12:44

O Poder da Pausa

by Flavia Machioni

rating.1a6a70b7
Avaliação
5
Group
Atividade
Meditação
Indicado para
Todos
Plays
682

É na observação, na reflexão que surge a força criativa, ou seja, a força para criar, construir, fazer. A criatividade não é amiga da pressa. Ela é amiga do ócio. Paradoxal, não? Para criar eu devo então, não fazer? Mas como parar em uma sociedade em alta velocidade? Nesse episódio do Bocadinho trago reflexões e lições centenárias após minha temporada na Itália e na Blue Zone da Sardenha. Espero você no Instagram @flaviamachioni para ouvir sua opinião.

Transcrição

Você tem maneira mais clara de falar sobre o poder da pausa do que contando o processo criativo desse pequeno episódio eu desconheço no momento.

Eu pensei que eu entregaria episódios semanais aqui no Bocadinho,

Não rolou e eu vou te contar porque.

A criatividade não é amiga da pressa,

Ela é amiga do ócio.

É na observação,

Na reflexão que surge a força criativa,

Ou seja,

A força para criar,

Construir e fazer.

Paradoxal não?

Para criar eu devo então não fazer.

Eu passei os últimos dois meses viajando.

Eu comecei a escrever esse texto em setembro,

Em uma praia isolada na Sardenha.

Eu estava literalmente banhando na água,

Olhando o céu e sentindo a diferença de temperatura da água e do meu corpo quente do sol.

Alguns barcos em volta de mim e eu boiando na água.

Eu estava 100% ali e conseguia ouvir o meu coração batendo,

Conseguia ouvir o barulho do mar.

De repente me veio um insight e eu comecei a entender porque eu me levei tão distante de todos e todos que eu conhecia.

Saí nadando em direção à areia para começar esse texto no bloco de notas do celular.

Desde então eu peguei ele em várias das 25 cidades que eu passei na Itália.

Peguei ele de novo no voo de Milão para São Paulo no início de novembro,

Achando que eu fecharia para gravar e colocar no ar assim que eu chegasse.

Mas é só agora,

Início de dezembro,

Que eu estou finalizando o texto no meu sofá em São Paulo.

Pela primeira vez na vida eu respeitei o poder da pausa.

Mais do que isso,

Eu entendi a necessidade dela.

Mas como parar se todo mundo ao nosso redor está com tanta pressa?

Parece errado,

Né?

Imagina não fazer nada?

Como assim?

Tem tanta coisa acontecendo e eu não vou fazer nada?

Pois é,

Mas tanta coisa acontecendo,

Tanta gente fazendo um monte,

Não parece que está dando certo.

A gente está fazendo muito e ainda não está bom,

Ainda não é suficiente,

A gente ainda não está feliz,

A gente está sempre cansado e quase nunca satisfeito.

Estamos ansiosos,

Com medo,

Tristes,

Frustrados.

Nos dedicamos a coisas e pessoas que às vezes nem são o que realmente gostamos e queremos.

E o pior é que às vezes a gente nem sabe o que a gente gosta ou quer de verdade.

E toda essa pressa,

Esforço e abdicação do hoje vai ser a felicidade e a paz do seu futuro?

Ou melhor,

Que futuro é esse que a gente passa a vida esperando enquanto esquece de perceber o agora?

É só quando a velocidade diminui que a gente consegue perceber a paisagem,

É no silêncio que a gente consegue escutar de verdade,

É na calma que a gente se conecta com o que existe e é justamente nesses momentos que conseguimos nos conectar com a nossa essência,

Com a sabedoria milenar da natureza que o nosso corpo carrega e que assim como tudo na natureza,

Sabe que tudo tem o seu tempo.

A gente precisa de tempo para digerir,

Para acomodar,

Tudo que vivemos e vemos se torna uma partezinha da gente e é só com calma que tudo se acomoda.

Na correria do dia a dia a gente coloca as coisas de qualquer jeito,

Empilha sentimentos,

Emoções,

Pensamentos,

Deixa tudo jogado e amontoado.

Não paramos nem para ver o que a gente está acumulando,

Muito menos em cima de que ou de quem estamos jogando.

É o padrão que a nossa sociedade se moldou,

Mas ele não funciona.

Se funcionasse,

Não estaríamos tão carentes e ao mesmo tempo tão amedrontados de nos entregar e sentir.

Não precisaríamos ir em festas e sair do corpo,

Nos intoxicar durante as férias ou fim de semana para anestesiar a semana ou o ano de trabalho.

