17:55

Podcast Bocadinho - Autoestima

by Flavia Machioni

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Ter autoestima forte pouco tem a ver com se achar bonito ou estar dentro de padrões de beleza ou sucesso. Muitas vezes é justamente não estando nesse padrão que se tem autoestima, já que para ter ela é necessário não determinar seu valor pela opinião dos outros ou circunstâncias externas. Na reflexão do episódio de hoje conto porque eu acredito que muitos dos que falam de autoestima e aceitação estão, na verdade, correndo atrás do próprio rabo.

Transcrição

Depois de alguns episódios falando sobre a nossa autoimagem,

Corpo e padrões,

Hoje eu quero falar sobre autoestima.

Eu tava relendo um livro que eu gosto muito quando me veio um insight sobre o porquê que eu gostaria de falar sobre o assunto e,

Principalmente,

A forma que eu quero trazer essa reflexão pra você,

Meu querido ouvinte.

Nessa temporada do Bocadinho,

Eu tô focando no autodesenvolvimento.

Nos últimos nove episódios,

Eu falei sobre pontos que eu considero importantes nessa caminhada do aperfeiçoamento,

Que essencialmente faz com que os nossos dias se tornem mais leves e assim a gente consiga ser mais saudável e feliz,

Que é o meu verdadeiro objetivo com o meu trabalho.

Nos episódios em que eu falei de autoimagem,

Padrões e empatia,

Eu achei que faltou um conceito fundamental pra fechar esse tópico,

Que é a autoestima.

Pra mim,

Uma coisa fundamental pra começar a entender ou trabalhar algum conceito é primeiro defini-lo.

Assim,

A definição de autoestima que eu vou usar pra essa reflexão de hoje é um misto de alguns autores que eu li nos últimos anos.

Pra sintetizar,

Eu vou ler um trecho do livro Imersão,

Do psiquiatra e pesquisador Diogulara,

Que já foi o meu convidado aqui no Bocadinho.

A base da autoestima está no alto.

É o que pensamos sobre nós mesmos,

É a possibilidade de nos legitimarmos cientes das nossas limitações e das nossas imperfeições.

O presente mais valioso que só nós podemos nos dar é genuinamente reconhecer o nosso próprio valor.

Ao contrário do senso comum,

O essencial não está na noção de se sentir especial ou acima da média,

Ou até mesmo de ser especial ou acima da média.

Quem tem autoestima sadia não precisa ser mais do que outros nem precisa provar o seu valor.

Sente-se bem consigo mesmo,

O que é suficiente.

A alegria está em ser quem se é.

E isso basta para estar essencialmente satisfeito com a vida.

A felicidade dessa pessoa não é pautada pelas circunstâncias do cotidiano nem pela opinião dos outros.

Tampouco é definida pelos resultados das suas ações e sim pela maneira como se envolve nas atividades que fazem parte do seu dia a dia.

Eu vou repetir essa parte que eu acho muito interessante.

Quem tem autoestima sadia não precisa ser mais do que outros nem precisa provar o seu valor.

Sente-se bem consigo mesmo,

O que é suficiente.

A alegria está em ser quem se é.

E isso basta para estar essencialmente satisfeito com a vida.

A felicidade dessa pessoa não é pautada pelas circunstâncias do cotidiano nem pela opinião dos outros.

Pra mim,

A maior parte das pessoas quando falam hoje em dia sobre autoestima ou quando pensam estar trabalhando a sua,

Estão correndo atrás do próprio rabo.

Nessa turma não entram só as pessoas que estão na busca estética incansável e muitas vezes prejudicial,

Mas também as que resolveram que não queriam mais se depilar,

Fazer a unha,

Usar maquiagem,

Fazer intervenções estéticas ou cirúrgica.

Essa maioria,

Que envolve os dois lados ou quantos existirem,

Pra mim estão correndo atrás do próprio rabo porque depois de fazerem as suas escolhas,

Ficam militando para outras pessoas não só aceitarem a decisão delas,

Mas para que entrem no coro e ajudem a fazer com que todo mundo aceite,

Entenda e diga que acha bonito,

Legal ou certo as suas decisões.

Você percebe que é uma atitude que o indivíduo faz,

Mas que espera,

Precisa e até impõe que os outros aceitem?

Percebe que é uma ideia de aceitação que não é baseada no seu próprio bem-estar e conforto em estar na sua pele,

Mas sim no bem-estar e conforto que o outro vai trazer ao aceitar,

Apoiar e achar bela a sua decisão,

Aparência,

Estilo,

Profissão e o que mais seja que você optou fazer pra tentar ficar confortável sendo quem você é?

Pra mim,

Correm atrás do próprio rabo porque é uma autoestima baseada na validação das suas escolhas pelo outro.

Veja se já aconteceu algo assim com você.

