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No. 19 - Com Quem Você Realmente Compete? | Podcast Autoconsciente

by Regina Giannetti

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A vida pode ser muito rica quando a gente vê valor nas nossas experiências, mesmo aquelas que poderíamos considerar mal sucedidas, como esta que compartilho com você neste episódio. No final, o que ficou pra mim foi uma reflexão sobre com quem a gente realmente compete, e o que a gente realmente ganha quando compete.

Transcrição

Eu lhe dou as boas-vindas ao Autoconsciente,

Um podcast que entende você para você se entender melhor.

Sou Regina Gianetti,

Coach de autogerenciamento,

Criadora do programa Você Mais Centrado com Mindfulness,

Para a gente ter mais foco,

Bem-estar e paz com a gente mesma.

Eu faço este programa para compartilhar reflexões e ações para uma vida com mais autoconsciência.

A minha intenção é que,

Ao terminar um episódio,

Você se sinta melhor do que quando começou.

Para você entender a importância de ser autoconsciente no mundo de hoje,

Com essa vida louca que a gente leva,

Eu te convido a escutar o episódio 0,

Em que eu apresento o propósito do podcast.

E se você gostar do que vai ouvir aqui,

Compartilhe com os amigos nas redes sociais,

Vamos espalhar o autoconsciente por aí.

Episódio 19 – Com quem você realmente compete?

Eu hoje vou contar mais um dos meus causos.

De um ponto de vista talvez mais comum,

Foi uma experiência mal-sucedida.

Mas também é possível ter um ponto de vista de ganhos dessa experiência.

Ganhos de autoconsciência,

De maior conhecimento de mim mesma.

A vida pode ser muito rica quando a gente vê valor nas nossas experiências.

No final,

O que ficou pra mim,

Foi uma reflexão sobre com quem a gente realmente compete,

E o que a gente realmente ganha quando compete.

Esses dias eu participei de uma competição na minha academia,

O desafio Wonder Woman,

Que tal?

Tem um lado meu que adora desafios,

E adora academia.

Faz pelo menos uns 10 anos que eu pratico musculação,

Regularmente,

E isso me faz super bem,

Me dá disposição,

Melhorou minha postura,

Me deixa em forma.

Eu diria que eu sou uma verdadeira ratazana de academia.

Esse desafio é montado de tal forma que o objetivo é você superar a sua própria capacidade.

Você faz um teste que define uma carga inicial para o seu exercício,

E que já é uma carga bem puxada pra você.

Aí você tem algumas semanas pra treinar esse exercício e aumentar a carga,

Porque quanto mais carga você adicionar em cima daquela inicial,

Mais pontos você soma no dia do desafio.

Esse sistema é legal porque o que conta é o quanto você evolui dentro da sua condição,

E isso nivela as chances das pessoas.

A minha carga inicial foi de 32kg de cada lado do aparelho,

O supino horizontal,

Que é pra braços e peitorais,

E eu treinei sério durante um mês,

Porque sendo muito honesta,

Eu queria ganhar.

Sagitariana com ascendente capricórnio,

Imagina se eu não ia querer ganhar,

Né?

Nem um pouco.

Então chegou o dia do desafio,

Que foi em duplas.

Eu com meu exercício de força pros braços,

A minha parceira com um exercício de resistência pras pernas,

E no final nós duas tínhamos que fazer um minuto de exercício cardiovascular num simulador de remo,

Pra percorrer a maior distância possível nesse minuto.

Então tinha que dar força total e remar muito rápido.

A minha dupla seria a quarta a executar os exercícios,

E eu fiquei muito ligada nas anteriores pra ver o que elas estavam fazendo e definir a minha estratégia.

Competição,

Né?

Tem sempre uma comparaçãozinha básica com os outros.

E até que tava bem equilibrado o desafio,

Mas tinha uma participante ali que realmente desequilibrava.

Não é que ela seja um ponto fora da curva,

Tá?

É um ponto fora do gráfico.

Ela já começa o exercício com 47 quilos,

E na hora de arriscar um peso maior,

Ela adiciona mais 12.

A coisa toda vai pra 59 quilos.

Bom,

É outro patamar.

Nos treinos,

O máximo que eu adicionei na minha carga de 32 quilos foram mais 9.

E eu vendo ali o estrago daquela dupla e pensando,

Bom,

Se a minha dupla tem alguma chance de conseguir mais pontos,

É no remo.

Vou dar tudo no remo.

E falei com a minha parceira,

Vamos remar loucamente.

Aí chegou a minha vez.

Fiz três repetições com os meus 32 quilos,

Foco total,

Respiração correta,

Movimento preciso.

Depois eu tinha que fazer uma única repetição com mais carga.

E primeiro eu pedi mais 9,

Que foi o máximo que eu consegui nos treinos.

O máximo chorado,

No limite,

Quase não dando,

Mas conseguido.

Só que na última hora eu diminuí pra 8.

O que eu pensei?

8 eu consigo com certeza.

