um estado emocional desagradável surge na nossa experiência,
Imediatamente,
Automaticamente,
Todo mundo vai querer se livrar disso o mais rápido possível.
A minha experiência direta,
Sei lá,
Raiva,
Ciúmes,
Tristeza,
E quanto mais eu reagir aquilo julgando,
Querendo me livrar,
Brigando com aquilo,
O que eu vou ganhando ironicamente são mais experiências secundárias,
Mais experiências de sofrimento.
Então,
Chega a ser irônico,
Querer me livrar,
Brigar,
Amenizar uma emoção intensa quando ela emerge,
Seja na nossa prática meditativa ou nas situações do nosso dia a dia,
Faz com que essa emoção se torne ainda mais intensa.
Então o que a gente faz com essas emoções nas nossas práticas de mindfulness?
Nós somos convidados a experimentar,
Nos aproximarmos,
A abraçar,
A acolher aquela emoção que se faz presente naquele momento.
Como?
Levando a nossa atenção para ela,
Reconhecendo como ela se comporta no nosso corpo,
Os pensamentos que emergem quando essa emoção está intensamente ativada,
Ou seja,
A gente vai trazendo essa consciência para o que está acontecendo no nosso corpo em função daquela emoção,
Mantendo,
Mantendo essa atenção constantemente se questionando.
E agora,
O que está acontecendo?
Como é que essa emoção se comporta no meu corpo?
Onde é que ela me toca?
Que impulso ela me provoca?
Porque dessa maneira,
A gente vai conseguindo ser um pouco mais continente a essa emoção.
É como se essa emoção,
Dentro desse grande espaço que é o nosso corpo,
Ela ficasse do tamanho que ela tem,
E não simplesmente tomando conta de toda a nossa experiência,
De todo o nosso corpo,
Dos nossos pensamentos,
E assim corremos o risco de reagir a partir dela.
Então,
Quando no mindfulness você é convidado a acolher a emoção,
E isso parece um pouco sádico,
Ou até desafiador,
É justamente porque trazendo essa atenção para o que está acontecendo,
Olhando para essa experiência um pouco mais próximo do tamanho que ela tem,
Ela se torna menor do que você.
E também porque,
Com o tempo,
Na nossa prática de mindfulness,
Nessa auto-observação,
Nesse constante auto-monitoramento,
Nós vamos entendendo,
Pela observação da nossa experiência,
Que as emoções são como ondas.
Elas começam como uma marolinha,
Chega naquela crista da onda e passa.
Por isso a gente não precisa se preocupar tanto,
Mas sim desenvolver uma atitude de ser um pouco mais contemplador do que está acontecendo,
E não identificado,
Perdido,
Misturado,
Fusionado com aquilo que está acontecendo e que é provocado pelas emoções.
A gente vai aos poucos desenvolvendo essa habilidade de permitir que as coisas simplesmente atravessem o nosso corpo,
Atravessem as experiências que estamos passando na nossa vida,
Porque elas simplesmente passam,
São transitórias,
Por mais desagradáveis que possam ser.
E assim,
Ao invés de simplesmente reagir daquela velha maneira habitual,
Você encontra nesse espaço de observação e a identificação de como as emoções se comportam no seu corpo e na sua experiência,
Que há uma possibilidade de reagir de maneiras muito mais criativas.
Às vezes simplesmente não fazendo nada,
Porque a gente sabe que as emoções elas passam.
Outras vezes podendo se expressar de uma maneira diferente,
Se comportar de uma maneira diferente,
Porque justamente os comportamentos impulsivos e impensados acabam trazendo consequências mais desagradáveis ainda.
Então a gente fica com dois problemas,
Já tinha que dar conta de uma emoção que era desconfortável e devido à nossa impulsividade,
Emitido um comportamento que não foi inteligentemente escolhido,
Passamos a ter dois problemas para lidar,
A consequência desses comportamentos impensados.
Portanto,
Se você está alimentando a expectativa de sentir uma calma,
Uma serenidade,
Uma tranquilidade,
Uma compaixão permanentes,
À medida que começa a praticar Mindfulness,
Em especial apenas depois de oito semanas,
Remova essa expectativa da sua mente.
Vivendo nessa sociedade que a gente vive,
Com esse trânsito,
Com a loucura dessas cidades,
Com as relações interpessoais um pouco conturbadas hoje em dia,
Vai ser muito difícil você não ser tocado em algum instante e sentir uma sensação de raiva ou qualquer outro desconforto emocional.
Então,
A pessoa tranquila seria aquela que fica tranquila na sua desgraça,
Vamos dizer assim.
Eu sei que eu estou com raiva,
Mas eu estou conseguindo conter,
Não reagir a partir daquilo,
Porque eu tenho a consciência de que essa raiva ela passa.
Então,
É estar tranquilo,
É estar sereno,
Consciente no desconforto,
Porque o desconforto não tome conta da gente e acabe determinando os nossos comportamentos.
Então,
Remova da sua ideia se você tem a ilusão de que vai ficar parecido com esses estereótipos super zen,
Tranquilo,
Aquela galera magra e feliz da montanha,
Porque não é assim.
Então,
Seria estar tranquilo,
Ou alegre,
Ou mais sereno dentro da realidade presente que você vive,
Não é nada de colocar lentes cor de rosa e enxergar uma realidade que não é nada colorida,
Com uma certa ingenuidade até.
Mindfulness te convida a ser corajoso,
Poder estar ajustado com o que realmente está acontecendo conosco,
Mesmo que seja desconfortável,
Porque essa compreensão através da prática,
Ela se torna cada vez mais forte,
Que tudo é transitório.
E nesse mundo das redes sociais,
Do fake book em especial,
Vai causando uma impressão de que todo mundo é feliz,
Exceto você.
Todo mundo está comendo bem,
Viajando,
Fazendo check-in em lugares onde você não está,
E isso é pura ilusão.
É apenas uma foto do momento e que você não tenha a menor ideia de como é que a pessoa está realmente desfrutando aquilo.
Se ela está plenamente presente,
Se ela está feliz,
Então foto,
Imagens,
Não representam nada.
O que representa é a experiência e isso só a pessoa ela sabe.
Portanto,
Se você acaba se comparando com esse mundo de ilusões,
Isso só vai fazer com que você se sinta cada vez mais triste,
Ou que a sua vida está perdendo um pouco de valor e sentido.
Não caia nessas armadilhas.
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