Você vai no shopping,

Passa na frente de uma vitrine e vê uma roupa linda,

Mas que você nunca achou que combinaria com você.

Você decide entrar e provar.

No provador você olha no espelho e se sente linda ou lindo.

O corte da peça ficou legal,

O tecido é gostoso.

A cor não é o que você costuma usar,

Mas até que você ficou bem.

Aí você lembra que tem o aniversário de um super amigo no fim de semana e resolve que vai levar.

Você pensa que vai ser legal dar uma mudada.

Tanto aconteceu com você nos últimos tempos que,

Quem sabe,

Mudar um pouco o estilo não seja algo a se fazer.

Você dá um sorrisinho pra si mesmo no espelho do provador,

Troca de roupa,

Paga o look novo e sai satisfeito da loja.

Chega o dia da festa,

Você se arruma,

Olha no espelho e confirma.

Tá demais!

Você chega na festa e percebe que todo mundo olha pra você.

Você sente um misto de vergonha,

Entusiasmo,

Nervosismo e alegria.

Você começa a dar oi pros amigos,

Todo mundo percebendo que você tá diferente.

Alguns elogiam o seu look.

Até que chega aquele amigo sempre debochado e fala,

Nossa,

Tá sem máquina de lavar em casa?

E você,

Meio sem entender a ironia,

Fala,

Hã?

Não,

Por quê?

E ele responde,

Teve que pegar a roupa emprestada,

Né,

Porque é óbvio que isso aí não é seu.

Nessa situação,

Existem dois comportamentos prováveis,

O com pouca autoestima e o com boa autoestima.

No primeiro caso,

A pessoa vai imediatamente se encolher.

Os ombros vão se curvar,

A cabeça vai ficar mais baixa,

O sorriso vai diminuir e a pessoa passa o resto da noite só pensando como foi ridículo achar que seria a hora de fazer algo diferente e novo,

Porque é óbvio que não deveria.

No segundo caso,

A pessoa vai dar um sorriso amarelo,

Responder qualquer coisa para o debochado e seguir a sua noite.

Vai continuar se sentindo linda ou lindo e vai continuar se sentindo bem e continuar gostando da roupa.

E aqui eu usei um exemplo bem simples,

Mas eu vou um pouco mais além.

Eu vou fazer um comparativo entre homem e mulher baseado no ponto que eu quero trazer aqui,

Que é o resgate do poder da autoestima pelo indivíduo.

O que já ouvi muito,

Inclusive,

Foi um dos temas que eu conversei com a psicóloga Raquel no episódio Sua Autoimagem,

Que mulher tem que estar sempre bem vestida,

Arrumada e etc.

É comum ouvir que é injusto termos que gastar tempo do dia se arrumando,

Passando maquiagem,

Escolhendo roupa e usando sapato de salto para trabalhar,

Se não vão dizer que estamos mal arrumadas e somos desleixadas.

Algumas pessoas vão além e dizem que esse tempo gasto com a aparência é um dos motivos que fazem as mulheres não crescerem tanto em suas profissões,

Pois comparando com os homens,

Eles não precisam gastar tanto tempo com isso como nós e por esse motivo podem focar mais em seu crescimento profissional.

Esse é um dos argumentos que eu já ouvi de algumas pessoas e por muito tempo eu concordei e eu pensei,

É injusto mesmo.

E sim,

É bem possível que se você chegar no seu escritório mal arrumada,

Mal vestida,

Com o cabelo bagunçado,

Vão falar.

Mas aí eu parei para refletir se esse falatório é algo que só acontece com mulher.

E não,

Isso não é só com mulher.

Também falam de homem mal vestido e mal arrumado.

Eu tenho um amigo que é muito bem sucedido,

Ele é CEO de uma empresa milionária.

Ele é uma das pessoas mais desleixadas e mal vestidas que eu conheço.

Ele usa sempre uma camiseta preta,

Tem uma única calça jeans,

Usa tênis de corrida no dia a dia,

Fica semanas sem fazer ou aparar a barba,

Meses sem cortar o cabelo.

Todo mundo fala que ele não se veste bem e tem aparência de descuidado.

Volta e meia vão falar que ele devia cortar o cabelo e aparar a barba.

Todo mundo fica opinando.

Os sócios dele,

A família,

Os amigos,

A namorada.

E sabe o que ele faz?

Nada.

Ele ignora.

Agora,

Se alguém falar ou questionar a influência dele,

O poder que ele tem na empresa ou a sua situação financeira,

Aí você vai ver ele abalado.

Ou seja,

De maneira geral,

A pressão que homens sentem é diferente da pressão que as mulheres sentem.

Segundo,

As pessoas falam,

Independente se é homem ou mulher.

E terceiro,

A resolução da questão não é externa,

É interna.