Melhor não me cansar muito,

Porque depois eu vou remar loucamente.

E o que aconteceu foi que eu levantei os 8 com muita facilidade.

Não sei se foi a vibe da torcida que incentivava todas as duplas,

Se foi a música tecno que eu adoro,

Bombando lá no meu ouvido.

O fato é que eu terminei a execução sabendo que poderia ter feito mais.

Com a força que eu senti naquele momento,

Eu poderia ter adicionado não só 9,

Mas acho que 10,

Ou até mais.

Depois teve o remo,

E eu só pensando,

Agora eu preciso dar tudo,

Preciso dar tudo.

Eu comecei o exercício com muita energia,

Mas não com tanta concentração,

Porque eu estava muito preocupada com o resultado.

E o que aconteceu?

Os meus movimentos foram meio desorganizados e o corpo levantou,

E saiu do banco do remo,

E eu caí de bunda no trilho por onde o banco desliza.

O meu professor rapidamente me levantou e colocou de volta sobre o banco,

E eu recomecei o exercício,

Mas nisso eu perdi tempo,

E a distância que eu percorri não foi grande coisa.

No final do desafio,

Entre 5 duplas,

A minha ficou em 4º lugar.

Eu fiquei frustrada,

Um lado meu sim,

Porque não ganhou medalha.

Todos nós temos um lado que adora ganhar medalha.

Vencer ou atingir um objetivo faz o nosso cérebro liberar dopamina,

Que é um dos chamados hormônios do bem-estar,

E isso faz a gente se sentir energizada,

Poderosa,

Feliz com a gente mesma.

Eu treinei para ganhar,

E senti uma certa frustração sim.

Já um outro lado meu observou tudo que aconteceu,

O tempo todo,

E recolheu informações preciosas sobre mim.

O que que me deu quando eu resolvi reduzir o peso máximo do exercício,

Quando a lógica seria aumentar?

Foi a motivação de não errar,

De não falhar.

Entre a segurança de levantar 8 quilos,

E o risco de levantar mais,

Podendo talvez não conseguir até o fim,

Eu preferi a segurança.

Eu não acho que seja uma questão de certo ou errado simplesmente,

A questão é que eu não acreditei que eu poderia fazer mais.

Logo depois que eu terminei o exercício e saí do aparelho,

Uma amiga chegou para mim e disse,

Você se subestimou,

E foi isso mesmo,

Eu subestimei minha capacidade.

Depois,

Refletindo sobre o que ela me disse,

Eu reconheci que esse feedback não se aplica só àquele desafio na academia,

Mas a um padrão de comportamento que eu tenho em algumas situações.

Quando não tem nada a perder,

Tudo bem,

Eu experimento,

Eu ouso,

Eu crio,

Eu testo,

Eu inovo,

Não tenho problema nenhum em arriscar.

Mas quando existe algo a perder,

E dependendo do que é,

Aí eu me limito.

De repente eu poderia arriscar e ir um pouco além do que é seguro naquele exercício,

Mas o medo de falhar me limitou.

Agora,

Sem arriscar,

Eu não posso saber qual é a minha verdadeira capacidade.

E por não reconhecer a minha verdadeira capacidade,

Eu acabo me subestimando.

Faz sentido?

Outro feedback interessante que eu recebi nessa experiência foi do meu professor.

No final do exercício do supino ele disse,

Sua execução foi perfeita.

Isso também diz de mim,

De como eu funciono na vida.

Eu sou muito motivada a fazer o que eu faço com excelência e me aprimorar cada vez mais.

No supino eu coloquei toda a atenção no movimento,

Na respiração,

Na execução do exercício.

E na vida eu também sou meio assim,

Eu gosto de fazer bem feito,

Gosto de melhorar o que eu faço,

Especialmente o meu trabalho.

Isso em princípio é bom,

Mas eu preciso ficar esperta para a excelência não virar perfeccionismo.

Você já ouviu um ditado que diz,

Feito é melhor que perfeito?

Pois é.

Às vezes a nossa motivação em fazer bem feito tem um fundo de perfeccionismo.

E por trás do perfeccionismo tem um grande medo de errar,

Que nos limita muito também.

Impede que a gente arrisque fazer algo novo,

Por medo de não fazer bem ou de falhar.

E no remo?

Como eu entendo o que aconteceu?

Bom,

Eu fui para esse exercício cheia de expectativas,

Pensando tanto em remar com força e velocidade que eu não prestei atenção aos movimentos que eu estava fazendo.

Foi uma experiência oposta à do supino.

Aqui eu estava preocupada demais com o resultado e não com a execução do exercício,

Com o ritmo do movimento.

Por isso eu saí do banco.

Erros desse tipo já aconteceram outras vezes,

Em outras situações da vida.

Situações em que eu fiz algo com tanta pressa,

Com tanta gana de entregar,

Que eu não prestei atenção ao que eu estava fazendo,

E algo deu errado.

Que interessante é o esporte,

Não é?