Não precisaríamos consumir tanto para ter um prazer momentâneo e não iríamos comer de mais ou de menos.

Mas tudo bem,

É o processo e é com ele que conseguimos aprender e precisamos respeitá-lo.

Mas respeitar o processo não quer dizer se acomodar e usar ele como justificativa pela vida mais ou menos que estamos levando.

Nessa mesma semana de setembro,

Na Sardenha,

Eu fiquei onde tem uma das maiores populações centenários saudáveis e ativos do mundo.

Foi uma das experiências mais intensas que eu já tive.

Eu fui para lá justamente para pesquisar e estudar sobre longevidade.

E assim eu entrei na casa deles,

Conheci a história,

Conversei com o médico que mais cuidou dos centenários na Itália,

Com os pesquisadores que estudam os fatores desse fenômeno de longevidade.

Visitei sítios arqueológicos,

Produções de azeite,

De vinho,

Mel,

Queijo.

Você não faz ideia do que eu vi,

Ouvi e vivi.

Eu tentei explicar pra minha mãe,

Pros meus amigos,

Mas não tem como.

Primeiro porque eu me emocionava de um jeito que começava a chorar.

E segundo porque a gente não explica sentimento,

A gente sente.

Qualquer tentativa de explicar sentimento fica muito,

Muito,

Muito menor.

Mas mesmo assim eu vou tentar.

Eu começo dizendo que o tempo lá tinha outro ritmo.

As cidadezinhas dos centenários não usam o mesmo relógio que a gente.

Eles não tem pressa,

Eles saboreiam os minutos.

Eles fazem tempo pra almoçar em uma quarta-feira com toda a família até as três da tarde.

Eles fazem tempo pra preparar suas refeições,

E mais que isso,

Seus alimentos.

Eles convivem perto da natureza,

E assim eles estão constantemente lembrando que as coisas levam tempo.

A cabra não vai dar leite o tempo todo,

Porque quando ela engravidar,

Ela vai amamentar o neném dela,

Não a gente.

Não vai ter pêssego o ano inteiro.

E a época de colher uva pra fazer vinho é específica,

Não adianta achar ruim.

Se quiser vinho de qualidade,

Você que respeite o tempo da uva.

Talvez por isso eles vivam mais de cem anos,

Porque eles não querem fazer tudo de uma vez.

Já a gente,

Parece viver como se fôssemos morrer no fim do ano,

Infelizmente às vezes é o que acontece.

É uma pressa,

Uma correria,

Uma ansiedade,

Pra quê?

Pra morrer rico?

Morrer magro?

Morrer com um cargo alto na empresa?

Sério,

Pra que a nossa pressa?

Pra que essa ansiedade de querer ter mais?

Por que a gente tem focado tanto nisso e tem esquecido em desenvolver o que realmente somos?

Estamos sempre querendo ir mais longe,

Sempre achando que na frente vai ter algo melhor,

Na outra cidade um lugar mais legal,

No outro bar alguém mais interessante.

Mas não tem,

Sabe por quê?

Porque a pessoa que continua buscando isso,

Ou seja,

Você,

Continua a mesma.

E se você vive no mesmo mundo que eu,

Que não é o dos centenários sardos,

Você também desconhece o poder da pausa.

Conversando com eles,

Com os filhos,

Sobrinhos,

Vendo de perto o ritmo,

Ouvindo as conversas,

Não parece que eles pensam como a gente.

Não parece que eles acham que tem algo melhor amanhã do que o que tem hoje.

Hoje tá bom.

Parece que eles escolhem e pronto.

Não ficam questionando a escolha o tempo todo,

Pensando que poderia ter algo melhor ou em dúvida se deveriam ter feito isso mesmo.

Eu não tô dizendo que a gente deve se acomodar.

Mas eu me pergunto se estamos correndo e buscando tanto pelos motivos certos,

Ou se estamos correndo e buscando tanto só pra anestesiar o nosso dia-a-dia,

De uma sociedade que faz quase nada pra sair do superficial.

Eu fui em um restaurante de agriturismo,

Numa cidade chamada Oliastra,

Na mesma região dos centenários da Sardenha.

A Franca e a família dela recebem turistas e cozinham uma refeição impecável e maravilhosa com o que eles mesmos cultivam.

Do vinho ao queijo,

Pão,

Carne,

Vegetais,

Frutas e massa.

Eles me receberam muito bem.