Sinceramente,

Eu acho que muito do discurso da mulher que sofre porque tem a pressão de estar sempre maquiada,

Bem vestida e feliz,

É repetição de um discurso que não cabe mais hoje em dia.

Assim como o discurso do homem ter que ser poderoso,

Influente e rico para ser bem visto e querido,

É repetição de discurso.

Não que essa pressão não exista,

Ela existe sim.

Mas a imposição não é de fora para dentro.

Isso está internalizado na gente.

Está internalizado porque por muito tempo nós,

E quando eu digo nós eu estou me referindo aos seres humanos,

Independente do gênero,

Aprendemos a olhar para fora para explicar ou legitimar o que sentimos dentro.

E é aqui que está o meu ponto.

Que autoestima é essa que fica baseada fora de si mesmo?

Que ideia é essa de que quando decidimos optar por um caminho,

A gente precisa convencer os outros ou saber que os outros apoiam ou acham bonito?

Para mim,

Quando eu digo que as pessoas estão correndo atrás do próprio rabo,

É justamente porque acham que estão se aceitando e que estão em paz com suas decisões,

Mas na verdade elas estão pedindo para os outros aceitarem e gostarem delas com as decisões que elas tomaram.

Aí,

Quando os outros não aceitam,

Elas ficam ofendidas,

Se vitimizam,

Dizem que são opressores superficiais ou tóxicos.

Mas a questão não é os outros gostarem.

A questão não é os outros apoiarem,

Os outros acharem bonito,

Os outros elogiarem,

Os outros ajudarem a mostrar que o seu lado ou decisão está certa.

A questão é você parar de esperar isso.

Autoestima é você fazer o que você quer ou precisa para ficar bem com você mesmo,

Independente se os outros reparam,

Apoiam,

Elogiam ou gostam.

Como diz o psiquiatra David Hawkins,

A autoestima de todos é constantemente ameaçada por dentro e por fora.

Se olharmos de perto a vida humana,

Veremos que é essencialmente uma longa e elaborada luta escapar aos nossos medos e expectativas interiores que foram projetados no mundo.

Como enxergamos o mundo é um reflexo de como enxergamos a nós mesmos.

Nós projetamos o que sentimos no outro.

O que mais incomoda no outro é o que mais incomoda na gente e o que a gente mais teme que aconteça é o que mais nos afeta quando alguém faz um comentário sobre.

Alguém com autoestima alta está satisfeito com quem é?

É a pessoa que não se importa com o que o outro veste,

Compra e faz.

É a pessoa que pode estar usando uma peruca vermelha e azul,

Metade lisa e metade enrolada,

Que quando sair na rua e um conhecido encontrar e rolar aquela conversa de elevador,

Falar um nossa,

O que aconteceu com o seu cabelo,

A pessoa vai falar,

É uma peruca,

Eu adoro.

Independente se a pessoa falar,

Credo,

Que coisa mais ridícula,

Ou se ela falar,

Uau,

Quanto estilo,

Parabéns,

O sujeito vai continuar o seu dia independente.

Autoestima é você deixar a sua perna sem depilar e não dar a mínima se os outros estão depilando.

É saber que se alguém diz que não gosta de você porque você não usa maquiagem todo dia ou porque você usa o seu dinheiro comprando creme redutor e celulite,

A pessoa não merece meio segundo da sua atenção.

Porque se você permite que meçam o seu valor pela quantidade de pelos que você tem no corpo,

Por onde você decide usar o seu dinheiro ou pela quantidade de coisas que você tem,

É porque você,

Em primeiro lugar,

Mede o seu valor assim.

Você entende o que eu estou trazendo aqui?

Autoestima tem que estar focado no auto,

Que do grego é próprio.

Tare de querer que o outro legitime o que você acha,

O que você está fazendo ou como você está aparentando.

Não se importe com o outro.

Uma das coisas mais práticas para a saúde emocional é reforçar a autoestima.

E ter autoestima não garante felicidade,

Mas a sua falta está sempre ligada a algum grau de mal-estar e frustração.

O outro sempre vai achar algo para falar de você.

Assim como bem provavelmente você também sempre acha algo para criticar no outro.

O alívio da pessoa média é falar do outro.

É isso que eles têm para se sentirem superiores em sua vida sem sentido e levemente frustrada.

E foi o que eu falei no episódio passado.

Quem está bem não usa o seu tempo para falar dos outros,

Muito menos para falar coisa ruim ou maldosa.

Quanto antes você desencanar dessa aprovação externa,

Mais cedo a sua autoestima fica forte.

Mais cedo também você para de perpetuar esse hábito péssimo,

Que é dar a sua opinião quando ninguém pediu.

Eu já falei aqui na 7ª temporada outras vezes.

Não fique olhando para o lado para ver se está no caminho certo.

Vai para dentro de você,

Lá no fundo.