Quanta coisa a gente pode aprender sobre a gente mesma ao participar de uma competição esportiva.

Depois que o desafio acabou,

A academia ofereceu um café da manhã para as participantes,

E nós ficamos um tempo lá,

Comendo e conversando.

A mulherada se esbaldou no pão de queijo e bolo de chocolate,

Afinal precisava repor as energias,

Né?

Eu bati um papo com uma amiga que também estava tendo lá as reflexões dela.

Ela havia feito um exercício do supino,

Como eu,

Mas diferentemente de mim,

Que não arrisquei,

Ela arriscou demais,

E acabou não conseguindo levantar o peso,

E não pontuou.

Eu sou muito competitiva,

Ela disse aborrecida.

E excesso de competitividade também pode atrapalhar,

Não é?

De repente você vê alguém atingir determinado resultado,

E impõe o mesmo pra você,

Motivado pela ideia de não ficar pra trás.

Você se mede pela régua do outro,

E não tem a sua própria régua.

Você olha pro outro,

Mas não olha pra você,

E não reconhece aquilo de que você realmente é capaz.

E isso,

Na verdade,

Não é justo pra com você,

Porque impede de reconhecer as suas qualidades,

As suas potencialidades,

E principalmente o seu valor.

E aqui se encaixa a pergunta que é o título deste episódio.

Com quem a gente realmente compete?

Pense um pouquinho.

Com quem a gente realmente compete?

A gente compete é com a gente mesma.

O que a gente enfrenta numa competição,

Seja no esporte,

Seja na vida,

É tudo aquilo que nos limita.

É o nosso perfeccionismo,

O nosso medo de errar,

De arriscar e perder,

São os nossos apegos,

É a nossa crença sobre não ser bom o suficiente,

São as lacunas do nosso autoconhecimento,

São os nossos auto-julgamentos severos,

É a nossa carência por reconhecimento,

Por aprovação,

É a nossa necessidade de validação social,

É o nosso medo do novo,

Do desconhecido,

É tudo aquilo que a gente não aceita ou rejeita em nós mesmos.

O que a gente enfrenta,

Realmente,

Não está fora,

Mas dentro de nós.

E isso é uma boa notícia,

Porque se a gente enfrenta o que está dentro,

A gente sempre pode ganhar.

Ganhar autoconsciência,

Ganhar autoconhecimento.

Externamente eu não posso dizer que ganhei o desafio,

Mas internamente eu ganhei algo,

Eu ganhei um pouco mais de clareza sobre mim,

Sobre aspectos meus que eu posso trabalhar,

Sobre no que eu posso crescer,

E de verdade,

Eu estou bem com o que eu ganhei.

Agora,

Para a gente ganhar sempre,

Em qualquer circunstância da vida,

São importantes duas coisas,

Uma é a autocompaixão.

Autocompaixão implica no reconhecimento sem julgamento da nossa condição humana vulnerável e imperfeita.

E implica também em fazer algo para nos sentirmos melhor.

Eu não estou me batendo porque não arrisquei,

Nem porque caí do remo,

Eu reconheço que no primeiro momento falhei e que as minhas falhas causaram frustração,

Mas eu escolhi ser gentil comigo e dizer,

Tá tudo bem,

Essas coisas acontecem,

Agora eu sei que não funcionou e posso trabalhar para ficar mais contente comigo da próxima vez.

Outra coisa importante para ganhar sempre é ter disposição para aprender sobre nós mesmos,

É nos olhar com honestidade,

Aceitar o que aconteceu,

Estar abertos para os feedbacks das pessoas e refletir.

Eu aprendi a valorizar os feedbacks porque tem vezes que eles nos trazem uma perspectiva diferente da que temos em nós mesmos e mostram como somos percebidos,

E tem vezes que os feedbacks confirmam o que sabemos a nosso respeito,

Mas de repente não queremos admitir.

Foi bom ter ouvido você se subestimou,

Porque isso confirmou a minha auto-percepção de não ter acreditado na minha capacidade naquele momento,

E isso é algo que eu preciso trabalhar em mim.

Bom,

É isso,

Com quem realmente competimos é conosco mesmos.

E o que realmente ganhamos quando competimos é auto-consciência e maior compreensão sobre nós mesmos,

E isso não é pouco.

Que você esteja bem,

Um abraço.

4.9 (38)

Avaliações Recentes

Bernadete

January 24, 2024

🙏

josé

September 27, 2022

Estou viciado nas suas falas. Ouço sempre antes de dormir e repito ao acordar. O cansaço da noite não me deixa absorver tudo que fala. Hoje retifiquei algo que desconfiava porque via semelhança demais entre nós: você é sagitariana hahahahaha Pode parecer bobagem, mas há um reconhecimento quando os sagitarianos exploram bem sua parte boa e controlam a ruim. Gostaria de poder conversar mais contigo. Abraço e parabéns.

Daniela

February 5, 2022

Como é bom te escutar! Sempre maravilhosa!

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