Eu me senti querida,

Bem-vinda e pude ajudar eles na cozinha,

Enquanto eles me explicavam como fazer uma farinha de sêmola,

A massa,

Os recheios,

O queijo.

Eu consegui sentir como eles são felizes,

Satisfeitos e orgulhosos com o trabalho e família que têm.

Em um momento eu falei pro marido dela que onde eu moro,

Em São Paulo,

Tem 12 milhões de pessoas,

Que pra mim,

Ver tudo aquilo era algo muito especial e diferente.

Eles olharam incrédulos e falaram que 12 milhões de pessoas em uma cidade é muito.

A Franca sorriu,

Disse que ali eles são em 5.

Um pouco mais quando recebem mais pessoas.

O marido dela olhou pra ela sorrindo e disse E va bene.

Dei um sorriso e vejo ela.

E ali me deu mais um clique.

A gente realmente não precisa de muito pra ser feliz.

Aquela noite,

A energia,

A sintonia deles,

A conexão,

O amor era tão grande que eu senti.

E talvez seja justamente na pausa,

No intervalo,

Fazendo nada,

Que a gente consiga saber o que a gente precisa de fato.

É na distância do agito,

Sem tanto estímulo o tempo todo,

Sem tanto barulho.

No silêncio,

No recolhimento,

Na escuridão,

No vazio e até na tristeza e na solidão.

É ali que a gente encontra o que a gente busca tanto fora.

Mas pra isso,

Você precisa da pausa.

Você não sabe como tem sido transformador diminuir o ritmo.

Parar,

Deixar de fazer,

Deixar dar errado,

Deixar acontecer o que acontecer.

Largar as expectativas que eu mesma criei e que quando parei pra ouvir,

Percebi que não ressoavam com o que eu queria de verdade.

Estamos em dezembro e naturalmente a gente fica mais reflexivo.

Eu quero convidar você a se entregar ao poder da pausa.

Pare totalmente por pelo menos 10 minutos por dia,

De hoje até o dia que você sentir ou ouvir algo que não esperava.

Nesses 10 minutos,

Não faça nada a não ser estar onde você estiver.

Sem celular,

Sem companhia,

Sem livros,

Sem fone de ouvido,

Sem música.

Pare tudo e fique em silêncio.

Aonde você quiser,

Aonde você gostar,

Aonde você puder.

Mantenha essa prática pelo tempo necessário,

Não tenha pressa.

Nada de valor surge do nada.

Construa sua pausa.

Coloca a sementinha,

Regue,

Dê tempo e espaço.

Quando você menos esperar,

Vai vir o brotinho e a partir dali,

Só vai ampliar.

Se entregue ao poder da pausa.

Ouça a sua respiração.

Ouça a respiração de quem está do seu lado.

Ouça a sua voz e a voz de quem está com você.

Quando você estiver,

Esteja 100%.

Eu estou muito feliz de voltar a gravar e produzir esse projeto que eu gosto tanto.

Eu demorei para entregar,

Mas saiba que quando eu entrego,

Eu entrego de corpo e alma.

E assim eu retomo nosso bocadinho,

Querido,

E espero que você goste dessa segunda temporada.

Aproveito para agradecer a todas as mensagens e feedbacks.

Eu fico muito feliz em saber que vocês gostam do conteúdo.

Espero vocês lá no Instagram e eu te vejo no próximo.

Um beijo!

5.0 (58)

Avaliações Recentes

Bernadete

March 19, 2024

🙏

Ana

October 5, 2021

Maravilhoso

Paulo

September 15, 2020

Era justamente o que eu precisava ouvir hoje. Obrigado por compartilhar 💚

Clara

September 13, 2020

Demais esse episódio!! 👏

neide

August 20, 2020

Sensacional! 👏👏

Ingrid

June 11, 2020

maravilhoso, obrigada por compartilhar essa experiência de vida e pelo texto tão cativante.

Maria

April 29, 2020

Muito bom!!! Gratidão

Rodolfo

April 27, 2020

Gratidão por ter partilhado esses pensamentos. Transformador. 🙏

Márcia

April 27, 2020

Perfeita reflexão. Gratidão ! 🙏

Luciano

April 26, 2020

Gratidão pelas palavras

© 2026 Flavia Machioni. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

Trusted by 35 million people. It's free.

Insight Timer

Get the app

How can we help?

Sleep better
Reduce stress or anxiety
Meditation
Spirituality
Something else