Vai descobrir quem você é,

O que você gosta,

O que te importa,

Do que você não abre mão e para o que você nem liga.

Se por acaso você é ou conhece alguém que fica constantemente falando o que pode ou não pode em termos de estética,

De estilo de roupa,

Estilo de vida,

Escolhas financeiras,

Profissionais,

Alimentares ou qualquer outra coisa,

Talvez você seja ou esteja próximo de pessoas com baixa autoestima que fingem ter boa autoestima.

Uma boa autoestima é frequentemente confundida com confiança excessiva ou arrogância,

Que são características relacionadas à falta de autoestima honesta e não à sua abundância.

Uma avaliação muito positiva e superficial de si mesmo está mais para autoengano do que para autoestima e também cobre o seu preço quando nos chocamos com a vida real.

Quanto mais você precisa provar um ponto,

Mais inseguro você está sobre ele.

Se você está confortável de verdade com as suas escolhas,

Se você sabe quais são os seus valores,

O que você quer,

O que é importante para você,

O que as outras pessoas fazem,

Pensam ou falam pouco impacta a sua vida.

E sim,

Eu acho muito válido e importante pessoas e iniciativas que promovam espaço para diálogos que ainda têm pouco espaço,

Mas eu sinceramente acho que os indivíduos que buscam nelas legitimização estão esquecendo um ponto fundamental da mudança de comportamento,

A ação.

Não tem nada nem ninguém que pode te salvar ou te derrubar além de você mesmo.

Buscar ajuda,

Auxílio,

Apoio,

Vozes para deixarem o seu coro mais alto é sim fundamental,

Mas isso não vai resolver nada se você não fizer algo de fato.

A gente não inspira ou convence o outro forçando eles a aceitarem e entenderem ou fazerem o que nós estamos fazendo.

A gente inspira o outro quando ao estar bem e confortável com as decisões que nós tomamos,

A gente vive a nossa vida com propósito e mostramos os nossos valores e nossa mensagem através de atitudes.

As atitudes falam mais alto do que as palavras.

O discurso vazio de ação some no ar.

Por isso,

Ficar em um pedestalzinho apontando como os outros estão errados por não estarem te apoiando,

Aceitando,

Elogiando pela decisão que você tomou é falta de autoestima.

Pior,

Ficar lá falando que quem está fazendo diferente ou o oposto de você está errado e não deveria ter espaço porque eu tiro o seu é vitimismo disfarçado de militância.

A minha mensagem aqui como mulher é,

Os padrões são difíceis de seguir sim,

Mas a decisão de continuar sendo pressionada por eles é nossa.

É chato ouvir comentários negativos sobre a sua aparência e as suas decisões?

Sim,

Claro que é,

Mas a escolha de ficar paralisado,

Ofendido ou irritado com eles é nossa.

A autoestima forte traz resiliência,

Força e maior capacidade de regeneração.

As pauladas da vida vão ter que ser muito maiores para nos derrubar.

Um cara chato ou uma tia debochada falar sobre o nosso cabelo,

Peso,

Bunda ou roupa não vão ser suficientes para fazer a gente perder tempo fazendo coisas que não queremos,

Gastar dinheiro com coisas que não precisamos e energia com pessoas que não gostamos.

Autoestima é limite,

Limite vem de valores definidos,

Valores definidos vem com autoconhecimento e autoconhecimento vem do desconforto e da coragem de se olhar no espelho e mudar o que for preciso.

Assim eu encerro mais uma reflexão aqui do Bocadinho nessa segunda temporada focada no autodesenvolvimento.

Espero você lá no Instagram,

Para saber a sua opinião e o que você achou dessa reflexão.

Você já tinha parado para pensar na autoestima com esse olhar?

O que você achou?

Te vejo na próxima semana e muito,

Muito,

Muito,

Muito obrigada pela audiência.

4.9 (86)

Avaliações Recentes

Thais

November 4, 2024

Obrigada como foi bom escutar cada palavra 🌹

Bernadete

July 15, 2024

🙏

Clarice

April 16, 2024

Amei seu podcast, Flavia! Eu a conheci através do site Lactose Não! É um imenso prazer agora conhecer mais esse lindo trabalho! Parabéns pela iniciativa!

Nayara

March 24, 2024

Gratidão por falar sobre isso e de forma tão leve. 🙏🏻♥️

Vanessa

November 27, 2023

Excelente.

Manuella

September 16, 2022

Maravilhoso!!!

Tania

February 1, 2021

Sensacional!! Flávia conseguiu sintetizar, denominar, qualificar, significar e ressignificar tudo sobre autoestima!! Vou ouvir todos os dias e me inspirar!! Aprender e evoluir. Obrigada por compartilhar 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Tamiris

August 5, 2020

Incrível.

Carmen

July 28, 2020

Excelente falou tudo que no momento precisava ouvir parabéns

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